ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 563 - 9/2/2010
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
A imprensa joga a toalha

Por Luciano Martins Costa em 16/11/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 16/11/2009

A notícia de que os Estados Unidos e a China, os dois países mais poluidores do mundo, e outras nações reunidas num fórum de líderes da região Ásia-Pacífico, decidiram adiar uma deliberação concreta sobre a redução das causas do aquecimento global é destaque em todos os grandes jornais na segunda-feira (16/11).

Segundo a imprensa, a decisão esvazia a conferência da ONU sobre clima, marcada para o próximo mês em Copenhague, na Dinamarca. Tudo que se poderá conseguir em Copenhague, então, seria um acordo político, ou uma carta de intenções sem referência a metas específicas.

A postura dos jornais brasileiros é derrotista. No entanto, a leitura dos detalhes do noticiário, incluindo-se o que vem pelos sites da imprensa internacional, indica que o atraso na elaboração de um compromisso global pode ser favorável ao estabelecimento de metas mais ambiciosas.

Outra postura

Se for obtido um consenso em torno de intenções e um acordo político de caráter obrigatório, conforme observou o primeiro-ministro da Dinamarca, o passo seguinte poderá ser a definição de metas concretas e factíveis, o que seria muito mais do que aquilo que se obteve até agora.

Ademais, a nova circunstância pode ser uma oportunidade para o Brasil apresentar um compromisso à parte, assegurando uma redução significativa do desmatamento na Amazônia, no Cerrado e no que resta da Mata Atlântica.

Isso colocaria o país numa posição de liderança para a etapa seguinte das negociações globais sobre o clima. Além disso, uma posição vanguardista e comprometida do Brasil poderia estimular investimentos internacionais em projetos de desenvolvimento sustentável, que se somariam ao potencial já anunciado de atração representado pela realização da Copa do Mundo em 2014 e pelas Olimpíadas em 2016.

Mas, para que isso aconteça, a imprensa precisaria adotar outra postura. Em vez de lamentar o adiamento das decisões em Copenhague, o correto seria manter forte a pressão para que o governo brasileiro não recue. Mas tudo indica que a imprensa usa o episódio para jogar a toalha.

Comentários (5)
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Márcio Ikuno , Diadema-SP - Jornalista
Enviado em 17/11/2009 às 10:07:40
Definitivamente concordo com o autor. Na verdade, creio que a imprensa gostaria de saber se, de fato, os países estão se empenhando nessa "luta" contra o aquecimento, já que muitos, inclusive o Brasil, principalmente o brasil, têm utilizado tal situação para fazer marketing político. Logicamente não vou generalizar. Há os que levam à sério. Creio que seja essa a pauta que a imprensa tem dado mais ênfase: Copenhague como oportunidade "Roussefiana", política. Dilma, Lula, entre outros servos do País são um desastre enquanto líderes sustentável. Não emitem força alguma sobre a questão. Não é à toa que a imprensa joga a toalha. Não é à toa que o "Brasil não vai pra frente".
Paulo  de Allmeida , --IN - -
Enviado em 17/11/2009 às 07:55:57
Vamos ver na hora da dor de dente quem vai consolar a hipocrisia dos suicidas e demagogos... Na verdade a turba tem o rabo preso, e um assunto desta natureza requer liberdade. "Mas liberdade, aposto, ainda é só alegria de um pobre caminhozinho no dentro do ferro de grandes prisöes". (J G Rosa)
Cristiana  Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 17/11/2009 às 00:31:45
Esse papo de desenvolvimento sustentável é só pra Brasileiro mesmo, ninguém tá nem aí pra essa estória. Alguém viu algum manifestante do Greenpeace? O Lula é cascudo, já conhece essa balela de trás pra frente. O próprio texto já dá o tom do " compromisso", o Brasil assegura a redução de dematamento enquanto o mundo vai caminhando. O principal é que se, derrubarmos uma árvore no Brasil, os ursos polares morrerão afogados... sai mais barato depilar os ursos e colocá-los no ar condicionado. O autor não precisa se preocupar pq, não, a imprensa não vai jogar a toalha, ela já investiu muito nessa balela, e sabe que esse papo só " cola" no Brasil. Vai enaltecer tudo que signifique não desenvolvimento nacional.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 16/11/2009 às 14:38:07
Encontramo-nos no "outro mundo". Isso é para breve, muito breve. Vamos ver se lá, China e EUA serão grandes produtores e consumidores. Não dá prá entender, uns acham nossa imprensa muito alarmista, outros apática e conformista. A propósito, enquanto escrevo isso estou cá derretendo de calor. Quem sabe se os Ursos polares começarem a frequentar a Casa Branca. . .
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 16/11/2009 às 11:12:19
Não é derrotismo. A postura exclusiva de adotar metas definidas e ousadas,dá projeção,nesse cenário em que predomina a hipocrisia dos desenvolvidos,um status exclusivo a Lula como estadista que se consolida `a cada dia.Isso para a mídia nacional,que assumiu postura de ferrenha e desleal oposicionista, é inadmissível.
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