ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 562 - 9/2/2010
  Caderno da Cidadania
Início > Índice Geral > Caderno da Cidadania + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

CASO UNIBAN
A culpada é a vítima

Por Ligia Martins de Almeida em 8/11/2009

Quando parecia que as mulheres vítimas de violência não seriam mais tratadas como culpadas – como ocorreu quando Doca Street matou a socialite Ângela Diniz – acontece o caso de Geisy Arruda, a estudante da Uniban, em São Paulo. A universitária foi expulsa da escola porque "buscou chamar atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa ação coletiva de defesa do ambiente escolar", conforme expresso no comunicado da Uniban com o título "A educação se faz com atitude e não com complacência", publicado nos jornais paulistas no domingo (8/11) [ver abaixo a íntegra do comunicado e a nota da União Nacional dos Estudantes sobre o episódio].

Os agressores – apenas seis estudantes e um funcionário foram identificados (embora mais de 600 tenham participado do tumulto) – foram suspensos temporariamente. Eles, ao contrário da moça, não foram acusados de "flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade", ainda segundo o comunicado oficial.

No seu manifesto, a Uniban condena a moça e acaba encontrando mais um culpado. Quem? A mídia:

"A Uniban reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior, expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados. Nesse sentido, cabe aqui registrar o estranhamento da Uniban diante do comportamento da mídia, que, uma vez mais, perde a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre temas fundamentais como ética, juventude e universidade".

Pauta urgente

A mídia pode ser culpada por ter demorado a divulgar a história ou de perder a oportunidade de fazer uma longa matéria com esses estudantes que se transformaram numa turba disposta a massacrar a moça só porque ela usava um vestido curto. Mas, neste caso, a imprensa fez sua parte: divulgou a história, ouviu a vítima e, depois da decisão da Uniban, divulgou a repercussão do fato com educadores e entidades de defesa da mulher, que foram unânimes em condenar a atitude da universidade.

A Folha de S.Paulo ouviu também alguns universitários. Dos nove jovens entrevistados, só dois foram a favor da decisão de expulsar a moça, argumentado:

"Há locais e locais onde a gente pode usar certas roupas. Então, acho que a expulsão se justifica. A menina abusou." (Vestibulanda de 25 anos)

"É radical, mas tem que expulsar mesmo. Aquilo não é roupa para ir à aula. É um ambiente de respeito." (Vestibulanda de 23 anos).

Se os favoráveis à expulsão são em pequeno número, ainda assim merecem um estudo. Afinal, os agressores da moça na escola também eram minoria. O que esse episódio revela é o sintoma de alguma doença da sociedade que merece ser estudado. O que está acontecendo com os jovens para que eles se sintam tão agredidos pela colega que usa roupas curtas ou "provocantes", na opinião escola? Por que, ao se sentirem "ofendidos", esses mesmos jovens partem para uma atitude agressiva? Por que uma instituição universitária condena a vítima e premia os agressores com uma suspensão temporária?

Dizer que a agressão a uma jovem que usa roupas curtas é "defesa do ambiente escolar" abre um precedente perigosíssimo. Se a roupa curta incomoda a alguns, as preferências sexuais incomodam a outros, assim como a cor da pele ou a obesidade podem ser considerados inconvenientes – como mostra a matéria "A vida muito acima da média" (Veja nº 2138, de 11/11/2009).

O que a mídia precisa discutir, e com urgência, é o que este episódio tem de mais revelador – a volta da intolerância. Intolerância que abre caminho para comportamentos agressivos, censura, autoritarismo e todas as suas consequências.

***

Nota da Uniban

A educação se faz com atitude e não complacência

A Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL – dirige-se ao público e, especialmente, à sua comunidade acadêmica para divulgar o resultado da sindicância no campus de São Bernardo do Campo sobre o episódio ocorrido no dia 22 de outubro, fartamente exibido na internet e divulgado pelos veículos de comunicação.

A sindicância consoante com o Regimento Interno nos termos do artigo 216, parágrafo 5, e do artigo 207, da Constituição Federal, colheu depoimentos de alunos e alunas, professores, funcionários e da estudante envolvida, além de analisar vídeos e imagens divulgadas.

Os fatos:

Foi apurado que a aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade, e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento.

A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma, explícita, os apelos dos alunos que se manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos.

Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local.

Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima que havia criado.

Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar.

Em seu depoimento perante a comissão, a aluna demonstrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse, e estava acompanhada de dois advogados e uma estagiária vinculados a uma rede de televisão.

Decisão do Conselho Superior da Universidade:

Diante de todos os fatos apurados pela comissão de sindicância, o Conselho Superior, amparado pelo relatório apresentado e nos termos do Regimento Interno, decidiu, com base no Capítulo IV – Regime Disciplinar, artigos 215 e seguintes:

1 – Desligar a aluna Geisy Villa Nova Arruda do quadro discente da Instituição, em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade;

2 – Suspender das atividades acadêmicas, temporariamente, os alunos envolvidos devidamente identificados no incidente ocorrido no dia 22 de outubro.

A UNIBAN reafirma o seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior, expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados. Nesse sentido, cabe aqui registrar o estranhamento da UNIBAN diante do comportamento da mídia que, uma vez mais, perde a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre temas fundamentais como ética, juventude e universidade.

Para tanto, convida seus alunos e alunas, professores, funcionários, a comunidade e a mídia para um ciclo de seminários sobre cidadania em data a ser oportunamente informada.

Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL

***

Nota da União Nacional dos Estudantes (UNE)

Episódio de violência sexista acaba em mais uma demonstração de machismo

No dia 22 de outubro, o Brasil assistiu cenas de selvageria. Uma estudante de turismo da Universidade Bandeirante (São Paulo) foi vítima de um dos crimes mais combatidos na sociedade, a violência sexista, que é aquela cometida contra as mulheres pelo fato de serem tratadas como objetos, sob uma relação de poder desigual na qual estão subordinadas aos homens. Nesse episódio, a estudante foi perseguida e agredida pelos colegas, hipoteticamente pelo tamanho de vestido que usava, e só pôde deixar o campus escoltada pela polícia. Alguns dos alunos que a insultaram gritavam que queriam estuprá-la. Desde quando há justificativa para o estupro ou toleramos esse tipo de violência?

Pasmem, essa história absurda teve um desfecho ainda mais esdrúxulo. A Universidade, espaço de diálogo onde deveriam ser construídas relações sociais livres de opressões e preconceitos, termina por reproduzir lamentavelmente as contradições da sociedade, dando sinais de que vive na era das cavernas.

Além de não punir os estudantes envolvidos na violência sexista, responsabiliza a aluna pelo crime cometido contra ela e a expulsa da universidade de forma arbitrária, como se dissessem que, para manter a ordem, as mulheres devem continuar no lugar que estão, secundárias à história e marginalizadas do espaço do conhecimento.

É naturalizado, fruto de uma construção cultural, e não biológica, que os homens não podem controlar seus instintos sexuais e as mulheres devem se resguardar em roupas que não ponham seus corpos à mostra. Os homens podem até andar sem camisa, mas as mulheres devem seguir regras de conduta e comportamento ideais, a partir de um padrão estético que a condiciona a viver sob as rédeas da sociedade, que por sua vez é controlada pelos homens.

Esse desfecho, somado às diversas abordagens destorcidas do fato na mídia, demonstram a situação de opressão que todas nós, mulheres, vivemos em nosso cotidiano. Situação em que mulheres e tudo o que está relacionado a elas são desvalorizados e depreciados. A mulher é vista como uma mercadoria – ora utilizada para vender algum produto, ora tolhida de autonomia e direitos, ora violentada, estigmatizada e depreciada. É essa concepção que acaba por produzir e reproduzir o machismo, violência e sexismo, próprios do patriarcado. Tal concepção permitiu o desrespeito a estudante.

Nós, mulheres estudantes brasileiras, em contraposição a essa situação, estamos constantemente em luta até que todas as mulheres sejam livres do machismo, da violência, do desrespeito e da opressão que nos cerca.

Repudiamos o ato de violência dos alunos contra a estudante de turismo, repudiamos a reação da mídia que insiste em mistificar o fato e não colocar a violência de cunho sexista no centro do debate e denunciamos a atitude da universidade de punir a estudante ao invés daqueles que provocaram tal situação.

Exigimos que a matrícula da estudante seja mantida, que a Universidade se retrate publicamente e que todos os agressores sejam julgados e condenados não somente pela instituição, a Uniban, mas também pela Justiça brasileira.

Somos Mulheres e Não Mercadoria!

Diretoria de Mulheres da UNE – União Nacional dos Estudantes

Leia também

Esses jovens merecem um estudo – Ligia Martins de Almeida

Comentários (25)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas – e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Wanderley Lemes , Porto Alegre-RS - Servidor Público
Enviado em 10/11/2009 às 11:05:11
Essas pessoas que estão , ainda, espantadas com as vestes da moça, as quais nem julgo tão ousadas e que foram até taxadas trajes sumários... , pergunto: Estavam onde?...saíram do coma agora?
AUGUSTO HELENO VERGNE , Itabela-BA - Médico
Enviado em 10/11/2009 às 00:10:43
A hipocrisia dos estudantes desta universidade só é superada pela covardia das atitudes contra a jovem, achincalhada, pelo que parecia ser um bando de [ ]. Não se admite que a direção de uma universidade se assemelhe também à púdica direção de um Convento de Freiras. É uma vergonha que nos dias atuais em quesomos obrigados a assitir propagandas de cuecas em nossas televisões uma jovem bonita receba uma agressão moral desta envergadura.
Fábio Gomieiro , Guarulhos-SP - administrador e ex-prof. universitário
Enviado em 9/11/2009 às 23:15:07
Prezado André dos Santos Boa noite! Nada contra a cobrança de mensalidades, desde que os processos seletivos sejam sérios, rigorosos, os cursos tenham qualidade e os professores não sejam pressionados à garantirem a "satisfação dos clientes". A proliferação de cursos superiores obrigou os "empresários da educação" a utilizrem todos os meios possíveis para atrair alunos. A minha posição é idêntica a do Professor Waldir Bizzo. Abraços.
MarceloIdiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 9/11/2009 às 22:56:42
Saiu no El País: http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Expulsada/acosada/insultada/vestir/
minifalda/elpepusoc/20091109elpepusoc_11/Tes
 Comentário de um leitor: "No me lo puedo creer que una cosa así haya sucedido en Brasil. No se tratará de una "universidad" musulmana? Nos están dando toda la información?". Pois é...
Adriano Iori , São José dos Campos-SP - aposentado
Enviado em 9/11/2009 às 22:27:16
Pois é... o meu filho foi barrado na entrada da TV GLOBO por estar de bermudas. Isso mesmo!!! E uma mulher pode entrar na Universidade vestida em trajes sumários! Certa vez eu ouvi o Flávio Gikovate dizer que a única coisa que ficou daqueles sonhos dos anos 60, foi o direito da mulher se expor. Acho que ele tinha toda a razão. Eu pergunto: a garota que se diz vitima, vai à praia de longo? Tenho certeza que não.
Geraldo Magela Pereira Freitas , Belo Horizonte-MG - Contador
Enviado em 9/11/2009 às 19:22:43
Caso típico que remete ao período medieval. A atitude complacente da direção da UNIBAN para com os agressores e punição da estudante revelou incompetência, dando gravidade demais ao fato. Quanto ao relacionamento impróprio e intolerante dos agressores, não teriam eles se esquecido dos modos civilizados em razão do excesso de comunicação virtual hoje em pratica? Fosse eu aluno dessa universidade pediria transferência depois dessa "bola fora".
Waldir Bizzo , Campinas-SP - professor universitário
Enviado em 9/11/2009 às 19:14:05
Muito simples entender: a Uniban não é uma instituição de ensino. A Uniban é um negócio! Ela vende diplomas! Então é a melhor solução para ela: perder apenas uma cliente e não diversos, como deveria ser se a Uniban fosse realmente uma Universidade preocupada com a educação e formação de seus alunos!
Orlando Nascimento , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 9/11/2009 às 18:07:53
O fundamentalismo do Taliban é mais consistente do que esse da Uniban. Eles tem a "sharia", lei islâmica severa; a universidade, um imperativo categórico chinfrim. Em comum, porém, a mesma pedagogia. Ambos dispostos a atirar a primeira pedra. Promessas de uma educação lapidar.
Jose  Albino , Sao Paulo-SP - Engo.
Enviado em 9/11/2009 às 16:56:19
Um adendo ao meu comentário anterior: o nome UNIBAN tem algo a ver com TALEBAN? Seria UNITALEBAN? Aí estaria explicado...E com relação a outro comentário abaixo, realmente, há alguns estabelecimentos aqui em SP, um inclusive que tem alusão a café no nome, de conhecimento de todos, não preciso colocar o nome completo aqui, que se vangloria de ter em seu quadro de garotas somente universitárias...talvez do mesmo tipo que se manifestam contra a garota da UNITALEBAN...curioso, não? Que sociedade em que vivemos, não?
João Amadeu Penteado , Recife-PE - mecânico
Enviado em 9/11/2009 às 16:03:44
Muita gente que sabe que essas faculdades não valem nada; são de péssima qualidade, mas entram assim mesmo no esquema porque precisam de um “canudo”, de um diploma. É por demais sabida e conhecida a piada do estudante que liga por engano para uma dessas faculdades e quando diz: “Desculpa, foi um engano”, do outro lado alguém responde: “Desculpa, coisa nenhuma! Já está matriculado! É dentro desse panorama, dentro desse espírito é que a comédia chega ao seu apogeu, pois ao redigir as explicações, optando pela expulsão da moça, na verdade a UNIBAN está tentando passar a si mesma e para a coletividade um atestado de idoneidade. Está tentando passar para o público alvo a imagem de instituição séria, que presa pela moralidade e pelos bons costumes. E, o que mais assusta, é que se optaram por esse caminho insólito e mesquinho é porque detetaram que era essa, e não qualquer outra, a inspiração da seleta freguesia que freqüenta aquela banca de ensino.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 9/11/2009 às 15:33:47
Sr. Ibsen Marques, excelente argumento - as mesmas pessoas que mostraram-se tão intolentates contra uma suposta garota de programa não deve ter o mínimo de incômodo em trabalhar ou dormir na mesma casa com alguém que usa os serviços de tal tipo de profissional - que, não custa jamais relembrar, não está cometendo absolutamente nenhum ilícito penal.
Hugo Rosa , São Paulo-SP - Engenheiro
Enviado em 9/11/2009 às 15:10:45
Nossa quanta distorção, cada um diz uma coisa não consegui nem entender quais são realmente os fatos. Mas, deixo aqui minha opinião. Se a moça esta em trajes inadequados e há regras da universidade sobre isso, então deveria ser punida conforme estas regras. Que suponho não incluir expulsão, afinal é uma punição totalmente desproporcional ao delito. Se os alunos realmente xingaram e ameaçaram, a universidade deveria punir os mesmos pois também deve haver regras contra hostilidade entre os alunos. Se alguns alunos agrediram fisicamente, esses deveriam ser presos, pois isso é crime previsto em lei. Eu só desconheço os processos legais para levá-los a prisão. Mas, a agredida deveria exigi-los na justiça. Quanto aos alunos que fizeram ameaças esses também deveriam ser tratados como prevê a lei. E na minha opinião a faculdade deveria mantê-los sobre vigilância, pois, podem ameaçar ou agredir outras alunas. Quanto a faculdade pela expulsão, vergonhoso. Punição totalmente desproporcional, se a regra for essa expulsar quem não se vestirem adequadamente, acho que deverão ocorrer mais desligamentos. Creio haver outras punições como suspensão temporária por exempli muito mais adequadas.
André  dos Santos , Campo Grande-MS - Serv. Público Federal
Enviado em 9/11/2009 às 14:55:26
Sr. Fábio Gomieiro, gostaria de comentar sua opinião. Apesar de o senhor não ter generalizado expressamente, vejo qu não nutre boas opiniões sobre instituições de ensino particulares. Eu, sinceramente, não vejo problema algum em uma universidade ser administrada como um negócio; Aliás, percebo o tom pejorativo dado à palavra "negócio" quando tratam de assuntos educaionais. Afinal, somos ou não uma economia de mercado, uma economia capitalista? O Brasil sofreu ou não para hj ser considerado um país de baixo risco aos investidores? E se hj é assim considerado, foi pelos últimos governantes tê-lo administrado resposnsavelmente - como um negócio - ou por peripécias e acrobacias econômicas? Sabe-se que nos EUA as melhores universidades - que são também melhores do mundo - são em maioria privadas, isso não tira nem uma vírgula de seus prestígios. Até mesmo as públicas, lá, exigem alguma contrapartida por parte do acadêmico. Pagar para receber estudo não é feio. Não é feio uma universidade ser um negócio, ter lucro. O problema é que, no Brasil, as coisas acabam sempre sendo deturpadas, no estado, com a corrupção, na iniciativa privada, com o lucro a qualquer custo. Uma cosia é uma coisa, não se deve jogar o fato de a universidade ser paga com o fato de os alunos serem animais, isso é culpa da cultura geral. Lembre-se que na USP já houve quebra-quebra do patrimônio público.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 9/11/2009 às 13:52:49
O comunicado da Uniban. sob o argumento da moralidade. esconde o único e verdadeiro interesse da empresa de ensino: o financeiro. Mais fácil se livrar de uma aluna incômoda do que de uma turba de alunos bons pagantes. Em pleno século XXI um comportamento preconceituoso desse tanto é de indignar mesmo. Já vi mulheres em trajes bem mais ínfimos. Se ela faz ou não "programas" isso só diz respeito a ela, ou agora vamos espancar cada garota de programa ou prostituta que nos aparecer à frente? Aliás, se há garotas de programa também há, em muito maior escala, seus clientes. É por essas e outras que eu digo que o governo erra o foco ao se dedicar integralmente ao problema do acesso às universidades. É preciso garantir ao cidadão a formação e a educação mais rasa, lá no ensino fundamental e médio, quem sabe assim os "universitários" compareçam menos aos botecos e mais às salas de aula e passem a se portar menos como uma turba e mais como alunos e cidadãos!!
Fábio Gomieiro , Guarulhos-SP - administrador, ex-prof. universitário
Enviado em 9/11/2009 às 12:48:46
Prezado Fábio O. Ribeiro O Sindicato dos Professores do Estado de S. Paulo (SINPRO) define, com muita proriedade, os proprietários das instituições de ensino como "empresários da educação". Não há preocupação com ensino de qualidade (salas com mais de 100 alunos, obrigam o uso de equipamento de som, simulacros de vestibulares permitem o ingresso de analfabetos funcionais) e/ou pesquisa, mas tão somente com lucro. No final do curso, após a festa de formatura(a participação exige pagamento de parcelas "salgadas" durante dois ou três anos) que consomem recursos que poderiam ter sido utilizados na compra de livros, os formandos descobrem a realidade: reprovados no exame da OAB, sub-empregos, falta de conhecimentos básicos para o exercício da profissão. E os empresários da educação, muito espertos, oferecem novos "produtos" para tomar mais dinheiro dos incautos: pós-graduação lato sensu, especialização e MBAs. Mas os jovens estão felizes porque frequentam a "facu". Não é possível esquecer a cumplicidade dos professores que participam do jogo: "eu finjo que ensino e eles finjem que aprendem".
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 9/11/2009 às 12:40:16
Como disse via Twitter o professor Carlos Moreno, grande baluarte da Língua Portuguesa pré-estupro do Novo Acordo Ortográfico, às vezes o humor é o melhor inseticida: http://www.youtube.com/watch?v=snjPDpDg2Pk
Carlos N  Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 9/11/2009 às 12:07:51
Sábia é minha avó. Ela costuma a dizer "quanto mais se mexe em porcaria, mais fede". A direção da UNIBan, em vez de procurar o "low profile", fez o inverso, e voltou-se contra a parte mais fraca da questão - o que triplicou a ferocidade e a quantidade de críticas. Passarinho que está na pior não pia. Agora, aguenta...
Laércio Lucas Baryoussef , Juazeiro-BA - Estudante de Jornalismo
Enviado em 9/11/2009 às 11:16:28
Se continuar assim, daqui a pouco vão querer que as mulheres usem burkas naquela "universidade". Das duas uma. Ou estão saudosos da "Santa Inquisição" ou querem aplicar a Sharia (Lei islâmica)? Bando de hipócritas!!! Geise foi um bode expiatório para esconder uma legião de pecados ali praticados, é a Geni da música de Chico. A pergunta não é "onde vamos parar?", é "onde iremos voltar?"
Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 9/11/2009 às 10:51:49
Aqui vale o princípio "primeiro os negócios". Impossível expulsar todos os alunos e fechar a empresa, escolheram expulsar a aluna e correr o risco de indenizá-la mantendo a empresa aberta.
Dante Caleffi sup , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário Rio d
Enviado em 9/11/2009 às 10:48:47
Imagine se ocorresse um episódio semelhante numa universidade do Rio de Janeiro. Era matéria para ser sustentada por páginas, de jornal,horas na mídia sonora e televisiva,com repetidas suites,etc,que acabaria no colo de...Lula! Serra, blindado pelo PIG,,permanece imune. Nem mesmo seu "ministro da educação"Paulo Renato se pronunciou.Quem não é ouvido ,é esquecido...
Jose Albino , Sao Paulo-SP - Engo.
Enviado em 9/11/2009 às 10:32:11
O grupo que se manisfestou agredindo verbalmente e ameaçando a estudante, não reflete o perfil de comportamento de um cidadão universitário. Aquilo não é um grupo de universitários. Aquilo é um grupo de indivíduos que comprou ( sabe-se lá como) o direito freqüentar uma faculdade, a qual deveria ter um compromisso com a sociedade de formar novos cidadãos com pensamento voltado à tolerância, ao vanguardismo de pensamentos e costumes, à universalidade de idéias, ao respeito, enfim, a tudo o que a universalidade de pensamento e idéias significa. Aquele ambiente, no qual ocorreram as agressões, me parece apenas um reduto de pessoas interessadas em adquirir um título de curso superior e se divertir em meio ao ambiente pseudo-universitário. Aquilo foi um retrocesso. Retrocesso aliás que vem se refletindo na atual geração de jovens, com o aumento inexplicável do pensamento reacionário entre estes. No mundo todo,constata-se o crescente reagir negativo às manifestações mais humanitárias com relação aos povos e costumes. Hoje reage-se sem o menor pudor contra qualquer pensamento progressista, de forma conservadora. Tornou-se comum ser conservador e retrógrado, pois a sociedade parece tolerar e apoiar mais este tipo de cidado que os progressistas e modernos. É um retrato da sociedade atual, infelizmente. Do final dos anos 80 para cá, não por coincidência, a humanidade comporta-se assim.
Roberto Xavier , São Paulo-SP - vendedor
Enviado em 9/11/2009 às 01:38:03
O que na verdade ficou sem apuração neste caso é a informação de muitos alunos da UNIBAN, de que a jovem Geisy usava um nome falso em um perfil no ORKUT, onde fazia trejeitos de garota de programa. O que talvez tenha causado o mal estar entre tais alunos seria a hipótese de a moça estar tentando se promover dentro do campus da UNIBAN. Quando a turba revoltosa a chamou de Pu..., certamente não foi por causa do vestidinho, caso o fosse, as Universidades teriam de expulsar milhares de alunas de seus campus.
Fernando Nogueira , Niteroi-RJ - Professor
Enviado em 9/11/2009 às 01:09:57
Espero que essa tal Uniban não se preste a formar sociólogos.
marcos almeida , sao paulo-SP - funcionario público
Enviado em 8/11/2009 às 23:53:05
Alguém conhece um aluno da Uniban ocupando um posto de destaque na sociedade brasileira? Ah sim, a "Havard" brasileira não precisa disso, afinal, seus alunos já vem com educação de família suficientes para se imporem na sociedade, sendo o ensino um mero afinador de suas çõndições morais. Saia curta? Eles não passam não.
Rose Silveira , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 8/11/2009 às 22:01:15
Esse episódio começou estarrecedor e, a cada novo fato, como a expulsão da estudante, torna-se ainda pior. A nota oficial da universidade é uma peça que também merece um estudo em vários campos do conhecimento, incluindo o psicanalítico. Que responsabilidade social o quê? Que valores? Discurso raso e viciado dos marqueteiros de plantão. E no portal da instituição, nenhuma linha a respeito do fato, como se nada tivesse acontecido. É, no mínimo, patológico.
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Ligia Martins de Almeida

Outros artigos desta Seção
VIOLÊNCIA NO RIO
Um aquário com
peixes míopes

Muniz Sodré
3/11/2009
VIOLÊNCIA NA UNIBAN
Esses jovens
merecem um estudo

Ligia Martins de Almeida
3/11/2009
UNESCO & CESeC
Os blogs no debate
sobre segurança pública

Ana Lúcia Guimarães e
Nelson Souza Aguiar
3/11/2009
MÍDIA & EDUCAÇÃO
Outubro, mês dos
professores: um balanço

Gabriel Perissé
3/11/2009
SOCIEDADE VIGIADA
O parto de uma
geração atrasada

Rodrigo C. Vargas
3/11/2009
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Censura nunca mais
Folha de S.Paulo
3/11/2009
SAÚDE PÚBLICA
O crack vai fechar escolas?
Deonísio da Silva
4/11/2009
DEFICIENTES VISUAIS
A irresponsabilidade dos radiodifusores
Lia Segre
5/11/2009
CASO UNIBAN
A culpada é a vítima
Ligia Martins de Almeida
8/11/2009

Últimos 5 artigos de
Ligia Martins de Almeida
LEITURAS DE CLAUDIA
Capa não faz jus ao conteúdo
9/2/2010
SÃO PAULO FASHION WEEK
Contradições sobre a beleza feminina
26/1/2010
TRAGÉDIAS & ENCHENTES
Destruição sem mortes não dá notícia
26/1/2010
ELEIÇÕES 2010
O ano das mulheres no noticiário político
12/1/2010
CASO SEAN
O espetáculo na mídia americana
29/12/2009
Mais artigos de
Ligia Martins de Almeida >>