ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 565 - 24/11/2009
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, RESISTÊNCIA E AGONIA
O jornal que ousou contar a verdade

Por Luiz Cláudio Cunha em 24/11/2009

A maior fraude com dinheiro público da história do Rio Grande do Sul carrega nos ombros o sobrenome ilustre de Germano Rigotto. O irmão do ex-governador gaúcho, Lindomar, brilha como o principal implicado entre as 22 pessoas e 11 empresas denunciadas pelo Ministério Público e arroladas na CPI da Assembléia gaúcha que investigou há 14 anos uma milionária falcatrua na construção de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). Foi uma tungada, em valores corrigidos, de aproximadamente 800 milhões de reais – quase 15 vezes o valor do mensalão do governo Lula, três vezes o valor dos desvios atribuídos ao clã Maluf em São Paulo, cerca de 20 vezes o valor apurado no escândalo do Detran que expôs a governadora gaúcha Yeda Crusius a um pedido de impeachment.

Esta história foi contada em detalhes, em 2001, por um pequeno jornal de Porto Alegre, com tiragem de apenas cinco mil exemplares numa capital com quase 1,5 milhão de habitantes – e está recontada, a partir desta semana, numa edição extra do que chega às bancas e no seu site.

O é um bravo mensário que sobrevive há 24 anos pela teimosa resistência de seu editor, Elmar Bones da Costa, nascido há 65 anos em Santana do Livramento, cidade gaúcha no limite com o Uruguai, de onde ele trouxe a rebeldia indomável do fronteiriço. Ao longo de 40 anos de carreira, Bones construiu com talento uma sólida e reconhecida biografia na imprensa nacional que passa pelas redações de Veja, Gazeta Mercantil, Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo, IstoÉ e Folha da Manhã.

Seu troféu mais lustroso, porém, é o CooJornal, um mensário editado pela extinta Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (1976-1983) nos duros anos de chumbo da ditadura. Era um jornal de reflexão sobre a imprensa e seus profissionais, que abria espaço para a memória e a história recente do país, contada por intelectuais de peso e cores que não tinham lugar na imprensa tradicional. Em 1980, ainda em plena ditadura, Bones publicou um documento sigiloso do Exército em que os generais faziam uma dura autocrítica à atuação de suas tropas na repressão às guerrilhas do Vale da Ribeira e do Araguaia. Os militares não gostaram e ele, junto com três colegas do CooJornal, foi condenado a 18 meses de prisão. Gramou 15 dias de cadeia e foi libertado com sursis.

Duas mortes

A mesma intolerância dos generais da ditadura recrudesceu, depois, com os Rigotto da democracia. A família sentiu-se ultrajada pela primeira página da edição 287 de maio de 2001 do , que anunciava: "O Caso Rigotto – Um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas". Três meses depois, a matriarca da família, Julieta Vargas Rigotto, mãe de Lindomar e de Germano, entrou na Justiça com duas ações. Uma pelo Código Penal contra o jornalista que assina a reportagem, Elmar Bones, acusado de calúnia e difamação. Outra pela Lei de Imprensa contra a editora do , pedindo indenização por dano moral.

Nos dois anos seguintes, Bones ganhou todas as ações contra ele, em todas as instâncias, e o processo foi arquivado. Mas, em dezembro de 2003, a Vara Cível do Tribunal de Justiça condenou o ao pagamento de uma indenização que hoje alcança 54 mil reais, penhorando seus bens para cumprir a decisão. Desde agosto de 2009 um perito da Justiça vasculha mensalmente as conta do jornal para bloquear 20% de sua receita bruta. Assim, estranhamente, uma mesma reportagem gerou na Justiça duas sentenças díspares, contraditórias: uma absolvendo por unanimidade, outra condenando.

O pequeno mensário, que já teve 22 jornalistas e uma dezena de estagiários e colaboradores na Redação de uma ampla casa alugada no bairro do Bonfim, hoje está reduzido a Bones e sua companheira, Patrícia Marini, também jornalista, uma estagiária, uma secretária, dois computadores, um telefone e uma dezena de contas atrasadas, acuados em duas salas pequenas do antigo prédio na avenida Borges de Medeiros, no centro da cidade, onde funciona a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), que até hoje não se manifestou sobre o caso Rigotto vs. . Assim, a ação de 54 mil reais de uma veneranda mãe que se diz injuriada está asfixiando, aos poucos, um destemido jornal nanico que ousou contar a verdade sobre uma quadrilha, identificada pela CPI e pelo Ministério Público, que roubou 800 milhões de reais do povo gaúcho. Dona Julieta Rigotto, aos 88 anos de vida, está matando um jornal alternativo que ainda não atingiu seus tenros 25 anos de existência. E tudo disso com o aval da Justiça.

A pequena editora de Bones, além das 396 edições do , publica uma revista mensal e quatro guias de bairro e ostenta 35 títulos de livros publicados. Ganhou oito prêmios ARI, o mais importante do Rio Grande do Sul, e em 2004, superando os grandes jornais e revistas do centro do país, faturou a categoria principal do maior prêmio do jornalismo brasileiro, o Esso, com "A tragédia de Felipe Klein" – um texto dramático, arrebatador do repórter Renan Antunes de Oliveira sobre a vida e morte de um jovem e atormentado suicida de Porto Alegre.

A reportagem de quatro páginas de 2001 que tanto incomodou os Rigotto é outra vencedora: conquistou o prêmio daquele ano da hoje silente ARI e o valioso Prêmio Esso Regional, carimbo de sua qualidade e relevância jornalística. A cirúrgica manchete do jornal – "O Caso Rigotto – Um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas" – expressava a mais pura verdade. O golpe era aquele destrinchado na CPI da CEEE.

Alta voltagem

A primeira morte era de uma garota de programa, Andréa Viviane Catarina, 24 anos, conhecida nas boates da capital como "Amanda". No fim da tarde de 29 de setembro de 1998, ela despencou, nua, do 14º andar do Solar Meridien, um prédio na rua Duque de Caxias, no centro de Porto Alegre, a duas quadras do palácio que Germano Rigotto ocuparia cinco anos mais tarde.

O dono do apartamento de onde caiu Andréa era o irmão do futuro governador, Lindomar Rigotto, que estava em casa na hora do incidente. À polícia ele contou que a garota tinha bebido uísque e ingerido cocaína. Os exames de laboratório não encontraram vestígios de álcool ou droga no sangue da jovem. A autópsia indicou que a vítima apresentava três lesões – duas nas costas, uma no rosto – sem ligação com a queda, indicando que ela estava ferida antes de cair. Três meses depois, Rigotto foi denunciado à Justiça por homicídio culposo e omissão de socorro. No relatório, o delegado Cláudio Barbedo cita o depoimento de uma testemunha descrevendo o réu como "usuário e traficante de cocaína".

A segunda morte, 142 dias depois, era a do próprio Lindomar Rigotto. Então dono da boate Ibiza, na praia de Atlântida, a casa mais badalada do litoral gaúcho, ele fechava o balanço do último baile do Carnaval de 1999, que animou sete mil foliões até o amanhecer daquela Quarta-Feira de Cinzas, 17 de fevereiro. Cinco homens armados irromperam ali, no momento em que Rigotto e seu gerente contavam a renda. Os ladrões botaram o dinheiro numa sacola e fugiram, cantando pneu. Rigotto saiu em perseguição no seu Gol branco e levou um tiro acima do olho. Morreu a caminho do hospital, aos 47 anos. A bala fatal acabou arquivando o processo pela morte da garota, mas reavivou o mistério em torno da fraude milionária da CEEE.

Afundada em dívidas de quase 1,8 bilhão de dólares, a estatal gaúcha de energia encontrava dificuldades para conseguir os 142 milhões de dólares necessários para as subestações que iriam gerar 500 mil quilowatts para 51 pequenas e médias cidades do Rio Grande. O então governador Pedro Simon, preocupado com a situação pré-falimentar da empresa, tinha ordenado austeridade total. Até que, em março de 1987, criou-se o cargo de "assistente da diretoria financeira" para acomodar Lindomar Rigotto. "Era um pleito político da base do PMDB em Caxias do Sul", confessou na CPI o secretário de Minas e Energia da época, Alcides Saldanha. O líder do governo Simon na Assembléia e chefe da base serrana era o deputado caxiense Germano Rigotto.

Treze pessoas ouvidas pela CPI apontaram Lindomar como "o verdadeiro gerente das negociações" com os dois consórcios, agilizando em apenas oito dias a burocracia que se arrastava havia meses. Os contratos nº 1.000 e nº 1.001 foram assinados em dezembro numa solenidade festiva no Palácio Piratini pelo governador e pelo secretário. Logo após a assinatura, pagamentos foram antecipados, contrariando as normas explícitas baixadas por Simon para vigiar de perto as contas da estatal.

Eram documentos de alta voltagem financeira de uma estatal quase falida. Tanto que a CEEE teve que recorrer três meses depois a um empréstimo de 50 milhões de dólares do Banco do Brasil, dinheiro captado por sua agência no paraíso fiscal de Nassau, nas ilhas Bahamas. Apesar da importância em dinheiro, o presidente da estatal, Osvaldo Baumgarten, e o secretário de Minas e Energia confessaram candidamente na CPI que não leram a papelada que assinaram. "Eu não tinha condições de ler todos os contratos firmados pela CEEE", defendeu-se Alcides Saldanha, mais tarde ministro dos Transportes do governo Fernando Henrique Cardoso.

Uma investigação da área técnica da CEEE percebeu que havia problemas na papelada – documentos adulterados, folhas numeradas a lápis, licitação sem laudo técnico provando a necessidade da obra. Em fins de 1989, Rigotto decidiu sair para cuidar da "iniciativa privada", dividindo o controle com o irmão Julius do Ibiza Club, uma rede de quatro casas noturnas no Rio Grande e Santa Catarina. A sindicância interna na CEEE recomendou a revisão dos contratos, mas nada foi feito.

Conluio e papelão

A recomendação chegou ao governo seguinte, o de Alceu Collares (PDT) e à sucessora de Saldanha na secretaria de Minas e Energia, chamada Dilma Rousseff. Ela ficou eletrificada com o que leu: "Eu nunca tinha visto nada igual", diria Dilma, pouco depois de botar o dedo na tomada e pedir uma nova investigação. Ela não falou mais no assunto porque, em nome da santa governabilidade, o PDT de Collares precisava dos votos do PMDB de Rigotto para aprovar seus pleitos na Assembléia. Mesmo assim, antes de deixar a secretaria, em dezembro de 1994, Dilma Rousseff teve o cuidado de encaminhar o resultado da sindicância para a Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE), que passou a rastrear as fagulhas da CEEE com auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público.

O tamanho apurado da fraude tinha níveis de tensão diferentes em reais ou dólares, mas dava o mesmo choque: 65 milhões de dólares segundo a CAGE, ou 78,9 milhões de reais de acordo com o Ministério Público.

O deputado Vieira da Cunha, hoje líder da bancada do PDT na Câmara Federal, propôs em 1995 a CPI que jogaria mais luzes sobre a fraude na CEEE. Vinte e cinco auditores quebraram sigilos bancários, fiscais e patrimoniais dos envolvidos. Em 13 depoimentos, Lindomar Rigotto foi apontado como a figura central do esquema, acusação reforçada pelo chefe dele na CEEE, o diretor-financeiro Silvino Marcon. A CPI constatou que os vencedores, gerenciados por Rigotto, apresentaram propostas "em combinação e, talvez, até ao mesmo tempo e pelas mesmas pessoas". Os dois consórcios apresentaram propostas para dois subconjuntos, B1 e B2.

O de Elmar Bones lembrou:

"Apurados os vencedores, constatou-se que o consórcio Sulino venceu todas as subestações do grupo B2 e nenhuma do B1. Em compensação, o Conesul venceu todas as obras do B1 e nenhum do B2. A diferença entre as propostas dos dois consórcios é de apenas 1,4%".

A CPI foi ainda mais chocante:

"É forçoso concluir pela existência de conluio entre as empresas interessadas que, se organizando através de consórcios, acertaram a divisão das obras entre si, fraudando dessa forma a licitação".

A quebra de sigilo bancário de Rigotto revelou em sua conta um crédito de 1,170 milhão de reais, de fonte não esclarecida. O diretor Silvino Marcon justificou à CPI os 156 mil reais encontrados em sua conta particular como sendo "sobras da campanha de 1986".

O relatório final da CPI caiu nas mãos de outro caxiense, que não poupou ninguém, apesar do parentesco. O petista Pepe Vargas, que foi prefeito de Caxias e hoje é deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, é primo de Lindomar e Germano Vargas Rigotto. "De tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a prática de corrupção passiva e enriquecimento ilícito de Lindomar Vargas Rigotto", escreveu o primo Pepe no relatório final.

Pela primeira vez, entre as 139 CPIs criadas no estado do Rio Grande do Sul desde 1947, eram apontados os corruptos e os corruptores. Além de Lindomar Rigotto e outras 12 pessoas, a Assembléia Legislativa gaúcha aprovou o indiciamento pela CPI de 11 empresas, sem poupar nomes poderosos como os da Alstom, Camargo Corrêa, Brown Boveri, Coemsa, Sultepa e Lorenzetti. As 260 caixas de papelão da CPI foram remetidas no final de 1996 ao Ministério Público, transformando-se no processo n° 011960058232 da 2ª Vara Cível da Fazenda Pública em Porto Alegre. Os autos somam 30 volumes e 80 anexos e envolvem 41 réus – 12 empresas e 29 pessoas físicas. E tudo isso corre em segredo de Justiça.

Coisa de mãe

Essa história incrível, contada sem peias pelo jornal nanico de Elmar Bones, parece também um segredo de imprensa. Nenhum dos grandes veículos de comunicação do Rio Grande do Sul recontou o caso, o mais vultoso entre os 200 processos abertos pelo Ministério Público nos últimos 15 anos. Menos atenção ainda provocaram as duras reações judiciais da família Rigotto, que podem matar o único jornal que se atreveu a jogar luz sobre a milionária treva financeira que se abateu sobre a CEEE.

O ex-governador Germano Rigotto costuma apregoar aos amigos suas boas relações com os dois maiores grupos de mídia do Rio Grande – a Caldas Júnior (jornal Correio do Povo, rádio Guaíba e Rede Record) e a RBS (jornal Zero Hora, rádio Gaúcha e rede RBS, retransmissora da Globo). Isso não impediu, porém, que a brava Julieta Vargas Rigotto processasse a TV-COM, o canal comunitário da RBS, por ter classificado a morte do filho Lindomar na praia como "queima de arquivo". Ela ganhou na Justiça, em 2003, o direito de receber 150 salários mínimos, com juros, pela ofensa que remetia o fim violento do filho à morte da garota e aos curtos-circuitos contábeis da CEEE.

Quando perguntado diretamente sobre o absurdo dessa situação, o ex-governador Germano Rigotto refugia-se na saia materna: "Não tenho nada a ver com isso. É coisa da minha mãe", manda dizer o irmão do réu central da maior fraude da história gaúcha, escapulindo da responsabilidade de um caso de marcantes implicações políticas, não filiais.

Diante da primeira ação de dona Julieta na Justiça, o promotor Ubaldo Alexandre Licks Flores rebateu o pedido de processo, em novembro de 2002:

"[não houve] qualquer intenção de ofensa à honra do falecido Lindomar Rigotto. Por outro lado é indiscutível que os três temas [a CEEE e as duas mortes] estavam e ainda estão impregnados de interesse público".

Duas semanas depois, a juíza Isabel de Borba Luca, da 9ª Vara Criminal de Porto Alegre, deu a sentença que absolvia Bones:

"(...) analisando os três tópicos da reportagem conclui-se pela inexistência de dolo (...) em nenhum momento tem por intenção ofender (...) não se afastou da linha narrativa (...) teve por finalidade o interesse público".

Em agosto do ano seguinte, por unanimidade dos sete votos, os desembargadores do Tribunal de Justiça negaram o recurso da bravíssima dona Julieta. E o caso foi encerrado na área criminal.

Andou e prosperou, porém, na área cível. Em dezembro de 2003, o relatório do desembargador Luiz Ary Vessini de Lima transbordava emoção:

"Não há como afastar a responsabilidade da ré pelas matérias veiculadas, que atingiram negativamente a memória do falecido, o que certamente causou tristeza, angústia e sofrimento à mãe do mesmo (...)".

E assim acabou condenado o e seu editor, que recorda ao Observatório da Imprensa a falta de simetria do processo atual e da cadeia que levou pela publicação de documentos da repressão antiguerrilha.

Fala Elmar Bones:

"A sentença que nos condenou, agora, é uma piada. O processo de 1980 era um absurdo só explicável num regime ditatorial. Os ditos `documentos sigilosos´ eram relatórios de campo sobre ações do Exército no combate à guerrilha, narrando fatos ocorridos já havia mais de dez anos e que só tinham importância porque, na época em que se deram, a censura não permitiu que fossem noticiados. Essa ação de agora é mais absurdo ainda porque estamos em pleno regime democrático e a Justiça não conseguiu apontar nenhum erro ou inverdade na reportagem sobre o assassinato de Lindomar Rigotto. Nosso objetivo com ela era mostrar que Lindomar, assassinado em circunstâncias duvidosas, era o principal implicado em dois outros crimes não esclarecidos – a morte de uma prostituta e o desfalque na CEEE, o maior já ocorrido no Sul e que está encoberto pelo segredo de Justiça. Há 14 anos foram apontados os corruptores e os corruptos e até agora ninguém foi punido. Só o está pagando o pato."

Voltar ou morrer

Na terça-feira (24/11) em que se divulga a edição nº 565 deste Observatório completam-se 116 dias de censura sobre o jornal O Estado de S.Paulo, impedido por decisão de um juiz amigo e camarada do senador José Sarney de publicar os dados oficiais da "Operação Boi Barrica", da Polícia Federal, que investigou seu filho, o empresário Fernando Sarney, flagrado em grampos telefônicos e conversas que induzem ao tráfico de influência no setor público. "Não tenho nada a ver com isso. É coisa do meu filho", diz o presidente do Senado Federal.

Na mesma terça-feira completam-se 112 dias que um perito da Justiça devassa, lá dentro da Redação, as contas do jornal para garantir a indenização de dona Julieta Rigotto, que se diz caluniada pela mera repetição de detalhes escabrosos na gestão do dinheiro público de uma estatal gaúcha, sob responsabilidade de seu finado filho, Lindomar, revelados numa CPI e acolhidos pelo Ministério Público. "Não tenho nada a ver com isso. É coisa da minha mãe", diz o ex-governador Germano Rigotto, virtual candidato do PMDB ao Senado em 2010.

Assim, sujeitos ocultos de ações legais de mães e filhos que ferem a liberdade de expressão e afrontam a verdade, o ex-governador Rigotto e o senador Sarney imaginam furtar-se de suas responsabilidades políticas e éticas. No caso do Estadão, rijo e forte aos 134 anos de vida, não se teme por sua saúde e sobrevivência, já que tem os meios para derrubar, cedo ou tarde, a restrição absurda que se abate sobre ele. Quanto ao , jornal nanico de Porto Alegre, o caso inspira cuidados e graves temores sobre suas reais chances de sobrevida. O único alento, até agora, é o fato de que o recurso do ao Supremo Tribunal Federal caiu nas mãos do implacável ministro Joaquim Barbosa, um juiz que dá esperança e fôlego até aos moribundos desenganados pela ciência e pela lei dos homens.

Elmar Bones revela seu desalento no título do editorial ("Voltaremos. Ou não?") da edição extra do que desembarca esta semana nas bancas com a foto de um mascarado de terno e gravata e uma manchete acabrunhante na primeira página: "O RIO GRANDE CORRUPTO. Escândalos sucessivos abalam o mito do `Estado mais politizado do Brasil´".

Bones adverte no editorial de tom sombrio:

"Pela primeira vez em quase 25 anos, não podemos garantir aos leitores que o jornal voltará a circular. (...) Um pequeno jornal condenado por `dano moral´ numa ação movida pela família de um político influente, ex-governador do Estado, num mercado em que as maiores agências de publicidade têm contas do governo. (...) Quanto perdemos no mercado publicitário? (...) Voltaremos! Ou não?"

Ninguém sabe ainda responder. Se o não voltar, não será mais um jornal a morrer, diante do silêncio inexplicável de alguns, da omissão de muitos, da complacência de todos nós. A morte iminente de um jornal como o – somado ao desalento de um jornalista como Elmar Bones – é um fundo golpe nas convicções de todos que acreditam nos fundamentos da democracia, da justiça, da verdade e de uma imprensa livre. A limpa folha corrida do jornal de Porto Alegre e a digna biografia de resistência de seu editor não merecem ser comparados com o prontuário de alguns dos homens públicos que hoje nos representam, julgam e governam.

Em qualquer país sério do mundo, o clamor da sociedade se levantaria já, agora, imediatamente, em defesa de um pequeno jornal, punido apenas por ser correto, preciso, exemplar e corajoso. A inacreditável saga de resistência de Elmar Bones, que precisa fazer agora na democracia o que antes fazia na ditadura, mostra que perdemos algo intangível, irremediável neste rito de passagem. Perdemos a vergonha na cara.

Precisamos decidir se morreremos juntos com o . Ou se voltaremos com ele. Agora. Já.

Comentários (40)
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Paulo Renato Bueno Ordones Lemos , Divinópolis-MG - estudante do sétimo período do Curso de Comunicação Social na PUC Minas
Enviado em 19/2/2010 às 20:36:01
No mesmo lugar onde um diploma de jornalismo vale tanto quanto um papel em branco, um jornal ético vale o mesmo que uma sala vazia.Poi é assim que ficará a redação do bravo jornal Já se nada fizermos.Peripécias de um país chamado Brasil.Não adianta pintar a cara se o presidente voltar nos braços do povo como Senador.Não adianta fazer discurso inflamado e falar de coisas que nunca antes na história desse país aconteceram se o que acontece bem debaixo do nosso nariz nós nao vemos.Omissão pelo menos senhor presidente.Mas nao devemos nos omitir agora.O grande mal, dos males deste país é sem dúvida a impunidade.Uma fraude de U$800 milhões nao tem o direito de ser esquecida.Ofenda o nome de quem quer que ofenda.São 800 milhões de dólares.Dinheiro nosso.Dinheiro do povo Rio Grandense.Uma mancha em nossa história publicada por um pequeno orgão que insistem em querer operar.Se o jornal que informa peca na informação real do fato,Jornalismo pra que?Política pra que?Tudo perde o sentido quando nao se sabe onde quer chegar.E continuamos no mesmo Lugar.
Fabrícia Aamaral , Arcos-MG - Jornalista
Enviado em 19/2/2010 às 20:33:30
Um jornal a frente da corrupção,mostrando a verdade para o povo brasileiro reagir, em forma de lutar por um país melhor.Existe a liberdade de imprensa somente para o poder dos grandes barões da politica massante! Essa justiça envergonha o país com suas decisões esdrúxulas e contraditórias. Enfim, só a educação poderá salvar este país, como já profetizava, há anos, o velho Brizola.O que mais me impressiona nestes casos de corrupção explícita, não é apenas o envolvimento de barões da política-que nunca estão satisfeitos com o muito que já possuem- mas a rede de pessoas que simplesmente aceitam e colaboram par que isto ocorra. Algo deste tamanho não envolve apenas poucos mandantes, há todos os envolvidos que pemitem e colaboram para que tais fatos aconteçam. E todos são incapazes de uma denuncia, uma documentação do que ocorre.Lamentável e mais prejudicial ao país é a total falta de vergonha dessas elites. O problema da corrupção, embora danoso, é passível de controle para ser mantida em níveis toleráveis. As sociedades modernas assim o fazem, todavia, no caso brasileiro, a bandalheira está encrustada em pontos estratégicos vitáis, verdadeiras casamatas protegem estes senhores. Entretanto, o que parace muito sólido, aos poucos desmorona. Desmascaremos os tartufos que a polícia se encarrega dos larápios.
Amarilis Pequeno , Divinópolis-MG - estudante de jornalismo
Enviado em 19/2/2010 às 20:24:42
Aplausos ao Editor do Já, que ao contrário de grandes jornais não esconde a verdade. Sem meias palavras, direto ao assunto, e sem medo. Esta é uma das funções do jornalista que o Já representou muito bem. Com ética e respeito o pequeno jornal mostrou seu valor e seu tamanho. Porém sensurado pelas grandes mídias e grandes poderosos. O já não pode morrer e nenhum outro que se sinta "pequeno", sim é preciso ter coragem para continuar, mas então vamos nos acorvardar? O jornalismo é uma forma de colocar em prática a democracia, ao menos temos o poder de agir e mudar isso. Parabéns pela matéria!
Kelly Silva , Arcos-MG - Estudante de jornalismo
Enviado em 19/2/2010 às 20:07:07
Somos ensinados na universidade a perseguir a objetividade jornalística, oferecendo ao público leitor a oportunidade de conhecer várias versões de um fato. Somos ensinados a colocar a verdade acima de tudo e que ela prevaleça na produção de qualquer matéria. As decisões da justiça que provocam aos poucos a morte do Jornal Já, vão contra todos os objetivos do jornalista ao redigir uma matéria, vetando ao jornalista o compromisso com a verdade e provocando em nós uma dúvida: no Brasil temos mesmo uma imprensa que é livre? Uma pena...
luis fernando  santiago barbosa , rio de janeiro-RJ - vigilante
Enviado em 3/2/2010 às 18:25:59
mais um jornal calado pelo poder da grande mídia,a liberdade de expressão só existe se não incomodar os poderosos.
Andres Vince , Santiago-IN - Designer gráfico
Enviado em 8/12/2009 às 11:58:17
Trabalhei durante alguns anos no JÁ e posso afirmar que essa denúncia não foi a maior nem a única. A linha editorial do JÁ, sobre a batuta do mestre Elmar Bones, nunca foi voltada para o denuncismo fácil e sem fundamentos. Sempre foram baseadas em provas e no depoimento de testemunhas e ou estudos academicos, como foi o caso das torres de celular. Estava lá na matéria preto no branco, com estudos de especialistas na materia dizendo claramente que as emissões das torres estavam em um nível 10 vezes maior que o permitido! Alguém repercutiu? Quem iria se levantar contra aqueles que são os maiores anunciantes do Páis? Só o JÁ! Assim como essa outras denuncias acabaram caindo no esquecimento, caso de empreendimentos imobiliários que desrespeitavam leis ambientais, com projetos aprovados por baixo do pano, desmandos da familia RBS e muitos outros. O paciente estava respirando por aparelhos, desligaram as maquinas, como o paciente ainda respira, vão colocar um travesseiro na cara dele pra ver se agora ele morre mesmo. Um abraço Elmar, fuerza, no passarán!
Felipe  borges , Formiga-MG - estudante
Enviado em 7/12/2009 às 14:45:42
É incrível saber que ainda exista em nosso país, veículos de comunicação que se empenham em trabalhar em prol da verdade e da ética. O grande exemplo no Brasil é o Jornal Já que não mediu esforços para denunciar um grande esquema de corrupção. O jornal surpreendeu a todos por ser um veículo pequeno, e sem muita abrangencia, logo seria um jornal comum. Mas o mérito do "Já" é bem mais que isso. Com tantos meios de informação no país, é lamentável que poucos se disponham a trabalhar no bem comum, na verdade e na justiça. Esse jornal é um exemplo de competencia e de dignidade, pois mesmo pagando um alto preço pela denuncia que fez, não se rendeu ao poder. O "Já" é um heroi da informação e deve ser lembrado e respeitado pelo país por sua integridade e responsabilidade social.
Felipe  borges , Formiga -MG - estudante
Enviado em 7/12/2009 às 14:21:15
É fantastico pensar que ainda exista veículos de comunicação como o Jornal Já, que tem um pensamento e um compromisso voltado com a verdade. O "´Já", é um exemplo de mídia impresa e deve ser a base de todo e qualquer outro impresso. Totalmente com cunho jornalistico e com parceria na ética, esse jornal quebrou barreiras e surpreendeu a todos quando se dispôs a denunciar a corrupção. Dentre tantos veiculos de comunicação no país, é lamentavel saber que poucos trabalham em prol da justiça, do bem comum. Mesmo pagando um alto preço pela informação da verdade, O " Já" se tornou uma especie de herói da informação, exemplo primordial a ser seguido e passado para outras mídias e também para futuros jornalistas.
Cheyane  Costa , Piumhi-MG - Jornalista
Enviado em 5/12/2009 às 11:27:19
Me surpreendi com a atitude do Jornal Já. Numa época em que até os grandes os jornais se calam ou ficam indiferente aos fatos que podem prejudicá-los, o Já mostrou ser um exemplo de coragem e dignidade. Porém, nos deixa triste ver que um jornal foi punido por dizer a verdade. É estranho pensar que a coragem pagou um preço alto. Um jornal ético, que cumpria seus deveres com a população devia ter sido mais respeitado. Ser punido por dizer verdade? onde está justiça brasileira? que tanto fala em liberdade de expressão????
Flávia  Ramos , Formiga-MG - Jornalista
Enviado em 4/12/2009 às 21:50:17
Atitude louvável a do “Já”. Penso que muitos veículos de comunicação não ousam tão alto não somente pelo medo de arriscar, mas também pela autocensura. A atitude é digna de ser copiada. Só assim teremos um país melhor e um jornalismo realmente compromissado com a verdade.
Fúlvio  Stéfany , Piumhi-MG - Comunicador
Enviado em 4/12/2009 às 01:34:59
Hoje, infelizmente são poucos os veículos de comunicação que presam pela informação verdadeira, que mostram "transparência" nas notícias veículadas. Sejam informações ligadas à um escândalo político, ou a um cidadão desconhecido. A mídia deve ter credibilidade em tudo que noticia. Quanto ao caso do Já, ve-se que o jornal informou um fato ligado à pessoas "importantes", de interesse à todos os cidadãos. Mas, a democracia e a liberdade de imprensa sequer existiram neste caso. O que espera-se da justiça brasileira é que qualquer caso, ligado a qualquer indivíduo de classe média, rica ou baixa, seja julgado com respeito. Pois, hoje a realidade enfrentada em todo país, é que a justiça é diferente para cada brasileiro.
Renata Cristina , Arcos-MG - Jornalista
Enviado em 30/11/2009 às 11:23:31
Ousada a manobra do Já ao denunciar um esquema como este. Creio que se outros meios de comunicação valorizassem sua qualidade ao invés do tamanho e também arriscassem mostrar verdades consideradas perigosas, o jornalismo brasileiro seria diferente. Muitos jornais, sites, emissoras de rádio e TV omitem-se de situações por considerarem que não serão ouvidos . Por mais que implique riscos, creio que o compromisso do jornalismo é com a verdade e não com picuinhas políticas.
Priscila Borges , Arcos / MG-MG - Jornalista
Enviado em 28/11/2009 às 23:21:31
Feito Davi diante de Golias, o Já ousou mostrar aquilo que certamente era de conhecimento de todos – ou da maioria – dos jornais do Rio Grande do Sul. Dizem que a liberdade econômica pode garantir a liberdade de expressão. Não é o caso do Já, que com seu minguado orçamento poderia ter escolhido o silêncio e a omissão, como todos os outros. É com orgulho que vejo um jornal que entende a política como o bem comum e não como picuinhas politiqueiras que não levam a nenhum desenvolvimento. A situação poderia ser copiada em Minas, onde quase todos os jornais não ousam enxergar além da “ilha de paz e tranqüilidade” do governo Aécio Neves.
Paulo  de Allmeida , --IN - jornaleiro e etc
Enviado em 28/11/2009 às 08:44:46
Já está na hora de se aprender (geralmente só sofrendo) que o mundo faz tempo que tem muita carta marcada, e quem tem a ingenuidade de achar que as coisas väo se resolver via democracia ou algum outro dogma, vai ver que o buraco é mais complexo, que a gente acredita num balaio rótulos (a mídia näo foi nem será isenta ou vacinada contra tantos vícios corporativos, partidários, indiológicos...), e na hora do pega, da dor de dente, é que a gente vê nitidamente quem é quem, nem se for preciso o galo cantar três vezes para cada um mostrar sem rodeios o quanto de vergonha cada um ainda tem na cara! Sinto muito pelo bravo Elmar, mas ensinava o vivido J G Rosa o mundo parece enchente, roda pau com arame farpado e tanta tranqueira, que mata quem entrar ali... "Viver é muito perigoso..."
OTAVIO BARROS  Barros , PALMAS -TO - Jornalista
Enviado em 27/11/2009 às 20:43:31
Blogueiro é perseguido no interior do Pará Na cidadezinha de Santa Luzia do Pará, no nordeste paraense, a 200 km da capital, um blogueiro está sendo perseguido e ameaçado por mostrar em seu blog, o http://www.santaluzia-online.com, os desmandos da administração municipal. Veja o relato dele e, por favor, vamos nos solidarizar com ele.
Miguel Antunes Santos , Piumhi-MG - Jornalista
Enviado em 27/11/2009 às 17:32:30
Isto nem é de se espantar, jornais pequenos e principalmente do interior tem que ter muita coragem para fazer uma coisa dessas. Dizer a verdade, enfrentar autoridades e correr riscos de serem engolidos pelos interesses de alguns que se acham os donos do planeta e destroem a nossa democracia. Meu Deus, imagine mesmo se a maioria dos jornais dissessem a verdade e investigassem a fundo corrupções e fraucatuas que acontecem por ai... Sem medo de perderem cargos e de injustiças da própria justiça... Em se tratando de política a maioria se finge de bobo ou é corajoso o suficiente como o jornal JÁ.. Quem como dono de um jornal coloria-se em risco assim? Nós como jornalistas temos que dar apoio a este cidadão Elmar Bones. Fico com o mesmo sentimento do colega MAURILLIO Figueiredo.. “Gostaria de poder ajudar mais para que este jornal continuasse a prestar este excelente serviço a sociedade.”
Julio Silveira , Porto Alegre-RS - Autonomo
Enviado em 27/11/2009 às 12:57:27
Me passou pela cabeça a estranha sensação de semlhança com a lei do silencio dos criminosos dos morros. Esta aparelhada pelo estado em nome da "justiça".
MAURILIO  Figueiredo , NITEROI-RJ - Analista de Sistemas
Enviado em 27/11/2009 às 11:38:17
Belíssima reportagem sobre a perseguição política ao jornal JÁ. Fiquei emocionado pois me imaginei na situação do ilustre jornalista Elmar Bones. Cidadãos como ele que enfrentam com destemor os poderosos são raros, tendo como incentivo para as suas reportagens a vontade de ver a verdade divulgada a todos que se interessam pelo tema da corrupção que corroi a nossa democracia. Deixo aqui meu agradecimento pela sua bravura. Gostaria de poder ajudar mais para que este jornal continuasse a prestar este excelente serviço a sociedade.
Adroaldo Bauer  Spíndola Corrêa , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 26/11/2009 às 23:09:19
Sabemos que a lei não fere quem a maneja. A Elmar e ao Já meus sempre decididos apoios., de hoje e sempre. No que pudermos fazer juntos em defesa da liberdade de informação que a sociedade merece e do direito de opinião que preservamos, conte comigo.
Lígia Vilela , Pains-MG - Estudante de Jornalismo
Enviado em 26/11/2009 às 18:54:36
Mais uma vez, a corda arrebenta do lado mais fraco. O Já é o lado mais fraco da história porque é o lado que não tem dinheiro. A justiça é ilustrada por uma mulher cega; mas nesse caso (e em muitos outros, infelizmente), ela enxerga sim. Ela vê os fatos pela ótica capitalista e aí, quem tiver mais dinheiro já ganhou. É cruel sufocar um veículo que trabalha pela informação e contra a enformação . É muito tênue a linha entre essa prática, que é ditatorial, e um homicídio. Quase tão violento quanto matar pessoas, é tirar-lhes o direito de escolher como viver, o que ler, o que pensar, o que escrever... Hoje, no Brasil e no mundo, muitos políticos e pessoas de influência agem de maneira cruel, roubando dinheiro público, deixando pessoas pobres sem assistência, e calando veículos e pessoas que apenas querem que a verdade chegue à sociedade, como uma forma, talvez nem de libertação, mas de oportunidade de libertação.
Renata  Kascher , Arcos-MG - estudante
Enviado em 26/11/2009 às 16:25:52
Muitos jornais e jornalistas já foram perseguidos por causa de matérias investigativas. Com medo se calam quando o assunto é fraude, roubo, corrupção e etc. O JÁ é um exemplo de jornal correto e corajoso, o que são raridades nos dias de hoje. Muitos tem rabo preso com alguma autoridade e morrem de medo de denunciar. É triste pensar que em um mundo tão diversificado e dito democrático, ainda vemos pessoas que denunciam a corrupção e acabam pagando por isso; se não é com indenizações absurdas é com a própria vida. Em conclusão a justiça no Brasil é falha e desonesta, o caso de desfalque da CEEE encoberto pela justiça até hoje é uma afronta aos brasileiros que lutam por um país mais justo e honesto com uma justiça mais rápida e verdadeira. Enquanto o JÁ paga indenização e mantém suas portas fechadas a família Rigotto sai impune como se nada tivesse acontecido. Quem dera se todos os estados brasileiros possuíssem um jornal como o JÁ que fala a verdade sem medo do que possa acontecer, as pessoas seriam melhor informadas e muitas fraudes viriam a tona, com sorte os culpados seriam corretamente punidos. Se até os jornais são manipulados por autoridades em quem iremos confiar? Devem surgir mais jornais como o JÁ para que uma real democracia comece a surgir nos meios de comunicação e as pessoas voltem a confiar nas notícias veiculadas, sem medo de estar lendo algo manipulado.
Geraldo  Hasse , Osório-RS - jornalista
Enviado em 26/11/2009 às 15:54:40
Aos que estiverem dispostos a fazer algo pelo JA, há duas formas imediatas de colaborar. Uma é adquirir livros editados pela Já Editores. Como? Entre no site www.jornalja.com.br e você achará o caminho. Ou ligue para (51)3330.7272. São livros de boa qualidade que têm tudo para agradar como presentes de Natal. Não faz mal que 20% do valor de sua compra vão para a veneranda anciã, pense que 80% estarão dando força para o microjornalismo, esse que se pratica nas pequenas comunidades, olho no olho da vizinhança, em busca da igualdade e da justiça, sem medo da cara feia do síndico. Outra forma de ajudar é produzir matérias e mandar já para a redação.
Anderson Porto , Niterói-RJ - Analista de Sistemas
Enviado em 26/11/2009 às 11:31:34
Vamos publicar este artigo em todos os blogs que conhecemos, divulgar maciçamente em todos os veículos que conhecmos, e tentar angariar fundos para o jornal Já. É uma forma de luta: juntar $$$ e doar para o jornal.
Ana Maria  Teles , Formiga-MG - Jornalista
Enviado em 26/11/2009 às 11:11:15
É incrível pensar que um jornal do interior, com pequenos recursos, foi punido por falar a verdade, mas temos que admitir que foi uma atitude muito corajosa e que o veículo enfrentou sérias consequências por ter denunciado algo envolvendo pessoas tão influentes. A mesma Justiça que absolveu foi a mesma que condenou. Será que isso realmente foi justo? Este não é o primeiro caso de censura à mídia e com certeza, também não será o último. É por estes e outros que alguns veículos e profissionais já praticam a auto censura, pois ficam com medo das represálias. Escândalos como esse só reforçam a intensidade da corrupção no país e o que o dinheiro e o poder podem fazer, até mesmo com a Justiça.
Eduardo  Maretti , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 25/11/2009 às 20:34:57
Mesmo aqui de São Paulo eu conheço o trabalho do Elmar e da Patrícia, do JÁ. A única coisa que posso fazer (e acho que todo mundo que pode deveria) é divulgar a informação no meu blog (http://fatosetc.blogspot.com/). E desejar boa sorte ao JÁ.
Cláudia  Rodrigues , Osório-RS - jornalista
Enviado em 25/11/2009 às 16:53:09
Pela primeira em muito anos a Já Editores não lançou nenhum livro na feira do livro de Porto Alegre. Os livros da Já também são "diferentes", essencialmente jornalísticos, profundos, escritos com base em pesquisas que não furtam dos leitores os bastidores da história. O jornal vinha esmagadinho pela falta de anunciantes, afinal que empresas estão verdadeiramente comprometidas com as questões ambientais, econômicas e culturais desse momento da história? O caso da Dona Julieta em cima do Já depõe agora contra o clã Rigotto como um todo e o juiz que agradou ou foi agradado pela velhinha, mãe do cidadão envolvido em assassinato e lavagem de dinheiro, é vergonha alheia para todo o magistrado do país. VIDA NOVA AO JÁ!
calypso thereza  escobar velloso , rio de janeiro-RJ - comentarista
Enviado em 25/11/2009 às 16:26:29
autoridades não teem como retardar a progressão da doença, da corrupção e que os que se apresentam como os "grandes"ficam impunes,é catastrófico que o próprio Presidente não tome a frente,por que não?É populista e faria,sem dúvida ler esta matéria e queimar,a bandalha,ganhando as eleições.Pequenos que pareçam os gestos,estes carimbam muito mais uma realidade.Vá Lula leia o Observatório e esta matéria e veja que nem mães se fazem como nosso tempo,pois a que levanta a bandeira para defender o filho bandido,não é mulher e muito menos u a mão.Dilma tome às mãos esta delirante pulsão e vá mostrar à Nação como retomar uma verdade num sintoma de modelo universal;ganhará as eleições!Os detalhes retomam um conceito evolutivo para as lutas dando confiança e segurança ao povo brasileiro.Que JÁ surja atravéz destes dois personagens,inda que na lama tenham amigos ou parentes e colham os frutos de suas personalidades,nós acreditamos,já que os que vêm de baixo se vendem por moedas e crimes...grata calypso thereza escobar
Ze da Silva Brasileiro , Belo Horizonte-MG - Bancário Aposentado
Enviado em 25/11/2009 às 09:51:06
Continuo não compreendendo os mistérios da matemática da justiça brasileira. Uma revista de milionário faturamento e forte presença no lucrativo mercado de calúnias é sistematicamente condenada ao pagamento de indenizações pela justiça brasileira. Só que essas indenizações correspondem a alguns minutos do seu faturamento. A revista já tem provisionados os valores e assim o pagamento da indenização não tem sequer impacto no seu balanço. Já no caso dos pequenos jornais as indenizações correspondem a meses ou mesmo anos do seu faturamento. O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto está vivendo um drama desses. Será que o objetivo é mesmo acabar com os pequenos? No andar da carruagem talvez os pequenos tenham que se dedicar exclusivamente à indústria de elogios que também pode trazer bons dividendos. Lideranças regionais ou locais adoram ver elogios, fotografias e nomes estampados nos jornais...
Roberto Antunes Fleck , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 25/11/2009 às 09:38:31
Elmar Bones honra a História do Jornalismo gaúcho e brasileiro. Se JÁ fechar, a perda para toda a sociedade será imensa. Em geral, os políticos investem na construção de uma imagem positiva, usando, inclusive, os jornalistas. Quando alguém pratica o verdadeiro Jornalismo, como o JÁ, contraria os interesses do marketing político. Se os jornais e as emissoras de rádio e TV fossem como o JÁ, a democracia seria uma realidade e não apenas uma personagem defendida por uma atriz muito bem maquiada.
Wallace Lima , Recife-PE - Músico
Enviado em 25/11/2009 às 07:15:25
Como poderíamos concretamente apoiar o Já? Se esse jornal pudesse se voltar também para além do Rio Grande e ganhasse um alcance nacional, como têm os grandes jornais, e conseguisse se manter com os mesmos princípios, a mesma honradez e coragem que parece ter tido sempre, seria como termos um JORNAL IMPRESSO PÚBLICO, cujo dono fosse evidentemente o povo, e seus jornalistas exerceriam uma espécie de sacerdócio politizado para o Brasil, seria o renascer do "velho e bom" jornalismo, como deseja Alberto Dines e, acredito, todos do Observatório. Gostaria de saber se há efetivamente uma maneira de ajudar o Já. Mesmo tendo aguda certeza de que um jornal impresso "público" circulando por todo o país, como o Observatório circula digitalmente, é apenas um sonho quixotesco.
Eder Guimarães , Pelotas-RS - Porteiro
Enviado em 25/11/2009 às 02:12:23
A não atual tentativa de tentar fazer com que se perca o rumo da correção, está alicerçada pela força do dinheiro sujo com total envolvimento daqueles que se infiltram na justiça para exaltar e fazer cumprir sua mediocridade. Em um país cada vez mais afundado na alienação imposta pela ingerência de seus ávidos políticos, a perda de fontes imparciais de informação e esclarecimento, leva nossa sociedade a caminhar como zumbis alheios aos escândalos, que a cada novo dia surgem para acumular-se nos tribunais transformando-se em segredo de justiça para que caia no esquecimento do povo e prescreva no tempo pela própria ineficiência do órgão.
Cesar Cardia , Porto Alegre-RS - artista gráfico
Enviado em 25/11/2009 às 01:49:05
PRECISAMOS do jornal JÁ! Em abril de 2008, a revista JÁ publicou nosso agradecimento ao Jornal JÁ, pelo importante apoio na luta em defesa das árvores da Rua Gonçalo de Carvalho. O JÁ sempre deu espaço para a cidadania se manifestar, diante da omissão da "grande imprensa", que teme indispor-se contra os interesses do poder econômico ou político! A Rua Gonçalo de Carvalho foi a primeira via urbana tombada como Patrimônio Ambiental de uma cidade brasileira e o jornal JÁ foi de extrema importância na defesa da rua contra um grande empreendimento imobiliário e em seu tombamento. A luta cidadã pelo NÃO ao "Pontal do Estaleiro" e em defesa da Orla do Rio Guaíba, também teve o JÁ nos dando espaços importantes para a vitória por 80,7% dos votos da população que foi às urnas. A cidadania de Porto Alegre PRECISA do jornal JÁ!
Alfonso  Abraham , Porto Alegre-RS - Reporter Fotográfico
Enviado em 24/11/2009 às 21:01:57
Rio Grande do Sul hoje podemos dizer que se transformou no Estado mais corrupto da Federação. E um judiciário que fecha os olhos quando políticos importantes são envolvidos, engavetam os processos. O caso do irmão do ex-governador é uma gota d agua no oceano de roubo e extorção do povo gaúcho. Luis Cláudio levanta o caso do Banrisul que está abafado, também porque o Presidente é parente de uma rapoza lustrosa. Acho que o Já deveria disponibilizar uma conta bancária para ajudar nosso companheiro e processar por perdas e danos os Rigottos da vida.
carol  majewski , porto alegre-RS - advogado
Enviado em 24/11/2009 às 16:59:30
essa mensagem é histórica e mostra a importância da imprensa nanina, geralmente idependente e apegada ao interesse público, bem ao contrário da grande mídia que, ou silencia, ou acoberta, ou distorce a verdade para que o povo não possa formar uma correta opinião. tenho avançada idade, mas gostaria muito de ajudar o já
José de Souza  Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 24/11/2009 às 16:30:34
De minha parte, é grande o desalento com o nosso judiciário. Ao ler essa história tão bem narrada por Luiz Cláudio Cunha, só me resta prestar minha solidariedade, como jornalista e cidadão, ao JÁ. E meu protesto indignado pelo silêncio da imprensa a respeito do escândalo que envolve o governo Pedro Simon e essa decisão do Tribunal de Justiça gaúcho acompanhando o voto do relator, desembargador Luiz Ary Vessini de Lima, que condena o bravo jornal nanico.
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 24/11/2009 às 16:16:00
É bom lembrar que o Rigotto é do PMDB e, no caso do Rio Grande do Sul, aliado político do governo Ieda Crucius. No mais, é interessante observar como a imprensa gosta de atacar, de meter a boca no trombone, não raramente de forma inconseqüente e irresponsável, mas odeia levar uma condenação em juízo. A denúncia é gravíssima e se a imprensa fosse séria e confiável teria dado apoio à matéria do jornaleco. Reclamar de condenação judicial, ainda mais fazendo coro com o Estadão, ninguém merece.
Elcio Machado , Assis-SP - Cidadão
Enviado em 24/11/2009 às 15:24:33
Concordo, Márcia. Não vivo mais o meio, tendo a generalizar. Por favor, separe, então.
Angelo Frizzo , Bento Gonçalves-RS - desempregado
Enviado em 24/11/2009 às 15:23:47
Lamentávelmente será mais um representante REAL da imprensa DEMOCRÁTICA que desaparecerá. Não vejo como combater o poder dos envolvidos . Como sempre vale a regra capitalsta, quem tem dinheiro manda, quem não tem obedece...se tiver juizo. Se precisar, mais mortes acontecerão para esconder esses crimes. e já estamos acostumados a isso. Aconteceu DE NOVO ainda este ano.
Márcia Pimentel , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 24/11/2009 às 14:21:35
Seria bom que se separasse sempre os diversos tipos de imprensa em pacotes separados. Não dá mais pra falar da imprensa de forma geral, nem encher a boca de retórica para dizer que "a imprensa é instituição fundamental à sociedade".
Elcio Machado , Assis-SP - Cidadão
Enviado em 24/11/2009 às 13:41:40
É. Perdemos a vergonha na cara. Morreremos juntos. Porque, ao fim e ao cabo, ainda que por razões diferentes da apontada por Dines, considero que a sociedade, mas em especial os jornalistas (não os donos de jornal) e os jornais (agora sim, os donos), poupa o mais retrógrado dos poderes, o Judiciário, o vilão capenga e demorado, que cultiva a impunidade (... mas nem sempre, como se vê, e quando pune, o faz com quem subtrai xampu e o Já, no mais das vezes).
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