ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 561 - 9/2/2010
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ENTREVISTAS DE LULA
Um gênio que não se compreende?

Por Eugênio Bucci em 28/10/2009

** Dois sentidos convergentes

O título deste artigo tem dois sentidos óbvios – são distintos, mas não são divergentes. O primeiro é mais imediato: refere-se a um gênio que não compreende a si mesmo, que não sabe dizer como é que ele próprio funciona, como pensa, quais máximas guiam suas ações – e, não obstante, ele funciona, pensa e age com maestria. O segundo sentido indaga se o suposto gênio não carece da compreensão dos seus contemporâneos. O interessante é que um e outro sentido nos servem. Por um ou por outro, chegaremos ao mesmo lugar. Pode ser um bom lugar, desde que essa condição que se vai associar à figura do presidente da República, a condição de um político genial, seja posta, por enquanto, sempre diante de uma interrogação. A genialidade não é algo que se afirme assim, sem mais nem menos. Mas, na altura em que nos encontramos, já é algo que se pode ao menos perguntar.

Fora isso, há ainda outros sentidos nesse título, mas desses não nos ocuparemos agora.

 

** Da genialidade como defeito

A percepção de que Lula tem um quê de genial começa a ser falada por aí, embora um tanto timidamente, com parcimônia. Com um toque curioso: ela aparece mais em discursos que criticam e menos naqueles que elogiam o presidente. Por exemplo: há poucos dias, o articulista José Nêumanne Pinto anotou com todas as letras: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um gênio da política e disso não dá para duvidar." ("Banzé brasuca em Tegucigalpa", O Estado de S. Paulo, 30/9/2009)

Os aliados preferem não se manifestar sobre a poderosa intuição de seu líder, talvez para não passarem por bajuladores – embora, não raro, sejam pouco mais que bajuladores. Já os adversários lhe reconhecem os dons de raríssima acuidade política. Como eu disse, aqui e ali esse reconhecimento já se faz notar. Alguns, no entanto, ao se permitirem admitir o brilho político de Lula, adotam não o tom de elogio, como fez Nêumanne, mas um tom de admoestação. É gozado. Eles não o aplaudem: eles o acusam de ser um virtuose no jogo do poder. Eles o acusam de ganhar todas, de driblar os adversários a ponto de fazê-los perder o rumo, eles o acusam de ser um craque. A sua eventual genialidade, portanto, vira uma espécie de vantagem indevida, uma forma de concorrência desleal. Se dizem que ele é um craque, dizem-no apenas para pedir que se comporte, para exigir dele que não abuse de sua superioridade individual. É quase como se pleiteassem que o presidente fosse considerado hors-concours logo de uma vez, já que, contra ele, os normais não conseguem competir.

Repito que não é esse o caso de José Nêumanne Pinto, mas, em geral, o discurso daqueles que tentam desqualificar o presidente passou por uma transição particularíssima. Antes, eles o atacavam porque ele não tinha diploma, não era poliglota e não lia cinco livros por semana. Agora, atacam-no por ter inteligência, sensibilidade e capacidade de liderança acima da média, mesmo sem ter pós-doc, mesmo sem saber recitar de cor, e em alemão, A crítica da razão pura.

Atacam-no porque seus talentos se converteram agravantes, que encobririam seus defeitos e os vícios presentes em seu governo. O raciocínio desses opositores é elementar: o fato de Lula ser um exímio articulador melhora o governo – o que, vejam bem, é péssimo, pois vem camuflar a incompetência que o cerca. O fato de Lula saber se comunicar com todas as camadas sociais, e isso de forma espontânea, sem ter de chamar os marqueteiros para "traduzir" suas mensagens, torna seu prestígio incontestável, dentro e fora do Brasil – o que é terrível, tenebrosamente terrível, pois mascara os interesses escusos que o sustentam. Segundo essa visão, que se expressa como um resmungo, teria sido melhor para a democracia se Lula fosse apenas mais um medíocre. Mas ele não é. Oh, Deus, ele não é medíocre.

Lula enxerga três, quatro lances adiante e sabe levá-los em conta quando realiza o movimento presente – o que em xadrez é banal, mas em política representa um dom bastante incomum. Para aflição dos antagonistas, é assim que Lula é. E não há o que fazer.

A questão não é se Lula age certo ou errado, se ele é virtuoso ou não. Quando se fala em "genialidade" do presidente, ao menos no sentido que isso vem aparecendo, o que se tem em mente é o fato de que suas jogadas políticas são, cada vez mais, coroadas de êxito. Ele é um animal político eficaz, como poucas vezes se viu. Não importa se para o bem ou para o mal: ele é eficaz. O que ele encasqueta de levar adiante acaba dando certo. É nesse contexto que, agora, os adversários deram de xingar o presidente de genial, mesmo que à boca pequena. É bem isso: eles o xingam de genial. Com inconformismo, com cara feia, reconhecem em Lula essa superioridade relativa. E assim, xingando-o de genial, eles se reconciliam internamente com uma atitude que, em si mesmos, julgam ser generosa.

Além disso, xingar o presidente de brilhante, de inteligente, de genial tem lhes servido de cobertura para que, por meio de um aparente elogio, reafirmem extemporaneamente preconceitos antigos. Eles continuam acreditando que quem não tem diploma não pode governar, mas, em vez de dizer isso, afirmam apenas que o caso de Lula não é parâmetro, não conta, pois ele afinal de contas é um tipo excepcional, é a exceção que não revoga, mas confirma a regra antiga. Dizer então que Lula é um gênio, um tipo único, é um modo de dizer que não surgirão outros iguais. Mais cedo ou mais tarde, as coisas voltarão ao "normal".

É fascinante como se tecem as teias dos sentidos. Concedendo o título de "genial" ao presidente da República, os adversários dizem o que querem e, provavelmente sem notar, denunciam de si mesmos o que gostariam de dissimular. De novo, é o caso de alertar: também no discurso desses que se opõem a Lula há outros sentidos divergentes, além dos que realcei aqui, mas por enquanto não vamos nos ocupar dos demais. Já temos um bolo de sentidos mais do que suficiente.

 

**...e por falar em sentidos contraditórios

Do mesmo modo, há toneladas de sentidos divergentes e mesmo contraditórios nas profusas declarações de Lula à imprensa. E também nos comícios ou, como se prefere oficialmente, nos atos de governo para fiscalização ou inauguração de obras. Pululam frases que rendem panos e mais panos para mangas e mais mangas na prosa dos comentaristas políticos. A elas se dedicam os exegetas hodiernos, intrigados com o fato de que as palavras desajeitadas do presidente contrastam com a precisão inacreditável de seus movimentos na arena política. De que modo elas os explicariam? Por meio de que charadas, de que cifras, de quais enigmas? Como interpretá-las? Como, por meio delas, entender um pouco melhor o personagem?

A fala de Lula sobre os atos de Lula é fraca, é insuficiente. Sempre. A fala de Lula é constrangedoramente inferior à performance de Lula. Mesmo assim, espera-se dela que ilumine os milhões de pontos escuros de seu estilo prático. Espera-se com razão. Fora seu discurso, não há muitos outros lugares de onde tirar a chave para os movimentos que ele faz. Por isso, suas entrevistas e suas declarações se revestem de tão grande interesse. Não só por ele ser o maior político em atividade hoje no Brasil. Não só por ele ser a autoridade máxima no Estado. Também porque existe esse descompasso enervante entre a clareza premonitória de seus atos na disputa política – quase sempre bem sucedidos – e a precariedade de suas palavras, que só são mais expressivas quando são mais desastradas. É esse desacerto e essa imprevisibilidade, aparentemente fora de controle, que tornam tão atraentes as declarações de Lula.

(Um parênteses. Há aqui uma distinção necessária. Quando fala para os eleitores ou para os públicos internacionais, Lula é claríssimo. Sua comunicação é quase impecável. O ruído acontece quando dele se quer ouvir a teoria sobre a política que ele faz. Aí é que o sentido se bifurca sucessivamente. Quando fala de seu modo de agir, a fala de Lula é sempre insuficiente e refratária.)

Enfim, das declarações de Lula à imprensa não se conseguem extrair explicações cristalinas sobre sua ação política. No entanto, quando ele escorrega, quando erra no jeito de falar, acaba revelando involuntariamente o que talvez preferisse manter invisível. Lula se explica melhor quando se trai pela fala. Por isso é que, também nas suas entrevistas e nos seus pronunciamentos, os sentidos cruzados aparecem. E, nesse caso, são muito, mas muito mais interessantes do que os sentidos arrevesados dos que o criticam duramente por ser genial.

Não que Lula não tenha consciência de seu lugar na História. Passados já sete anos de governo, é indiscutível que ele domina bem o papel que lhe cabe. Tanto para o que é bom, modernizante, justo etc., como para o que não é tão bom assim – como os pactos com o fisiologismo e o pragmatismo excessivo, que ele dá sinais de firmar por não enxergar alternativas. O ponto é que sabemos que Lula tem essa consciência de si não pelo que ele diz, mas pelo que ele faz. São os seus gestos que transmitem essa consciência. A sua fala apenas confunde o observador.

O Lula orador não é um bom intérprete do agente Lula – daí a sensação de que, talvez, ele mesmo não se compreenda muito bem. Talvez por isso mesmo, sua fala segue tão irresistível. Por baixo dos sentidos aparentes, insinua-se um riquíssimo acervo de revelações inadvertidas. Vale repetir: também as entrevistas de Lula têm seus múltiplos sentidos – e alguns deles nos interessam aqui.

 

** Alhos, bugalhos e atos falhos

Vez por outra, as declarações do presidente enunciam o oposto do que ele talvez pretendesse proclamar. Isso acontece com todos nós, não há dúvidas, mas, em se tratando de Lula, o processo chega a ser clamoroso. Mais ou menos assim: ao se referir a um atributo positivo que julga ter, o presidente expõe outro, negativo, que gostaria de ocultar. Não que ele esteja mentindo quanto ao primeiro – o atributo positivo que ele acredita ter. Ele diz a verdade. Mas o outro aspecto, o segundo, o que ele gostaria de sonegar, é também verdadeiro e contradiz o primeiro, sem, contudo, anulá-lo. Assim, o presidente deixa que seu interlocutor lhe veja as contradições – que por enquanto são insolúveis.

Vamos a um exemplo. No dia 12 de agosto de 2009, uma quarta-feira de manhã, Lula compareceu ao culto de comemoração de 150 anos da Igreja Presbiteriana no Brasil. A celebração aconteceu na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Logo depois, a notícia estaria nos jornais, como na reportagem que Luciana Nunes Leal e Alberto Komatsu escreveram para O Estado de S. Paulo no dia seguinte.

Na ocasião, Lula reclamou da qualidade da programação de TV, a pretexto de defender os valores da família – que, em nosso país, são valores bastante associados à tradição e à família. Segundo o relato dos dois repórteres, o presidente criticou o excesso de violência e afirmou que, se houvesse aferição de "quantos filmes falam de integração familiar, de amor, de paz", viria à tona que o porcentual "é infinitamente menor do que a quantidade de filmes que começam atirando, terminam atirando e no meio matam pessoas que a gente nem consegue entender por quê".

Lula prosseguiu: "Muito mais graves que os problemas econômicos, sociais, tem um problema crônico que é a degradação da estrutura familiar deste país. Quantos momentos de bons ensinamentos temos na televisão, nacional e importada?"

De saída, já existe, aí, uma fratura no discurso: ao reclamar da TV, Lula acaba declarando que vê muita TV, o que não lhe cairia bem, já que, segundo o seu próprio juízo, a TV é tão ruim. Mas essa fratura não é central para o que este artigo pretende focalizar. Por isso, será deixada de lado. Passemos adiante.

Ainda segundo a reportagem do Estadão, Lula disse que está na Presidência "por obra de Deus", no que contou com a anuência do reverendo Guilhermino Cunha, segundo o qual o presidente foi "eleito pelo povo e abençoado por Deus". Entre todas, a frase mais reveladora só viria quando o presidente se retirava da catedral. Na despedida, ele declarou aos jornalistas: "Valeu a pena viver meu cristianismo por algumas horas".

Fixemo-nos então nesse arremate. Ele nos interessa mais de perto. Segundo a frase presidencial, "cristianismo" é algo que se "vive" dentro de uma igreja, durante a cerimônia religiosa, por "algumas horas". Por decorrência lógica, quando o sujeito está fora da igreja, vive outras condições de sua existência, mas não o seu "cristianismo". Surge aí a contradição entre aquilo que o autor da declaração se apressa em manifestar de si (que ele tem dentro de si o "cristianismo") e aquilo que o incomoda, ou seja, o fato de ele não viver seu "cristianismo" durante todas as horas do dia.

Sendo assim, cabe perguntar: que tipo de coisa ele estaria "vivendo" nessas outras horas? Uma crítica fácil seria dizer que Lula não compreende o significado da palavra cristianismo. Ele parece não entender que ou bem o sujeito tenta viver o cristianismo durante as 24 horas do dia, ou bem o sujeito não é cristão. Claramente, essa seria uma crítica possível. Ocorre que, além de fácil, ela seria falsa. Não é por aí. Lula não deixa de saber o que se entende por essa palavra, cristianismo. Não é bem de ignorância teológica que ele padece, mas de uma dor subjetiva. Uma lâmina o espreita e, dela, o presidente se sente instado a dar conta – como se precisasse confessar que tangencia o fio da navalha. Essa lâmina é o pragmatismo violento que a política vem exigindo de seus praticantes no Brasil.

Na fala oblíqua do presidente, essa lâmina tem parte com o pecado. Lula não se vê como um não-cristão, ele sequer deixa de ser cristão segundo seu próprio juízo, mas, de vez em quando, é obrigado a rezar fora do catecismo, quer dizer, é obrigado a se pautar por outra cartilha, e isso o aporrinha (um pouco, apenas um pouco, mas aporrinha). Ele não chega a se ajoelhar para outros deuses, mas vai até eles e, diante deles, procede às confraternizações necessárias. Não vê como escapar disso e, nesse sentido, lamenta-se.

O que nós temos aqui não é uma mentira oposta a uma verdade. Temos duas verdades. Podemos tomá-las como duas verdades porque elas são perfeitamente verdadeiras para aquele que as enuncia. Mais ainda: duas verdades que se opõem, mas nenhuma tem força suficiente para anular a outra. Então, ambas coexistem, em permanente contradição.

Lula quis dizer que é um cristão (o que é verdade) e acabou dizendo que, nas outras horas do dia, é outras coisas além de cristão (o que também é verdade). Entre essas outras coisas, encontra-se a profissão de político, que lhe impõe um preço alto. Ao que se pode deduzir de suas palavras, o preço que lhe é cobrado é um custo de consciência. Ou, pelo menos, um custo que ele desejaria ver computado como um custo de consciência.

De novo, é preciso dizer: há mais sentidos nisso tudo, mas, por agora, esses aí nos bastam. Mesmo porque prosseguiremos aqui com os conflitos religiosos mais íntimos de Lula, pois eles continuaram habitando a sua fala por mais tempo.

 

** O ato falho que reincide

Mais recentemente, em entrevista exclusiva a Kennedy Alencar, da Folha de S. Paulo, o mesmo político soltou uma afirmação que virou a principal manchete do jornal de quinta-feira, 22 de outubro de 2009: "`No Brasil, Jesus teria que se aliar a Judas´, diz Lula". Outra vez, emergem aí dilemas da consciência cristã. Outra vez, brotam os sentidos contraditórios.

FOLHA - Ciro disse que o sr. e FHC foram tolerantes com o patrimonialismo para fazer aliança no Congresso. Ou seja, aceitaram a prática de usar bens públicos como privados.

LULA - Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.

Consta que alguém da CNBB logo cuidou de ralhar elegantemente com o presidente acerca da correta interpretação dos evangelhos. Falou-se em fariseus e saduceus, alianças, traições e um pouco mais. Mas não é isso o que vem ao caso – aqui, no caso deste artigo. O que clama no discurso, agora, é que o entrevistado tenta se comparar a Jesus Cristo, não por julgar-se ao nível dele, mas porque não enxerga, de fato, alternativas a um jogo político que o força a buscar o apoio dos patrimonialistas. Nem Cristo faria diferente, ele diz. Assim, expondo-se em um sacrilégio brando, busca uma branda expiação da culpa. Lula não se considera melhor do que Jesus. Lula não se considera igual a Cristo. Apenas confessa, humildemente, que, nessa matéria, a política brasileira, da qual ele entende muito bem, nem Cristo poderia montar uma base aliada mais limpa do que a que ele mesmo construiu.

O encerramento da entrevista também nos interessa:

FOLHA - É o que explica o sr. ter reatado com Collor, apesar do jogo baixo na campanha de 1989?

LULA - Minha relação com o Collor é a de um presidente com um senador da base.

FOLHA - Dá aperto no peito?

LULA - Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. Quando se chega à Presidência, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno.

Assim como os adversários que se sentem generosos quando elogiam o presidente da República por sua notável competência de articulador, Lula parece sentir como uma grandeza de sua parte a capacidade de tolerar os vícios pré-históricos dos que lhe dão sustentação. Ao declarar indiretamente sua grandeza ("você não tem o direito de ser pequeno"), o entrevistado se outorga o perdão que a ele tanta falta faz. A outros, a expressão "você não tem o direito de ser pequeno" poderia significar "você não tem o direito de ter princípios", mas não é isso que conta agora. Para Lula, o fundamental é que o sujeito não tem o direito de ser inflexível. E não vamos discutir aqui se ele tem ou não tem razão nisso, pois aí a discussão seria política, e sairia dos registros estritos dos sentidos que se descolam do discurso concreto.

Só o que se quer demonstrar aqui é que, também agora, o discurso fala pelo avesso. Diz o contrário do que aparentemente pretende dizer e, também aí, diz a verdade – mas uma verdade invertida. Lula diz a verdade quando afirma que o sujeito não tem o direito de ser pequeno. Como isso, diz – o que é incontestável – que precisou sacrificar suas "pequenezas" para conseguir fazer política. Tanto assim que nem Jesus Cristo poderia fazer diferente. Ele fala como quem está convencido de que não pecou, mesmo que ninguém o tenha acusado de pecado.

Prosseguindo, outra vez é preciso afirmar que, também aqui, há ainda outras verdades (invertidas ou não) dentro do mesmo discurso. Outra vez, não vamos delas nos ocupar.

 

** Eles não sabem o que fazem

Falando em Jesus Cristo, que entrou nessa história mais ou menos como Pôncio Pilatos entrou naquela outra, a que chamam "Credo", ele talvez dissesse ao que chamava de "Pai": "Perdoai-os, eles não sabem o que fazem". Ou: "Perdoai-os, eles não sabem o que falam". Não sabem mesmo. Não sabemos. Ninguém sabe inteiramente, por definição, o que comparece à sua própria fala. A fala é falha, amalgamada de erros, saltos, atos falhos. Somos seres ideológicos não por acalentarmos uma carta de valores que pretendemos traduzir em realidade, não porque queiramos "mudar o mundo" (por favor, não é por isso), mas porque não sabemos o que fazemos ou falamos. Ou por que fazemos. Ou como falamos. E, no entanto, fazemos. E falamos.

Ao falarmos, deixamos no ar as nervuras abertas do manto de palavras embaixo do qual gostaríamos de nos esconder. Queremos nos esconder de quem?

Falemos ainda um pouco da genialidade posta como interrogação.

Há aqueles que se destacam porque parecem ter parte com as leis da natureza e realizam proezas impossíveis aos comuns. Lula sabe o que não sabe que sabe e, por sabê-lo, age como um craque. Age, talvez, por não se preocupar em saber – porque o saber, talvez, o aprisionasse. Seu espírito político sabe – sua fala apenas rasteja ao redor do que seu espírito sabe.

Vamos comparar, porque é inevitável: parece que Garrincha também era um craque – mas que não lhe pedissem para explicar planos táticos, armações de meio campo, contra-ataques e polivalências. Ele seria incapaz de explicar. Sabia fazer, mas não sabia dizer nada das fundamentações do que fazia. Ele sabia, no corpo, que a bola obedecia aos seus comandos, mesmo que tivesse de desafiar a lei da gravidade. Ia lá e... fazia. Pelo menos é o que contam.

Bem, a metáfora esportiva é sempre a pior possível – sobretudo aqui, neste texto, onde não existe uma única letra que goste de futebol – e, não obstante, é com ela que caminharemos para o final. Penso que justamente por explicar tão mal o jogo político que conduz tão bem é que Lula se diferenciou dos concorrentes. Nele, a política é natural. Como se fosse pré-lingüística. Como se fosse infra-lógica. Isso é possível? Não sei – e não importa.

A sua fala cheia de ranhuras, de imperfeições, de quebras sintáticas e anacolutos abissais acaba servindo de comprovação do que nele começa a tomar a forma de uma genialidade atípica. É a prova cabal de que o melhor que ele sabe ele o sabe apenas intuitivamente. O que nos outros é cálculo estudado, nele é reflexo filtrado e refiltrado por uma sabedoria indecifrável. É assim que o que ele fala tem cada vez mais interesse. E é cada vez mais fascinante tentar decifrar. Mesmo quando a gente não consegue. 

Comentários (72)
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Hell Back , Florianópolis-SC - Aposentado
Enviado em 30/11/2009 às 00:14:18
Resumindo: o presidente Lula é um político nato!
Samuel Souza , Rio de Janeiro-RJ - Analista de Sistemas
Enviado em 11/11/2009 às 16:07:08
Simplesmente fantástico.. parabéns sr Eugenio!
Wallace Lima , Recife-PE - Músico
Enviado em 7/11/2009 às 01:21:32
Quero só comentar, não sobre o texto, que cogita sobre a possibilidade de ser ou não ser o nosso presidente um “gênio” (o que me parece “uma grande piada e um tanto quanto perigosa”), mas sobre um equívoco num trecho da argumentação do autor que pode ter passado despercebido para muitos, por parecer bem coerente, mas, a mim me parece falacioso: se o nosso presidente, ou qualquer um cidadão deste país, conhecer de cabo a rabo a programação da TV brasileira, o suficiente pra considerar que grande parte dela não vai bem em termos da qualidade do seu conteúdo, isso não é incoerente, não é contraditório, se o que se deseja é poder constatar, um dia, que o nível da nossa TV está melhorando, já que este é o termômetro do gosto da nossa gente. Aliás, em parte termômetro, efeito; em parte causa. Ora, uma boa maneira de nos mantermos a par do mundo que nos rodeia é lermos tudo e assistirmos a tudo na TV, até para saber que o que lemos, ou vimos, é ruim, e por que é ruim, se informa ou desinforma, se educa ou deseduca, se, quando faz rir, não está desmerecendo valores importantes, etc. Por tudo isso precisamos ficar de olho. Embora nós, de gosto mais exigente, adivinhemos que o que o nosso presidente elege na programação da nossa TV não é exatamente aquilo que elegemos. Mas o ideal é que um dia haja democraticamente espaço para todos os gostos, isto é, bons, razoáveis, ou geniais de fato!
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 4/11/2009 às 16:26:43
E a companheirada hitlerática acreditava que o companheiro Hitler era um gênio!. E o próprio companheiro Hitler também acreditava!. E a companheirada lulática acredita que o companheiro Lula é um gênio. Mas, ainda bem que o próprio companheiro Lula não acredita!.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 3/11/2009 às 17:47:39
E ao ler (ler?) este artigo Lula disse: "Eu? gênio?, bucci"!.
luiz ribeiro jose , Brasilia-DF - Escultor
Enviado em 2/11/2009 às 23:48:33
Bucci, vc é muito bom, claro e com uma percepção muito fina. Ótimo artigo.
carlos estevam cruz , taguatinga-DF - tec. informatica
Enviado em 2/11/2009 às 22:32:02
É aquela máxima de Nietzsche: "Pune-se mais convenientemente pelas virtudes do que pelos defeitos." Moral torta, não?
Antonio Pereira , Campo Grande-MS - Engenheiro
Enviado em 2/11/2009 às 17:45:41
O artigo aborda muito bem alguns aspectos da personalidade do nosso Presidente Lula. Por tudo qoe que tem feito pelo povo deste Brasil, principalmente os que estão na escala menos favorecida da sociedade, já teria valido todos os votos recebidos. Pela primeira vez sinto-me orgulhoso do nosso Presidente. Se a Constituição permitisse levaria fácil o 3ºmandato.
Jackson Antunes Lago , Brasília-DF - Sociólogo
Enviado em 2/11/2009 às 15:54:32
"Gênio" eu não sei. Mas certamente Lula é muito esperto. E essa esperteza política é o que garante o relativo sucesso de seu governo. Gênio Lula seria se conseguisse criar uma nova cultura política, uma nova relação de poder que rompesse o velho jogo de cartas marcadas e o fisiologismo que impregnam as relações políticas no Brasil. Pelo contrário, ele se tornou um político comum, na medida em que se rendeu ao fisiologismo e ao coronelismo, tão bem representados na figura patética de Sarney. Ele preferiu seguir o velho jogo sujo da política oligárquica em vez de tentar criar algo novo, com a desculpa esfarrapada de garantir a governabilidade. Não quis correr o risco de inovar, de romper paradigmas. Se tornou um conservador, que se submeteu ao pragmatismo e se acomodou ao status quo. E isso está muito longe de uma suposta "genialidade" que ele possa ter. Espertisse não é a mesma coisa que genialidade.
Luiz  Soares , Rj-RJ - Pesquisador de objetos descartados
Enviado em 2/11/2009 às 15:24:53
De fato ele é um gênio mesmo, pois em duas frases ele falaria tudo que o destacado jornalista, desfilou nesta incontinência verborrágica. E mais, todo o povo entenderia ! Não tem jeito, o mundo é muito mais fácil do que os mais letrados entendem !
Nayala de Souza Ferreira Maia Maia , Recife-PE - Professora
Enviado em 2/11/2009 às 14:01:20
Caro Jornalista, vou resumir tudo isto que você disse em uma frase. Lula é um Ser Fraturado na Estrutura do próprio existir do Ser Humano que é composto por três eixos: Pensamento, Sentimento e Ação. Ele diz uma coisa ( o exemplo da Igreja representa isto) e sene outra. Ele pensa uma coisa e faz outra( o exemplo do pragmatismo politico representa isto). Portanto Lula, devido ao exercício da Política, esfacelou esta estrutura do Ser Humano que para ser considerado como tal tem que ter a unidade entre o Pensar, o Sentir e o Agir. Ou seja, dizer o que pensa, pensar o que diz e fazer o que pensa e sente. Esta é uma das grandes lições da Filosofia.
Gersier Lima , Montes Claros-MG - Radialista
Enviado em 2/11/2009 às 13:04:58
Reginaldo Gadelha - “Lulla é antes de tudo um demagogo, fala só o que lhe interessa no momento, é, um novo Getúlio.” Demagogo é quem em épocas eleitorais faz promessas sabendo que nunca irá cumpri-las.Exemplo?Serra que até registrou em cartório que cumpriria seu mandato até o fim.O fez?Já o “demagogo” Getúlio além de vários benefícios para o trabalhador brasileiro,instituiu o salário mínimo.Astuto negociador conseguiu vários benefícios para o Brasil como a Siderúrgica Nacional de Volta Redonda,dando início a industrialização brasileira. Lembra do símbolo da primeira campanha do FHC?Se não lembra vou dizer,era uma mão e com cinco dedos, mostrando as prioridades que nunca foram cumpridas. Quem mudou a constituição para ganhar mais um mandato foi quem?E quem foi que disse para esquecermos o que até então tinha dito ou escrito? E o Lula é que é o demagogo. Que venham mais demagogos como Getúlio,Juscelino e o Lula e não mentirosos como o fhc,serra e similares.
Geraldo Leite de Andrade Geraldo , Arcoverde-PE - Oficial de Justiça
Enviado em 2/11/2009 às 12:33:25
Lula é um exemplo de que para ser o melhor não necessariamente tenha que nascer em um berço de ouro. Parabéns pelo texto, imprimi e guardei para futuras reflexões.
Reginaldo  Gadelha , Brasilia-DF - Biológo
Enviado em 2/11/2009 às 01:36:32
Lulla é antes de tudo um demagogo, fala só o que lhe interessa no momento, é, um novo Getúlio. Se auto intitula "pai do povo", quer as coisas a seu jeito e, nem sempre do mesmo jeito. Quando elle é oposição diz uma coisa, agora como situação fala outras, quando sair do governo dirá outras.
Ladislau  da Cunha Cardoso , São Paulo-SP - radialista/jornalista
Enviado em 2/11/2009 às 00:40:19
Senhor Eugênio Bucci, quais objetivos o senhor pretende alcançar com o seu texto: prolixo e excessivamente bajulativo? Expressando-se através do Observatório da Imprensa, órgão conivente com uma imprensa servil aos cofres do Estado, o senhor não promove a melhor reflexão para o público e seus alunos. Não forma, não transforma e, menos ainda, não conscientiza, papel relevante do bom jornalismo. Senhor Bucci, o Brasil é governado pela Confederação Nacional das Indústrias (Cni); pela Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e pela Febraban (Federação brasileira de bancos) Este grupo tem, como trombeta, a rede Globo de Televisão. São eles que detém os meios de produção, a riqueza e determinam a distribuição de renda no país. São eles que controlam os investimentos em Educação, saúde, transporte. São eles que alojam no Congresso um bando privilegiado de latifundiários, caudatários de seus interesses mesquinhos. São eles que nomeiam Ministros de Estado, doutos dos tribunais, perpetuando doutrinas que há muito merecem revisão. São eles que fazem presidentes e imprimem a cartilha a ser seguida. Assim foi com o FHC, assim foi e está sendo com o Lula. Sintomático que a rede Globo já tenha abandonado o PT. Não importa ao povo o nível intelectual de seu Presidente, tampouco figuras de linguagem. É preciso governar com isenção. Nem Jesus, nem Judas. Dignidade.
Wanderson Pereira , Brasília-DF - Servidor Público
Enviado em 1/11/2009 às 22:12:23
Contradições. Aqueles que criticam a aliança com Sarney, acham mais fácil fraudar o painel do Senado. Aqueles que dizem que Lula age sob comando, preferem a intervenção do Banco Mundial. Aqueles que dizem que foi errado Zelaya querer fazer uma consulta sobre a reeleição, preferem comprar a emenda da reeleição. O presidente que tirou a foto oficial na frente de livros cairá no esquecimento, aquele que não leu tantos livros entrará para a história.
Antonio  Freitas , Brasilia-DF - Servidor do Estado
Enviado em 1/11/2009 às 20:06:48
Parabéns pelo artigo. Muito bom. Levanta uma série de bolas. Coisa fina. Concordo com uma série de comentários que questionaram sua interpretação do "direito a ser pequeno". Creio que ele quis dizer mesquinho, quer dizer, não dá para ficar guardando mágoa diante dos desafios de governar o Brasil. E creio que ele não é. Basta ver como reabilita uma série de antigos inimigos. Ou o próprio fato de ter colocado o Mangabeira no Ministério. Seria bom se fosse feito um diálogo com o que o Ali Kamel observa no livro dele. Apesar de não ter a menor simpatia pelo autor, estou lendo o livro. Também interessante. Para quem gosta de observar o discurso de nosso Presidente, a construção discursiva da Dilma e sua interlocução com o Presidente serão um prato cheio. Enfim, parabéns a você, Eugenio, e a todos os comentaristas que estão abrilhantando esse texto. Vida inteligente, que bom!
rafael palomino , ararquara-SP - professor
Enviado em 1/11/2009 às 19:04:01
As contradições a que o autor se refere são de Lula ou da política brasileira? Qualquer que fosse o presidente (até Jesus Cristo, segundo Lula), ele teria que se aliar com seu traidor para fazer política no Brasil. Isso aponta o fato de que, aqui, não se consegue confrontar o poder, tomá-lo, mudar as regras do jogo. Ou você entra no jogo, ou está fora do poder. E por que mudanças na estrutura política, aqui, parecem tão impossíveis? Não sei dizer. Só o que sei é que mudanças profundas na estrutura política de uma sociedade não são feitas pelo presidente. Ele não faz a história como quer. Lula não expressa apenas as suas contradições, ele concentra e reflete as nossas. Não será ele, sozinho, o sujeito das mudanças que almejamos.
Paulo Campos , Belo Horizonte-MG - Professor
Enviado em 1/11/2009 às 17:07:02
Esse texto é interessante, até belo em algum momento, ao se render às indiscutíveis qualidades do atual presidente da república Luís Inácio Lula da Silva. Entretanto não consegue fugir da idéia de que ele, Lula, por não ser graduado em curso superior, não conseguiria ter elaborações racionais e objetivas. Todos seus lances geniais seriam devidos à sua intuição e, mesmo sendo gênio, continua sendo ignorante! Pensam que por não ter graduação, conseqüentemente Lula também não leria textos complexos, não dominaria conceitos, não perceberia o poder da linguagem e de realidades complexas. Tal julgamento é a face de uma sociedade dominada por bacharéis que nunca teve que realmente ser competente para se impor. Impuseram seu acesso à riqueza e serviços do Estado pela força, pelo clientelismo, pelos privilégios, pela segregação e exclusão. Quando chega alguém como Lula e mostra que inteligência e preparo podem advir de caminhos diferentes dos previstos por eles, ficam desnorteados. Lula ignorante é piada. Infelizmente, talvez mo ato falho, esse belo texto cai no mesmo erro.
Fernando Nogueira , Niteroi-RJ - Professor
Enviado em 1/11/2009 às 02:15:30
Com as contradições que todo político tem e sempre terá, Lula merece estar no panteão dos grandes estadistas brasileiros, em que se inclui Dom Pedro II, Getúlio Vargas e JK. Os livros de história um dia terão de reconhecer o que nossa imprensa, majoritariamente, empenha-se em colocar no desconhecimento.
alfredo sternheim , são paulo-SP - jornalista-cineasta
Enviado em 31/10/2009 às 12:02:47
Brilhante. Embora falte um pouco de síntese, o texto de Bucci é o melhor que já li a respeito de Lula. Ou das reações que sua conduta provoca. Da mania de se pegar no pé dele por causa de suas falas, espontâneas na maioria das vezes, e que geram leituras preconceituosas. E impede muitos de enxergarem os acertos de seu governo (que também tem erros) e estimula a vários colunistas expressarem seus sarcasmos partidários e, as vezes, ofensivos não a Lula, mas ao presidente da República. Parabéns ao articulista. Uma análise dialética que, em muitos , vai dar o que pensar
Pedro pererira Pereriria , Palmas-TO - Oleiro
Enviado em 31/10/2009 às 01:45:06
Tristes tempos onde a interpretaçao dos fatos se da de forma iconoclasta. Parece aquele filme do jardineiro que chega a presidencia( nao me lembro o nome), tudo intuitivo e irracional Tristes tempos onde o preço futuro a ser pago vai ser alto demais, e a turma que aplaude vai se esquivar e engasgar com o resultado desta pantomima toda. Nunca antes neste Pais........os astros conspiraram tanto pra que um semi analfabeto fosse usado desta maneira.
José Ribeiro Jr. Ribeiro , Rio de Janeiro-RJ - consultor
Enviado em 30/10/2009 às 21:13:21
Muita enrolação para decifrar o que é simples: Lula, além de inteligente como poucos, é sincero. Todos nós conhecemos, em nossa vida pessoal, alguns Lulas (não muitos). Apenas Lula assumiu a Presidência da República, mas esses outros são tão craques nas suas áreas quanto Lula o é na sua; superam outros que têm bagagem acadêmica muito superior a deles. Talvez alguns poucos atributos os definam: são pessoas muito acima da média nos quesitos de inteligência, autenticidade, sinceridade, afetividade e liderança. Conheci dois "Lulas" como o Luiz Inácio, um era jardineiro em Curitiba, o outro, encarregado na Telerj e depois na telefônica do Espírito Santo.
calypso thereza  escobar velloso , rio de janeiro-RJ - nenhuma
Enviado em 30/10/2009 às 20:31:42
um regime de sopas aguadas e os comentadores fazem uma intervenção com enguias defumadas e propagam o "gênio" moribundo,ora vão lavar suas bandeiras empatadas hora aquí,hora alí,mantenham seus vagões no trilho...Lula é um paciente duvidoso,cuidem-se,sua ebriedade o faz uma figura de linguagem ferruginosa,indecente q.adorna as cabeças e mentes numa frescura enferma e febril,o homem virou Jesus falado por outro q.vai enfraquecer nosso país,cuidem-se q.vem mais por aí,desinfetem as raízes destes ditadores metidos a bobo da côrte com a posse de meias costelas;temos a pensar no País e não perder tempo com "faxineiro"inodoro.
marcos henrique alves , rio de janeiro-RJ - func. publico
Enviado em 30/10/2009 às 18:31:03
o brasil há nove anos atrás era um país atrasado, enrolado em dividas, sem qualquer significado , se não o de um país sub desenvolvido, até que surge um presidente, que ninguém acreditava que pudesse fazer o governo que está fazendo ou seja, muito, mas muito mesmo.o brasil cria 180 mil empregos mensais, antes era 12 mil, o brasil tem media de 3 pontos de pib, antes era 0,5, o brasil devia 30 bilhoes ao fmi, hoje emprestou 10 bilhoes, o brasil tinha balança comercial negativa, hoje é positiva em 230 bilhoes de dolares, qualquer crise atingia o brasil em cheio, hoje ela se tornou uma marolinha, pac, bolsa familia, minha casa minha vida, luz para todos, estradas , aeroportos, escolas tecnicas, faculdades, obras por todos os lugares, e olha que eu ando nesse país, ou seja só não ver quem não quer e com um detalhe, eu não votei nele e nem sou petista, mas tenho um profundo respeito poe esse homem, que mudou a cara desse país e que provou que é muito bom ser brasileiro e que agora quem dita as coisas no mundol, somos nós também.por tudo isso acho que a frase do obama, mostrou realmente como o mundo olha para o nosso presidente, esse é o cara,
jairo sa , Vitoria-ES - Professor
Enviado em 30/10/2009 às 18:18:32
Olha, Essa é a primeira vez que vejo análise com certo embasamento científico sobre o discurso do Lula. A menos que eu esteja mal informado e já exista algo parecido na praça. Já vimos gente fazer paródia com o nome do Lula, tentar decifrar a cabeça do eleitor que vota no Lula, reunir frases do Lula, mas fazer análise discursiva do Lula, mesmo que com certa suspeita, por ser o analista um (ex) colaborador do governo, nunca vi. Qualquer análise que se faça do discurso do Lula, com um mínimo de distanciamento politico ideológico, seja contra ou a favor, mostrará um personagem riquissímo, uma fonte de discurso com uma intensa densidade de sentidos. Um sujeito fora do comum. Mas até hoje vivemos sob a égide do preconceito, onde ou se gosta ou se disicrimina, antes mesmo de se conhecer ou tentar entender o que - ou de quem - não se gosta. Lula é um exemplo, na política, desse tipo de comportamento que vez ou outra também se repete nas artes, na música, na literatura, enfim, e onde mais possa entrar em cena o olhar do analista. Não foi um nem dois artistas, escritores ou músicos que sofreram nas mãs dos críticos o que o Lula sofre nas mãs de nossos analistas. Muitos não gostavam do lula, quando ele era um mero sindicalista considerado medíocre. Esses mesmos que apenas não gostavam, simplesmente passaram a odiá-lo, mesmo quando o chamavam de gênio.
João  Aguiar , BH-MG - Aposentado
Enviado em 30/10/2009 às 18:02:58
É genial que R$ 1,8 bilhões em bolsa família tenha uma repercussão de R$ 43 bilhões na economia dos municípios beneficiados e em parte por causa disto a miséria tenha caído de 28 % para 17% no governo Lula, que o pré-sal tenha sido descoberto agora, que o BC estava entupido de reservas quando a crise detonou, que os nossos banquinhos, tão modestos, não aplicaram fora porque o BC bancou um cassino só pra eles e escaparam da quebradeira de Wall Street, etc, etc, etc, Jesus é pouco, rs,
Aldo Cardoso Cardoso , Goiânia-GO - Contador
Enviado em 30/10/2009 às 17:57:19
Eugênio, Minha área é outra, mas fosse eu professor de jornalismo, esse seu artigo sobre o Presidente Lula, que por não lembrar agora de um termo mais apropriado vou chamar aqui de antológico, seria matéria pelo menos para um seminário. PS - Vejo no seu brilhante texto o esboço de um excelente livro. Pense nisso.
Thaís Ribeiro , Piracicaba-SP - estudante
Enviado em 30/10/2009 às 17:54:05
O texto é irretocável, e os comentaristas também estão de parabéns pelo altíssimo nível do debate estabelecido. Estou aqui aprendendo.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 30/10/2009 às 17:51:32
Nada como ser o chefe do "pudê", hein!. Antes do tal "pudê" o tal Lula era bestial. No tal "pudê" o tal Lula é genial!. E essa história sempre se repete entre os tais "estadistas". Originalmente essa "história" de gênio é trágica!. Falsamente essa "história" de gênio é comediática!.
Raphael Ribeiro , Teresina-PI - Etudante
Enviado em 30/10/2009 às 17:46:43
O sertanejo falando 1. A fala a nível do sertanejo engana: as palavras dele vêm, como rebuçadas (palavras confeito, pílula), na glace de uma entonação lisa, de adocicada. Enquanto que sob ela, dura e endurece o caroço de pedra, a amêndoa pétrea, dessa árvore pedrenta (o sertanejo) incapaz de não se expressar em pedra. 2. Daí porque o sertanejo fala pouco: as palavras de pedra ulceram a boca e no idioma pedra se fala doloroso; o natural desse idioma fala à força. Daí também porque ele fala devagar: tem de pegar as palavras com cuidado, confeitá-la na língua, rebuçá-las; pois toma tempo todo esse trabalho. --------------------------------------- A educação pela pedra Uma educação pela pedra: por lições; para aprender da pedra, freqüentá-la; captar sua voz inenfática, impessoal (pela de dicção ela começa as aulas). A lição de moral, sua resistência fria ao que flui e a fluir, a ser maleada; a de poética, sua carnadura concreta; a de economia, seu adensar-se compacta: lições de pedra (de fora para dentro, cartilha muda), para quem soletrá-la. Outra educação pela pedra: no Sertão (de dentro para fora, e pré-didática). No Sertão a pedra não sabe lecionar, e se lecionasse não ensinaria nada; lá não se aprende a pedra: lá a pedra, uma pedra de nascença, entranha a alma. (A educação pela pedra, 1962-1965)
João  Mendes Jr , Brasilia-DF - Advogado
Enviado em 30/10/2009 às 17:35:27
Nem gênio, nem incompreendido. Apenas um sujeito carismático que fala um idioma que 80% das pessoas entendem e com ele se identificam.
Maria Marlene Eugênio , Divinópolis-MG - Psicóloga
Enviado em 30/10/2009 às 17:25:14
Eugênio Bucci, Parabéns pelo texto! Sempre admirei muito a sua extraordinária capacidade para analisar, compreender e comentar fatos e situações importantes da nossa realidade. Um abraço, Marlene
Jose Bezerra , João Pessoa-PB - Administrador
Enviado em 30/10/2009 às 15:25:00
Vi a descrição de um nordestino. Um cearense, um paraibano, um baiano. Noutro blog o autor dizia sobre Lula: ele não deixa espaço vazio... quer ocupar logo, ou todos o que pode. Primeiro texto que trouxe algo significativo para analisar o Lula. Creio que a dificuldade de entendê-lo vem da dificuldade que muitos tem em aceitá-lo. Como muitos que o aceita não sabe, como ele, explicar-se ficamos a mercê de ressentidos comentaristas
ivonete Souza , Fpolis-SC - Professora
Enviado em 30/10/2009 às 15:20:13
Lula é genuinamente um homem público, e também um homem simples e bom. Acho que para compreender os sentidos de sua fala é necessário um esforço contínuo e simultâneo de analisar o que é dito e em que momento e lugar é dito. A fala de Lula é rigorosamente encravada no que está sendo vivido naquele momento. É desse lugar - discurso e acontecimento - que se pode perceber o que o presidente está querendo dizer e a quem sua fala se remete. Na hora do discurso com os evangélicos, Lula estava enfatizando a não violência o refúgio familiar. E quando noutra fala ele defende, por exemplo, a descriminalização do aborto, ele continua defendendo a mesma coisa, a não violência. Mas se vemos essas duas falas na perspectiva da defesa da tradição familiar, só veremos contradição e ambiguidade, loucuras talvez. Porém se vemos essa fala na perspectiva da não violência, da superação da miséria e do abandono do indivíduo, então a fala de Lula é plena de significado. Sem contradição e cristalina como a mais pura água.
Sérgio Silveira , São Paulo-SP - Designer
Enviado em 30/10/2009 às 15:11:31
Para resumir tanta elocubração mental desnecessária: Lula faz EXCELENTE governo e fala com o CORAÇÃO!!! Só isso!
Cassio Tonsig , goiania-GO - bancario
Enviado em 30/10/2009 às 14:49:54
Ótima análise. Me fez pensar muito sobre esse comportamento da elite em etiquetar de "gênio" o Lula, como se isso pudesse ser uma expectativa para que não houvesse outra chance de um outro político como ele pudesse ocupar o poder. Eles esperam que "as coisas voltem ao normal" após o Lula: aí os que sempre se trataram como gênios voltem às suas confrarias, sem esse incômodo personagem-referência. Se existe genialidade em Lula ela serve-nos, principalmente, para aferir as genialidades até então consideradas. Acho que o bandeiroso desespero com que intelectuais, jornalistas, políticos e empresários tentam abreviar o espaço do Lula, desmerecendo-o a cada frase, é para não ter as suas "genialidades" comparada!
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 30/10/2009 às 12:02:57
Não votei no pres Lula. Estou entre a minoria que não aprova seu modo de governar, e não aprova seu modo de ser: arrogante, virulento, duas caras. (que o diga a ex-minista Marina e a ex-senadora H. Helena). Como todos, porém , reconheço sua inteligência política (instintiva), mas que não o absolve dos graves defeitos, sendo o maior deles a falta de humildade e falta de um "alter ego", que o leva a dizer uma coisa pela manhã e outra contrária à tarde e novamente outra contrária a noite. Para o pres Lula o fim justifica os meios, e ele acha que se unindo ao mal resulta no bem. Tristes tempos, e o Brasil ainda vai pagar muito caro pelo rebaixamento das instituições provocadas pelo político profissional Lula (na área a mais de 30 anos de seus 64 de vida)
Fernando Santos de Aquino , Cariacica-ES - professor
Enviado em 30/10/2009 às 10:42:12
"A prática é o melhor (ou o único) critério da verdade". Nesta frase do velho Marx, ajuda a explicar um pouco mais o "gênio" Lula. O que para muitos de nós, especializados ou não no campo da linguagem, pode ser um problema, para o Presidente essa parece ser uma de suas "virtudes". A sua fala é um processo intensamente vivido, incorporado, daí o sentido que faz, para muitos, e o incômodo que provoca, para muitos outros. Quem consegue ficar alheio às suas "derrapadas" vernaculares? Estas derrapadas ou ranhuras, brilhantemente analisadas pelo professor Bucci, expõem-nos um pouco mais da história oral e da política praticada em nosso país, sem o ar blasé sorbonauta efeagaciano e sem a "cara voltada pra Europa e a bunda voltada pro Brasil", como diria o próprio Lula, em um remoto discurso na capital capixaba, num palanque improvisado em cima duma carroceria de caminhão na Praça Oito. Década de oitenta, por aí... o cara naquela época já improvisava bem. "Quebrava tudo", como diria Hermeto Pascoal. E juntava gente como quê pra ouvir sua prosa.
Katia  Schafer , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 30/10/2009 às 09:14:15
Muito bom texto. Apenas gostaria de salientar que ninguém é pequeno por ter princípios. O "pequeno" que Lula pode ter se referido, é ser mesquinho e revanchista diante de Collor. Mesquinhez, revanchismo, ressentimentos, preconceito, discriminação, patrulha ideológica e religiosa, isso sim, são coisas de gente pequena. Como também é pequeno aquele que se engrandece através da pequenez alheia, aquele que se favorece usando nome sagrado e enchendo seus bolsos de dinheiro e de poder. Mil vezes Lula Lá que um certo "senhor" que tá de olho na vaga.
Serginho Sampa , São Paulo-SP - Professor
Enviado em 30/10/2009 às 06:09:56
O interessante é que essa genialidade dele veio meio tarde, somente depois que se elegeu. Antes, nas outras três vezes em que perdeu e era visto pelo povo como o Sapo Barbudo, ele era outra coisa. Para mim essa suposta indecifrabilidade do Lula é na verdade medo de alguns em admitir as besteiras e tolices que ele dia sim dia não se mete a falar a ponto de fazerem verdadeiros malabarismos verbais, morais e lógicos em busca de uma desculpa.
Larissa Pereira , Itabuna-BA - Professora
Enviado em 29/10/2009 às 22:43:48
Prezado Eugenio, trabalho com ana´lise de discursoe poucas vezes vi alguém definir tão bem porque somos seres ideológicos. estou realmente afetada pela beleza do seu artigo, um exemplar singular do que sej ao trabalho com a linguagem. Independente de qquer posicionamento - favorável ou contrário a lula, GENIAL é o senhor.
Gilmar Oliveira , Vila Velha-ES - Projetista
Enviado em 29/10/2009 às 19:29:46
Lula e de uma sensibilidade absoluta, "nunca neste país" houve um politico assim, analfabeto, sotaque de gueto, aleijado, ex pião, ex pobre, e os aristocratas que sempre fizeram deste pais, deste povo brasileiro, uma propriedade exclusiva deles, devem de uma vez por todas mudar os seus conceitos sobre brasilidade, ou nunca mais terão poder algum.
alvaro marins , rio de janeiro-RJ - professor
Enviado em 29/10/2009 às 19:06:04
Não acho que Lula seja um gênio, embora tenha uma sensibilidade política fora de série. Mas a questão é muito mais simples. O fato é que o seu governo é muito bom e é por isso que a população o avalia bem. O governo atua bem em todas as áreas e erra muito pouco. Esse é o motivo de o governo ser bemavaliado por todos os setores da sociedade, a despeito da campanha ensandecida que a mídia move contra ele dia e noite desde janeiro de 2003. A população, do mais humilde ao mais rico, percebe o quanto a política governamental o beneficiou no seu dia a dia nos últimos sete anos e esse benefício não é pequeno nem desprezível. A população simplesmente avalia com justiça o governo e o presidente Lula. Quanto ao fato de o presidente ser carismático, isto não há dúvida e o ajuda a resistir às escaramuças da oposição midiática. Mas se o seu governo não fosse tão bom, não haveria carisma que resistisse aos descalabros e à canalhice diária da mídia, que vê as possibilidades de sua coligação (PSDB/DEM/Mídia) voltar ao governo cada vez mais distantes. E aí ficam tentando inventar explicações para um problema que é só dela: ficar mais quatro anos na oposição.
Severino Marques dos Prazeres marques , Recife-PE - Engenheiro de Minas
Enviado em 29/10/2009 às 18:03:48
E por falar em genialidade seu artigo é genial. O título - Um genio que não se reconhece - define de uma forma muto profunda o que é o presidente Lula. Belíssimo. Parabéns. Ninguém jamais nesse país mostrou Lula como ele realmente é. Para finalizar um toque bílbico a este comentário.Se Deus escreve certo por linhas tortas... Lula deu certo.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 29/10/2009 às 16:44:45
Factótum o Lula pensa que é!. Mas, gênio...?. E se o tal Lula acreditar que é mesmo gê.ni.o?!. Bem que a dona Lindu dizia: Esse menino é muito genioso!. Observação: Deve estar nos genes, pois, o companheiro Vavá e o companheirinho Lulinha também foram "gê.ni.os"!. "Brasil: Um País de Todos os Gênios"!.
Alexandra Garcia , São Paulo-SP - Professora
Enviado em 29/10/2009 às 16:09:50
Análise perfeita. Parabéns, Professor Eugênio
Elvis  Lozeiko , São Bento do Sul/SC-SC - Repórter
Enviado em 29/10/2009 às 12:50:53
Poucas vezes li um texto como este. O grande problema, às vezes, é que os que se dizem críticos fazem uma análise simplista e superficial de determinadas frases - como foi o caso "da aliança de Cristo com Judas". Temos que verificar no todo, no contexto, sem imediatismos intolerantes. Parabéns ao autor do artigo, que peca em um único ponto. Em determinados trechos, a linguagem técnica (apesar de brilhante) não permite uma compreensão maior do grande público. Se Lula da Silva fosse um daqueles senhores que vivem discursando com "palavras difíceis", talvez não teria a popularidade que tem hoje e não seria tão querido pela população em geral.
Jeferson de Andade Andrade , Belo Horizonte -MG - escritor
Enviado em 29/10/2009 às 11:00:50
Lula pode ser tudo do que foi comentado, mas é também aliado da corrupção. Vivemos cada dia mais num país de corruptos. Começa pelo Senado, Congresso, segue pelos ministérios, invade a Brasília inteira, a verdadeira corte do poder. Já escrevi o livro Nunca Seremos Felizes, mostro o Brasil de Getúlio a Lula e para os principais personagens do romance, vivemos num país de corrupção. Por que falta Lula no banco dos réus no processo do Mensalão? Só Zé Dirceu comandava?
Diogo Dapper , Montenegro-RS - Aux. Adm.
Enviado em 29/10/2009 às 10:23:54
Será que essa dissonância entre fala e ato não vem da própria equipe de Lula? Qualquer um sabe que, num governo a equipe de apoio(assessores, [ ] back-office) são os principais atores para que uma gestão seja considerada "positiva" ou "negativa". Talvez Lula não seja lá esse grande presidente, e sim as pessoas que ele tem nos bastidores.
zanuja castelo branco , recife-PE - aposentada
Enviado em 29/10/2009 às 02:34:04
Belíssima análise.
Hélio Amaral , SP-SP - Músico
Enviado em 28/10/2009 às 22:19:12
Falar depois desta exposição é temerário. Obra-prima! Uma observação somente: desde o início de seu governo, pessoas cultas desprezam a Lula pela sua ignorância, sem se dar conta que desde a Bíblia, passando pelos clássicos da literatura mundial, pelos grandes flmes, pelas grandes lições de vida, etc, um tema é recorrente: o humilde ensina àquele que pensa ser sábio. Como pode uma pessoa preparada esquecer esta sabedoria que os próprios livros que leu ensinaram?
Francisco  Ribeiro Mendes , Basília-DF - Empresário
Enviado em 28/10/2009 às 20:59:52
O título do artigo, para muitos, pode até ter mais de um sentido. Mas, para mim, é apenas uma expressão mal empregada. “A diferença entre a genialidade e a estupidez é que a genialidade tem limites”. Não há como encontrar genialidade num tronco de madeira de casca grossa. Francisco Ribeiro Mendes frmendes@correioweb.com.br Brasília-DF
Rodrigo  Uchôa , Rio de Janeiro-RJ - Analista de informações
Enviado em 28/10/2009 às 19:52:13
Ok que Lula seja um político natural , e não vamos diminuir seus méritos pela intuição incomum. Mas é esse tipo de político e de política que nós queremos - no fundo e ao final, os mesmos que vem corroendo o país há décadas?
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 28/10/2009 às 19:08:42
Quem é que não se lembra, durante os discursos lá em Copenhagem, quando um jornalista levantou um bolão para o Lula fazer um gol de placa, perguntando - diante da conquista das Olimpíadas de 2016 para o Rio que tinham acabado de acontecer - o que ele teria a dizer para os que o vaiaram na abertura do Panamericano. Em vez de se apequenar, feito um Maradona que mal esperou o final do jogo contra o Uruguai para tripudiar sobre a imprensa argentina, o presidente, cônscio da responsabilidade e dignidade do cargo que ocupa, simplesmente não pegou a corda. Respondeu que depois de 2016 estaria de olho nos Jogos de Inverno de 2018! Vale dizer: ensinou que é para frente que se olha! Logo, o presidente não apenas diz, como também pratica.
Julio Cesar Montenegro , Fortaleza-CE - Aposentado
Enviado em 28/10/2009 às 18:33:58
Como outro comentário já feito, acho importante a experiencia de sindicalista, quer dizer de não patrão. Patrões quase sempre dispõem de poder (força) para se impor. Nietzsche, falando da teoria da evolução, da sobrevivencia do mais forte, diz que, como inglês, Darwin esqueceu da inteligência. Quem tem a força desembaraça-se da inteligencia. A vitória da inteligencia é a do fraco sobre o forte. Curiosamente, outro inglês confirma o alemão. Oscar Wilde diz que a mulher exerce a mais eficaz forma de tirania: a do fraco sobre o forte, a unica que dura. Já eu, cearense, constato a força do instinto das crianças quando querem algo pra elas próprias: invencíveis.
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 28/10/2009 às 18:30:35
Mais um excelente texto. O que deixa espantados 1% da população é que Lula age como os outros 99%, ou seja, estamos acostumados a lidar com frustrações, fazer concessões, aguardar, engolir sapos... Aprendemos desde cedo que não se bate no mais fraco, que não devemos " pegar" as coisas dos outros,que se juntar para bater em um não é ser o bom mas sim o covarde... Enfim, viver vida de gente normal. Sabemos que com a turma do 1% é tudo aos gritos e na hora e, se possível, tratorando a humanidade. O quero pq que quero e vou ter nem que tenha que passar por cima de qq um e, com plena consciência de sua incapacidade total para conseguir o mínimo, faz com que a elite brasileira entenda Lula como um gênio. O que pirou mais esse povo, foi dar de cara com sua incapacidade, ampla, geral e irrestrita. Lula chegou lá e sabe que o chão é ruim, pisando devagar respeita os outros. Essa turma que anda nas nossas costas não sabe do chão pq quem pisa nele é a gente. Hoje é mais fácil dizer que Lula é gênio que se assumir como incompetente. Durante décadas receberam prêmios, títulos e honrárias como se gênios fossem. O correto seria reconhecer sua incapacidade e devolver os títulos e não colar num homem comum o título de gênio. Estrebucha elite, Lula é só mais um dentre os 99% dos brasileiros que não pertencem ao restrito círculo dos incapazes. Bucci, genial é seu texto, parabéns.
Alexandre Moscardini , Mogi das Cruzes-SP - Estudante
Enviado em 28/10/2009 às 18:20:00
Muito bom.
Sandra Almeida , Salvador-BA - Bióloga
Enviado em 28/10/2009 às 18:07:12
"...você não tem o direito de ser pequeno". Ser pequeno = pensar pequeno, agir pequeno. Como criança que tem visão limitada. Mágoa é coisa de gente pequena. Não é o caso de Lula.
Paulo  Campos , João Pessoa-PB - engº
Enviado em 28/10/2009 às 17:41:40
Há algum tempo atras no seu discurso de posse na academia paraibana de letras , o jornalista Nêumanne Pinto citou em meio às homenagens a Augusto dos Anjos, o filme ¨as invasões bárbaras¨ de Denys Arcand e desandou a meter o pau em Lula . Seu discurso está lá no seu sitio da web ¨gravado para a posteridade¨. As menções ao Lula, no entanto, sumiram da cópia publicada. A carapuça também cairia bem sim, em José Neumanne. Acontece que Lula não é só um genio político. Seu governo é o mais bem sucedido da história recente brasileira e fazendo biquinho ou não , vituperando ou não, a oposição há que admitir , que acima de tudo, foi este o fato que o mantém tão popular.
William Barros , Botucatú-SP - sanfoneiro
Enviado em 28/10/2009 às 17:21:03
Impressionado com o sr. Bráulio que hoje aqui neste espaço me ensinou uma coisa trivial e que não se vê com muita frequência por aqui, ou seja, como simplificar ainda mais uma simplificação.Mas, quanto ao texto do Bucci, apenas um reparo; onde o Lula diz que a envergadura das responsabilidades sobre si nãa lhe dá o direito de ser pequeno, acho que o "pequeno" a que ele se referiu foi ao adjetivos "mesquinho e egoísta".
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 28/10/2009 às 17:14:26
Durante a ditadura militar, e mesmo depois, não sei ao certo se até o final do governo FHC, o SBT do Senor Abravanel, Silvio Santos para os íntimos, punha sistematicamente no ar um quadro exaltando os milicos de plantão, denominado “A Semana do Presidente”. O que nasceu como o mais puro e descarado puxasaquismo, depois da volta à normalidade democrática continuou por um tempo, sempre com o mesmo espírito bajulador, mas quando o Lula assumiu em boa hora o ridículo terminou. Só que o sujeito que passou todo tempo puxando o saco dos poderosos nos dias de hoje se dá ao luxo de manter em seu principal telejornal uma autêntica cobra peçonhenta, o acima referido Neumane Pinto, com a única e exclusiva finalidade de denegrir a imagem do presidente nas suas aparições fantasmagóricas e de inequívoco mau gosto, buscando fazer a cabeça das classes C e D, já que perante as classes A e B a Globo se incumbe de fazê-lo.
Magno Guanaes Guanaes , Rio de Janeiro-RJ - Administrador
Enviado em 28/10/2009 às 16:07:58
Quão bom seria se o brilhante texto, associado aos profícuos comentários, pudesse resultar num tipo de "mala direta", insistentemente recorrente, endereçada às "elites parasitas" desse país.
Bráulio melo , teresina-PI - estudante
Enviado em 28/10/2009 às 15:48:41
Se se aliar aos maiores ladrões da política brasileira em troca favores eleitorais for sinal de inteligência, Lula é realmente um gênio. Lula faz política inteligente sob a ótica da corrupção. Ele não tem palavra, nos dois sentidos: seu vocabulário é paupérrimo e já não se pode acreditar no que ele diz. Um artigo medíocre de um jornalista (este sim) genial.
Leonidas Souza , Santos-SP - industriário
Enviado em 28/10/2009 às 15:36:45
Parabéns, a melhor análise que já li sobre o Lula. sem nenhum ranço partidário, uma raridade hoje em dia. Simplesmente irretocável. Vou guardar para ler outras vezes. Um abraço!!!
Sidney  borges , Ubatuba-SP - jornalista/professor
Enviado em 28/10/2009 às 14:05:52
Lula desde o início de sua vida política sempre disse que lutava por melhores condições para os trabalhadores. Continua fazendo o que pregou, não pretende mudar as regras do jogo capitalista. No final do governo ditatorial as esquerdas pensaram em usá-lo. O operário politizado seria o elo com as massas. Lula era um legítimo representante do povo, fundamental para o projto socialista de tomada do poder. O tiro saiu pela culatra. O popular e carismático metalúrgico usou o discurso esquerdista e tornou-se o Lula de hoje, absluto nas preferências dos eleitores. Mas convém lembrar que o processo democrático necessita de alternância no poder. A democracia está acima de qualquer liderança.
Marcelo Francis Máduar , São Paulo-SP - Físico
Enviado em 28/10/2009 às 13:25:38
Sr. Eugênio, concordo em parte: há sim a centelha do gênio, mas a genialidade na política só pode expressar-se hoje porque foi lapidada lá nos anos 80, nos tempos de sindicalista, onde Lula aprendeu a negociar, avançar, recuar, interagindo com o operário e o empresário. O texto não fala desse passado. O ponto é que essa “elite” que frente a Lula fica admirada e enciumada, mostra que é incapaz de entender que a competência pessoal vem sobretudo da experiência de vida. O estudo formal, claro, é sempre desejável, mas por si só não é suficiente para a expressão da genialidade. E então a “elite” perde-se buscando chifre em cabeça de cavalo, gracejando e censurando cada frase de Lula, e perde a essência do que ele diz. É como a história da “azia” ao ler jornais: quem pôde expressar de forma mais clara - neste OI ou em qualquer outro lugar - a insatisfação com certa mídia que escolheu deixar de informar para espelhar o ranço elitista?
Maurício Carvalho , São Paulo-SP - servidor público federal
Enviado em 28/10/2009 às 13:09:12
Esse texto simplesmente aniquila com todos aqueles que estão aí do lado acerca da entrevista do Presidente Lula, Elio Gaspari, Janio de Freitas, Cantanhêde e Noblat... Não à toa, todos foram publicados por nossos "geniais" "grandes" órgãos de comunicação. Eu teria vergonha de deixar exposto um texto meu, pedestre, ao lado desse aqui.
isaac n f guanaes guanaes , rio de janeiro -RJ - empresário
Enviado em 28/10/2009 às 12:49:48
Sr. Eugênio Bucci, Parabéns, excelente sua análise, o sr. expressou muito do que eu penso. Se o sr. estivesse caído na crítica barata, tendenciosa, sem nenhum fundamento, talvez este espaço estivesse entulhado de comentários de pessoas alienadas, que só repetem o que os famosos "formadores de opinião", empregados de uma parte da imprensa manipuladora, gosta de passar ao público. Mais uma vez parabéns.
Dante Caleffi sup , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário Rio d
Enviado em 28/10/2009 às 12:26:00
Texto ,lembra uma tese acadêmica.Jornalistica,nem tanto.Distante da polivalência de uma Miriam Leitão,que impaciente,proclamou-se corregedora geral da oposição , chamando-a de incompetente,por não saber fazer oposição à Lula. Com essa qualificação,seriam os primeiros leitores de tão análitico ensaio do articulista,redatores e editores da "grande"imprensa. Quanto a Lula, "gênio analisado",pode-se discordar de tudo ou de nada. Discordo de alguma semântica."Pequeno",não seria sinonimo de "mesquinhez"? Agachar-se para apanhar as guimbas da oposição,naõ para fumá-las,mas guardá-las ,para num futuro próximo, exibi-las com troféu de negligente arrogância. A CNBB, em passado recente ,não cairia em armadilha tão primária, a ponto de seu secretário-geral ,vir a público para contestar com dissertações evangélicas,metáforas oratórias. Agradeçam por Lula não ter recorrido a uma outra : PIO XII e o acordo com Adolf Hitler,salvando Roma em troca do silêncio da Igreja com os genocídios étnicos.Seria constrangedor.Futebolísticamente,Pelé é o gênio pragmático.Garrincha ,espontâneo e primitivo.O primeiro ,símbolo vivo do que o futebol ofereceu de melhor ao mundo,perambula e transita em todos os planos. Mané,continua saltitando entre as nuvens ,driblando querubins , e descontraindo a sisudez celeste.
luiz alberto duarte , são paulo-SP - economista
Enviado em 28/10/2009 às 12:15:05
Não te parece , que tal comportamento beira algo parecido com FRAUDE generalizada . Ja tvemos outroa na historia e o resultado sempre foi desastroso.
Lee Santos , Piracicaba-SP - músico, projetista mecânico e artesão.
Enviado em 28/10/2009 às 10:53:12
Há vida inteligente aqui neste OI.Parabéns pelo texto.
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