ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 564 - 9/2/2010
  Imprensa em Questão
Início > Índice Geral > Imprensa em Questão + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

DEPOIS DO APAGÃO
A cobertura do assunto encerrado

Por Rolf Kuntz em 17/11/2009

Benedito Siqueira, lavrador, mora a 800 metros da subestação de Itaberá (SP) e disse não ter visto nenhum raio por lá na terça-feira (10/11), quando um apagão afetou 18 estados brasileiros. Uma foto de Siqueira no meio da lavoura, com o linhão ao fundo, apareceu na edição nº 2139 de Veja (com data de capa de 18/11/2009). O prefeito da cidade havia dito a mesma coisa, numa entrevista pelo rádio. Técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já haviam posto em dúvida a versão oficial de um acidente causado por fenômenos atmosféricos. Os meios de comunicação fizeram seu trabalho e essas e muitas outras informações foram oferecidas ao público, ao lado das versões e declarações de autoridades e engenheiros de alto escalão do governo.

Na quinta-feira (12), apenas dois dias depois do blecaute, a ministra-candidata Dilma Rousseff e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, decretaram o encerramento do assunto. Era página virada, segundo Lobão. A imprensa divulgou as declarações e continuou a cuidar da história. Não se sabe se os dois ministros esperavam obediência dos jornalistas. Se esperavam, devem ter-se decepcionado. Mas isso não foi tudo. Ainda acabaram desautorizados por seu chefe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seria preciso continuar investigando, disse Lula, e também isso foi noticiado.

Números luminosos

O apagão em 18 estados – um "microincidente", segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro – continuava inexplicado no fim de semana, mas os leitores haviam recebido, em poucos dias, uma enxurrada de informações sobre o sistema elétrico brasileiro, sobre suas fragilidades e sobre os investimentos da Eletróbrás nos últimos dez anos. Esses investimentos, segundo o Globo de sexta-feira (13/11), têm sido insuficientes para as necessidades do país.

Se tivessem aproveitado o levantamento da organização Contas Abertas, especializada em finanças do governo, os jornais poderiam ter mostrado algo mais:

1. a partir de 2003, o investimento da Eletrobrás foi sempre menor, como porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB), do que no período entre 1999 e 2002;

2. também a partir de 2003, o valor investido, ajustado pela inflação, foi sempre inferior ao aplicado nos quatro anos anteriores.

Na quinta-feira os grandes jornais já tentaram um primeiro balanço dos estragos causados pelo blecaute. A Volkswagen deixou de produzir 1.500 automóveis e 800 motores, a Basf paralisou o Complexo Químico de Guaratinguetá e muitas outras indústrias contabilizaram perdas. A Sabesp cortou o abastecimento de água de 20 milhões de pessoas, a Cedae deixou 10 milhões a seco durante oito horas, hospitais suspenderam cirurgias e assim por diante.

Não se poderia fazer um levantamento completo dos prejuízos de todos os tipos, mas o material publicado foi suficiente para dar uma idéia das consequências do "microincidente". Mas na Rua Boa Vista, no centro de São Paulo, o impostômetro da Associação Comercial continuou mostrando, em números luminosos, o avanço da tributação.

Fatos interessantes

Mais uma vez, no entanto, faltou organizar um pouco mais o material publicado. Esse é um problema frequente nas grandes coberturas. Os jornais deram várias páginas ao assunto, nos primeiros dias, e nenhum leitor pode se queixar do volume de informações. Mas a leitura poderia ter sido mais fácil – e mais produtiva – se os editores tivessem aberto o material, em cada edição, com um quadro-resumo das principais novidades. Isso já foi feito muitas vezes. O leitor sempre agradece por esse favor, como agradece, também, quando as opiniões e explicações apresentadas por vários entrevistados são agrupadas e resumidas num texto enxuto.

Mas o essencial foi feito e os cidadãos foram informados de uma porção de fatos interessantíssimos, como o aumento de 29% no número de apagões de grandes proporções entre 2008 e 2009 – de 48 para 62. A maior parte das ocorrências, segundo matéria da Folha de S. Paulo, não foi esclarecida.

Despedida de Torós

O apagão dominou o noticiário econômico (e não só econômico) da segunda semana de novembro, mas isso não abafou a repercussão da entrevista de Mário Torós, diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), ao Valor. A matéria, manchete da edição de sexta-feira (13/11), trouxe novidades importantes sobre os primeiros efeitos da crise financeira, no ano passado. Houve corrida a bancos pequenos e médios, com saques de R$ 40 bilhões em apenas uma semana de outubro de 2008, e um ataque especulativo ao real, em dezembro, por um grande fundo de hedge americano. O BC teve muito mais trabalho do que em geral se imaginava, até agora, para controlar a situação.

Os jornais saíram com a repercussão no sábado. A entrevista pegou mal entre colegas de Torós, mas a assessoria de Imprensa do BC preferiu classificar as "declarações atribuídas ao diretor de Política Monetária" como "avaliação de caráter pessoal". Não houve manifestação oficial da instituição a respeito do assunto. Como não houve desmentido, as informações devem ser verdadeiras.

Segundo a entrevista, houve ataques, naquela fase, aos bancos Votorantim e Safra. Depois, o Banco do Brasil comprou 50% do Votorantim. Mais uma sugestão de pauta?

Comentários (27)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas – e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.

ATENÇÃO: Será necessário validar a publicação do seu comentário clicando no link enviado em seguida ao endereço de e-mail que você informou. Só as mensagens autorizadas serão publicadas. Este procedimento será feito apenas uma vez para cada endereço de e-mail utilizado.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Haroldo Mourão Cunha , São Gonçalo-RJ - Sem profissão
Enviado em 22/11/2009 às 16:41:20
O maior bem que o Presidente Luis Ignácio Lula da Silva pode ter trazido com sua eleição e, posteriomente, sua reeleição, foi a queda das máscaras, êita coisa boa! Pudemos ver a democracia fluir pelos póros, não a verdadeira democracia, pois democracia sem justiça social só pode ser chamada de criança recem nascida. Mas estamos caminhando. A minoria ainda decide por nós, a maioria ainda não tem voz e é assim que essa minoria deseja que permaneça. Cobrar decência a essa maioria? Desisti de tentar, as capitanias hereditárias não queremdividir ou mesmo ceder um pouco do sangue que seus ancestrais retiraram dos nossos!
Alberto Nasiasene , Jaguariúna-SP - Professor
Enviado em 21/11/2009 às 16:11:13
Confundir blackout com o apagão da era FHC é patético. Nem a velhinha de Taubaté acredita nisso, porque ainda se lembra que teve que racionar o uso de eletricidade durante meses seguidos (não podia nem ligar a máquina de lavar roupas e o freezer) porque o governo de FHC e dos demotucanos "se esqueceu" de investir na infraestrutura energética (porque queriama vender tudo, até a Petrobrás, ou, como queriam, a Petrobrax) e deixou os reservatórios de água nas hidrelétricas irem se esvaziando irresponsavelmente, acreditando no deus mercado (a salvação para todos os males do Brasíl) que viria para perpetuá-los no poder.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 19/11/2009 às 10:54:41
Não entendi uma coisa nessa história toda... o setor elétrico foi privatizado porque era mal administrado e não tinha dinheiro para investir. E agora que provou-se que nas mãos do setor privado é mal administrado e não investiu droga nenhuma, quem é cobrado é o Governo?
Marcelo Silvestre , São Paulo-SP - Internauta
Enviado em 18/11/2009 às 23:59:01
"Um apagão monumental, acidente seríssimo..." Vamos guardar as devidas proporções. Acidente seríssimo é um acidente nuclear ou algo parecido. Um blecaute de 4 horas é apenas uma aporrinhação, um incoveniente que atrapalha os cidadãos que estariam vendo TV. Ainda mais no horário que ocorreu. Lembremos que a maioria das empresas sérias possuem sistemas geradores de backup. E tudo que é essencial, como os hospitais, também deveriam ter. Esse blecaute mal vai mexer com o PIB do mês de novembro, quanto mais com a economia do país. O blecaute do FHC também não foi problema. O duro foram os oito meses de racionamento. Isso foi o que derrubou a economia do país.
Bernardo Moura , Miami-IN - geógrafo
Enviado em 18/11/2009 às 20:37:24
O Ministro Tarso Genro disse claramente que o blecaute "foi um "microincidente", dentro de sete anos de conquistas extraordinárias". O senhor faz o recorte na frase e o utiliza para atacar o Governo. Eu já fiquei com nojo do jornalismo da Globo por causa do circo armado. Agora, ver um filósofo se utilizar do mesmo expediente?... meu Deus! /// PS: eu não defendo cegamente o Governo; o que me deixa (cada vez mais!!) irado com isso tudo que está acontecendo, é assistir à mais absoluta falta de ética e de profissionalismo. Sim, os temops são outros, eu sei; mas é romântico demais pedir um mínimo de vergonha na cara da imprensa?
William Malf , São Paulo-SP - Comerciante
Enviado em 18/11/2009 às 19:35:22
Não me espanto com a ausência do assunto "vigas que caíram de um viaduto em SP", nem com a tentativa de Kuntz, ao escrever o texto, de tentar tirar mais caldo de uma laranja espremida mil vezes. A dita oposição, mais parecida com os componentes do antigo grupo "Os Trapalhões", está a caça de qualquer coisa que possa comprometer Lula e sua provável herança política. Só Suel (o incansável), Kuntz e alguns estudantes é que ainda tentam monopolizar o espaço da internet para fins TucanoDemoníacos! Ao fim, se desesperam e escrevem como iniciáticos de um curso de jornalismo on line qualquer que apareça nas pesquisas do Google. A jogada Aécio-Ciro; a abertura de alguns olhos de eleitores; o pesadelo da lembrança do reinado de FHC (pesquisem sobre Miriam Dutra); e as aparições de Lula pelo Brasil e mundo afora, estão pesando contra o pokemon Serra. A mídia paulista (principalmente a paulistana) está sem graça. Conta mentiras de longa data. Publicam historinhas infantis sobre o a extrema honestidade de alguns animais de bico comprido. Parece que o filme "A vida sem eira nem beira de Serra" está para acabar logo logo....
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 18/11/2009 às 15:52:45
Não é nada, não é nada, mas hoje, 18/11, a Folha traz matéria, imprecisa, mas da qual se deduz que José Serra gasta cem mil reais por dia - repetindo: cem mil reais por dia - com fiscalização terceirizada para o Rodoanel. Fiscalização terceirizada, vejam só. E, mesmo assim, as vigas de um viaduto caem, como já havia caído viaduto do fura-fila. Mas isso, obviamente, não interessa a Rolf Kuntz.
Miro Junior , Sao Paulo-SP - Analista
Enviado em 18/11/2009 às 13:30:39
Esqueceram também de comentar como a GLOBO continuou a ter pico de audência do IBOPE mesmo com a maior parte da nossa população no escuro. E esqueceram também de fazer a mesma análise para o caso do Viaduto Tucano que caiu em SP, tocado por umas das mesmas empresas responsável pela cratera do Metro e que tinha séria criticas feitas pelo TCU e evidentes manobras no seu orçamento.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 18/11/2009 às 13:18:30
Lembrei-me de outros fatos pretéritos. Em 2001, eu morava sozinho e praticamente só dormia em casa. Meu consumo de energia era baixo. No ano seguinte, um casal de amigos conseguiu sair do aluguel ao financiar a compra de um imóvel. O problema foi que o imóvel adquirido estava ocupado. Foi necessária uma ação de despejo. Como precisavam sair do imóvel alugado (fim do contrato), esses amigos ficaram sem saber o que fazer. Eu os convidei para ficar na minha casa até o despejo. Justamente nesse período, houve o racionamento e todos deveríamos reduzir o consumo de energia. Mas, na minha casa, houve óbvio e expressivo aumento (como tais amigos não eram meus parentes, minha justificativa para maior consumo não foi aceita pela Aneel). Pagamos altíssimas sobretaxas. A conta de luz era de 500 reais. Numa edição do Jornal Nacional dessa época, eu vi uma entrevista da então desconhecida Dilma Roussef, então secretária estadual de Minas e Energia do RS. “Quero que o governo federal me prove que o Rio Grande do Sul precisa fazer racionamento”, declarou ela (alguma coisa mais ou menos assim, estou recorrendo a meus arquivos de memória). Os gaúchos ficaram de fora do apagão. Por fim, uma última curiosidade. Em 2003, Pedro Parente, que ficou conhecido como o "Ministro do Apagão", tornou-se executivo do grupo RBS.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 18/11/2009 às 12:42:27
Prezado Tiago, eu pensei a mesma coisa sobre investimentos entre 1999 e 2002 se comparados com os havidos após 2003, conforme destacado pelo autor. Desisti de comentar ao verificar alguma torcida organizada na caixa, mas me animei ao ler o teu comentário ponderado. Eu também gostaria de compreender melhor a relação entre investimentos e a privatização - estou seguro de que esse dado precisa ser observado para uma análise correta. No caso específico de Mato Grosso, onde eu residi até 2002, houve, de fato, um grande investimento. Foi a construção de uma hidrelétrica (Usina de Manso), estimada em cerca de 400 milhões de dólares. Foi uma obra muito polêmica pelo grande imapacto ambiental. O lago que precisou ser formado é imenso; a altura da barragem, uma coisa de louco. Mas Manso gera pouca energia, embora Furnas, à época, alegasse outros aproveitamentos para justificar a obra. Um engenheiro renomado que ouvi nos idos de 2000 questionava a opção por Manso e a renúncia à Usina de Couto Magalhães, na região leste de MT. Esta seria um complexo de quatro pequenas hidrelétricas. Segundo ele, Couto Magalhães seria uma obra bem mais barata (aproveita queda natural), geraria mais energia e com menos impacto. Uma notícia recente, que também tangencia teu comentário, é sobre a concessionária de energia elétrica de lá, Rede/Cemat. É hoje a líder nacional de reclamações de consumidores.
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 18/11/2009 às 12:16:51
É dura a vida de demo-tucano: Max Suel e Rolf Kuntz mal começaram a comemorar o apagão e já caiu mais um viaduto em São Paulo...
Wanderley Lemes , Porto Alegre-RS - Servidor Público
Enviado em 18/11/2009 às 12:00:45
O sr.Kunz deve ser daqueles que compara as taxas de crescimento entre de Pib de países díspares, tipo Brasil/Haiti... prá forçar sua lógica.
rafael palomino , araraquara-SP - professor
Enviado em 18/11/2009 às 11:46:03
A impressão que dá é a de que está todo mundo chutando a resposta para o problema. Não se sabem as causas do blecaute, então não há como responsabilizar nem o governo, nem São Pedro pelo incidente. Alguém chutou que a culpe é da baixa de investimentos. Pode ser. Mas é, de fato? Poder, tudo pode. Pode, inclusive, ter havido blecaute por causa dos raios. Pode ter diminuído o investimento no setor energético porque parte dele foi privatizado. Pode ter havido apagão por ingerência ou das empresas públicas, ou das privadas. Poder, pode tudo. Falta o jornalismo investigativo investigar, de fato, o que aconteceu, e parar com seus chutes.
Tiago  Costa Silva , Araraquara-SP - Estudante universitário
Enviado em 18/11/2009 às 01:43:45
Bom, uma coisa que aprendi nesse canal foi a constatação de fatos e a configuração de versões. Acredito que a tempestade de versões sobre o blecaute foi e é o resultado da insaciável sede da imprensa em querer uma nova capa, uma nova conta. Isso serve para a mídia sensacionalista. Pois bem, vejo que o problema foi técnico acima de tudo, solidarizo-me, no entanto, com as queixas daqueles que sofreram de alguma forma com o problema. Pelo país estão espalhdas algumas usinas termoelétricas, o que reforça a tese que não foi por falta de produção de energia, já que a maioria delas não foram acionadas. Argumentar que os investimentos foram menores que o período pré 2001 faz sentido na medida em que o Estado privatizou quase a totalidade do setor de distribuição de energia. Por ora, o erro não por falta de dinheiro e sim de gestão, e não entendo como o período pré 2001 teve maior aporte de recursos e mesmo assim tivemos racionamento. Diante dessa contradição, falta alguém fazer uma análise mais profunda sobre o processo de privatização. É sabido que o Estado, em alguns setores, injentou dinheiro públlico para depois privatizar o setor. Como foi dito por um especiallista, há um fato que fugiu à compreensão e dimensão do problema: a privatização do setor induziu as empresas diminuirem os custos, o que pode ter contribuído.
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 17/11/2009 às 22:38:17
Como poderia dizer o pres Lula: foi apenas uma marolinha elétrica, como nunca antes neste país .... Um apagão monumental, acidente seríssimo, chamado pelo Ministro (?) da Justiça (??) de "microincidente" , seria trágico se já não fosse trágico ... gente incompetente.
João Jr Saboia , São Paulo-SP - gerente comercial
Enviado em 17/11/2009 às 19:39:42
Sobre o acidente no Rodoanel...silêncio total
Paulo Pereira , S J Campos-SP - .
Enviado em 17/11/2009 às 17:43:27
O jornalista deveria ler os “Objetivos” do OI: “O que é o Observatório da Imprensa? Entidade civil, não-governamental, não-corporativa e não-partidária que pretende acompanhar, junto com outras organizações da sociedade civil, o desempenho da mídia brasileira.”
james fricke , são paulo-SP - técnico
Enviado em 17/11/2009 às 17:40:29
Então vamos lá: Ele próprio, em seu texto, começa dizendo que o que houve foi apagão e depois diz que foi blecaute... Decida-se, o que foi afinal, profe??? Ora, blecautes ocorrem pontualmente todos os dias em todos os lugares. A diferença é que este durou horas em alguns grandes centros, daí a visibilidade. Agora querem inventar a roda e atribuir a LULA e seu governo a culpa de todos os problemas do mundo, e jogar a pecha de incompetência num governo que trouxe o país de volta para o futuro, posto que seu antecessor, com sua privataria, financismo e concentração de renda, havia nos jogado na mais profunda das catacumbas. Os pontos 1 e 2 de seu discurso demonstram bem a falácia de seus argumentos e suas má intenções, pois se o PIB cresceu e inflação caiu na era LULA, os índices de investimento na Eletrobrás aparentam queda, compensação pura e simples, mas na verdade os investimento aumentaram na era LULA mesmo sendo percentualmente menores que na era FHC, quando o PIB era negativo. Claro que o problema deve ser investigado e se houver culpados, estes devem ser punidos, mas peraí, a imprensa golpista está fazendo muito barulho por nada, não acham??? Se é para falar que o que houve foi apagão, então vamos falar também do apagão na saúde, no apagão da educação, no apagão dos transportes, no apagão da segurança pública, dentro do governo PSDB-Serra em São Paulo, que já dura 15
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 17/11/2009 às 17:20:32
“Benedito Siqueira, lavrador, mora a 800 metros da subestação de Itaberá (SP) e disse não ter visto nenhum raio por lá na terça-feira (10/11)”. E se o raio tivesse ido a algum botequim comprar cigarros? Como o seu Benedito poderia tê-lo avistado? E se o problema tivesse como causa um curto-circuito provocado por uma descarga elétrica que o seu Benedito não viu porque quando foi procurá-lo, o danado do raio já estava no botequim? Jornalismo brasileiro...
Roberto  Lara , São Paulo-SP - Cidadão
Enviado em 17/11/2009 às 16:21:07
A ocorrência de blackout num sistema elétrico interligado como é o brasileiro é uma possibilidade estatística, maior ou menor, variando conforme a eficiência do sistema. A pergunta que deve ser feita é: quais são os planos de contingência instituídos pelas prefeituras das grandes cidades e pelos governos estaduais para enfrentar o problema. Defesa civil, bombeiros, polícia, saúde pública, transportes, etc, estarão todos devidamente estruturados para evitar o colapso dos serviços essenciais? Quais as políticas públicas planejadas e implementadas para manter o mínimo funcionamento desses serviços? Com a palavra os senhores governadores e prefeitos.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 17/11/2009 às 15:36:01
Hummmm... vou começar a dar mais atenção a esse assunto se a "nossa" mídia responder as seguintes questões : ) Em nosso sistema elétrico, o quê é público e o quê é privado? ) Quais foram as partes de nosso sistema elétrico que FHC privatizou? ) O quê foi feito com esse dinheiro da privatização, se é que houve algum? ) Quanto, depois da privatização, foi aumentado o valor da tarifa de eletricidade? ) O dinheiro que uso para pagar a energia que consumo vai para quem? ) Quando houve a privatização, foi exigida alguma contrapartida em matéria de investimentos dos compradores? ) Qual a responsabilidade de cada um? Afinal, a ANEEL é Governo ou é independente? ) Por quê estão chamando um blecaute de "Apagão"? "Apagão" não é o nome que foi dado ao racionamento de energia de 2001 e 2002?
Edimon Emerique , Belo Horizonte-MG - Estudante
Enviado em 17/11/2009 às 15:29:32
Parece que todos aqui realmente acreditam que o apagão foi causado por um raio. Ou são muito iniocentes eou estão se fazendo de desintendidos.
José Paulo Badaró , São Paulo-SP - desempregado
Enviado em 17/11/2009 às 15:15:57
[ ]Como dizia a minha avó, uma demonstração vale mais do que mil palavras. Portanto ouçam (e vejam o vídeo) até o fim a reportagem que o Ernesto Paglia fez diretamente em Itaberá, e observem como o um cidadão que mora num sítio, VIZINHO A UMA DAS TORRES DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA, CONFIRMA A EXPLOSÃO NA NOITE DO APAGÃO (link ao final). Agora, se o senhor Kuntz não tem nada de útil e construtivo para dizer e opta claramente por buscar pelo dentro de ovo, fazer o que?! Outra coisa graciosa no artigo acima é observar como ele reza na cartilha demo-tucana... Um furação, um tsunami, uma nevada, um desabamento de vigas de concreto verde (Não! Aqui, não!) ou qualquer outro fenômeno natural gera prejuízos incalculáveis na Ásia, nos EUA ou nos cafundó do Judas, mas não me lembro de ninguém ter reclamado dos prejuízos da Volkswagem, Chevrolet, Coca-Cola ou Casas Bahia nos apagões do tempo do FHC. Será que é porque no tempo dele a economia ia tão mal das pernas, mas tão mal que, com ou sem apagão, não se falava em prejuízo para não atrair mais desgraça?!? --- http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1375810-10406,00-MORADOR+DE+ITABERA+OUVIU+ESTRONDO.html
Pedro Tardelli , Goioerê-PR - médico
Enviado em 17/11/2009 às 14:39:09
A quem se destina a análise acima? O OI deveria se diferenciar dos escritos da Veja, Epoca e IstoÉ.
anderson freire , brasília-DF - economiário
Enviado em 17/11/2009 às 14:14:02
Seria interessante se o Sr. Kuntz assistisse à entrevista completa, sem edições, da Ministra Dilma. Ela diz que haverá apuração do caso, que o Brasil precisa saber o que realmente aconteceu. Nada de "caso encerrado". É só procurar na internet. Comparando ainda com as declarações do Presidente, os dois, ele e a Ministra, dizem rigorosamente a mesma coisa. Ninguém desautoriza ninguém. É triste ver o OI propagando a manipulação...
Vinícius Moraes , Rio de Janeiro-RJ - Estudante de Filosofia
Enviado em 17/11/2009 às 13:21:29
Parei de ler assim que começou a sequência de mentiras... "segundo o Globo de sexta-feira (13/11), têm sido insuficientes para as necessidades do país." e "a partir de 2003, o investimento da Eletrobrás foi sempre menor, como porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB), do que no período entre 1999 e 2002"
Marcio Flizikowski , Curitiba-PR - Professor
Enviado em 17/11/2009 às 11:09:03
A arte de distocer os fatos é fabulosa. Vamos destacar apenas uma frase do observador Kuntz: "a partir de 2003, o investimento da Eletrobrás foi sempre menor, como porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB), do que no período entre 1999 e 2002;" REssaltando especialmente o trecho "como porcentagem do PIB". Porque como porcentagem do PIB? O que dizem os números absolutos? A análise da informação nos mostrará que realmente, em relação percentual com o PIB, os investimentos da Eletrobras entre 1999 e 2002 foram maiores que no período pós 2003. Sabe porpque? Porque no período de 1999 a 2002 o PIB ficou estagnado. O país não cresceu. Nadinha. O argumento do observador Kuntz é similar ao seguinte: Entre um período de A até B, a empresa investiu 100 mil por ano, e seu faturamento continou em 200 mil por ano, ou seja, a empresa investiu 50% do seu faturamento. Após B, a empresa investiu 110 mil por ano, e seu faturamento subiu para 250 mil, ou seja, a empresa investiu 44% do seu faturamento. Que vergonha.
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Rolf Kuntz

Outros artigos desta Seção
O DIREITO NA IMPRENSA
Demagogia e agressões
na área jurídica

Dalmo de Abreu Dallari
17/11/2009
DEPOIS DO APAGÃO
A cobertura do assunto encerrado
Rolf Kuntz
17/11/2009
A quem pertence a informação?
Sylvia Moretzsohn
17/11/2009
MONITOR CAMPISTA
O fim do jornal centenário
Ricardo André Vasconcelos
17/11/2009
VENEZUELA
O labirinto da mídia
latino-americana

Rogério Lustosa Victor
17/11/2009
LULA, O FILHO DO BRASIL
O que a imprensa viu na estréia
Washington Araújo
19/11/2009
VENEZUELA NA MÍDIA
Jornalismo, para que serve
Alberto Dines
20/11/2009
SUSTENTABILIDADE EM PAUTA
Em busca da razão
Luciano Martins Costa
20/11/2009

Últimos 5 artigos de
Rolf Kuntz
COBERTURA ECONÔMICA
Sinais vitais de jornalismo
9/2/2010
JORNALISMO ECONÔMICO
A história de uma super-empresa
26/1/2010
PAUTA DA HORA
Imprensa demorou a descobrir a polêmica
12/1/2010
DESTAQUES NATALINOS
A festa do emprego público
29/12/2009
GLOBO & FOLHA
Onde empaca o PAC do saneamento
15/12/2009
Mais artigos de
Rolf Kuntz >>