ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 570 - 29/12/2009
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CASO SEAN
Lambança exemplar da mídia. Toda a mídia

Por Alberto Dines em 29/12/2009

Um drama que só tende a crescer porque os meios de comunicação não estão interessados em largar o osso. Perceberam o manancial inesgotável de que dispõem e vão em frente. Mesmo arriscando a vida e a felicidade de Sean Bianchi Goldman.

Hoje, quando se fala em mídia, impossível estabelecer distinções: a mídia americana e a mídia brasileira – pelo menos no caso Sean – exibem as mesmas distorções e leviandades. Como se a yellow press anglo-saxônica e a nativa imprensa marrom fossem a mesma coisa. São a mesma coisa (as origens é que variam).

É aterradora a façanha "jornalística" da rede de televisão NBC ao oferecer um jato para levar David Goldman e seu filho para os EUA. Não foi um ato generoso para garantir a privacidade do menino. Foi uma monstruosa exploração, autêntica cafetinagem jornalística.

David Goldman, modelo profissional, será atração da NBC por muito tempo. E David Goldman só existe na medida em que fala do filho. Mesmo sem o exibir, apenas referindo-se a ele, está criando um clima que tornará impossível uma existência normal para o garoto.

Sem discrição

Sem qualquer escrúpulo ou disfarce, a NBC fez o seu exercício de checkbook journalism, jornalismo com talão de cheque, que em situações normais seria condenado pelos media-watchers, observadores da mídia, se neste momento os media-watchers americanos não estivessem concentrados na discussão sobre os modelos de negócios da indústria esquecidos do conteúdo do produto que esta indústria está oferecendo.

A família brasileira de Sean também se envolveu com a mídia. E como sempre acontece em nossas plagas, pelo viés autoritário. O celebrado clã de causídicos ao qual pertence João Paulo Lins e Silva, pai adotivo de Sean, a pretexto de proteger a criança, preferiu a estratégia da mordaça, a censura judicial: embargou o noticiário sobre o caso. Burrada: este tipo de silêncio não se sustenta, basta ver o que aconteceu com os poderosos Sarney.

A Folha de S.Paulo tentou derrubar o embargo, não conseguiu; meses depois a revista piauí contou a história toda (ver aqui) sem colocar em risco a privacidade de Sean e de sua família brasileira. Ao contrário, desvendava-se pela primeira vez a extensão de um drama que a superexposição só poderia agravar.

Censura nunca foi recurso inteligente, mais apropriado seria contrabalançar a xenófoba cruzada iniciada pela mídia americana clamando por respeito à intimidade de Sean.

A entrega no consulado do Rio foi evidentemente midiatizada pela família brasileira. Seu pai adotivo e seus avós maternos poderiam ter procurado as autoridades consulares para acertar procedimentos mais discretos. Aliás, prometeram que a "transição" não seria traumática. David não se oporia, tanto ele como os seus sponsors da NBC não estavam interessados em badalações no Brasil, queriam faturar a chegada nos EUA.

Espetáculo canibal

A idéia de vestir o garoto com a camisa da seleção de futebol é prova cabal de um marketing emocional inadmissível. Aberrante. Sean foi preparado para ser fotografado e esta fotografia deveria tocar a alma brasileira: isto só acontece por meio do futebol em anos de Copa do Mundo.

Sean só poderá ser protegido se a parte sadia da imprensa americana (cada vez menor e menos atuante) criar uma onda para preservar sua privacidade. A mídia americana mais sensível – ou talvez a parte menos paranóica da blogosfera – tem condições para forçar David Goldman a controlar o seu narcisismo e também a sua ambição (desvendada pelo negócio com a NBC), obrigando-o a manter-se longe dos holofotes e dos flashes.

A sociedade americana e o judiciário americano têm condições de evitar este espetáculo sacrificial, esta canibalização emocional de uma criança. Alguém precisa acioná-los. Só a imprensa pode fazê-lo.

***

PS: Algumas estrelas do nosso jornalismo reclamam quando se fala em mídia como fenômeno ou como indústria. Não gostam da generalização, é compreensível: esmeram-se, transpiram, buscam ângulos, desenvolvem estilos personalizados, oferecem seus nomes e suas marcas. Não obstante, a generalização hoje é compulsória, inevitável. Articulistas diferenciam-se, mas as empresas de mídia abdicaram da sua vantagem patrimonial – a individualidade. Preferem homogeneizar-se. Ao invés da diferenciação, a mimetização.

 

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Comentários (44)
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Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 4/1/2010 às 21:13:08
Sheila, alguem disse que ele não gostava da familia paterna? Eu não ouvi. Há aqui uma tentativa de juizo de valor. Familia americana ruim, familia brasileira, boa. Mão, bom, pai, ruim. Será que ninguém consegue analisar friamente o que está acontecendo?
Sheila Martins , São luís-MA - nutricionista
Enviado em 4/1/2010 às 16:02:45
Concordo em parte com voce, Dines.Estão fazendo da vida de uma criança um reality show, fazer isso c uma criança é intolerável. Mas acho evidente e lógico que a família brasileira faça um apelo emocional sim....pelas circunstãncias do caso parece ser a unica coisa a fezer.....tentar causar uma comoção da população e com isso garantir apoio de alguma autoridade. O que voce faria?Ao agirem assim eles não estão vendendo a criança , como o pai está fazendo . Quanto aos direitos sobre a criança, lei é lei e (in)felizmente tem que ser sempre obedecida, é claro que o pai tem o direito d ficar com a criança, mas acho que maior do que o direito do pai de criar seu filho está o direito da criança ter uma vida rodeada de quem ela realmente goste.
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 4/1/2010 às 13:51:34
A única lei que interessa ao caso é a Convenção de Haia de 80, que trata dos aspectos CIVIS da questão. Não há nela um só aspecto de natureza criminal, de maneira que se a lei americana considera crime o mesmo fato é problema deles. Cuspir no chão, a mulher descobrir o tornozelo ou os cabelos também pode dar cadeia em certos paises. Mas, até aí, é só não ir lá. Aliás, é de se duvidar que Bruna fosse presa se voltasse para os EUA, já que osuposto “sequestro” de nacional brasileiro (!) só teria acontecido depois, no Brasil, de modo que falar em crime perante a lei americana é pura estultice. É como condená-la por dirigir embriagada em New Jersey, quando na data do fato ela estava no Rio! - Seja como for, a “lei internacional” que interessa ao caso diz o seguinte em seu art.12: “A autoridade judicial ou administrativa respectiva, mesmo após expirado o período de 1 ano referido no parágrafo anterior, deverá ordenar o retorno da criança, SALVO QUANDO FOR PROVADO que a criança já se encontra integrada no seu novo meio ... Mais adiante, art.13: “A autoridade judicial ou administrativa pode TAMBÉM PODE RECUSAR-SE a ordenar o retorno da criança se verificar que esta se opõe a ele e que a criança atingiu já idade e grau de maturidade tais que seja apropriado levar em consideração as suas opiniões sobre o assunto.”- Conclusão: ligeiramente irrelevante é o “seqüestro” referido na CH/80.
Clayton Sales , Campo Grande-MS - Jornalista e professor
Enviado em 4/1/2010 às 12:55:56
"Cafetinagem jornalística"....não poderia haver expressão melhor para definir o que a NBC fez. Excelente artigo.
CLAUDIO Vigas , salvador-BA - eletrotecnico
Enviado em 3/1/2010 às 23:19:48
tudo bem... e, sobre a lambança do Boris Casoy, no caso dos garis?
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 3/1/2010 às 21:53:11
De acordo com a lei americana (The Hague Convention on the Civil Aspects of International Parental Child Abduction, done at The Hague on October 25, 1980.) a mãe do garoto cometeu "International parental kidnapping", crime que dá não mais que 3 anos de prisão. Titulo 18, Parte 1, Capitulo 55, artigo 1204. Assim, a opinião de qualquer um de nós é irrelevante.
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 3/1/2010 às 19:48:54
"Quando a autorização de viagem venceu, no dia 18 de julho, configurou-se o que a legislação internacional qualifica como sequestro civil de menor."
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 3/1/2010 às 00:54:09
Sr. Carlos: Tenho a mesma dúvida, pois a expressão contida na CH/80 evidentemente não tem nada a ver com o crime (hediondo) de seqüestro previsto na lei penal brasileira. A Convenção de Haia fala em “abduction” e a tradução para rapto talvez não ficasse muito melhor, mas ao menos ficaria longe de uma figura criminosa, já que não existe mais o crime de rapto no Código Penal. Deveriam ter usado tradução menos pesada, pra não dizer menos equivocada, tipo “remoção unilateral e indevida de criança” ou “exercício arbitrário do pátrio poder”. Seja como for, "abduction" está mais pra rapto, enquanto seqüestro está mais para “kidnapping” - Em outro artigo aqui do OI, “Caso Sean2”, a articulista critica a mídia americana, dizendo que eles trataram os brasileiros o tempo todo como seqüestradores. No entanto - e sem entrar no mérito da questão - o que é que a incompetente mídia brasileira fez no sentido de esclarecer que a adjetivação dos gringos deveria ser entendida em termos, e que o “seqüestro” de mentirinha previsto na CH/80 não é absoluto, não se aplica sem mais nem menos, até porque se o fato tiver ocorrido há mais de um ano e a criança estiver adaptada ao país para onde foi levada (ou se tiver condições de se expressar, dizendo se prefere ir ou ficar), nesses casos a vontade e o bem-estar da criança falarão mais alto, podendo o país membro se desobrigar de entregá-la ?!?
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 2/1/2010 às 20:10:39
Pai é pai, disto não resta a menor dúvida. Mas sempre aparece alguém colocando o emocional acima da lei. Para resolver esses casos como o de Sean, criou-se uma lei internacional. E graças a Deus resolveu-se o caso dentro do direito, apesar das "midiatices" de ambos os lados. Agora, tenho cá minhas dúvidas se é possível uma mãe sequestrar o próprio filho. Se sequestro houve, [ ]
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 1/1/2010 às 21:47:07
Zé da Silva, concordar comigo é fácil, é só largar a mania "coitadista".
Zé da Silva Brasileiro , Belo Horizonte-MG - Bancário Aposentado
Enviado em 1/1/2010 às 15:53:21
Nunca imaginei que pudesse um dia concordar com o Felipe Faria...Apenas destaco o fato de que a inocente criança, o seu pai, parentes paternos e maternos, enfim, todos os envolvidos, sairam perdendo com a morosidade da justiça brasileira. Em circunstâncias iguais a justiça americana teria resolvido o caso em no máximo seis meses.
Odracir Silva , Sao Paulo-SP - pesq. cientifico/n.c.
Enviado em 31/12/2009 às 20:03:03
Caro Carlos Alexandre Aguiar, veja melhor a historia recente. Haa um precedente famoso nos EUA, o caso do menino Elian. Ele e sua mae estavam num barco clandestino, indo de Cuba p/ a Florida. A mae morreu, e a familia da avoo quis ficar c/ a guarda do filho. O pai pediu q devolvessem o Elian Gonzalez p/ a sua guarda em Cuba, o q o gov. Clinton o fez (invadindo a casa dos familiares maternos na Florida). Uma ultima nota, isso ocorreu antes das eleicoes presidenciais entre o Bush e o Gore. A Florida era um dos "swing states" q determinaram a vitoria do Bush no colegio eleitoral.
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 31/12/2009 às 17:42:55
(1) Como não é a primeira vez que surgem referências ao caso de Elian González peço licença para dar um pitaco e tentar demonstrar o quanto um caso é diferente do outro. A mãe e o menino eram cubanos. (Sean, além da nacionalidade americana, também foi registrado no consulado brasileiro em NY e entrou legalmente no Brasil junto com a mãe brasileira). Certo dia a mãe de Elian se separou do marido em Cuba e resolveu fugir de barco para os EUA, levando o filho. Perto de Fort Lauderdale o barco virou, a mãe e outras pessoas morreram, mas Elian e alguns se salvaram e foram recolhidos pela patrulha marítima norte-americana. Atribuírem a um menino de 5 anos o status de refugiado ou perseguido político não era possível, e deportá-lo sumariamente - como a situação objetivamente impunha - sem perda de tempo e demais formalidades, era um baita desperdício, na medida em que o acontecimento se revelava como um prato cheio para o governo americano tirar proveito político. Afinal, nada pior para Fidel do que mostrarem ao mundo (como de fato aconteceu na ocasião) os dramas dos fugitivos do regime, de maneira que acabaram entregando o Elian, “por razões humanitárias”, e em que pese ele estar ilegalmente nos EUA, aos tios, gente muito popular, residentes na ultra direitista “Little Havana”, bairro de refugiados cubanos em Miami.
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 31/12/2009 às 17:41:59
(2) Começa, então, uma disputa que na verdade nem sequer deveria ter começado, já que o menino - tendo entrado ilegalmente nos EUA - deveria ter sido deportado de imediato, sem delongas e milongas, sem necessidade de apelo à Convenção de Haia de 1980, da qual nem sei dizer se Cuba é signatária. Enfim... Seja como for, diferentemente do caso Sean a devolução de Elian se resumia num mero ato administrativo da emigração norte-americana (tal qual devolvemos os boxeadores cubanos depois que eles abriram mão de asilo político e se mancaram que era melhor puxar o carro de volta pra ilha), mas ainda tem gente que diz que a justiça americana agiu com presteza, determinado que Elian fosse devolvido ao pai em apenas seis meses! Oras, não era para demorar 72 horas e demorou seis meses para darem cumprimento a um mero ato administrativo, e isso depois de muita passeata, muito carnaval nas ruas de Miami, muita fotografia, muita exposição do menino Elian no mundo inteiro. Por essas e por outras é absolutamente injusto dizer que a justiça brasileira agiu com lentidão. Quer dizer, agiu, sim, enquanto Bruna Bianchi viveu e o assunto tramitou na Justiça Estadual do Rio, área de enorme influencia e poder dos Lins e Silva.
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 31/12/2009 às 17:41:14
(3) Com a morte de Bruna configurou-se mais do que nunca a situação de seqüestro, de maneira que em setembro de 2008 a União requereu a busca e apressão de Sean com a finalidade de dar cumprimento à Convenção de Haia de 1980, passando o assunto, então, para o âmbito da Justiça Federal. A sentença de primeira instância foi passada em 01.06.09 e confirmação dela se deu por acórdão unânime do TFR da 2a. Região em 16.12.2009, transcorrendo, portanto, pouco mais de um ano do início do processo até o momento em que Sean foi entregue ao pai. É verdade que, por pouco, muito pouco mesmo, o Min. Marco Aurélio Collor de Mello não bota tudo a perder, mas em boa hora o super-ministro Gilmar Dantas entrou em ação e despachou o guri para as bandas de Tio Sam, ao lado do seu american dad.
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 31/12/2009 às 16:27:53
CGF, o caso aqui se configura não como lucro "consumista", mas como indenização por prejuízo provocado.
C. Guilherme Fraenkel , rio de janeiro-RJ - Analista de sistemas
Enviado em 31/12/2009 às 14:52:38
A cada dia fico mais impressionado com esta movimentação consumista que está abocanhando a integridade e a ética. Tudo tem que ser motivo para ganhar dinheiro, mesmo que o lucro se baseie na exploração de crianças. Me pergunto como deverá estar se sentindo esta criança. Como se sentirá no futuro. Quais os frutos desta disputa para a sua formação enquanto membro ativo da sociedade
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 31/12/2009 às 14:35:26
Alexandre, talvez você seja preconceituoso em relação as minhas idéias, mas certamente concordaria com as ideias do Schwartzman, (Pensata, Folha de São Paulo) . .então leia: . A fim de dar materialidade ao que estou dizendo, tomemos alguns casos recentes. No mais rumoroso deles, o do pequeno Sean Goldman, agora com 9 anos, a coisa ganha ares de surrealismo. Até que o garoto entrou no Brasil de forma legal, no longínquo ano de 2004. Ele chegou com a mãe para passar duas semanas de férias e tinha a autorização do pai para tanto. Só que Bruna Bianchi decidiu não retornar. Quando a autorização de viagem venceu, no dia 18 de julho, configurou-se o que a legislação internacional qualifica como sequestro civil de menor. Se Bruna queria separar-se do marido e ficar com o garoto, teria de resolver a pendência numa Corte de Nova Jersey, que era onde a família mantinha residência. O Brasil, como signatário da Convenção de Haia de 1980, convertida em norma interna pelo decreto 3.413/2000, tinha a obrigação, nos termos dos artigos 7, 10 e 11 do diploma, de tomar as providências para que o garoto retornasse o mais rapidamente possível. A regra vale tanto para as autoridades administrativas como judiciais.
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 31/12/2009 às 14:31:52
Alexandre, a minha lógica é da lei, a mesma lei que trará filhos brasileiros no exterior, de volta a esse país. Ou a lei que fez com que o governo americano entregasse o menino cubano a seu pai que permanecia então em Cuba. Tenho certeza que quando você se acalmar e começar a usar as células cinzentas do encéfalo vai concordar comigo. É uma questão de tempo. Porém, cabe lembrar que para certas pessoas nem o tempo adianta, será seu caso?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 31/12/2009 às 12:55:48
Felipe Faria, tais declarações vindas de você já não surpreendem. Acompanho as suas intervenções neste OI há muito tempo. Se a história fosse ao contrário, se fossem famílias americanas na situação da brasileira, garanto e aposto que você diria que o pai brasileiro estaria errado. Como o pai é americano, aí ele é quem tem razão. A sua lógica é a lógica americana e não a da razão. Mude-se para os EUA, Faça um favor a você (e a nós mesmos), já que os defende tanto. Freud nem isso explica.
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 31/12/2009 às 11:15:06
Quinhentos mil reais é pouco tendo em vista o que a familia materna e o padrasto fizeram como pai da criança, privando o do convívio com lo próprio filho num verdadeiro sequestro. Mais revoltado ainda fico ao saber de detalhes como a tentativa de adotar o garoto (como se não tivesse pai) e apagar dos registros civis a existência deste. São atos prepotentes, autoritários, sem amparo na lei que apenas com exércitos de advogados influentes poderiam ter curso. Me espanta ler comnentaristas desse espaço em geral associados a causas "progressistas" repentinamente se associarem ao que há de mais horroroso> A turma do "você sabe com quem está falando?". Sugiro que a indenização suba a 1.000.000 de dólares.
Daniela Prado , São Paulo-SP - professora
Enviado em 31/12/2009 às 10:03:27
Dines, eu gosto de vc, mas dizer que se "está criando um clima que tornará impossível uma existência normal para o garoto", desculpe, mas já acho exagero. Com dinheiro, tudo se resolve. Eu é que não supero a pobreza humana. Feliz 2010!
Victor  Chiari , Sao Paulo-SP - economista
Enviado em 31/12/2009 às 02:47:34
Incrível a capacidade atual em se politizar ou partidarizar uma questão simples, mas que envolveu uma família rica e poderosa. Pauta boa será verificar as mães brasileiras que estão com filhos no Líbano ou na Síria, por exemplo. Países que não assinaram a Convenção de Haia. Hoje, no JN o apelo a avó, ao Presidente foi patético. O que o governo americano fez foi pouco, do que poderia ter agido com denúncia formal em Haia. Para que não reste dúvida da razão de David Goldman mudem o nome de David Goldman para Luiz Inácio da Silva, operário de São Bernardo casado com Bruna e com um filho chamado João Bianchi Silva. Ela viaja ao Rio, conhece um rico advogado e liga para a fábrica em São Bernardo avisando que o casamento acabou. O divórcio foi amigável e Luiz Silva concordou que a guarda ficasse com a mãe no Rio. Bem, Bruna morre. De quem será a guarda?? Tal como no caso David, tanto ele como Luiz são pais e, o advogado carioca no máximo padrasto. Não existe pai biológico ou pai adotivo nessa história.
Edmilson Fidelis , BH-MG - Analista de Sistemas
Enviado em 30/12/2009 às 23:57:51
Se foi comprovado e decidido que o americano tem direito à guarda do filho e dela foi privado, mais que lógico que peça ressarcimento pelo trabalho e despesas que teve em recupera-la. Nós, brasileiros em geral, temos a péssima mania de abrir mão de nossos direitos. Alguns até advogam que se abdique do direito de paternidade em prol de algum mais abonado. Que provem que ele não teve gasto algum e se livrem da indenização. Por vias das dúvidas, melhor tentar trazer a causa para o foro brasileiro. Tem também a perda moral e psicológica. Cabe também indenização. Ou será que o canal de TV pagou isto também? Se sim, provem também e aguardem a sentença.
José Paulo Badaró , São Paulo-SP - desempregado
Enviado em 30/12/2009 às 20:38:57
Tenho um palpite sobre a evolução desse caso e espero francamente estar equivocado. Daqui em diante os avós maternos e ex-padrasto vão jogar todo eventual insucesso que experimentarem nos tribunais brasileiros e americanos nas costas do governo Lula, argumentando que não receberam o mesmo apoio que o governo Obama deu ao David e que não foram devidamente assistidos pelo Itamaraty. Até ai me parece favas contadas, mas ainda vou mais longe... Se isso acontecer, a exemplo da NBC a Globo vai entrar na jogada, tomar as dores escancaradamente da família brasileira, não por nada, mas para juntos desgastarem, até não mais poderem, o presidente Lula e a Ministra Dilma. Em outras palavras, a lambança maior da mídia ainda está por vir: vão vestir mais uma vez a camisa da Seleção Brasileira no menino, ainda que ele não arrede pé dos EUA, e desfilar com o petiz na marra, mais uma vez, só que desta feita na frente da embaixada do DEM, PSDB, Estadão, Folha, Veja, etc..É esperar para ver.
Victor  Chiari , Sao Paulo-SP - economista
Enviado em 30/12/2009 às 19:49:59
Prezado Dines, o mais importante é que o Brasil deixou de cumprir o tratado de Haia e, com isso colocou em perigo quase cem crianças brasileiras que estão sendo reclamadas no exterior, sendo onze delas nos EUA em base na convenção assinada pelo país. Tecnicamente, Bruna Bianchi Goldman cometeu um sequestro, não pela lei americana, mas pela brasileira; O drama de S. foi muito discutido, mas há outros mais sérios como aqueles no Líbano e Síria e, também no Japão. Ao invés de aumentar ainda mais o narcisismo de Lins e Silva, seria melhor que o Fantástico fosse atrás de caso em situação muito ruim. Há dois sérios de crianças brasileiras no Líbano. Por incrível que pareça, a secretaria de direitos humanos tem acompanhado muito bem os casos e, trafefa dentro da linha da diplomacia, sem arroubos ridículos como aqueles da brasileira Paula na Suíca. Finalmente, uma matéria para daqui dez anos: o que aconteceu com S. cercado de dois pais narcisistas e egocentricos. Espero ve-lo comandando uma ONG com recursos americanos para custear bolsas de estudos no Rio de Janeiro. Go ahead S.!!!
Juliana Abrao , Belo Horizonte-MG - engenheira
Enviado em 30/12/2009 às 18:07:50
a NBC foi a unica emissora de televisao que se interessou pelo caso e deu total apoio ao pai David, o problema e que tem muita gente no Brasil que pegou o bonde andando nao sabe nada do caso e fica dando opiniao. A emissora nao esta sendo agressiva e sim mostranto a adaptacao do menino que esta sendo muito boa dentro das circuntancias e o mal que a familia ( a avo) causou. Mas la ela ira dar de cara com a porta, que falta de respeito desfilarem com o menino na frente do consulado so isso ela quase ja perdeu o direito a visitas por la, ela vai ter que provar muito bem as intencoes dela e eh justo que eels paguem todas as despesas legais do pai da crianca.
Herman Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 30/12/2009 às 12:56:06
Que o lado humano e psicológico desta questão jamais deveria ter sido esquecido não há a menor dúvida. Ocorre que a triste e dura realidade nem sempre se molda aos nossos desejos, de modo que a pergunta que se impõe é se o Sr. David Goldman, em nome de um suposto bem-estar do menino ao lado do padrasto e da avó deveria abdicar para todo o sempre do seu legítimo (pra não dizer natural), direito de reaver o filho. Deveria? – Não custa lembrar que, após a morte de Bruna Bianchi, o Dr. João Paulo Lins e Silva pleiteou e obteve liminarmente a posse e a guarda do garoto, num pedido de reconhecimento de “paternidade afetiva” onde, dentre outras, requereu a alteração do registro de nascimento de Sean Richard Goldman para que dele fossem excluídos não só o nome do pai mas, também, dos avós paternos! O Sr. David Goldman e família, em nome do suposto bem-estar de Sean deveriam, realmente, apagá-lo definitivamente da memória?! Ou, por outra, deveria David Goldman abrir mão da própria dignidade, desistindo de toda e qualquer medida judicial destinada a reaver o filho, em troca de uma humilhante e minguada concessão para visitar o menino esporadicamente, tal qual consta da sentença ter sido proposto a ele ?!? Poesia é bom e eu gosto, mas não é à-toa que na República de Platão os poetas foram deixados de lado.
Fabio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 30/12/2009 às 09:24:55
Quanto vale um menino? Para o pai de Sean Bianchi Goldman o garoto vale os 500 mil dólares que ele pretende receber da família brasileira. Pobre garoto! Disputado não pelo que é (um ser humano) mas pelo que representa (lucros, exposição na mídia, etc...). A tragédia de Sean Bianchi Goldman me faz lembrar aquele garoto do filme Alemanha Ano Zero. Desesperado, o personagem procura recuperar a humanidade suicidando-se. A unica coisa que podemos fazer é esperar que, neste caso, a vida não imite a arte.
Alexandra Garcia , São Paulo-SP - Professora
Enviado em 30/12/2009 às 00:56:08
Talvez o caso Sean caia um pouco no esquecimento ainda neste mês de janeiro, pois hoje, 29.12.09, dois dos filhos adotivos da dona grupo midiatico mais importante da Argentina, Ernestina de Noble, dona do El Clarin, se submeteram a um exame de DNA para que se determine se por acaso não seriam eles filhos de pessoas desaparecidas durante os anos de chumbo. Há, no entender da organização “Avós da Plaza de Mayo”, detentora de um robusto banco de dados de padrões genéticos, mais do que simples indícios de que se tratam, efetivamente, de pessoas nessas condições. Se forem o bicho vai pegar, e desta vez não vai adiantar botar a culpa na Lei de Médios ou nos Kirchners ...
Felipe Faria , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 29/12/2009 às 20:52:50
Que loucura. O garoto foi sequestrado pela avó materna com a cumplicidade do padastro e a tchurma quer o quê? Que o crime seja ignorado? A familia da mãe que se prepare para pagar a gigante conta jurídica que será cobrada na justiça pelo pai (o único) do garoto. O Vanuchi deu declarações apoiando o ato do STF.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 29/12/2009 às 19:52:29
O episódio do "Caso Sean" contém um sem-número de fatos lamentáveis que começam na prepotência da família Lins e Silva, passam pelo súbito interesse do pai americano e desembocam na cobertura inadequada da imprensa - tanto a brasileira quanto a americana. Em primeiro lugar esta era uma questão de foro privado, não tinha porque o governo brasileiro se envolver. A menos que se estivesse cometendo alguma injustiça indizível que eventualmente estivesse subjugando a soberania brasileira, o que definitivamente não era o caso. Findo o circo armado pelos Lins e Silva, pelo pai americano e a inoportuna (ou seria oportuna?) espetacularização de ambas as mídias, daqui e de lá, resta torcer para que o menino supere o episódio e seja feliz nos EUA. Se não for, daqui uns anos ele voltará por conta própria - sem intervenção governamental, sem abuso de poder e sem apelação pública.
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 29/12/2009 às 15:52:09
Aleluia! Seja bem-vindo ao mundo da realidade! Pelo menos no que diz respeito à imprensa e o papel dos Ribeiro e Lins e Silva a crítica está nos conformes. Quando refletir mais um pouco ou tiver contato com a sentença da 16a. Vara da Justiça Federal no Rio, com o parecer do Ministério Pùblico e com o laudo-pericial psicológico elaborado em função do processo vai entender tudinho e concluir o quanto foi injusta e equivocada a sua crítica em relação à suposta frieza dos aplicadores da lei.
Leonardo Koblitz , Rio de Janeiro-RJ - engenheiro
Enviado em 29/12/2009 às 15:36:58
Talvez por inocência ou por oportunismo a mídia passou a designar o pai do menino Sean como o pai biológico, expressão esta que é utilizada em outros contextos. Assim, na cabeça das pessoas o padrasto passa a ser o pai verdadeiro e o outro apenas um pai omisso que espera obter alguma vantagem. Pior, quando vemos que o cumprimento de um tratado internacional depende de quem está no momento na presidência do Supremo e não no respeito da lei propriamente dita.
José Albino , São Paulo-SP - Engo.
Enviado em 29/12/2009 às 15:03:43
Caro Dines: Naturalidade, liberdade, antes elogiáveis, agora tornaram-se motivo de crítica. Você escreveu, em 06/03/2009 – “E porque razão a mídia americana trata o assunto com toda a "naturalidade" e a mídia brasileira o colocou no index de assuntos proibidos? Simplesmente porque o padrasto do menino pertence à aristocracia advocatícia do Rio de Janeiro, onde tem um dos maiores escritórios de especializado em direito de família. Mais adiante, “os legítimos apelos de um pai biológico americano são simplesmente erradicados do noticiário... porque o padrasto é brasileiro.” Parecia dizer que a midia americana estava certa e a brasileira estava dormindo no pomto ao não divulgar. Também, você escreveu, em 10/03/2009 – “Enquanto a imprensa americana trata o assunto com toda a "liberdade", nossa mídia está manietada por uma decisão judicial da 2ª Vara da Infância e Adolescência que, além de manter o caso sob o segredo de justiça, o que seria compreensível, proíbe qualquer referência a ele.” É "natural" que a NBC tenha a "liberdade" de noticiar e dê a visibilidade que quer ao caso. Foi um excesso de exposição, um pecado, concordo, mas quem garante que daqui a alguns anos o filho poderá entender que , não fosse o apoio ( até financeiro) da NBC, ele não poderia viver com o pai novamente? É complicado, viu! Do nosso lado, a imprensa brasileira pecou pela omissão.
Lee  Santos , Piracicaba-SP - Projetista
Enviado em 29/12/2009 às 14:54:28
Não sei não, Dines, mas tenho comigo a impressão que a conta dos gastos na Disneylândia também está correndo por conta da NBC. Ademais, qual é a ocupação do sr. David?porque a de modelo atualmente, não dá mais.Do que ele vive, afinal?
jairo bottacini  Ribeiro , são paulo-SP - revisor
Enviado em 29/12/2009 às 14:14:02
Essa história da NBC tem um paralelo na mídia brasileiro. Nos anos 70/80, a Globo pagou o jatinho para trazer de volta ao Brasil o ladrão Ronaldo Biggs. Consultem os arquivos. Nada há de novidade nessa história.
Odracir Silva , Sao Paulo-SP - pesq. cientifico/n.c.
Enviado em 29/12/2009 às 13:37:22
A analise do caro Dimes pode estar atee correta. Porem, nao sei o q o pai do garoto faria... o padastro e sua a familia influente estavam confiantes q o gov. brasileiro ajudaria. A unica chance do pai era ter um parceiro forte tb, a midia americana, no caso a NBC. Dai o gov. americano se "sensibilizou" (ie. como bom oportunista, viu uma chance de ganhar uns pontos c/ o publico americano). Alias, acho q a familia do padastro e a avo soo desistiram qdo a AGU tb foi contra o habeas corpus dado pelo ministro Marcos Aurelio Mello. Dai eles perceberam q o governo federal os deixou na mao tambem.
Eduardo  Alex , Vila Velha-ES - Servidor público
Enviado em 29/12/2009 às 13:15:03
Parece que a cobertura do caso Sean foi para coroar o ano - mais um - da opção pelo espetáculo da mídia. Seja o bizarro, o drama, a morte, tudo torna-se um circo - não raro, de horrores - nas mãos da mídia. E o sensacionalismo não se restringe ao âmbito nacional. Se continuar assim, chegaremos ao espaço transmitindo bizarrices, transformando dramas em show e apelando à mais vulgar espetacularização. O ser humano só interessa como consumidor do lixo. Nada mais. Que em 2010 os profissionais da imprensa possam repensar o seu papel e, quem sabe, esboçar uma nova direção para o exerício da notícia, mais lúcida e menos espetaculosa.
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 29/12/2009 às 12:45:31
Pai adotivo? O menino foi adotado? Incrível...
Edmilson Fidelis , BH-MG - Analista de Sistemas
Enviado em 29/12/2009 às 11:47:36
O pai americano se valeu do poder da midia para ter o filho de volta. O "pai brasileiro" se valeu do poder da toga tentar manter o "filho". Cada um usa o que tem ou o que pode. Se as situações fossem invertidas, o espetáculo seria o mesmo porém com menor duração. A especialidade dos americanos são os filmes, a nossa são as longas e chatas telenovelas.
angelo azevedo queiroz , brasília-DF - funcionário público
Enviado em 29/12/2009 às 11:40:59
Agradeço ao Dines a indicação da matéria da Piauí. Apesar de leitor da revista, não sou assíduo e não tinha conhecimento dessa excelente matéria.. No texto anterior de Dines sobre o tema, fiz vários comentários criticando a falta de curiosidade da imprensa sobre os caminhos tortuosos do processo. A matéria da Piauí, naturalmente, é uma grata exceção. Lendo os detalhes apurados pela revista fiquei horrorizado, enojado. Continuo a entender que o Judiciário tornou-se, paradoxalmente, um adversário das leis e da sociedade. Um monstro a devorar impunemente o estado de direito.
Raimundo  Portela , Rio de Janeiro-RJ - Técnico em Eletrônica
Enviado em 29/12/2009 às 11:25:49
Caro Dines, boas festas. Sem dúvidas o caso Sean foi um sequestro publicitário da NBC, autorizado pelo Sr. Gilmar Mendes, sem o mínimo cuidado na preservação dos direito elementares da criança, que deveria ser ouvida. Naquele ambiente Sean não vale nada, é apenas um produto do capital a ser explorado indefinidamente pela rede de tv americana e seu pai o intrumento de controle a ser utilizado. Enganaram a criança, de forma escandalosa, levando-o direto a um parque de diversão, nada menos que o berço da enrolação capitalista que a Disney.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 29/12/2009 às 10:09:07
Na fogueira das vaidades e nas exacerbações de egos, o que menos importou foi a condição do menino. Ninguém perguntou a ele se estava tudo bem. Ele foi uma ferramenta, um instrumentos para que todos nessa história pudessem exalar seus egoismos e suas mazelas existenciais e o usassem como um troféu numa luta de box indecorosa. Cadê aqueles parvos, indecentes defensores de uma moral tosca quando se arvoraram pela causa da menina Maisa? Estão recolhidos nos porões da trivialidade? Sequestraram um menino e todo mundo ganhou "algum" com isso.
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