ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 568 - 15/12/2009
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CASO CÉSAR BENJAMIN
O assunto inassuntável

Por Eugênio Bucci em 15/12/2009

[Para Ivan Marsiglia]

Lá se vão duas semanas desde que César Benjamin, articulista da Folha de S.Paulo, publicou o que talvez tenha sido o artigo mais bombástico e mais bombardeado do ano: "Os filhos do Brasil". Foi numa sexta-feira, dia 27 de novembro. Página inteira. O pretexto (o "gancho") parecia ser o pré-lançamento da cinebiografia do presidente da República, dirigida por Fábio Barreto, que só entra em circuito comercial no ano que vem, mas o artigo passou longe da crítica cinematográfica. Foi como se o texto negasse o pretexto. Declarando não estar interessado em ver a fita, que, segundo ele, "exala o mau cheiro das mistificações", o articulista procura demonstrar que a figura melodramatizada de Lula, na tela da ficção (que ele não viu), não corresponde à pessoa real, de carne, osso e índole do presidente.

O artigo se processa em dois tempos distintos. No primeiro, narra o terror psicológico que o autor sofreu ao ser encarcerado, com 17 anos de idade, em 1971. No segundo, lança uma acusação atordoante contra o presidente da República. No primeiro tempo, revela que, em 1971, o articulista foi aterrorizado pelos carcereiros com a ameaça de atirá-lo aos presos comuns, que o castigariam com uma curra. No segundo, conta que, em 1994, num almoço marcado por informalidade excessiva, Lula teria lembrado o mês que ele próprio passou na cadeia, em 1980, e teria comentado que tentou subjugar sexualmente outro prisioneiro. Detalhe: Benjamin não oferece prova alguma do que afirma. Apenas lista outras pessoas que estariam presentes no mesmo almoço.

A reação do público foi rápida e sanguínea. Poucas vezes um artigo de jornal angariou antipatia com tanto volume e tanta velocidade. Centenas de leitores escreveram para a Folha, a maioria com muita raiva – e a muitos com razão, como veremos. Além disso, o articulista e a Folha receberam críticas duras de jornalistas de grande respeitabilidade. Cito apenas dois. Aqui, neste Observatório, Alberto Dines apontou traços de "imprensa marrom" e o ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, argumentou que uma acusação tão séria só poderia ocupar espaço na página do jornal se viesse acompanhada da apuração dos fatos pela reportagem [trechos dos dois serão reproduzidos logo adiante]. No mais, como sempre acontece, as águas dos protestos rolaram e a vida seguiu indiferente.

Peço licença para voltar à questão. Bem sei que o assunto foi visto e revisto pelos ângulos mais diversos; sei também que, na opinião de muitos, já cansou. Mesmo assim, insisto. O tema guarda fantasmas e feridas que escaparam às abordagens mais impetuosas. São tópicos de difícil tradução. Na falta de palavra melhor, eu diria que esse assunto contém aspectos, por assim dizer, "inassuntáveis". Que são os mais ricos. Vamos então mexer no que de fato machuca.

Socos e cotoveladas

Antes de tudo, vale retomar as passagens mais fortes do texto da Folha. É preciso deixar claro que se trata de um relato literário, muito bem construído, com uma história que emociona de verdade. Eis aí um ponto que praticamente não foi notado. A dramaticidade factual dos parágrafos enxutos é de uma densidade rara nas memorialísticas dos presos políticos brasileiros. É uma peça de valor estético. Um adolescente é posto nu dentro de uma cela minúscula, onde passa as noites de pé para espantar o frio. Come com as mãos. De repente, é transferido para uma cela de presos comuns. Os carcereiros o aterrorizam com a possibilidade de uma curra iminente.

Recorro às palavras do narrador:

"Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem."

Por sorte, ou por algum instinto natural de dignidade humana, ele foi bem tratado. O articulista observa:

"Os três, porém, foram gentis e solidários comigo."

Mais adiante, a narrativa dá um salto temporal. Estamos agora em 1994, na cidade de São Paulo. César Benjamin trabalha no estúdio que fazia as gravações da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. De memória, ele reproduz um comentário que o candidato petista teria pronunciado durante um almoço na produtora. Com termos chulos, Lula teria rememorado a privação de natureza, por assim dizer, erótica, que lhe teria sido imposta durante o mês que passou encarcerado, em 1980. César Benjamin, então, transcreve o que a conversa:

"– Você esteve preso, não é Cesinha?

– Estive.

– Quanto tempo?

– Alguns anos... – desconversei (raramente falo nesse assunto).

Lula continuou:

– Eu não aguentaria. Não vivo sem b... [a Folha publica o palavrão na íntegra].

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de `menino do MEP´, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do `menino´, que frustrara a investida com cotoveladas e socos."

Fechemos as aspas.

Entendimento difamatório

À parte os méritos literários, não há dúvida: o articulista imputa ao presidente da República a "confissão" espontânea de um dia ter assediado sexualmente, com uso de força física, um companheiro de cela.

Se as palavras a ele atribuídas são obscenas, o gesto que elas descrevem é por demais abjeto para vir a público assim, sem mais. Em sua coluna dominical (29 de novembro), o ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva demarcou:

"Concordo inteiramente com o leitor Carlos Alberto Bárbaro, para quem `não há outra opção ao jornal que publica artigo tão impactante quanto o de César Benjamin que a de, com suas equipes, tentar reconstituir os fatos narrados pelo autor´. Segundo, a de que é indispensável oferecer ao outro lado espaço e destaque similares para defender pontos de vista opostos aos do artigo de sexta-feira. O ideal seria a apuração factual dos eventos relatados e os argumentos contraditórios saírem com o artigo. O resultado da apuração começou a ser editado ontem. Que se complete e se publique o contraponto o mais rápido possível."

Neste Observatório, Alberto Dines foi mais contundente ("Lixo em estado puro", de 30 de novembro):

"A propósito da estréia do filme Lula, o filho do Brasil, a Folha publicou um depoimento do seu colunista Cesar Benjamin, dissidente do PT, a propósito de um comentário cabeludo feito há 15 anos pelo então candidato à presidência Lula da Silva (FSP, 27/11, pág. A-8).

Como foi constatado no dia seguinte [durante os dias subsequentes, o jornal procurou checar as afirmações de César Benjamin, como veremos a seguir], o comentário foi efetivamente feito, mas em tom de troça, conversa de fim de expediente. A Folha rasgou e tripudiou sobre todos os seus manuais de redação, pisoteou 20 anos de trabalho dos seus ouvidores ao aceitar como verdadeira uma fofoca estapafúrdia sem qualquer diligência sobre a sua veracidade.

Não foi desatenção, erro involuntário, tropeço de um redator apressado: a Folha reservou uma página inteira para que o colunista contasse a sua saga nos cárceres da ditadura iniciada quando contava apenas 17 anos. Seu relato é impressionante, mas de repente, para desqualificar os 30 dias em que Lula passou no xadrez, Cesar Benjamin conta a sua anedota em três enormes parágrafos e com ela fecha o artigo.

À primeira vista, parece mais um golpe publicitário da família Barreto (que produziu o filme), em seguida percebe-se que a denúncia é a vera, fruto de um ressentimento pessoal que um jornal do porte da Folha, que se assume "a serviço do Brasil", não tem o direito de perfilhar.

A direção da Folha simplesmente não avaliou o tamanho do desatino. No dia seguinte, tentou consertar: mancheteou uma de suas páginas com o justo desabafo de Lula classificando o texto como "loucura" (FSP, 28/11, pág. A-10). No domingo, certamente arrependida, a direção da Folha providenciou a evaporação do assunto. Ficou apenas a reprovação do seu ouvidor Carlos Eduardo Lins da Silva.

Tarde demais. Já no sábado (28/11) o Estado de S.Paulo repercutia o episódio com destaque e, no mesmo dia, a Veja já o incorporara à sua edição. O Globo manteve-se à distância desta porcaria.

Se o leitor não sabe o que significa `imprensa marrom´, tem agora a oportunidade de confrontar-se com este exemplo – em estado puro – do jornalismo de escândalos e achaques."

A apuração posterior da Folha, de fato, colheu evasivas de alguns dos presentes àquele almoço de 1994, mas terminou por delinear que, sim, Lula disse algo naquele sentido. Mas em tom jocoso. Nada permite concluir que ele estivesse falando sério. Há poucos dias, Contardo Calligaris, colunista do jornal, no dia 10 de dezembro, corroborou essa interpretação:

"Quanto ao que foi dito nesse almoço, Silvio Tendler, publicitário, que estava presente, parece confirmar a letra, mas não o espírito da conversa: `Aquilo foi uma brincadeira, uma piada que ele [Benjamin] tenta transformar em drama´. (...) Posso facilmente imaginar que Lula, em 1994, tenha inventado a história do `menino do MEP´ só porque ela parecia cair bem na conversa, porque era um jeito fácil de cimentar uma cumplicidade entre `homens´."

Tem mais. Nenhum dos companheiros de cela de Lula confirma a agressão. O próprio "menino do MEP", depois localizado pela reportagem (seu nome é João Batista dos Santos), recusou-se a comentar o acontecido. Ainda que ele não forneça uma versão conclusiva, nada, em seu depoimento (publicado pelo jornal no dia primeiro de dezembro) autoriza supor que seja verdadeira a hipótese de que Lula tivesse tentado assediá-lo:

"O eletricista João Batista dos Santos, ex-militante do MEP (Movimento pela Emancipação do Proletariado) e um dos homens que estiveram presos com o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva em 1980, durante a ditadura militar (1964-1985), chamou de `um horror´ o artigo do colunista César Benjamin. (...) `Não tenho nada para comentar sobre o assunto´.

(...)

Santos recebeu a reportagem da Folha no final da noite de domingo em sua casa, em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, onde vive há cerca de um ano e dez meses com a mulher e dois de seus oito filhos. Ele não permitiu que a entrevista fosse gravada nem aceitou ser fotografado. A reportagem chegou à cidade no sábado e tentava ouvi-lo desde então. No início da madrugada de domingo, Santos fez o primeiro contato, por e-mail. Na mensagem, disse que havia outros `companheiros do MEP´ naquela cela do Dops e, portanto, não entendia o motivo de o jornal procurá-lo.

Santos escreveu ainda no e-mail que não tinha nada a dizer sobre o episódio narrado por Benjamin e que estava `convertido em uma religião que não me permite mentir´. Finalizou o texto dizendo que ficou `muito emocionado´ com os relatos de Benjamin sobre o tempo em que ficou preso na ditadura, `sendo que aqueles mais ferozes da prisão foram amigáveis para com ele´.

(...)

Na entrevista à Folha, que durou cerca de 40 minutos, Santos, 60 anos, mudou a versão e afirmou que era o único integrante do MEP entre os homens presos na cela do Dops em que também estava Lula. Disse que continua filiado ao PT, mas abandonou a militância após se mudar para o litoral. Santos disse que soube do artigo de Benjamin no dia seguinte à sua publicação, quando passou a receber telefonemas de jornalistas e antigos companheiros. Segundo ele, a situação foi `constrangedora´.

(...)

A mulher de Santos, Márcia Cristina Muniz, disse que, quando o marido falou de Lula, `foi sempre de maneira positiva´, e que nunca tinha ouvido relatos sobre uma possível tentativa de abuso na prisão. Criticou ainda o artigo, que chamou de `baixaria´, e disse temer que os filhos, em idade escolar, possam ser vítimas de chacotas por parte dos colegas."

Desse modo, a sequência de reportagens da Folha atesta que a afirmação de César Benjamin se sustenta num ponto: sim, parece que Lula teria mesmo feito um comentário mais ou menos na linha que ele registra. No ponto fundamental, porém, ela carece de comprovação. Não há elementos que evidenciem tentativa de subjugar o "menino do MEP". Nesse sentido, a história que ele contou dá margem a um entendimento difamatório e não deveria ter sido publicada sem maiores cuidados. Lembremos, por fim, que nenhum dos companheiros de cela de Lula, ouvidos pelos repórteres do jornal, confirmaram a acusação.

O fórum ideal

Existe, no entanto, uma sutileza que passou em branco e precisa ser levada em conta. O que agrediu terrivelmente o ex-preso político César Benjamin foi apenas e tão-somente o comentário truculento de Lula, mesmo que ele não se refira a um fato real. Aí temos uma primeira ferida, uma ferida terrível, que praticamente não se prestou a maiores reflexões.

Para alguém que, jogado numa cela de presos comuns aos 17 anos de idade, sob a ameaça de estupro, a simples piada, tal como foi feita, já consubstancia uma violência indizível. O golpe que ele sofreu foi esse, não outro. O autor da "piada" era o seu candidato a presidente, e deve ter sido horrível escutá-la a sangue frio. Esse é o dado cultural que fere – e, quanto a ele, os críticos silenciaram.

O próprio César Benjamin alerta: o seu artigo se situa "além da política", argumento que retomou num texto posterior, do dia 2 de dezembro:

"Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB. Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante.

Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa."

Aqui, no entanto, abre-se uma nova contradição. De um lado, é legítimo que César Benjamin queira pôr o episódio em debate. De outro lado, se, como ele mesmo diz, trata-se de um episódio "além da política", isso significa que ele deveria estar também além da pauta do jornalismo político. Portanto, seria inadequada a sua publicação num caderno dedicado à política. Qual o fórum ideal para esse tipo de discussão? Difícil saber. De todo modo, ao pautá-lo em sua página de Política, a Folha se expôs ao desgaste das críticas que recebeu.

Preconceito funcional

Há outros aspectos a se considerar. É notório que o tratamento que Lula tem merecido na imprensa – sobretudo em assuntos da esfera íntima – é bastante distinto daquele que, por exemplo, Fernando Henrique Cardoso recebe. O líder tucano não tem a sua privacidade devassada do mesmo modo. Trata-se de um dado intrigante.

Alguns atribuem essa diferença de tratamento à origem de ambos: um é operário e o outro é um intelectual. A meu juízo, não creio que a explicação passe por aí. É verdade que existe, em certas áreas do jornalismo, uma reverência excessiva diante dos acadêmicos ou eruditos, uma reverência que beira um complexo de inferioridade. Mas esse traço é minoritário e nem de longe esclarece a razão da sem-cerimônia com que Lula muitas vezes é exposto.

A verdade é que, sem prejuízo de eventuais tietagens que os cadernos culturais dedicam a "pensadores", o mais comum no nosso jornalismo é um desvio oposto, que beira o antiintelectualismo. Pode-se dizer mais: com freqüência se manifesta um preconceito contra os intelectuais, como se esses passassem sua vida útil dedicados a encontrar problemas onde o discurso da eficiência gostaria apenas de ver soluções. O saldo dessa postura é uma insinuação reiterada de que intelectuais não são "práticos", complicam tudo, perdem tempo com filigranas. Essa mentalidade, por sinal, não se restringe aos adeptos do jornalismo ultra-racionalista, avesso a sutilezas e contradições. Ele é comum também ao pragmatismo dos políticos e, também, aos empresários, que costumam cultuar o mito da competência técnica. Intelectuais, em suma, não rendem. Intelectuais são inúteis. Não custa lembrar que também nas hostes da esquerda, quando alçadas ao poder político, a mesma má vontade ganhou corpo.

Em poucas palavras, não se pode dizer que FHC seja tratado com mais salamaleque só porque seja um intelectual. O que talvez o distinga é o fato de ele ser um intelectual que já desfrutava do apelido de "príncipe" e, mais que isso, um caso de intelectual bem-sucedido na política. Em suma, é como político já consagrado que o ex-presidente vem merecendo, digamos assim, o "tratamento vip" quando o comparamos com o tratamento dado a Lula.

O preconceito que se pode ver, nesse caso, é antes um preconceito de classe que um preconceito – na falta de palavra melhor – funcional. Lula é um operário que se expressa por meio de palavrões e, se é assim, ele mesmo já não se daria o respeito. Portanto, ele faria por merecer o desrespeito.

Esse dado, como já foi dito, é bem intrigante. E não tem sido suficientemente esclarecido.

Cultura sem grandeza

Para encerrar, apenas uma nota sobre a síndrome de perseguir o mensageiro.

Não recuso os senões levantados a respeito da publicação do artigo de César Benjamin. Mais ainda, penso que é bom que o assunto seja amplamente debatido. Mas isso não quer dizer que tudo se resuma a um erro ou um acerto do editor. Há muito mais que isso em pauta. Se o artigo não tivesse saído na Folha, mas num blog pessoal ou em outro site qualquer, o assunto seria menos grave? Os pontos que ele suscita não mereceriam atenção de ninguém? Creio que não.

Além de discutir os critérios editoriais deste ou daquele diário, deveríamos ser capazes de ir além (além da política?; além do jornalismo político?) e discutir também o que seu autor procurou enfocar. Desautorizar o mensageiro não resolve o incômodo. Não cura a ferida. A nossa cultura política foi posta em questão: o machismo, o baixo calão, a superficialidade apressada, a grosseria. E, quanto a isso, nada ou quase nada se falou.

É o caso de perguntar: para onde vai uma cultura política que não tem a grandeza de encarar suas misérias e se refugia na síndrome de perseguir o mensageiro?

Comentários (27)
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osvaldo Pavanelli , S J Campos-SP - Artista gráfico
Enviado em 25/1/2010 às 18:01:12
Temo que a excelente qualidade técnica e jornalística deste texto não lhe autorize nem lhe habilite a livrar a cara do mensageiro neste caso, caro missivista. Esqueça, simplesmente não é possível.
Paulo Fernandes , Londrina-PR - jornalista
Enviado em 19/12/2009 às 12:00:09
Chamar a Folha de "mensageiro" neste caso é um tipo de reducionismo que o Bucci näo costuma cometer. O mensageiro oficial näo tem opçäo de aceitar ou näo a entrega da mensagem. A Folha sim. O mensageiro näo tem a possibilidade de apurar sobre a veracidade ou näo das mensagens que porta. Já para os jornais ditos sérios, como a Folha, essa é uma das suas obrigaçöes básicas. E um mensageiro comum näo empresta parte da sua própria credibilidade às mensagens que porta, ao contrário de um dos maiores diários do país.
Clever Mendes de Oliveira , Belo Horizonte-MG - Funcionário Público
Enviado em 17/12/2009 às 20:36:19
Eugênio Bucci, Confesso que não tenho muita admiração pelos seus textos. Embora eu concorde que há um certo esticamento do assunto e o seu comentário poderia ser dito há mais tempo, vou transcrever a seguir um comentário que coloquei no Blog do Pedro Doria e que está na página 28 do post "Hora da despedida" de 16/08/2009 às 20h44. O post de Pedro Doria já fechou as portas assim penso que é justificável transcrever esse comentário (4145) que eu enviei em 01/12/2009 às 17h05 e o encaminhei para um comentarista que eu achara um tanto crítico do César Benjamin. Disse eu então: "Penso que o César Benjamim tentou apenas mostrar que Caetano Veloso estava certo em dizer que em matéria de sensibilidade artística o Lula é um zero a esquerda, pois aquela brincadeira de Lula podia ser feita na frente de todo mundo, menos na frente de César Benjamin. O Caetano Veloso errou nas palavras para dizer que Lula não tinha senso de estética ou sensibilidade artística ou veia poética ao chamar Lula de analfabeto. O César Benjamin talvez tenha apenas errado na escolha do jornal em que ele quis repercutir a crítica dele sobre a falta de sensibilidade do Lula. Clever Mendes de Oliveira BH, 17/12/2009
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 17/12/2009 às 12:24:23
Mesmo quer a Folha tivesse desmentido o artigo de Benjamin na edição seguinte, já estava(m) instalada(s) a(s) polêmica(s), inclusive essa aqui. Desse jeito, o assunto reeeende..... Mais um ato golpista. Pessoal da Folha, o problema não é nem Lula, nem Dilma, nem o PT. O problema é quem vocês querem colocar no lugar. Desculpa, mas esse disco tá arranhado.
Edilmo Lima , Santo André-SP - Empresário
Enviado em 16/12/2009 às 17:38:07
Quanto ao artigo de César Benjamin queria levantar e ressaltar o seguinte: que sua narrativa é bem construída e chega a emocionar (no primeiro tempo como diz Bucci). No segundo tempo, vira puro ressentimento e inveja Nas entrelinhas, o autor quase que emocionado tenta dizer que..... “gente, eu sou infinitamente melhor do que esse tal de Lula; sou mais culto, inteligente, me dediquei muito mais à luta do que ele, fiquei preso muito mais tempo....... e o cara vira presidente da república, com uma puta aprovação e depois de tudo isso sua vida ainda vira filme! E eu? Há, gente, isso não é justo, não é mesmo
Rogerio  Rais , Belo Horizonte-MG - contador
Enviado em 16/12/2009 às 17:12:03
Em suma, é como político já consagrado que o ex-presidente vem merecendo, digamos assim, o tratamento vip" quando o comparamos com o tratamento dado a Lula."... Lamentável essa conclusão do articulista... O tratamento vip dedicado a FHC foi comprado há muito tempo... suas " viúvas" sabem muito bem distinguir seus alvos... Além do preconceito de classe, caro articulista, vc também sabe os motivos que moldam essa diferença de tratamento da mídia em relação ao Presidente Lula... ridículo vc fazer cara de paisagem para essa questão... "sem querer, querendo", vc deixa muito claro de qual lado do balcão vc. está... quando pensa estar abrindo alguma porta que justifique o mal-caratismo do CB e da FSP...
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 16/12/2009 às 14:54:25
O artigo de César Benjamin, se é que se pode chamar aquilo de artigo, serviu a propósitos claros. Assim como a ficha da Dilma o artigo tentou acertar determinado alvo, mas o tiro saiu pela culatra. De uns tempos para cá, “matérias” da velha imprensa - e não são poucas – parecem engendradas para ser utilizadas na campanha presidencial. Apresentadas na telona, pela oposição, como fato consumado. O problema dessa engenhosa estratégia é que a sociedade já está vacinada. Não vai colar. A podridão na velha imprensa exala tão forte que o odor pode ser sentido pelos mais remotos cantos do país. A população não aceita mais isso, sabe perfeitamente distinguir o que é jornalismo do que é cocô.
Menjol Almeida , São Paulo-SP - Analsita de Cobrança
Enviado em 16/12/2009 às 12:24:29
A partir de agora o Cesar Benjamin pode passar a escrever para o site do DEM, pois lá ele angariou muita simpatia, com certe. E é bom lembrar que o mais notável neo-admirador do Cesar Benjamin é um humorista fascista da TV Globo. Parabéns Cesar Benjamin.
Luiz Prisco , Rennes-AC - Estudante
Enviado em 16/12/2009 às 12:21:52
Bucci o que aconteceu com voce. Por que voce assumiu a funcao de defensor numero da impresa? Onde esta aquele Bucci critico, que colocava o dedo na ferida da imprensa? Que marcava as falhas e os absurdos? Agora o que podemos ver é um homem com grande preparo intelectual e muita experiencia pratica que se desdobra em, como alguns disseram, malabarismos discursivos para defender o indefensavel. Publicar que o presidente é estuprador e pedofilo sem provar? Isso nao pode ser justificado por um drama pessoal. Falar que o tratamento ao FHC é porque ele ja era conhecido como principe? Ignorar o PROER da midia? Bucci, o que qconteceu?
Novaes Novaes , São Bernardo do Campo-SP - aposentado
Enviado em 16/12/2009 às 11:28:21
Prezado Bucci: Um comentarista do blog do jornalista Luis Nassif, que se diz envergonhado - sentimento que compartilho - resume bem um outro lado dessa ‘calhordice’ toda, diz ele: “a ‘brincadeira’ ... dá bem a idéia do clima mental da chamada militância “combativa” de esquerda. Um clima de boteco de esquina, um coleguismo de farristas zona boêmia, a afetividade própria de um bordel, a solidariedade dos frequentadores de puteiros, o insulto piadistico como ligação entre seres humanos, o ressentimento mascarado de camaradagem, um igualitarismo construído através da desqualificação mútua.” A resposta do jornalista-blogueiro não é menos desalentadora referindo-se a alguns membros da oposição. Mas como bem diz o Calligaris: “a boçalidade não tem fronteiras, nem geográficas nem de classe nem ideológicas.” Seria cômico não fosse trágico.
william costa , são paulo-SP - vendedor
Enviado em 16/12/2009 às 10:15:46
Concordo com a Ana Maria Arrigoni Vigano , RJ-RJ - malabarista, que diz qeu o texto de Eugênio Bucci é confuso e tende a justificar o injustificável. Basta verificar a segunda matéria publicada por esse tal Cezinha, na qual ele não comenta sobre o que falou anteriormente. Em nenhum dos episódios recentes (ditabranda, Dilma e Cezinha), a Farsa de São Paulo assumiu seus erros. Sempre deixa uma margem para a sus própria absolvição. Esse jornal( a Farsa de São Paulo) é uma piada de "mau" gosto e mal gosto também. Está cada dia pior. Quando tenta se justificar, se complica mais ainda, pois não tem coragem de assumir seus erros.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 16/12/2009 às 10:05:23
Pois é, li o texto e não consegui encontrar as tais "limpezas de feridas" e nem o "exorcismo de fantasmas" que o autor quis levantar neste tema torpe e já devidamente batido. Corroboro, isso sim, com a opinião de Ibsen Marques, de Caçapava-SP: o sujeito Benjamin levou 15 anos para "confessar" um drama. Como todos os homens e mulhres têm seus interesses, a humanidade é movida por isso, eu pergunto: o que o moveu a isso? Por que levou tanto tempo e só agora o revelou? O resto, bom, o resto é auto-flagelação intelecutal.
aecio castro , são paulo-SP - professor
Enviado em 16/12/2009 às 00:13:33
olá, à todos, lendo todos os artigos publicados nesse observatório , creio que você , Bucci, seja um dos poucos que ainda consegue analisar os fatos que acontecem em nosso país, parabéns, continue sempre assim, temos que acabar com esse pensamento de não poder criticar o nosso presidente, tudo está parecendo uma péssima partida de futebol mais uma vez, parabéns.
fagner torres , natal-RN - estudante
Enviado em 15/12/2009 às 21:22:51
Não há dúvidas de que Bucci é um dos intelectuais brasileiros mais preparados que conheço. No entanto, ultimamente tem se se dedicado a um estranho ofício: escrever textos nos quais dá voltas, piruetas, loops, faz malabarismos, pirotecnia e termina caindo - como tem costumado fazer - em cima do muro. Bucci, assim como Lula, é um conciliador - o que para muitos é o mesmo que contraditório. Ele gosta do Luis Inácio, mas também admira o FHC. Reconhece a diferença de tratamento dada pelos grandes jornais aos dois governantes, mas passa longe - propositadamente? - de acertar no diagnóstico. O mesmo tem feito em seus artigos no Estadão: jogar para ambos os lados. Não mais o reconheço como o homem de posição dos textos de antigamente. o que resulta em comentários como os de Ibsen ou Ana Maria, que acertadamente não entenderam o que o professor quis dizer. Ou, como dizem os americanos, "what s your point?". Seu objetivo, parece, é não tê-los mais, o que é no mínimo feio para alguém que ganha a vida pensando criticamente.
Paulo Ghiraldelli , São Paulo-SP - Filósofo e escritor
Enviado em 15/12/2009 às 18:57:31
Sobre isso, fiz artigo bem antes do publicado, mostrando que a coisa "estava no ar", e iria ser escrita. Depois, quando o artigo saiu, escrevi. Escrevi, eu sim, não Benjamin, para além da política. Escrevi no http://ghiraldelli.pro.br que a reação contra o fato de ter havido relação sexual entre homens parece que pesou! Para todos os lados!
rodrigo aguiar gomes , Porto Alegre-RS - servidor público
Enviado em 15/12/2009 às 18:19:02
Eugênio Bucci é apenas mais um expoente da turma dos ressentidos de Lula. Escreveu um livro inteiro de rancor e auto-piedade, supostamente para contar sua experiência à frente da Radiobrás ("Em Brasília, 19 horas"). Chega a ser bizarra a "inocência" relatada quando se via em meio às exigências de coordenar um órgão que é, ao fim, mais político que qualquer outra coisa. O livro todo é uma lamúria contra o governo federal, provavelmente porque seu autor acabou sendo preterido por falta de capacidade política. Vê-se, enfim, que apesar de toda a majoritária gritaria que Benjamim causou, havia um público receptivo àquele lixo. Demorou para aparecer alguém capaz de confessar, mas não me surpreende em nada que seja o Sr. Bucci a cumprir tal papel.
Valéria Bueno Villela , Goiânia-GO - Advogada
Enviado em 15/12/2009 às 18:04:24
Cesar Benjamin nunca havia falado de seu tempo na prisão. Numa entrevista a Zuenir Ventura, no livro comemoração de 1968 no ano passado, disse que só lhe restara o silêncio, apenas "preferia não" dizer nada, como faria o personagem Bartleby. De repente, um filme vira o motivo para romper a cripta-memória, o que estava guardado a sete chaves na lembrança dolorosa. A narrativa do trauma é o "encontro com o real", com o que jamais chegou ao simbólico. É o que fica de fora, no caso da memória organizada na cabeça. O real pode ter muita "merda", muita coisa abjeta, pois é o que não conseguiu virar palavra. Cesinha colocou muita coisa podre para fora, de si mesmo e do "outro", no caso um presidente. Dá uma vontade de perguntar à Maria Rita Kehl o que acontece quando um traumatizado começa a falar, ainda mais um sujeito que "suportou" as piores barbaridades de um regime de exceção.
Dante Caleffi su , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário Rio
Enviado em 15/12/2009 às 17:29:19
Chegou com duas semanas de atraso,Sorry...
José Ayres Lopes , São Paulo-SP - Sociólogo
Enviado em 15/12/2009 às 17:28:55
Texto típico do Eugênio Bucci. Muito trololó, muito nem sim, nem não e de passagem uma alfinetada no Lula. Artigo absolutamente desnecessário. Sem importância. Foi escrito só para justificar a calhordice do Benjamim.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 15/12/2009 às 17:03:15
Eu senti que o Eugênio criticou o Benjamim e a FSP com uma pontinha tímida de vontade de tecer algum elogio!!
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 15/12/2009 às 17:01:29
Engraçado o Cesinha ter esperado 15 anos para publicar seu agravo. Uma coisa é fato de verdae, a imprensa tem consistentemente colocado o governo em cheque. tanto em sua política econômica, quanto social. Não tem encontrado eco na população, isso também é fato demosntrado fartamentre pelas pesquisas. A solução então passou a ser ataques pessoais e sistemáticos à pessoa Lula, hoje Presidente. Estou para ver um político correto. Os que hoje são assim considerados é porque já tiveram seus feitos ou mau-feitos escoados pelos ralos da história.
Ana Maria Arrigoni Vigano , RJ-RJ - malabarista
Enviado em 15/12/2009 às 16:21:26
Texto confuso que tende a justificar o injustificável.
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - arqueólogo
Enviado em 15/12/2009 às 16:08:59
"o jornal procurou checar as afirmações ". CHECAR, CHECAR,CHECAR! Por que os jornalistas se opõe tanto ao bom e velho verbo "Verificar" do nosso tão maltratado português e se curvam diante do TO CHECK inglês? CHECAR é um anglicismo lamentável, porque se pode evitar! Existem pelo menos uns cinco sinônimos no nosso bom e castiço idioma lusitano! Se é pra escrever "CHECAR" é melhor escrever "newspaper"!
Reivaldo Vinas , Brasilia, DF-DF - --
Enviado em 15/12/2009 às 14:30:01
Ainda considero o melhor texto sobre o assunto o corajoso artigo do Araujo sobre o assunto entitulado "Filhos do Brasil", saído aqui mm no Observatorio e no site Carta Maior. Ganhou tb no quesito oportunidade jah que foi publicado dias depois do artigo do C.Benjamin e não tres semanas depois como é esse seu. Sugiro que seja colocado na rabeira desse texto links para os muitoooos artigos do caso.
Luiz André , Niterói-RJ - P.liberal
Enviado em 15/12/2009 às 14:24:31
É A IMPRENSA PODRE....Esta que prostituida opera no Brasil. É uma imprensa manipuladora, que defende os interesses dos proprietários de jornais (as famiglias), e não os interesses do cidadão brasileiro.
André Leme , Sao Paulo-SP - suporte em tecnologia
Enviado em 15/12/2009 às 13:55:07
Desculpe-me, mas se entendi direito temos duas posibilidades ou o Cesinha está certo e o presidente é bisexual, ou o depoimento foi jocoso o que torna o presidente um mentiroso, pois ele conta em primeira pessoa. As pessoas estão cegas ou eu não sei ler um texto.
sergio ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 15/12/2009 às 13:13:32
O assunto já deu o que tinha que dar. O tratamento diferenciado a FHC é por motivo puramente político, não intelectual. Na época em que era presidente, nunca se viu tamanha condescendência, mesmo com as coisas mais escandalosas, como a compra de votos para a emenda da reeleição. Já com Lula qualquer factóide vira escândalo; qualquer meia verdade vira prova de crime. Como a grande mídia não consegue reduzir a popularidade de Lula, está partindo agora para o baixo instinto pura e simples. O presidente de maior sucesso em nossa era republicana vai ficar registrado como bêbado, disléxico e estuprador. Quero ver como vai ficar a biografia destes jornalistas.
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Eugênio Bucci

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