ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 568 - 15/12/2009
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MÍDIA & PRECONCEITO
"Sim, é necessária uma nova Abolição"

Por Milena Almeida e Angélica Basthi em 15/12/2009

"Cabe lembrar que `nova Abolição´ é um lema que, apesar de ter sido elaborado na década de 1920, não está totalmente obsoleto. Os afro-descendentes ainda se encontram em posição de desvantagem em relação às pessoas brancas no Brasil." (Petrônio Domingues)

Em 27 de outubro, o professor-doutor Muniz Sodré publicou um artigo no site Observatório da Imprensa cujo título era "É necessária uma nova Abolição?". No artigo, Sodré critica o tratamento tendencioso da grande imprensa na cobertura sobre Ações afirmativas – mais especificamente as cotas universitárias – e questiona a opção dos "jornalões" em favorecer a publicação de conteúdo contrário ao sistema.

Ocorre que, no dia 03 de novembro, Demétrio Magnoli, colunista de veículos conceituados como a revista Época e o jornal Folha de S. Paulo, publicou uma "resposta" desrespeitosa intitulada "Matem os escravistas" onde ataca Sodré com ironia. Com um discurso enviesado, Magnoli deprecia os argumentos de Sodré e o árduo trabalho que vem sendo construído pelo movimento negro brasileiro na luta contra o racismo ao longo da história do Brasil. Numa suposta tentativa de criticar o "método" utilizado por Sodré, Magnoli menospreza a "consistência interna" do texto de Muniz, segundo ele, causado pelo seu posicionamento ideológico, e classifica o discurso de Sodré como "violência verbal".

Melhores argumentos

É no mínimo espantoso reconhecer que alguém que ostenta um título acadêmico como o Sr. Demétrio Magnoli nega para si mesmo e para a opinião pública a existência de injustiças originadas pelo racismo enraizado na estrutura da sociedade brasileira. Reza a máxima que o título acadêmico deveria garantir maior capacidade de análise dos fatos sociais.

É igualmente espantosa a cegueira que o Sr. Demétrio representa – e hoje é seu principal porta-voz – ao negar sistematicamente a existência do desequilíbrio no caráter dos artigos e no conteúdo das reportagens publicadas nos veículos da grande imprensa brasileira.

Em sua "resposta", o Sr. Demétrio desafia Sodré a provar este suposto desequilíbrio. Magnoli ignora o fato de que determinados veículos da grande mídia propõem uma agenda-setting unilateral e, com isso, contribuem para o desaparecimento do princípio da imparcialidade na imprensa, tão caro à sociedade brasileira. É impossível acreditar hoje em dia que os veículos de comunicação são unanimemente éticos e imparciais. Um dos grandes problemas desta premissa é encobrir o fato de que algumas opiniões editoriais invadem o campo das matérias e reportagens, que deveriam ser imparciais. Ao invés destes veículos de comunicação terem como foco o serviço de utilidade pública, acabam se transformando em juízes e algozes da realidade que nos cerca.

Se antes de escrever vorazmente contra as ações afirmativas – e duvidar da veracidade e do compromisso ético de acadêmicos dignos de todo respeito como Muniz Sodré –, o Sr. Magnoli deveria ter recorrido às pesquisas acadêmicas que estão sendo realizadas neste momento. Talvez assim ele apresentasse melhores argumentos para duvidar da existência de um posicionamento parcial de alguns setores da grande imprensa no Brasil.

Trata-se ou não de desequilíbrio?

Os pesquisadores João Feres e Veronica Daflon, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), por exemplo, realizaram recentemente uma análise dos textos publicados pela revista Veja sobre as ações afirmativas entre 2001 e 2009. Foram analisados 66 textos e artigos sobre o tema de janeiro de 2001 a junho de 2009, sendo 39% colunas assinadas e 38% reportagens.

Deste total, 77% continham avaliações negativas sobre as ações afirmativas raciais e apenas 14% favoráveis. Se tivesse feito essa consulto, o Sr. Demétrio descobriria, por exemplo, que deste universo, 19 reportagens são contrárias às ações afirmativas e apenas três são favoráveis. Em relação às colunas na revista Veja no período, 20 foram contrárias e apenas quatro favoráveis. Trata-se ou não desequilíbrio?

Feres e Daflon identificaram que a partir de 2005, quando as políticas de cotas estão consolidadas no ensino superior público do país, as raras manifestações favoráveis às ações afirmativas simplesmente desapareceram da revista Veja.

Feres e Daflon analisaram ainda os títulos e suas mensagens explícitas na revista neste período. Um dos exemplos são os títulos "O grande salto para trás" e "Cotas para quê?", ambos publicados em 2005. Ou ainda a reportagem em 2007 sobre o caso de um professor da Universidade de Brasília acusado de racismo, cujo título era "A primeira vítima".

Todos os títulos já evidenciavam a parcialidade nua e crua da revista Veja. O artigo do colunista Diogo Mainardi, cujo título era "O quilombo do mundo", demonstra a sua dita "criatividade" a serviço da intolerância como "o Brasil macaqueou o sistema de cotas raciais dos Estados Unidos" ou sobre "a chance para acabar de vez com o quilombolismo retardatário que se entrincheirou no matagal ideológico das universidades brasileiras". Trata-se ou não de desequilíbrio?

Nomenclatura de assuntos investigados

Vamos agora aos "jornalões". Um estudo realizado pelo pesquisador Kássio Motta para o Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF) analisa o caso do jornal O Globo no período de março de 2002 a julho de 2004. De acordo com o levantamento, no total foram publicados 55% de textos negativos e 15% de textos positivos sobre as cotas. Neste contexto estão 34% de matérias negativas contra 6% positivas, e 66% de editoriais e artigos negativos contra 34% positivos. Outra vez questionamos: trata-se ou não de um desequilíbrio?

Outra pesquisa, desta vez encomendada pelo CEERT ao Observatório Brasileiro de Mídia, observou os jornais Folha, Estado e Globo, dos quais se extraiu 972 textos publicados entre 1º de janeiro de 2001 e 31 de dezembro de 2008, além de 121 textos veiculados pelos semanários Veja, Época e IstoÉ, totalizando, portanto, 1.093 escritos – incluindo reportagens, editoriais, artigos e colunas.

Os assuntos investigados foram agrupados a partir da seguinte nomenclatura: cotas nas universidades; ação afirmativa; quilombolas; estatuto da igualdade racial; diversidade racial (incluindo racismo, discriminação racial, etc.) e religiões de matriz africana.

Leitura indispensável

Fechando o foco nos textos de jornais, cinco tópicos merecem especial atenção:

1) desagregando-se o tema das cotas nas universidades, os textos opinativos somaram, no caso da Folha, cerca de 28% do total de ocorrências, sendo evidente a freqüência mais alta das reportagens em comparação com as opiniões;

2) examinando-se os textos opinativos da Folha sobre cotas nas universidades, 46,7% posicionaram-se abertamente contrários, número elevado, mas não configuram a totalidade das opiniões;

3) o Globo sobressai em relação aos seus concorrentes no que se refere a uma orientação anticotas mais organizada e institucionalizada, tendo sido o único jornal em que os textos opinativos foram mais freqüentes do que as reportagens – 53,1% e 28,1% respectivamente, quando o assunto é cotas nas universidades;

4) as pesquisas ocupam apenas 5% dos textos e são aludidas quase que exclusivamente nas reportagens (83%), aparecendo muito raramente nos textos opinativos (8,3%);

5) a parcialidade da mídia impressa suscita preocupação inclusive nos seus próprios mecanismos internos de fiscalização, o que pode ser ilustrado por uma manifestação emblemática do ombudsman da Folha publicada em meados de 2006.

Portanto, quando Sodré questiona sobre uma nova Abolição, não se trata de um "pressuposto factual falso", como diz o Sr. Demétrio. Provavelmente, este Sr. desconhece toda leitura indispensável para construir um argumento com seriedade, tais como o livro A nova Abolição (2008), do historiador Petrônio Domingues. Na obra, é possível aprender que a expressão foi citada pela primeira vez no dia 13 de maio de 1924, como manchete principal do primeiro número do jornal O Clarim da Alvorada, importante veículo da história da imprensa negra no período.

A luta pelos direitos fundamentais

Já naquela ocasião a defesa de uma nova Abolição propunha uma transformação radical na sociedade brasileira para garantir a justiça e a igualdade racial. Quase 90 anos depois, essa expressão mantém sua mensagem viva. O Brasil continua com o desafio de garantir a justiça e a igualdade de direito para todos.

Vale lembrar também que Muniz Sodré está amparado por uma clarividência histórica acompanhando por extensa lista de pensadores, pesquisadores e intelectuais como Kabenguele Munanga, Abdias Nascimento, Sueli Carneiro e tantos outros.

É por isso que nós, afro-descendentes, integrantes do movimento negro, profissionais de imprensa, intelectuais e acadêmicos declaramos publicamente que Muniz Sodré desfruta do nosso total apoio neste posicionamento em favor da pluralidade de opiniões e reportagens nos "jornalões" e demais veículos de comunicação sobre as ações afirmativas, em especial, sobre as cotas nas universidades públicas. Lembrando que resta ainda uma longa caminhada até atingirmos a plenitude do princípio da igualdade no Brasil. Jamais haverá igualdade onde as pessoas se encontram em condições desiguais na luta pelos seus direitos fundamentais.

***

[Este artigo é endossado por Julio Tavares, doutor em Antropologia - University of Texas at Austin; Roberto Martins, ex-presidente IPEA no governo FHC; Carlos Alberto Medeiros, jornalista, mestre em ciências jurídicas e sociais e coordenador CEPPIR-RJ; Amauri Mendes Pereira, professor sociologia da UEZO-RJ; Frei Davi Santos, OFM e diretor executivo Educafro; Diva Moreira, cientista política; Alexandre Nascimento, professor FAETEC/RJ; Jonicael Cedraz Oliveira, professor UFBA; Fabiana Lima, doutoranda UFBA; Claudia Miranda , doutora em educação UERJ; Uelington Farias Alves, jornalista e escritor; Daise Rosas Natividade, psicóloga e doutoranda da UFRJ; Humberto Adami, Ouvidor-Geral Seppir; Luis Fernando Martins da Silva, advogado e professor de Direito e membro IAB; Maria da Consolação Lucinda, doutoranda Antropologia Social Museu Nacional/UFRJ; Augusto Bapt, músico; Marcos Romão, cientista social e diretor da Rádio Mamaterra, Hamburgo; Marcelo Barbosa, mestrando em educação UERJ; Vera Daisy Barcellos, jornalista/ RS; Zilda Martins, mestranda comunicação e cultura ECO/UFRJ; Ana Cristina Macedo de Souza, mestranda políticas públicas FGV-RJ/EBAPE; Carlos Nobre, professor PUC/RJ; Nilo Sergio S. Gomes, jornalista; Jacques Edgard François; Flavio Gomes; Jorge da Silva; Claudia Fabiana Cardoso; Carlos Douglas Martins P. Filho; CEPPIR –RJ; CEERT; COMDEDINE; EDUCAFRO; ABRAÇO; Cojira-Rio; Cojira-DF; Cojira-BA; Cojira-AL; Cojira-PB; Núcleo de Jornalistas Afro-Brasileiros do Rio Grande do Sul; Movimento Novos Rumos; Fórum Paraibano Promoção Igualdade Racial; Agência Afro-Latina-Euro-Americana de Informação (ALAI); Associação Brasileira de Pesquisadores/as pela Justiça Social (ABRAPPS); Comitê de Luta pela Igualdade Racial e Democratização da Comunicação do FNDC-BA; Fórum Mulheres Negras DF; Movimento Negro Unificado DF; Centro de Cultura e Estudos Étnicos Anajô; Coletivo Entidades Negras (CEN)]

Comentários (18)
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Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 17/12/2009 às 14:28:53
O que de "grande" o Muniz Sodré fez para merecer tal adjetivo? E o que de intelectual ele fez? Parem de repetir palavras de ordem e se atenham aos fatos. Vocês são irracionais e não conseguem construir os mais simples dos argumentos de forma lógica e que faça sentido porque as suas idéias são baseadas em mentiras.
Shirlei Campos Victorino , Rio de Janeiro-RJ - Professora
Enviado em 17/12/2009 às 11:33:50
As autoras estão de parabéns pelo texto claro, explicativo e estatístico, dados que faltam a esse Senhor, como é mesmo que se chama?! Talvez, ele precise entrar em uma escola pública e ficar por ali , (apenas um dia basta), ouvindo as histórias de vida, vendo a "cara das gentes", da nossa gente! Como se construiu o imaginário? que mensagens preliminares e subliminares são mandadas para essas crianças todo o dia? qual o porquê da baixa autoestima ? Num país que recebeu , aproximadamente, 59% de africanos, qual é "a cara" que a mídia mostra? Navegar, é preciso... mas não com bússula quebrada... Será que deveria dizer câmbio? A verdade foi ou não foi seduzida? Ao grande intelectual Muniz Sodré, todo o MEU apoio.
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 16/12/2009 às 16:24:17
Simone, "afrodescendentes" não existem. É um termo inventado afim de segregar a sociedade. Não existe cultura afro-descendente, não existe nação em parte alguma do mundo, não existe língua e tampouco história. Ou seja, nada que sirva para unir um grupo de pessoas sob um mesmo nome. É pura invenção. A torcida do flamengo é mais "nação" e tem mais em comum do que esse fictício "afrodescendentes".
simone ribeiro , rio de janeiro-RJ - mestranda
Enviado em 16/12/2009 às 16:06:21
A intolerância tem se mostrado cada vez mais evidente neste momento em que, após tantos anos de lutas, um grupo considerável de brasileiros afrodescendentes perdeu a invisibilidade e construiu um discurso que reclama a igualdade. Negada desde sempre nas relações racias brasileiras, esta igualdade que se quer afirmar com persistência, tem sido alvo da ironia. E, à medida que se estabeleceram medidas afirmativas, de fato, para garantir que a igualdade não seja apenas um direito registrado e perdido nos papéis de nossa burocracia, a ironia resvala para o grotesco, este muito bem estudado por Muniz Sodré. Intelectual antenado com as questões deste tempo regido pelo "politicamente correto", em seu estudo sobre o " O Império do Grotesco" Sodré reflete sobre as artimanhas da linguagem irônica, utilizada por jornalões e figurões, que apelam para um suposto "humor" para investir no esvaziamento de um discurso sério e fundamental para que o estabelecimento de condições igualitárias entre todos os brasileiros, especialmente, na eduação, onde tudo começa. Beneficiados pela certeza de que "jamais haverá igualdade onde as pessoas se encontram em condições desiguais na luta pelos seus direitos fundamentais" , pessoas que ocupam espaços "respeitáveis" da mídia tornam públicas algumas concepções depreciativas sobre intelectuais que conquistaram e merecem o respeito de todos brasileiros.
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 16/12/2009 às 14:02:01
Se vocês se interessassem em se informar a respeito das organizações envolvidas com o racialismo negro veriam que elas recebem dinheiro de organizações estrangeiras, assim como a Ford Foundation. Algo totalmente inaceitável. Ameaças a nossa soberania não acontecem somente na Amazônia, mas todos os dias. Não apenas isso, mas o estatuto da igualdade racial prevê doutrinação ideológica nas escolas, assim como ocorreu nos EUA. Lá foram capaz de criar uma nova "etnia" do nada, assim como o link que postei aqui mosta. O plano dos racialistas para o Brasil é uma engenharia social para implementar o racismo que levará décadas. O alvo não somos nós, mas a crianças que venham a nascer depois dessa implementação e 10 ou 20 anos de doutrinação conseguirão transformá-los em racistas anglo-saxões.
Sandra Martins , Niterói-RJ - Jornalista
Enviado em 16/12/2009 às 12:40:15
O tratamento tendencioso da grande imprensa na cobertura sobre temas ligados aos grupos minorizados não é novidade na história da humanidade e, claro, na história oficial brasileira. Ainda mais, quando as discussões envolvem políticas públicas para estes grupos também querem receber sua parte do que produzem. Afinal, se o país foi construído pelas mãos de escravizados durante 400 anos, porque com o alvorecer de um novo status político essa memória de construtores foi apagada, tendo seus personagens e gerações futuras serem relegadas ao ostracismo e marginalização? Como pode a população brasileira dizer que o país é racista e que conhece alguém racista e não se assume como tal? É lastimável termos de conviver com a rigidez de um teto de vidro que mantém antolhos em brasileiros que naturalizam o trabalho escravo e degradante e que condenam veementemente a condição de igualdade de tratamento para populações minorizadas. Apesar de todas as dificuldades de a grande imprensa e parcela da sociedade insistirem em não abordar tal temática, a discussão já está posta: os jornalistas não podem fazer de conta que não sabem do que se trata e não sabem lidar com esta discussão. Esconder-se atrás de uma suposta ignorância pelo desconhecimento da matéria é mostrar-se realmente ignorante.
Sandra Martins , Niterói-RJ - Jornalista
Enviado em 16/12/2009 às 12:39:25
Por conta do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, em 2000, o tema explodiu a ponto de atingir jornalistas do sindicato dos jornalistas gaucho, de São Paulo e hoje termos – em sete estados e no município do Rio – profissionais de comunicação empenhados em desnudar o racismo brasileiro que não é explícito, lembrando as falas de Miriam Leitão sobre o tema: “a discriminação é mais profunda e arraigada do que parece. A discriminação é mais profunda e arraigada do que parece.” Já Bernardo Ajzenberg afirma que o racismo não está presente apenas em manifestações muito evidentes de intolerância, mas ocorre também de maneira subliminar e muitas vezes difícil de se captar, pelo menos por pessoas que não estão atentas, a todo momento, para esse assunto. Para ele, “a mudança não vem de meios de comunicação ou de indivíduos bonzinhos, mas da pressão organizada.” (Mídia e Racismo, Org. Silvia Ramos. RJ: Pallas, 2002)
sergio ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 16/12/2009 às 11:30:51
Nosso amigo programador merece um troféu na área da teoria conspiratória. Um dia ele chega a Olavo de Carvalho.
Fabiana Lima , Salvador-BA - Doutoranda - UFBA
Enviado em 16/12/2009 às 04:08:02
Endosso mais uma vez as bem-ditas palavras das duas jornalistas. Como bem disse Muniz Sodré, no texto "É necessária uma nova abolição?", nada hoje da velha grosseria racista. No lugar, um racismo cada vez mais autoritário e toscamente intelectualizado. Devido à falta de sustentabilidade dos argumentos, Sr. D. Magnoli, em "Matem os escravistas", só demonstra que não sabe contextualizar o texto lido. Sabe esse Sr. ler? Duvido... Uma pena ele ganhar dinheiro com o tal livro às nossas custas,
Miro  Nunes , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 16/12/2009 às 00:11:11
Nem tarde, nem cedo, este texto integra a resistência que tem sido a vida da comunidade negra no Brasil. Apesar dos contrários, que nem os fatos objetivos (N estudos, pesquisas, números, etc), tão pouco as evidências das ruas conseguem convencer, prosseguimos na luta pelo direito de viver direito. Miro Nunes (Cojira-Rio/SJPMRJ)
Eduardo  Alex , Vila Velha-ES - Servidor Público
Enviado em 15/12/2009 às 23:11:28
A bem da verdade, o debate sobre o racismo no Brasil anda muito mal conduzido. Essa abordagem escolhida pela militância negra, mimetizando a forma de luta dos EUA não poderia ter outra forma de reação. Para além dos equívocos de gente como Magnoli, é necessário sim demonstrar que a luta contra o racismo no país opta por uma forma de combate mais voltada para um revanchismo, que termina por afirmar o racismo, ao invés de buscar sua eliminação.
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 15/12/2009 às 22:19:36
O que foi refutado exatamente? Não importa quantas palavras de ordem você repita, elas não condizem com a realidade.
José Ricardo Almeida , Nova Friburgo-RJ - sociólogo
Enviado em 15/12/2009 às 20:39:38
Parabéns às autoras pelo texto e pela iniciativa da Cojira-RJ pela de zelar pela imagem pública de nossa gente. Também não deixa de ser uma manifestação tardia à guerra ideológica travada pelos setores opressores dos negros abalados pelos avanços sociais e políticos obtidos. O texto elegante e substancial refuta os argumentos de um grupo de intelectuais que rasgaram a fantasia de democratas com seus viéses esquerdistas de outrora. Hoje representam o que há de mais reacionário no pensamento social brasileiro. Valendo-se de fraudes e omissões aos fatos e dados afirmam desse modo que o negro deve se manter na merda como localizou o Presidente Lula. De toda forma é uma reação pública exemplar pela dignidade de um intelectual respeitavél atacado por um crápula associado a mídia racista.
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 15/12/2009 às 17:31:40
As autoras do texto pedem nada mais e nada menos do que a balcanização do Brasil. Será que existe algo na cultura brasileira é tão perigosa aos interesses dos donos do mundo? Será que o conceito multicolor de um povo unido é uma ameaça aos interesses eugenistas, econômicos e industriais do primeiro mundo?
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 15/12/2009 às 16:58:57
Esse é apenas um exemplo de como a Ford Foundation faz técnicas de controle mental na população. Nesse caso foi nos EUA, mas técnicas similares são aplicadas a outros países. Controle mental é a modificação de comportamento de um indíviduo ou grupo de indivíduos sem o seu conhecimento ou consentimento. Usar propaganda, doutrinação ideológica nas escolas, financiar movimentos políticos afim de impor uma determinada situação (assim como os fascistas e nazistas receberam financiamento externo para poderem tomar o poder), táticas de intimidação daqueles que discordam (assim como a autora desse texto faz) e a tentativa de expô-los ao ridículo, etc, são todas formas de se controlar a mente das populações. Todas as pessoas listadas deveriam ter vergonha de ter seus nomes associados a essa abominação. Isso não é liberdade e tampouco a expressão daquilo que o ser humano é capaz. Ao contrário, é a opção por uma vida de escravidão e a redução do ser humano a um mero peão em um tabuleiro político onde uma pequena minoria lucrará em detrimento do todo. É submissão. É fraqueza. Façam o que bem entenderem, mas saibam que os brasileiros lutarão até o fim contra tudo o que vocês representam. Demétrio Magnoli, saiba o povo brasileiro está do seu lado.
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 15/12/2009 às 16:49:33
Estatísticas são manipuladas o tempo todo no mundo acadêmico, vide o escândalo do climategate, onde cientistas excluíram dados para criar o "aquecimento global". Assim como o "aquecimento global" o racialismo é uma agenda política e não científica. Não há ciência no racialismo. A quem interessa isso? Intesses estrangeiros e não brasileiros. O movimento e seus apoiadores se venderam a esses interesses estrangeiros e agora levam adiante a sua agenda eugenista. Eu desafio qualquer um dos doutores listados no artigo em questão a provar nesse Observatório que raças existem e precisam ser tratadas diferentemente. Um exemplo de como tal mentalidade entreguista funciona é como Fundanção Ford, uma fundação criada por ricos americanos com o intuito de fazer engenharia social no mundo e criar assim a sua sociedade perfeita (eugenicamente falando é claro). A identidade hispânica criada nos EUA mostra bem como isso funciona: http://www.americanpatrol.com/REFERENCE/MALDEF-LA_RAZA-Hymowitz.html . É uma fraude. O processo natural para os imigrantes da América Latina seria o mesmo daqueles de outros lugares, ou seja, gradualmente sendo assimilados à cultura norte-americana. Todo o movimento hispânico nos EUA foi criado do nada, uma identidade nova foi inventada afim de satisfazer vontades políticas privadas. É isso que desejam fazer no Brasil?
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 15/12/2009 às 16:39:23
Quando não se tem razão, faz-se uso de falácias. Nesse caso a autora do texto apelou para a falácia "apelo à autoridade", colocou uma lista de "autoridades" que "endossariam" tal forma de pensar como uma tentativa de desacreditar o argumentos do Demétrio Magnoli, mas em hipótese alguma contradisse nada do que ele afirmou. Tudo o que o Demétrio Magnoli disse é correto. O movimento negro é a maior ameaça à soberania nacional que já existiu, recebe dinheiro de organizações internacionais o que por si só já é uma forma de ingerência estrangeira em assuntos internos e a sua principal meta é dividir o Brasil em diferentes etnias. A divisão de países em etnias é uma tática de guerra é algo comum à política imperialista americana. Atualmente o Iraque e Afeganistão são exemplos dos resultados de tais atos, e em breve também o Paquistão. O maior problema do estatuto de igualdade racial não são as quotas, embora elas sejam imorais, mas sim a dountrinação ideológica a ser feita nas escolas com matérias específicas sobre negros, excluindo-lhes assim da realidade brasileira. Isso sem contar na destruição da cultura brasileira e sua substituição por uma anglo-saxã, com valores eugenistas de pureza racial. O próprio termo afro-descendente é um tapa na cara do cidadão, é uma forma de dizer que o sangue negro é de alguma forma especial (inferior?) e por isso precisa ser separado do resto.
sergio ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 15/12/2009 às 15:22:53
Como comentei no texto de Magnoli à época, bastava um simples check list para ver isso. Ele também já escreveu coisas desrespeitosas sobre o professor Munanga. Acho lamentável, pois no tempo em que fui seu aluno ele nem de longe parecia pessoa tão retrógada e antidemocrática.
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