ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 571 - 5/1/2010
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CASO BORIS CASOY
O destino acerta suas contas

Por Celso Lungaretti em 5/1/2010

Na manhã de segunda-feira (4/1), as dezenas de postagens no YouTube referentes aos comentários que o apresentador Boris Casoy inadvertidamente fez sobre os garis no Jornal da Band já haviam sido vistas quase 1,2 milhão de vezes. A mais assistida estava na casa de 850 mil hits.

Se alguém ainda não sabe, o noticioso levou ao ar saudações de Ano Novo de dois simpáticos garis: um senhor branco já com cabelos brancos e um negro na faixa de 40 anos. Causaram ótima impressão, com seu ar digno e uma alegria que não parecia forçada. Depois, enquanto eram exibidas vinhetas, ouviu-se a voz de Casoy no fundo, comentando com a equipe:

"Que merda! Dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras... dois lixeiros... o mais baixo da escala de trabalho!"

No dia seguinte Casoy pediu "profundas desculpas aos garis e aos telespetadores da Band" pelo que escutaram em razão de um "vazamento de áudio" (na verdade, só ouviram isso porque ele disse...). Fê-lo, entretanto, de maneira burocrática e pouco convincente, não aparentando estar nem um pouco arrependido do desprezo aristocrático que manifestou pelos trabalhadores humildes. As postagens relativas no YouTube não somavam hoje nem 100 mil exibições.

Lembrei-me da rainha Maria Antonieta recomendando aos pobres que, se não tinham pães, que comessem bolos. Perdeu a cabeça. Casoy teve mais sorte, só quebrou a cara...

Fiquei matutando sobre o destino e seus contrapesos. Às vezes a mesma pessoa é brindada com a sorte grande num momento e tira o azar grande adiante. Ou vice-versa.

Casoy é elitista, racista, conservador e reacionário desde muito cedo. Um velho companheiro que com ele cursou Direito no Mackenzie me contou: aos 23 anos, Casoy era um dos líderes da ala jovem do Comando de Caça aos Comunistas, que tinha nessa faculdade um de seus focos principais.

Mais: nos idos de 1964, Casoy chegou a ser citado em reportagem da revista Cruzeiro como membro destacado da juventude anticomunista.

A quartelada o beneficiou, claro: foi homem de imprensa de um ministro do governo Médici e do secretário da Agricultura de São, Herbert Levy, outra figurinha carimbada da direita. Mas, nem tinha texto de qualidade superior, nem era uma figura agradável na telinha, portanto estava direcionado para uma carreira mediana no jornalismo, não fosse uma moeda que caiu em pé.

Sete anos

Isto aconteceu quando o comando do II Exército aproveitou uma frase imprudente do cronista Lourenço Diaféria (sobre mendigos urinarem na estátua de Caxias) para intervir na Folha de S.Paulo.

Os militares exigiram a destituição do diretor de redação Cláudio Abramo (trotskista histórico), o afastamento de alguns profissionais (demitidos ou realocados) e o abrandamento da linha editorial.

O proprietário Octávio Frias de Oliveira, que sempre se definiu como comerciante e não jornalista, negociou. Servil, aceitou até substituir Abramo por um homem de absoluta confiança do regime militar: Casoy, que editava a coluna "Painel" (sobre os bastidores políticos), então um espaço dos mais secundários no jornal.

Igualmente secundário era Casoy para os leitores da Folha e para os próprios militantes/simpatizantes da esquerda. Suas posições fascistóides eram ignoradas pela maioria.

Aí, como diretor de Redação, calhou de ser ele o principal defensor do jornal num episódio de reação à censura. Ou seja, sob palco iluminado, o lobo teve seu momento de cordeiro, o caçador de comunistas maquilou sua imagem para a de defensor da liberdade de expressão.

Sua carreira deslanchou. Depois de comandar a redação da Folha por sete anos (saiu para dar lugar ao filho do patrão), voltou a editar a coluna "Painel", cuja importância crescera nesse ínterim. Finalmente, tornou-se conhecido pelo grande público como apresentador do Telejornal Brasil, do SBT, entre 1988 e 1997.

Justiça divina

Novamente os fados o bafejaram. Numa emissora que investia pouco em jornalismo e não tinha reportagens para mostrar que, quantitativa e qualitativamente, chegassem nem perto das exibidas pela Rede Globo, o jeito foi deixar crescer o espaço do apresentador.

Casoy pôde, assim, atuar como um âncora à moda dos EUA, fazendo comentários catárticos sobre episódios de corrupção política (principalmente) que eram concluídos com um ou outro de seus bordões habituais: "Isto é uma vergonha!" é "É preciso passar o Brasil a limpo!".

Ou seja, para telespectadores da classe "C" e "D", ele passou a personificar o justiceiro que atirava a verdade na cara dos poderosos. É um público que, em sua ingenuidade, valoriza desmesuradamente essa justiça retórica e ilusória, sem perceber que, depois do desabafo, continua tudo na mesma...

Assim, por novo golpe do destino, um comunicador azedo conquistou a simpatia dos pobres e dos muito pobres, ao expressar seu inconformismo impotente face às agruras que os atingem e eles são incapazes de compreender em toda sua extensão.

É fácil canalizar seu justo ressentimento contra os políticos desonestos. Tanto quanto é conveniente, para os poderosos, mantê-los na ignorância de que o maior vilão em suas sofridas existências atende pelo nome de capitalismo.

Servindo tão bem os interesses do sistema, Casoy atravessou as duas últimas décadas como um aclamado populista televisivo de direita.

Só teve alguns percalços ao exagerar na dose contra o governo Lula, mas seus pés de barro continuaram, tanto quanto possível, ignorados pelo grande público. Agora, um acaso revelou ao Brasil inteiro que indivíduo insensível e preconceituoso é, na verdade, Boris Casoy.

Alguns viram este episódio como um exemplo da justiça divina em ação. Quem sabe?

Comentários (54)
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Celso Lungaretti , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 9/1/2010 às 11:04:12
O blogue "Cloaca News" localizou e reproduziu a reportagem da revista "O Cruzeiro" em que Boris Casoy foi relacionado entre os principais integrantes do CCC. A bem da verdade, fiando-me na memória do amigo que me informara a este respeito, eu cometi um erro quanto à data: a matéria, na verdade, saiu em novembro de 1968, com o título de"O comando do terror" - vide http://cloacanews.blogspot.com/2010/01/exclusivo-boris-casoy-e-o-comando-do.html). Felizmente, foi essa a única imprecisão. Eis o trecho referente ao Casoy: “Boris Cazoy ou Kassoy estuda Direito. Locutor da Rádio Eldorado. Conclamou os alunos do Mackenzie a tomar a USP, de cuja invasão participou. Anda armado mas, segundo os colegas, é incapaz de atirar em alguém. Mora na Rua Itapeva. Acham-no mole com os comunistas”.
Maria Aparecida Silva , SP-SP - Gari
Enviado em 8/1/2010 às 14:41:10
Hoje minha profissão é GARI, em solidariedade aos guerreiros apedrejados, por palavras grotescas e preconceituosas, que repudio. A Band cansou de fazer editoriais contra as cotas para alunos negros de escolas públicas afirmando que estimulariam o ódio racial, pois bem imaginem se eles querem os filhos daqueles trabalhadores garis estudando? Falam de ódio num debate onde se busca justiça social, integração, oportunidades iguais, educação, o ódio que dizem temer é o de quem foi do CCC, de quem não se sensibilizou nunca com o sofrimento de centenas de brasileiros que sofreram os horrores da ditadura e sofrem com a desigualdade que se mantém e lucram com a miséria.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 8/1/2010 às 03:15:06
Herman, não piore as coisas. Ninguém disse que Einstein não sabia que a bomba seria usada. O que ele também sabia é que se a energia atômica fosse utilizada a tempo por Hitler, nem eu nem você estaríamos aqui para contar a História - de vencedores ou de perdedores. Em 1938 os alemães Fritz Strassmann, Lise Meitner e Otto Hahn já tinham descoberto um meio de provocar a fissão nuclear (exatamente como Frederick Soddy e Ernest Rutherford haviam previsto em 1903), basicamente só faltava concentrar isso em um único artefato passível de transporte e lançamento - uma "bomba", no caso. Outro senão era a quantidade de energia necessária para produzir o efeito visto em Hiroshima, cuja composição deveria ter urânio 235 enriquecido a pelo menos 80, coisa que a Alemanha AINDA não tinha como. Os alemães, que tinham largado na frente na manipulação do átomo, só chegaram atrás porque Einstein alertou que era iminente uma bomba alemã. De resto eu lamento profundamente que você atribua a "judeus radicados nos EUA" responsabilidade por fatos retratados por historiadores do mundo inteiro, inclusive por alemães e italianos (ou seja: não apenas pelos "vencedores" como você afirma). Mas esta suposta culpabilidade imposta aos judeus talvez situe e planifique o seu intento de tentar reescrever a História. Afinal foram os judeus beligerantes que inventaram o Holocausto e tudo o que se seguiu depois...
Elenice Nice , SP-SP - Professora
Enviado em 7/1/2010 às 22:29:14
"Somos o que Fomos". Obrigada Celo Lungaretti por excelente matéria, a democracia brasileira precisa conhecer determinadas figuras que estão na TV em redações de jornais, na política e fingem ser o que não são além de não permditirem a modernidade do país e pregarem a intolerância, o ódio, a divisão social e racial entre os brasileiros. Para estes senhores os pobres, os trabalhadores brasileiros simples não são nadas, nã tem alam, não tem sentimentos. Um homem que se julga superior ao outro e externa este pensamento tem a certeza de sua impunidade e de proteção de seu "grupo social."
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 7/1/2010 às 18:38:21
História contada pelos vencedores da guerra??? Prefiro usar a inteligência, o bom senso, o raciocínio lógico e um mínimo de discernimento. Ninguém, em sã e perfeita consciência, inventa uma arma, desenvolve ou colabora no projeto de uma bomba, arma química, napalm, etc, imaginando que isso não será usado. Não dá para acreditar, como nas história de Dow Brown, que uma criatura dotada de inteligência acima do normal viesse a cair num engodo desses. Os crápulas foram mesmo é absolvidos por uma história ridiculamente mal contada, isto é, a dos vencedores da guerra, em boa parte contada por judeus radicados nos EUA, os mesmos que até hoje dominam a indústria bélica no mundo. Durante anos uma geração inteira só ouviu a propaganda de guerra norte-americana (e que era muito fácil de assimilar já que todos odiavam, com razão, os métodos nazistas), de modo que muita gente se deixou influenciar pela música, cinema, hábitos, trejeitos, alimentação, tudo, e nessa ambientação nossos pais passaram batidos com o que de fato aconteceu. Dificil perceber a extensão da covardia, da animalidade que eles praticaram nos últimos dias da guerra, de modo que os iníquos e apocalípticos inventando de um lado, covardes e animalescos de outro lado ceifando vidas de inocentes, saíram-se todos limpos e imaculados do episódio. Uns como grandes cientistas da humanidade; outros como grandes chefes de estado.
neila cruz , goiania-GO - gastronoma
Enviado em 7/1/2010 às 16:20:21
Adorei, vce tirou a mascara desse ser preoconceituoso e metido, me sinto vingada depois de ler esta materia. neila
Rodrigo  Arboés , São Paulo-SP - Estudante de Jornalismo
Enviado em 7/1/2010 às 03:49:13
Sem dúvida uma gafe reveladora, muito importante lembrar a ligação do Boris ClarkSOY com o regime militar. Achei muito bem observado e postado Celso, precisamos de pessoas como você para mostrar quem são os formadores de opinião do nosso país, que, por sinal tem se mostrado o grande reino do "nhê nhê nhê" ... Parece que alguns profissionais de comunicação acham que basta vomitar alguns delírios, ofensas, calúnias para manipular nossa banguela e flagelada classe trabalhadora e sofredora. As pessoas entram em ecstasy assistindo mulheres fruta, músicas "riquíssimas" em conteúdo, e, na hora que alguém aconselha um programa mais sério, jornalístico, elas se deparam com essas opções da tv aberta como o nosso ilustre ClarkSOY ... Pensava: "Poxa, legal ele ter um programa na Band, apesar das histórias que eu conheço do Boris, é um profissional que tem uma bagagem..." Não achava o programa dele ruim, apesar das frases feitas "Isto é uma vergonha!" e blá blá blá ... Mas depois dessa... Só lamentos.
ubiratan dantas , Campinas-SP - chargista
Enviado em 6/1/2010 às 23:26:40
(continuando) Gostaria de recorrer ao Ministério das Comunicações, no sentido de fazer algo na defesa dos trabalhadores da limpeza pública e da informação limpa deste país. Não podemos aceitar esse tipo de sujeira jornalísitca em nossos lares. Este sr promove a discriminação de um ser humano pelo outro. Isto é inadmissível. Se tivesse vergonha na cara, boris casoy pediria demissão e sairia da vida pública. Como ele não tem, peço à emissora que o demita por justa causa. Já há na internet uma campanha de boicote à Bandeirantes. Garanto que isso só irá crescer. O ódio que boris casoy gerou é muito grande. E eu, como cidadão, estou indignado com tamanho desprezo que este sr. boris casoy tem pelos mais humildes. ISTO É UMA VERGONHA!
Wanderley Lemes , Porto Alegre-RS - Servidor Público
Enviado em 6/1/2010 às 23:21:26
Algumas considerações sobre algumas defesas do âncora: Já havia esquecido do CCC, lembro quando era menino dessas letras pichadas nos muros...só algum tempo depois vim a entender;agora descubro que Boris tem mais essa no seu currículo, CCC que (hoje) lembra CQC, também não tinha graça nenhuma, não entendo como essa lembrança pode provocar risos em alguém... Outra, a luta de classes não acabou, sujeitos como o Boris não deixam acabar. Mais uma...pra quem acha que BC sofre um linchamento despropositado, lembrem-se: A grande mídia, popularmente conhecida como PIG e tão bem representada por esse senhor , usa e abusa de ataques pessoais do mais baixo nível (acho que não preciso lembrar, não é?); então deixem seguirmos o linchamento, afinal foi ele que pediu...rsrsrsrs Além disso,concluindo, ele nem deve ter-se arrependido, deve estar muito magoado com os técnicos que propiciaram o flagrante.Todo castigo pro cínico é pouco...
Bira Dantas , Campinas-SP - chargista
Enviado em 6/1/2010 às 23:20:05
MINHA CARTA À BAND Ao ministro das comunicações, Hélio Costa, à omduswoman da Band, Rosana, à direção Comercial da Band, ao Observatório de Imprensa, ao Sindicato dos Jornalistas: Enviado por Bira Dantas Chargista e jornalista Campinas SP Gostaria de enviar à emissora Bandeirantes meu mais sincero protesto contra a figura de boris casoy, que só depõe contra a imagem desta emissora. boris casoy demonstrou que além de ser preconceituoso e arrogante, é hipócrita ao soltar seu conhecido e manjado bordão "Isto é uma vergonha". Ele não tem estrutura moral para criticar quem quer que seja. A partir do último fim de semana, não assisto mais aos programas da Band em protesto veemente quanto aos impropérios deste sr. que se dá ao direito de xingar os garis. Os pedidos de desculpa desse sr não serão aceitos nunca, pois ele não se incomoda em pensar isso dos lixeiros, só se arrependeu de o fazer publicamente. Gostaria de recorrer ao Ministério das Comunicações, no sentido de fazer algo na defesa dos trabalhadores da limpeza pública e da informação limpa deste país. Não podemos aceitar esse tipo de sujeira jornalísitca em nossos lares. Este sr promove a discriminação de um ser humano pelo outro. Isto é inadmissível. Se tivesse vergonha na cara, boris casoy pediria demissão e sairia da vida pública. Como ele não tem, peço à emissora que o demita por justa causa.
celso massao , sao paulo-SP - bancario
Enviado em 6/1/2010 às 23:00:58
E o pior é que tem supostos jornalistas como Sr. Fábio Pannunzio em seu blog fazendo um esforço extraordinário para tentar dar outra interpretação às palavras do Sr. Casoy . Em seu grotesco esforço para defender seu colega ele até alega que os críticos do Casoy fazem cyberbullying e que são neonazistas porque o ofendem [ ]. Acho que uma minoria até faz isso, mas a grande maioria está simplesmente indignida com o desrespeito e desprezo com que ele tratou dois seres humanos. Acho que ele tá fazendo todo este esforço pra justificar a decisão de seus patrões em manter este "jornalista" no ar. Vale a pena recordar o caso do Jorge Kajuru. Ele era jornalista esportivo desta emissora e teve a ousadia de criticar o governador de Minas, Aécio Neves. Por causa disto, ele foi sumariamente demitido. Uma lição pra não se esquecer: na Band, falar preconceituosa e zombeteiramente sobre os lixeiros está liberado, mas criticar um poderoso político que conta com a simpatia da família Saad, tá na rua!
Dayse Betania  Silva , São Paulo-SP - Securitária
Enviado em 6/1/2010 às 22:27:50
É...é como está na Bíblia: "a boca fala daquilo que o coração está cheio...".
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 6/1/2010 às 21:37:23
Celso Lungaretti, parabéns pelo texto que enquadra brilhantemente personagens e fatos. Enquanto muitos observadores silenciam, outros (poucos) prestam relevante serviço à sociedade reavivando nossa memória. Eis, pois, a diferença entre jornalistas e “jornalistas”.
Robson Oliveira , Campinas-SP - empresário
Enviado em 6/1/2010 às 21:04:08
Em momentos que o povo tem pedras nas mãos, sempre se encontram personagens mais fáceis de se atingir. Isso geralmente serve como manobra de distração. Já que não podemos atingir quem realmente é mais danoso, e se esconde sob a capa da impunidade, nada mais natural do que acertar o [ ] que resolveu oferecer o nariz na hora errada!
Celso Lungaretti , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 6/1/2010 às 20:49:12
Atribuem-me revanchismo, por trazer ao debate sobre a ofensa aos garis informações complementares que comprovam não ter sido apenas um mau momento do Casoy, mas sim aexpressão fiel de sua ideologia. Contudo, os leitores podem perceber que, embora o episódio tenha despertado reação violentíssima na Internet, a grande imprensa lhe dedicou pouquíssimo espaço. Até por ser campeão de hits no YouTube, mereceria destaque aproximado do que recebeu o pornô praieiro da ex do Ronaldo. Ou seja, a reação da grande imprensa a este episódio foi corporativa, como corporativa seria se a procurássemos para revelar as peripécias do Casoy como quadro do CCC. Os jornalões publicam até ficha falsa de personagens de esquerda, mas zelam como mastins pelo esquecimento das passagens condenáveis de direitistas. Essa tendenciosidade acaba nos impossibilitando de tornar conhecidas de contingentes mais amplos muitas outras verdades prejudiciais aos interesses dominantes. Os senhores da mídia não deixam. E, mesmo na internet, os assuntos só repercutem intensamente quando se formam ondas como a atual. Sem isto, quantos se interessariam pela denúncia de que Casoy pertenceu ao CCC e pode ter sido mandante de agressões covardes contra seus desafetos da Hebraica? Daí eu ter citado a justiça divina. Pois, só mesmo Deus para nos dar chance de equilibrar esse jogo de cartas marcadas...
rita scaramuzzi , marilia-SP - comerciante
Enviado em 6/1/2010 às 20:14:32
acho que o pessoal da band não se incomoda com isso... eu acredito que muitos jornalistas da casa tenham um pensamento parecido ao do jornalista boris casoy...
Schabib Hany , Corumbá-MS - Professor, tradutor e revisor de textos
Enviado em 6/1/2010 às 19:51:47
Parabéns, Celso, pelas oportunas e justas palavras contidas em seu artigo iluminado. Você soube expressar brilhantemente a indignação de cidadãos que assistiram ao triunfo da mediocridade e da delação no seio das redações, ao extremo a que se chegou nestes nada generosos dias, sobretudo para os dignos trabalhadores da imprensa. Além de servir de um devido tributo à memória de jornalistas da dimensão humana de Cláudio Abramo, Tarso de Castro, Perseu Abramo e tantos outros companheiros humilhados quando não torturados com a conivência de serviçais como o bizarro Casoy. Por favor, continue escrevendo sobre esse período nefasto que ainda repercute na vida das pessoas, mas que as novas gerações ainda não tomaram conhecimento do tamanho da perversidade desses gendarmes mascarados de jornalistas -- como ficou evidente no comentário da sindicalista Sandra do Recife, para quem as pessoas que no Brasil tinham a coragem e a consciência política de comungar ideais socialistas, a despeito dos riscos que corriam, não fossem dignas de respeito: talvez ela não saiba que a origem dos sindicatos está intimamente ligada à militância "de esquerda" que tanto abomina, além do que, os primeiros dirigentes socialistas eram sim da classe trabalhadora, basta recorrer a qualquer livro de história honesto (inclusive os socialistas pioneiros do Recife antes do trabalhismo getulista).
Wallace Capucho Cardoso , Vitória-ES - Jornalista
Enviado em 6/1/2010 às 18:43:46
"Isto é uma vergonha"
Isabel Silva , São Paulo-SP - professora
Enviado em 6/1/2010 às 18:39:27
Inaceitável o preconceito demonstrado por Boris Casoy. Foi um jornalista favorável à ditadura e dizem que, até, membro do ccc. Como âncora de telejornais, sempre fez críticas seletivas, reservando aos partidos que não gosta, palavras rancorosas que não ficam bem a um profissional de comunicação. O microfone aberto não foi culpado... só fez cair a máscara.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 6/1/2010 às 18:12:37
Herman Fulfaro, você pode não gostar de Einstein, ou até mesmo culpá-lo diretamente pela invenção da bomba atômica, mas não pode ser incorreto com a História. Einstein saiu da Alemanha contratado pelo governo americano porque sabia que seria forçado a trabalhar para o regime nazista, ainda mais sendo de origem judia. Einstein foi para os EUA, mas praticamente todos os seus colegas - que trabalhavam há anos em cima da aceleração de partículas - ficaram na Alemanha. Estes logo se viram na condição que Einstein antevera: subjugados por Hitler. Einstein sabia melhor do que ninguém que seus ex-colegas alemães estavam a um passo da construção da bomba atômica (que, diga-se, havia sido prevista já em 1903 por Rutherford e Soddy), por isso concordou em assinar a famosa carta a Roosevelt (que teria sido escrita por Leo Szilard e que acabou resultando no Projeto Manhattan). Evidente que ninguém gostaria que as bombas um dia fossem jogadas sobre Hiroshima, Nagasaki ou qualquer outro lugar (muito menos Einstein, que era notadamente um pacificista: odiava guerras, sua única devoção era traduzir o universo), mas você é capaz de vislumbrar o que teria ocorrido se Adolf Hitler tivesse acesso a este artefato primeiro? Penso que foi uma ironia extremamente infeliz da sua parte, Herman, mas vou conceder como mero desconhecimento histórico. Ou apenas implicância com a pessoa errada.
Daniela Souza de Jesus , Belo Horizonte-MG - Estudante de Jornalismo
Enviado em 6/1/2010 às 17:58:56
Celso, fico pensando em quantos apresentadores devem fazer o mesmo. O papel do jornalista além do famoso "informar" é tomar um certo partido para a justiça. Pessoas humildes vêem esse jornal da Band e com certeza devem ter se enfurecido por essa falsidade toda, que durante tantos anos enganou a qualquer um que assistia esse jornalista. Eu mesma apreciava os comentários que antes eram mais inteligentes, hoje em dia está mais sem emoção. O gari é um trabalhador como qualquer outro. Será que ele fala mal de bandido também? Acho que não, Até porque ele deve ter seus contatos. Boris Casoy é a vergonha em pessoa.
Etiene Egg , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 6/1/2010 às 17:44:57
Registro aqui o meu repúdio ao dito pelo já rechaçado Casoy. Apesar de absurdo, o comentário "in off" que se tornou "on" ativa em mim outra indignação: não podemos ser hipócritas ao ponto de apontar o dedo para esse episódio e esquecer que nós, os demais cidadãos que nos indignamos com isso, também não respeitamos no dia-a-dia o trabalho desses e de tantos outros brasileiros "menos favorecidos". Jogamos lixo pela janela de nossos carros e sujamos o local que os garia acabaram de limpar, por exemplo. Essa é, então, apenas mais uma demosntração de que nossa educação - aqui digo daquela que vem de berço - deve ser direcionada para corrigir esses erros de declarações e ações do dia-a-dia. Vale ressaltar que considero nojenta a declaração do "jornaelitista" em rede nacional, mas aproveito o momento para olhar para o meu umbigo também e perceber que existem várias formas de ser preconceituoso com uma classe. Essa é apenas uma delas.
Ivan Berger , Santos-SP - jornalista
Enviado em 6/1/2010 às 17:28:02
Vou acrescentar mais uma frase feita ao linchamento que Boris Casoy vem sofrendo por conta de seu infeliz comentário : um erro não justifica outro. Ou seja, por mais que ele tenha errado e merecido o repúdio geral, aproveitar a ocasião para ataques pessoais e profissionais que cheiram a bronca pessoal - afinal,todo mundo sabe do esquerdismo cavernal professado pelo articulista - me parece de um oportunismo não menos execrável. O que está em questão não é a ideologia, a suposta simpatia ou mesmo ligação de Casoy com a ditadura, e muito menos questionar sua bem-sucedida trajetória na imprensa,em função de um episódio isolado. Quem nunca disse uma frase infeliz e até mesmo preconceituosa na vida ? E se Casoy foi mesmo anticomunista ferrenho,qual o problema ? Eu mesmo nunca senti a menor simpatia por esse regimes fechados e sanguinários de esquerda,que ainda animam alguns a alimentar esse revanchismo hipócrita que veio a reboque do lulo-petismo. É claro que Casoy errou feio,talvez querendo fazer graça com uma cena meio patética, mas Lula não ficou muito longe disso naquela comparação de dos porcos,que alguém lembrou aí, mas é a tal coisa, como está na chamada crista da onda,todo mundo acha graça.Até sendo chamado de porco.
Filipe  Faleiro Machado , Passo do Sobrado-RS - jornalista
Enviado em 6/1/2010 às 17:05:39
Celso, realmente a máscara caiu... Boris Casoy demonstrou a todo Brasil todo seu desrespeito com as classes menos abastadas. Eu, no alto dos meus 26 anos, realmente não tinha ideia do verdadeiro Boris.
Alexandre Sztyber , Campo Largo-PR - Desenhista-Mecânico
Enviado em 6/1/2010 às 16:54:26
Eu que me sinto incomodado com as incitações que nosso presidente faz entre as diferenças das classes, que chamam de pobrismo, o pobre muito bom e o rico muito mau, espero não perder a conscientização daqueles mais relutantes a deixarem este preconceito de lado. Pena ter ocorrido isso. Acredito sermos um país preconceituoso, muitas vezes velado, em outras nem tanto, mas acho que isso só vai fomentar aquela mania torpe que o presidente tem ao dividir as classes. Muito triste. A sorte que nosso presidente tem é que isso não é crime - ninguém levanta a bandeira do "deixa disso" ou do mal que dividir a nação traz. Não estou querendo defender o Casóy ou quem quer que seja, mas é a maneira que eu tenho recebido informações sobre preconceito pela mídia. Uma coisa que reforça esta minha visão é que não acredito que somos tão puros assim que nunca tenhamos feito algum comentário ou piada de mau gosto, preconceituosos, que mereceriam censura ou advertência. Me parece que é mais a questão pessoal e que todos querem aproveitar o momento de tirar uma lasquinha do ocaso. Eu até duvido que seja intervenção divina, pois muita gente mereceria castigo e saí santo. Todos nós perdemos com isso, seja com o Lula, seja com o Casóy, mas também temos uma grande chance de aprender. Nunca vi a ética e as relações interpessoais tão deterioradas como agora.
lusia stanger , paranavai-PR - assistente administrativa
Enviado em 6/1/2010 às 16:41:50
Depois desta "ação divina" que derrubou a mascara do Boris, o que será que conteceu com a pessoa ou pessoas que não desligaram o microfone? será que receberam um um aumento, por merecimento? ou....
Sandra  Barros , Recife-PE - Sindicalista
Enviado em 6/1/2010 às 16:30:49
A demonstração de preconceito do Casoy foi repugnante. Agora qnto a ele ser anticomunista, vejo isso como uma grande qualidade. Comunismo é lixo. Só parte de nossa imprensa que nao vê e insiste em seu jornalismo esquerdista panfletário. Me mostrem em que país comunista houve liberdade de imprensa? Agora engraçado msmo deviam ser os comunistas do Mckenzie.... filhinhos de papai ricaços, com sobrenomes quatrocentões posando de rebeldes...hahaha! Alias isso é típico dos nossos comunistas; a maioria nem passou perto da classe trabalhadora. E os que passaram, como o Lula, assim que descobriram o comunismo pararam de trabalhar correndo.
alfredo sternheim , são paulo-SP - jornalista-cienasta
Enviado em 6/1/2010 às 16:10:10
Celso, teu artigo é esclarecedor quando a biografia do até então popular Boris. Apenas, sinto um tom de raiva, justa em relação aos fatos relatados e vivenciados alguns por você. Mas talvez execssiva. Durante o governo Itamar, meu irmão, que morreu no último dia 28, foi detido por pertencer e liderar no Paraná um movimento abertamente separatista. Soube pela TV e discordei da idéia. Mas o telejornal do SBT depois expor imagens de sua detenção, terminou com Biros em close virando-se para a câmera e dizendo com sarcasmo: "Que burro." Não pude protestar, não havia internet; Boris não debatia com idéias divergentes: avacalhava, desrespeitava, ofendia, bradava como fez há pouco com Lula por usar em público a palavra m... O que me choca é que, apesar de tantas evidências da arrogância de direita de Boris, ele nunca foi desmascarado, sempre o respeitaram e olhavam feio para quem, como eu, falasse mal dele, do seu jornalismo ofensivo. Bastou um delize técnico e finalmente se fez justiça que, pode ser divina. Agora, todos sabem como Boris é preconceituoso, arrogante e mentiroso. Explorou no seu programa as imagens amáveis dos garis e depois, pisou em cima de uma maneira burra. Garis são essenciais, mais que jornalistas, para o funcionamento de uma cidade. O seu comentário, infeliz, ofende os garis e envergonha o jornalismo e a Band, se continuar mantendo-o.
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 6/1/2010 às 15:53:32
"Nós também não fazemos distinção de que partido é o prefeito ou o governador. Seja de qualquer partido, se ele for governador ou prefeito e seu povo precisa, a gente tem mais que obrigação de fazer. Não se pode deixar de dar comida para um porco porque não gosta do dono do porco" LULLA (Cadê o protestos?)
Renan ribeiro , natal-RN - prof ufrn
Enviado em 6/1/2010 às 14:58:37

sugiro tb repercutir no OI o magnifico texto do Washington Araujo postado hoje na cartaMaior. O meliante midiatico morre pela boca. Valeu Celso!

 

Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 6/1/2010 às 14:20:40
Se fizeram alguma pergunta ao Einstein e ele no momento não quis responder, vai ver foi quando perguntaram a ele o que ele tinha dentro da cabeça ao aconselhar o Roosevelt a desenvolver a bomba atômica rapidamente, sabendo que ela não seria guardada dentro de um armário no Pentágono, mas poderia ser utilizada um pouco mais adiante em Hiroshima e Nagasaki, matando perto 300 mil inocentes, todos civis, velhos, mulheres e crianças.
Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 6/1/2010 às 14:01:30
A grosseira demonstração de superioridade (racial, moral, financeira, cultural, genética, estética o que seja) de Boris Casoy me fez lembrar o episódio do Juiz do Trabalho que impediu um trabalhador rural de entrar na audiência só porque ele não estava usando sapatos: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=439CID001 A ética do Casoy parece similar a daquele Juiz e tem dois postulados principais: 1- A CULPA DA MISÉRIA É SEMPRE E EXCLUSIVAMENTE DO MISERÁVEL! 2- SÃO OS MISERÁVEIS QUE ESTRAGAM O NOSSO MUNDO!
Mario T. D. Gagliardi , São Paulo-SP - Jornalista/Publicitário
Enviado em 6/1/2010 às 14:01:11
Raramente uma máxima cai tão bem em um caso como a que diz que UM DIA É DA CAÇA E OUTRO DO CAÇADOR , há dezenas de motivos ideológicos para se estar na direita ou esquerda, mas Casoy sempre escolheu o motivo mais torpe, se achar melhor que qualquer outro. Nem mesmo Flaquer (um dos líderes do CCC) gostava dele, há muitos anos ele me falou que o Casoy era um puxa-saco e um hipócrita. Ideologias a parte, Celso Lungaretti escreveu um texto absolutamente coerente com quem é o senhor Boris Casoy. E não importa se Casoy falou em off. Quem é ele para colocar uma categoria profissional em uma escala pessoal de importância e a julgar inferior a todas as outras? Quem tem dúvida sobre a escala que um GARI ocupa na sociedade veja como Nápoles ficou sem eles. O Brasil pode viver sem a presença de Boris Casoy com sua vaidade e auto-importância exagerada, tanto nas telas de TV como nas redações, mas não vive sem os ANÔNIMOS GARIS e seu trabalho essencial.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 6/1/2010 às 13:59:13
O OI não está e nunca esteve acima da crítica, José Albino. Você é absolutamente livre, por exemplo, para escrever um artigo aqui fazendo a crítica que gostaria que Dines (ou qualquer outro editor/colaborador deste Observatório) fizesse. Basta enviar para canaldoleitor@ig.com.br com seus dados de identificação. Restringindo-se à imprensa, não contendo termos ofensivos e observando as regras ortográficas, seguramente o artigo será publicado na próxima edição (renovada todas as terças-feiras). Todo artigo bem escrito e restrito à finalidade do OI é bem-vindo. Até porque o Observatório da Imprensa não é do Dines ou de uma classe: é de todos que querem uma imprensa melhor. Só o que não dá para fazer é esperar que Alberto Dines comente tudo o que gostaríamos que ele comentasse.
Jose Albino , Sao Paulo-SP - Engo.
Enviado em 6/1/2010 às 12:30:10
Ok, Marcelo, reescrevo o texto retirando a menção e analogia à entidade classista OAB. Usei-a por absoluta falta de analogia referencial. Fica reescrito assim: “O jornalismo esta sempre sujeito à crítica. O OI , concebido como referência à critica do jornalismo, congrega opiniões relativas ao jornalismo e à informação contida nos meios. Assim sendo, posiciona-se em relação ao jornalismo como um referencial ético e crítico. Mas o OI não esta acima da crítica. A palavra “Observatório” tem quase que um sinônimo de “vigilância sanitária” dos esgotos no qual parte da imprensa brasileira se encontra mergulhada. Assim, cobrar manifestação editorial sobre o caso Casoy está longe de querer demolir o OI, muito pelo contrário, surge como expectativa natural de quem ainda encontra neste espaço uma grandiosa referência crítica. Cobrar manifestação editorial aqui deve ser entendido como uma chamada ao encorajamento de manifestações compatíveis com o propósito deste observatório. Somente isto. E que o destino acerte sempre suas contas”.
George Martins , João Pessoa-PB - Radialista
Enviado em 6/1/2010 às 12:24:48
É assim que roda a roda da imprensa. Atrelada ao grande capital e, quando nao, a grupos políticos de direita. ISSO é uma vergonha http://cidadaosilva.blogspot.com
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 6/1/2010 às 12:09:02
José Albino, perdão, você está fazendo uma analogia absolutamente descabida. O OI jamais se assemelhou à OAB ou qualquer outra entidade classista. Aliás isso é perceptível até pela essência que motivou este projeto: justamente a crítica da imprensa - incessante, indiscriminada e, por vezes, impiedosa (exatamente como deve ser). Desde quando OAB (ou CRM, ou CREA) fazem crítica aberta aos seus pares? Quando o embrião do OI foi montado dentro do Labjor (Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo) da Unicamp, em 1996, não havia nenhuma intenção das pessoas que conduziram este projeto em promover alguma espécie de blindagem a jornalistas (como ocorre nas entidades de classe), antes pelo contrário. Felizmente para quem idealizou o OI, existe a plena convicção de que a única forma efetiva de se melhorar uma profissão é identificando, depurando e debatendo publicamente sua mecânica e a conduta dos seus profissionais. O OI não é um ninho de jornalistas se protegendo mutuamente, ao contrário das entidades citadas. O OI não tem vinculação classista e tampouco partidária. A confusão que ocorre é que por ser um fórum livre eventualmente este sítio abriga artigos de pessoas que não entenderam profundamente a essência do projeto ou que eventualmente se deixam levar por questões partidárias e/ou classistas. Mas são colaboradores eventuais. Talvez seja o ônus da democracia. Indispensável.
Silvério Cardoso  Corrêa , Juiz de Fora-MG - Advogado
Enviado em 6/1/2010 às 11:16:54
Não foi apenas um ato falho, foi um deboche de menosprezo pela categoria que mais se sacrifica para manter a cidade limpa e a desse cidadão. Ouçam varias vezes a gravação e verão que não foi uma mera falha e sim um ato de humilhação para com o ser humano.
odilon ramos , rio de janeiro-RJ - advogado
Enviado em 6/1/2010 às 10:57:42
A repulsiva figura do Casoy, notória "viúva" do FHC conseguiu extrapolar o limite do razoável com o comentário que vazou. Mas uma coisa é certa: 99,99% da população brasileira não trocaria um gari pelo Casoy. Em nenhuma circunstância. Rede Band, por favor, tirem essa múmia do ar ou não contarão nunca mais com a minha audiência.
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 6/1/2010 às 10:46:12
Sem dúvida um dos artigos mais repulsivos e asquerosos que tive o desprazer de ler no OI., do mesmo defensor do criminoso Batisti (Max)
José  Albino , São Paulo-SP - Engo.
Enviado em 6/1/2010 às 10:46:06
O jornalismo esta sempre sujeito à crítica. O OI , concebido como referência à critica do jornalismo, congrega opiniões relativas ao jornalismo e à informação contida nos meios. Assim sendo, posiciona-se em relação ao jornalismo quase como a OAB para as questões relativas ao exercício do direito, guardadas as proporções e responsabilidades do que o OI e a OAB representam para a cidadania em geral. Mas nem a OAB nem o OI estão acima da crítica. A palavra “Observatório” tem quase que um sinônimo de “vigilância sanitária” dos esgotos no qual parte da imprensa brasileira se encontra mergulhada. Assim, cobrar manifestação editorial sobre o caso Casoy está longe de querer demolir o OI, muito pelo contrário, surge como expectativa natural de quem ainda encontra neste espaço uma grandiosa referência crítica. Cobrar manifestação editorial aqui deve ser entendido como uma chamada ao encorajamento de manifestações compatíveis com o propósito deste observatório. Somente isto. E que o destino acerte sempre suas contas.
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 6/1/2010 às 02:42:33
(concluindo) Ou seja: se nem o maior gênio que a humanidade já conheceu teceu considerações quando não as julgou oportunas ou apropriadas, ou quando não se julgou devidamente preparado para tal, por que se exige este rigor de Alberto Dines (ou de Luiz Egypto, ou de outras pessoas que fazem este Observatório), como se ele(s) tivesse(m) que ter respostas para tudo? Eu diria até que lendo outros artigos que já foram publicados neste sítio em edições passadas, pelas mãos de outros autores, às vezes é melhor ficar calado do que argumentar bobagens ou travestir opinião pessoal sob o manto de supostos cientificismos. O Observatório da Imprensa é um patrimônio da sociedade civil, ainda que eu não concorde com a opinião de todos os articulistas e eventualmente discorde até mesmo de Dines. Mas daí a soterrar o projeto em função da ausência de opinião de alguém acerca de um assunto específico já é demais. Isso não é compatível com a trajetória do OI - uma trajetória que eu acompanho desde 1998, guardando com orgulho algumas das saudosas versões impressas que recebia pelo correio contendo um resumo daquilo que via na tv. O OI não é infalível e é natural que passe por transformações, mas quem tem interesse na IMPRENSA (no correto exercício jornalístico) deve se esforçar para contribuir com quem criou este canal e não para dar razão às Vejas, Folhas e Globos da vida. Pau aqui, moral lá...
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 6/1/2010 às 02:01:21
Não há muito mais o que dizer sobre o episódio em si. Ou eu não sei dizer mais do que já disse aqui: http://3.ly/casoy De qualquer forma Lungaretti contribuiu contextualizando a trajetória de Boris Casoy, para que se entenda que não existe casualidade no fato. Na falta de espaço mais adequado, gostaria de abordar um outro tipo de crítica que tem se feito presente ultimamente neste Observatório e que se refere à teórica ausência de Alberto Dines em certas pautas. É evidente que até mesmo eu gostaria de ouvir a manifestação de Dines em todos assuntos, no meu caso específico porque ele é a maior referência que tenho em termos de jornalismo. Porém é preciso entender que Dines definitivamente não tem esta obrigação, frente ao que ele faz e já fez no comando deste projeto. Acho que já contei esta história no OI, todavia é oportuno repetir para que certas pessoas compreendam algumas coisas: uma vez Albert Einstein estava em um congresso sobre Física e dada altura do evento, no meio de uma discussão acalourada, resolveram perguntar ao gênio alemão o que ele achava do assunto em pauta. Einstein se levantou, falou "Desculpem-me, não tenho nada a dizer sobre isso" e se sentou. Diante da perplexidade geral, Einstein se levantou novamente e retificou: "Mas, no caso de ter algo a dizer, prometo fazê-lo assim que possível". Meses depois, em outro evento, ele pediu a palavra e se manifestou.
Luiz Lopes , Curitiba-PR - Administrador
Enviado em 6/1/2010 às 00:12:50
Obrigado Celso Lungaretti. Seu texto é elucidador. Tivesse eu conhecimento dessa triste biografia de CCCasoy não teria perdido meu tempo assistindo-o, ainda que por segundos apenas. Band e Band News nunca mais aqui em casa ou no carro. Agora já estou também desconfiado das outras múmias dessa Rede, (Elas estão também em outras redes, revistas semanais e Jornalões) Vou procurar ser mais setivo com essas figuras que se acham.... Feliz 2.010 à você e aos amigos democráticos desse espaço.
Herman  Fulfaro , Sorocaba-SP - taxidermista
Enviado em 5/1/2010 às 20:59:07
Perfeito! Demorou, mas a máscara do seu Boris caiu. Aliás, não sei de onde a Bandeirantes tirou a péssima idéia de ir buscar esse senhor, que depois da Record foi parar, se não me engano, na Rede Vida. Que dizer, tiraram-no do ostracismo, de um canal que dá traço de audiência para fazer dele o àncora principal da Band, cuja credibilidade e imparcialidade ele acaba de jogar definitivamente no lixo. Bom! Para um egresso do Estadão como o Mitre talvez o caso não tenha muita importância. Até serve para marcar a posição da Band como elite rural juramentada e de carteirinha.
Nelson Ricardo  Mantovani , Taubaté-SP - Professor
Enviado em 5/1/2010 às 20:33:58
Não se espera de um jornalista, em quaisquer lugares ou quaisquer circunstâncias, manifestações da ordem a que Bóris Casoy explicitou. É justo não tolerar o que ocorreu. Todos sabemos que a transmissão de programas de TV dependem de gerenciamento impecável, por isso mesmo não correr o risco de perder credibilidade e audiência. É na falha da defesa que um goleiro toma um gol. É na falha do piloto que um avião cai. É na falha de um médico que o paciente morre. Do engenheiro, que o edifício desaba. Da justiça, que o bandido é liberto e o inocente é preso. Todas elas falhas trágicas. E não podem ser compreendidas como ocorrências do acaso. Do fatalismo. Há, por todas elas, um responsável. E. no caso de BC, não foi o operador de áudio, que não o desligou. Foi o apresentador, ele mesmo, que falhou. E a tragicidade que ele cometeu foi aviltar um País que tem caminhado firme contra o preconceito, a discriminação e a violência -em suas diversas modalidades. Usar as vassouras dos garis para varrer BC e sua fala debaixo do tapete é o menos sensato. A sujeira tem que aparecer para que os garis a varram junto ao lixo que vai para as caçambas dos caminhões que vão jogá-lo nos aterros sanitários. E quem sabe, um dia, ser reciclados. Porém, há uma saída menos trágica para BC: ser citado por preconceito e discriminação; ou, para ferir-lhe o bolso abarrotado de reais, indenizar os garis.
Lucas Franco , São Paulo-SP - Analista de Comunicação
Enviado em 5/1/2010 às 19:19:14
Casoy é a personificação perfeita do "Made in Brazil. I m so Sorry!". Sabe aquele sujeito que, descontente com sua condição terceiro mundista, cospe na cara dos menos favorecidos na tentativa de negar que é fruto de uma elite usurpadora e intelectualmente fraca? Pois é... isso é uma vergonha!
Ruy Branco , Sorocaba-SP - Freelancer
Enviado em 5/1/2010 às 15:35:30
É... O Homem assim como o peixe, morre pela boca... E, antes tarde do que nunca o "peixão" Casoy morrer por suas próprias palavras...
Wagner Lopes , Bauru-SP - Administrador
Enviado em 5/1/2010 às 15:31:19
Parece mesmo justiça divina. A menos de um mês o Lula disse que iria tirar o povo da merda e provetizou que muitos jornalistas iriam criticá-lo por usar a palavra merda. Não deu outra, o Boris caiu de pau (entre outros). Menos de um mês depois vemos o jornalista usando a mesma palavra para criticar e ironizar uma materia de colegas e tratando os pobres como merda, quero ver a carsa de pau para falar isso é uma vergonha novamente.
Celso Lungaretti , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 5/1/2010 às 14:18:43
Meu caro José Albino, eu concordaria inteiramente consigo se o Casoy tivesse externado aqueles preconceitos em sua intervenção no telejornal. Sendo só um gracejo repulsivo que ele dirigiu à equipe e vazou para o público, compreendo a relutância do Dines. Seria uma quase invasão de privacidade, já que o Casoy não pretendeu soltar essas opiniões no mundo. Eu também relevaria, não fosse a trajetória do Casoy. Para quem lutou contra a ditadura e sofreu nas garras da repressão, o CCC é algo muito sério. Ajudou a derrubar um governo legítimo e tem no seu currículo a vandalização do teatro Ruth Escobar e espancamento dos atores da peça "Roda Viva"; a explosão da bomba no Teatro Opinião do RJ; o seqüestro e assassinato do padre Antonio Pereira Neto no Recife; o assassinato de um secundarista na chamada “guerra da rua Maria Antônia”; a invasão da PUC/SP, com o apoio da Polícia Militar, etc. Quanto ao Casoy, informaram-me (depois de divulgado o artigo) que era malvisto até pela juventude do clube A Hebraica. Alguns frequentadores chegaram a acusá-lo publicamente de "nazista", sendo depois emboscados e espancados, sem que se identificassem os agressores. Então, pelo conjunto da obra do Casoy e como o comentário vazado era coerente com o resto que eu sabia dele, resolvi me manifestar. Mas, não recriminaria o Dines por preferir manter-se afastado deste assunto.
José Albino , São Paulo-SP - Engo.
Enviado em 5/1/2010 às 13:03:06
Caro Celso, peço licença para responder ao Sr L.E. por aqui, pois não vejo outro modo. O que quero salientar é que, da mesma forma como o Sr. Casoy, pretenso e propalado defensor da ética com suas frases “isso é uma vergonha”, teve sua posição ética real revelada em pleno exercício de seu trabalho, por outro lado o Sr Dines ( a quem admiro, deixo claro) defensor da ética jornalística não pode se calar, ainda mais por ocupar a posição que ocupa no OI. Uns se revelam pelas opiniões que exprimem (Casoy), outros podem estar se revelando pelo que omitem, é isso. Simples. Acompanho o OI com muita freqüência para poder opinar livremente (parafraseando alguém...) que , “Quando mais reportagem, melhor. Reportagem é, de fato, um exercício e uma atividade que anda um pouco desleixada na prática jornalística dos cotidianos que a gente conhece.”. Acredito que as reportagens e postagens do OI podem se encaixar na citação também. Mais uma vez, parabéns , Celso. PS: Caro L.E. , gostei de sua entrevista ao Luciano, gostei de sua posição e parabenizo-o sinceramente pela lucidez e clareza em relação ao assunto. Obrigado.
José  soares , Brasília-DF - Serv.Público
Enviado em 5/1/2010 às 12:37:24
Será que a Rede Bandeirantes não está percebendo que esta carnificina, por sinal merecida, que está passando o seu "prestigiado" jornalista não vai afetar logo logo sua audiência ? Vai manter este senhor nos seus quadros até quando ? Quando é para pedir cabeças de políticos ou mesmo atitudes do Governo LULA é tudo muito fácil. E agora Bandeirantes, cadê atitude ?
Isabelle  Rocha , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 5/1/2010 às 12:20:44
Num é que a justiça tarda, mas não falha. Corajosa matéria, e muito esclarecedora e objetiva também, ainda mais pra nós jovens que ficamos perdidos com tanta informação, que a maioria é deturpada.
JoséAlbino , São Paulo-SP - Engo.
Enviado em 5/1/2010 às 11:51:17

Brilhante. Obrigado por sua coragem em abordar o assunto, de forma tão objetiva. Todos os leitores aplaudem, embora o Sr. Luiz Egypto se disponha a dizer ( em resposta à indignação de um leitor) que Dines não é obrigado a comentar sobre um assunto tão relevante. Logo ele, o Dines, que tanto critica a indisfarçável tendenciosidade da imprensa e seletividade de assuntos. Muito obrigado, Celso. Seu artigo contribui para restaurar um pouco da credibilidade crítica que o OI perdeu ao logno do tempo.

Nota do OI: É compreensível que leitores queiram que Alberto Dines comente todos os assuntos relevantes, o denota apreço pelos textos do editor responsável deste Observatório. Em relação à restauração da "credibilidade crítica" do OI, sugiro ao prezado leitor que faça um acompanhamento mais acurado de nossas edições. (L.E.)

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