ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 569 - 22/12/2009
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MÍDIA RADIOFÔNICA
Sugestões para um rádio melhor

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 22/12/2009

Sem querer estar na posição de entendimento total dos problemas, visto que eles sequer são discutidos perante a sociedade e querendo buscar a sintonia com mentes que já apontaram que há problemas no mundo do rádio e que a maioria deles decorre da mistura e da confusão entre os interesses do rádio e as nuances do sistema baseado no lucro, acha-se salutar que se faça um aprofundamento das questões que ora se efetivam na chamada crise por que passa nosso rádio AM e dos fatores que motivam tal crise.

É vital que todos os grupos ligados ao rádio busquem um entendimento de coesão que seja específico em processo de resolução dos problemas que vêm ocorrendo para que tenhamos um rádio que seja pautado numa lógica firme de sistematização de modelos de rádio que tenham efetiva segurança em seus propósitos e formas de informação. O rádio precisa ser debatido intensamente por todos os grupos sem corporativismo, divisão nem inclusão de interesses buscando um único objetivo; melhorar o rádio e promover seu crescimento para o bem de todos.

É também vital que haja uma pesquisa firme e concreta sobre o que as classes querem do meio rádio: quais os seus interesses? O que motiva a escuta do rádio e quais os fatores que contribuem para o crescimento do rádio como mídia e as possibilidades de reformulação de suas ações a partir dos interesses de seus grupos e dos fatores que possam dar-lhe uma nova visão e um novo propósito. É importante que a classe de radialistas se debruce na melhoria da produção de programas e se engaje no processo de reformulação de fórmulas do passado que hoje não encaixam nos propósitos de uma verdadeira comunicação.

Opinar construtivamente

Os jornalistas devem buscar união com os radialistas ajudando-os firmemente no processo de melhoria da comunicação radiofônica, pesquisando idéias novas para o rádio e efetivando produções mais seguras em termos de conteúdo, informação e caráter científico da informação. É preciso que os cursos de Jornalismo deixem de desprezar a mídia radiofônica dando aos futuros profissionais perspectivas de crescimento profissional a partir do rádio e fazendo com que os novos jornalistas entendam que o rádio é viável em termos profissionais se for feito de acordo com os anseios de classes, de grupos etários, de profissões, de classes estudantis e outros membros da sociedade civil organizada.

É preciso que os cursos de Jornalismo efetivem situações de enaltecimento da história do rádio e procurem favorecer sua modernidade através da busca da qualidade em termos de respeito ao usuário, notícias verdadeiras, produção independente e coerente e luta pela modernização técnica utilizando tais elementos para produção de bons programas e conquista de novos públicos.

Os ouvintes devem exercer seu poder de consumidor procurando se organizar para dizer o que querem do rádio e incentivando a formação de grupos que possam dialogar abertamente com produtores, diretores, locutores e demais membros da comunicação radiofônica para opinar construtivamente sobre programas, idéias, conteúdos, desvios morais, finalidade da comunicação e outros efeitos que o rádio possa trazer para todos.

A classe política deve legislar no sentido de oportunizar viabilidade econômica para o meio rádio criando projetos que dêem oportunidade de todos os indivíduos fazerem comunicação de forma democrática, ética e de qualidade. É preciso que haja incentivo a programas que sejam adequados á família e que tenham interesse na melhoria do padrão de vida dos povos. O rádio deve ser isento de alguns impostos e tarifas que acabam encarecendo sua produção e sua programação. É preciso que a legislação das comunicações seja revisada, analisada e trazida para o conhecimento dos povos de forma que todos saibam o tipo de comunicação que querem e que seja melhor para todos indistintamente.

Aos governos acha-se que é preciso melhorarem a atuação de órgãos ligados à comunicação e à formação de profissionais para o meio rádio onde haja espaço para que a comunidade possa ter acesso à comunicação sem que haja desigualdade nos aspectos de concessões, equipamentos e produção do rádio. O governo deve incentivar iniciativas de luta pelo rádio de modo a dar e abrir espaços para discussão do rádio e seus problemas. É importante e democrático que os órgãos de fiscalização não exerçam apenas função repressora, mas que estejam ao lado do povo no sentido de oportunizar espaços para o crescimento do rádio e sua valorização.

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Gil Horta Rodrigues Couto , Juiz de Fora-MG - Jornalista e comunicador de rádio
Enviado em 23/12/2009 às 07:20:00
Do seu texto faria um recorte no momento em que chama para o debate jornalistas e radialistas. Correto. Em um dos encontros de comunicação realizados pela UFJF aqui em Juiz de Fora, apresentei trabalho* onde discutia exatamente essa necessidade do debate. Reconheço a necessidade de deixar as aventuras e verter para discussões sérias na elaboração de programações de rádio. Os cursos de comunicação tem, como você também cita ao longo do texto, a obrigação de prover os acadêmicos com ferramentas significativas para que possam entender o rádio de forma real. Sim, a universidade é espaço para experimentações, mas aproximar-se do cotidiano do rádio, pensando-o como potente agente da mídia, se faz urgente. Por fim, os comunicadores, espécie em extinção. Não basta ter uma bela voz [claro já adianta um pouquinho], é necessário ensinar aos jovens postulantes da "árdua" tarefa de falar no rádio que, comunicar é bem diferente de "locutar". Parabéns, o rádio agradece e merece uma atenção séria e coerente. * COUTO, G. H. R. . Rádio na Internet: retransmissão ou inovação?. In: IV Encontro regional de Comunicação: UFJF - Juiz de Fora, 2006.
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