ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 578 - 23/2/2010
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CUBA, GREVE DE FOME
Quem matou Orlando Zapata?

Por Yoani Sánchez (esp) em 27/2/2010

Reproduzido do El País, 26/2/2010; texto em espanhol

El cuerpo enflaquece, la mente se va y los miembros inferiores comienzan a hincharse. Una huelga de hambre hace que la existencia se escape poco a poco, hasta que se desdibuja el rostro de la madre sentada frente a la cama y pierde fuerza el rayo de luz que entra por la ventana. Durante 86 días Orlando Zapata Tamayo transitó del desconsuelo a la muerte. Se fue apagando, con una voluntad que ha dejado consternados a los amigos y molestos a sus opresores. Acostumbrados a disponer de su cuerpo y del herrumbroso cerrojo de su calabozo, los carceleros sienten ahora que este hombre de 42 años se les ha ido por la única salida que ellos no pueden controlar: la muerte.

Juzgado a la velocidad del vértigo en marzo de 2003, Zapata Tamayo fue víctima de aquel escarmiento – conocido como la Primavera Negra – que el gobierno cubano quiso darle a la oposición. Era fundador del partido Alternativa Republicana y activista frecuente a la hora de demandar la liberación de sus compañeros de causa. Después de su llegada a prisión lo condenaron en nueve juicios sumarios a penas que llegaron hasta los 56 años. Un gesto "magnánimo" los redujo a 25 largos veranos tras las rejas. Todo esto fue dictaminado en tribunales que parecían obedecer más a códigos militares que civiles. Después llegó la soledad de una celda tapiada, los malos tratos, las palizas y con ello terminó la ilusión de que un preso no condenado a muerte tiene derecho a que le respeten la vida.

Terror e abandono

Al cancelarse la visita a Cuba del relator de las Naciones Unidas contra la tortura, terminó para muchos la esperanza de ser rescatados de los malos tratos en los penales. Aprovechándose de su impunidad, los guardas metieron a Orlando en un espacio breve, donde tenía que compartir el suelo con las ratas y las cucarachas. Le gritaban por la rendija de una puerta de hierro que no iba a salirse con la suya, pues en una prisión revolucionaria un preso político equivale a los gorgojos que acompañan –permanentemente – al arroz. Se resistió a ponerse el uniforme de presidiario y eso le trajo otra andanada de golpes y el punzante castigo de reducirle las visitas de sus familiares. Cuando abrieron el sitio donde lo habían enterrado vivo, ya el daño era irreversible y la culpa salpicaba hasta la mismísima silla del actual presidente cubano.

A Zapata Tamayo no lo mató la huelga de hambre, sino el sombrío oficial que lo encerró en aquel hoyo y el director de la prisión Kilo 8 en Camagüey que ordenó su castigo. Contribuyeron también a su deceso las manos enfundadas en guantes de látex que prefirieron mantener el empleo en el hospital antes que denunciar el estado maltrecho al que habían dejado llegar su cuerpo. La máxima responsabilidad de su final la tiene un gobierno que prefirió mostrarse intransigente y enérgico antes que proveerle de ciertas mejorías en su vida carcelaria. Para confirmarnos en esa idea, un día después de ocurrida la muerte, Raúl Castro perdió la oportunidad de acortar la distancia entre lamentar su deceso y pedirles disculpas a sus familiares. Con sus breves palabras exentas de autocrítica, nos corroboró lo que muchos sospechábamos desde el principio, que el general no era ajeno al maltrato, la dejadez y el terror que terminaron con Orlando.

***

Testemunho da mãe de Orlando Zapata Tamayo

Reproduzido do blog Generación Y

  

 

 

 

 

Comentários (22)
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Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 2/3/2010 às 15:45:48
E até então só sabia das tais mães e avós e bisavós é trisavós da praça de Maio Buenos Ayres Argentina!. Não sabia nada da tais "Damas de Branco"!. Damas de Branco de Cuba!.
Eduardo Goulart , Niteroi-RJ - estudante
Enviado em 1/3/2010 às 21:15:56
A despeito dos argumentos dos pró-regime cubano... gostaria que estas pessoas explicassem a mãe de Zapata porque seu filho morreu na prisão por querer simplesmente expressar-se politicamente... assim como gostaria de George Bush explicasse as mães dos prisioneiros mortos em Guantanamo... O problema é que existem pessoas que só enxergam o que pode justificar seus argumentos politico-ideológicos e esquecem de todo o resto... até mesmo de ser humanos...
Hugo Santos , São Paulo-SP - -
Enviado em 1/3/2010 às 20:11:09
Quem Zapata vitimou para que estivesse preso?
Pedro pererira pererirria , Palmas-TO - oleiro
Enviado em 1/3/2010 às 18:35:31
O governo cubano prendeu, bateu, torturou, isolou,retaliou, nao deu tratamento adequado depois da greve de fome,nao se manifestou quando o mundo todo sabia que nada fazem , ou nao dao direito a defsa de seus presos politicos,Ainda mais, prenderam o Zapata como arredio e baderneiro,um individuo que nao tinha a força politica de um mosquito. E tem gente fazendo proselitismo dizendo que quem matou zapata foi o governo americano....Um exercicio de logica alem dos limites do razoavel e uma cegueira ideologica que justifica a morte desde que seja pra fazer omeletes.Realmente essa ausenica de sinapses convergentes so pode estar a serviço da desmoralizaçao de seus proprios principios...Menos camaradas...esse discurso faliu, procurem algo novo pra se sustentar, Ate a yoani que esta dentro da boca do dragao tem um discurso mais sensato.
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 1/3/2010 às 11:59:40
Os assassinos do de Zapata,vivem confortavelmente em Miami. Desfrutam da invisibilidade,de opulentos recursos financeiros e midiáticos, e têm por objetivo,desmoralizar a política de Obama que introduz doses ainda que homeopáticas, de política social e aproximação com os desafetos ideológicos. Esses produzidos artificialmente ,a partir da guerra fria, que conta com simpatizantes e mantenedores agressivos e ativos como demonstram suas denodadas ações:Honduras;Quarta Frota;Multiplicação de bases militares na Colômbia:Fustigação ao governo constitucional da Venezuela;cerco a Obama e sua política social;Quase Intervençaõ no Haiti,fantasiada de socorro;campanha tentando indispor a autoridade do Presidente da República ,na escolha dos aviões que equiparão a FAB. Os EUA, são exímios em orquestração política e o fazem com relativo êxito ,há quase um século.
Miro Junior , Sao Paulo-SP - Analista
Enviado em 1/3/2010 às 10:44:28
Sugiro este comentário do Mauro Santayana: ..http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=19642........"...O regime cubano se renova, na aceitação da atividade política republicana, ou corre o risco de fim melancólico. Mas as suas dificuldades não autorizam aos dirigentes espanhóis e americanos o tom arrogante e imperial em exigir de Havana a liberdade dos presos políticos. Antes disso, que soltem os seus, os muçulmanos que se encontram em Guantánamo, território cubano, e os bascos das prisões espanholas. Como algozes históricos de Cuba, não têm autoridade moral para exprobrar o seu governo. ..."
Cristian Ferreira , Uruguaiana-RS - Operário/Serviços gerais
Enviado em 1/3/2010 às 10:23:31
Lamento profundamente(assim como muitos outros estão lamentando) a morte de Zapata e da forma que foi, mas convenhamos, a morte de Zapata está sendo usada por um sistema político/midiático/ideológico pro USA e seus representantes que compartem da mesma ideia de contar tudo pela metade enganando, manipulando, omitindo os verdadeiros fatos. Todos os dias morrem milhares de pessoas pelo mundo-Iraque, Afeganistão, África, America Latina...- onde não existe tanto alarme, pelos amantes dos DH, como existe agora. Mas claro! é diferente um Zapata morrer em Cuba, Venezuela, Bolivia, Equador... ou até no Brasil mesmo do que em outras partes do mundo!!Morte é morte em qualquer parte do mundo e mais quando se trata de mortes provocadas por fome , torturas, injustiças, atentados, golpes,etc, e os EUA e os seus seguidores são especialistas nisso, inclusive aqui no Brasil temos muitos represantantes dastas políticas DEMOCRÁTICAS. Não sei se vocês sabem mas há um bombardeio midiático 24Hs por parte dos EUA prometendo mundos e fundos para trairem a patria cubana e os anticatristas investem milhões e milhões de dolares para desarticular o governo cubano fora os terroristas( POSADAS CARRILES por ex.) que promove golpes e mortes no nosso continente? quantos zapatas estes terroristas mataram? e quantos levantaram a bandeira dos DH? QUE HIPOCRISIA!!
Miro Junior , Sao Paulo-SP - Analista
Enviado em 1/3/2010 às 09:10:57
Nesta história toda, alguém pode me dizer exatamente porque ele estava preso, quanto tempo, qual sua atuação em Cuba antes da prisão, se ele tem alguma filiação com o contra-revolucionários dos EUA. Em fim alguém pode fazer jornalismo e explicar os fatos em fez de ficar dando somente a sua opinião?
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 28/2/2010 às 13:48:46
Como o companheiro Zapata (o mexicano) foi proscrito pela companheirada (aonde já se viu um companheiro latino-americano fazer uma "revolução proletária" antes do camarada Lênin!), então, deve-se dar "viva Zapata" ao companheiro cubano assassinado pela didatura militar de esquerda (qual a diferença da de direita?) de Cuba!. Viva Zapata (o cubano) em homenagem à companheirada direito-humanista!.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 28/2/2010 às 13:35:21
Houve uma vez aqui no Brasil que um companheiro tentou greve de fome. Acabou premiado com uma Bolsa Ditadura!.
Nei Riberro , São Jose dos Campos-SP - Estudante
Enviado em 28/2/2010 às 13:13:23
É interessante a blindagem que houve por parte da imprensa sobre a viagem de Lula à Cuba no mesmo momento em que morria este preso político , e sua declaração que "não mete o dedo na situação de outro pais" , Lula disse isto poucos dias depois de impor condições à Honduras para fazer parte do grupo do Rio, e quando vivemos ainda a efervescência do PLC122 (PNDH3), que trata sobre um "teorico avanço nos direitos humanos". Sera que os Humanos de Cuba são menos humanos que os brasileiros .
Sandra C M P  Pazzini , Santo André-SP - estudante
Enviado em 28/2/2010 às 10:59:06
Gerson, penso que não se trata aqui de "chorar desesperadamente um morto específico", existem situações que se tornam emblemáticas...Quem consegue esquecer a jovem iraniana morta, Neda Soltani, durante protesto contra os resultados eleitorais no Irã? Em um país fechado como Cuba (e tantos outros) fica muito mais difícil chegar mais próximo à verdade, mas é fundamental que os acontecimentos sejam divulgados. E que cada um use seu filtro pessoal e chegue às suas próprias conclusões.
Gérson Sousa , Recife-PE - Servidor Público
Enviado em 28/2/2010 às 10:51:58
Dr., msm sabendo que nessa guerra tem "livros" pra doce e pra salgado, não é a primeira vez que leio sobre os indicadores (sociais e econômicos) de Batista. De novo, sinceramente, não acredito. Dados como a universalização estão longe demais do período da ditadura (de classe também, mas de outra classe) do Fugêncio remunerado in USA. Não pretendo colocar em questão o nível de democratização (em vários níveis) de uma ou outra sociedade - debate complexo se feito com sinceridade - mas, questionar todos os dados referendados pela ONU (que condenou já o bloqueio dezenas de vezes...), do estágio atual e da evolução, não dá. E outra, os indicadores atuais tem relação estreita com o regime de socialização, que vem garantindo a saúde e educação como direito, não como mercadoria (que, aqui p. ex., nega o direito). Então, Dr. Antônio, acho que ninguém no mundo, incluso Cuba, afirma não haver problemas sérios lá (vi na TV aberta daqui o Presidente deles concordando que não lá não tem a liberdade de expressão que no "Ocidente" reclamam - e a meu ver, hipocritamente), de restrições de liberdades individuais, mas as outras faces dos direitos humanos são atendidos (sei que os D.H. são indivisíveis). É lamentável que seja assim, mas, avaliando a situação toda dum país, dá pra desprezar história, geografia, geopolítica...? Obrigado pela dica do livro (não sei francês) e pelo debate respeitoso.
Antônio Luiz Calmon Teixeira Filho , Salvador-BA - Advogado
Enviado em 28/2/2010 às 10:24:19
Recomendo ao comentarista Gérson Sousa , Recife-PE - Servidor Público a leitura do livro “La lune et le caudillo: Le reve des intellectuels et le regime cubain” de Jeannine Verdes-Leroux. Esclarecerá as mentiras ditas pelo ditador homicida Fidel Castro sobre os índices sociais de Cuba. São fatos, não suposições.
André  Amaral , Vitória-ES - Estudante
Enviado em 28/2/2010 às 10:11:59
Nunca deixo de me espantar com as ginásticas verbais da esquerda para justificar a ditadura de Fidel, Chavéz e outros líderes esquerdistas. Mais triste, lamentável é o nosso presidente Lula, ao ponto de encarar com indiferença a violação em Cuba. Essa é a política externa tão elogiada do Brasil? Política externa na base da amizade com seus colegas esquerdistas.
Douglas  otaviani Tôrres , Belo Horizonte-MG - Tec. Seg. Eletronica
Enviado em 28/2/2010 às 01:44:29
Sou um ser Humano a favor da vida,não sou partidário de nehum regime que não respeita a vida. Mas porque a morte de uma pessoa em Cuba é noticia,causa revolta e comoção ,e o mesmo não ocorre quando os americanos matam crianças no Afeganistão,ou os Israelenses fazem o mesmo na Palestina.Selecionar os mortos por causa de ideologias não é noticia,é propaganda idologica.
Gérson Sousa , Recife-PE - Servidor Público
Enviado em 28/2/2010 às 01:18:39
Siceramente é uma tristeza tudo pq passa o povo cubano e pq passou esse Zapata. Agora, com a msm sinceridade, não acredito de jeito nenhum nessa onda midiática toda. Vejo muito é hipocrisia. Choram desesperadamente um morto específico e não dão a menor bola por dezenas de outros, a depender do país e regime. O objetivo é bem outro, diverso da promoção dos direitos humanos. Não quero concordar com assassinato, que acho não foi o caso com Zapata, mas de quem sequer considera os direitos sociais - que são direitos humanos - direto...é brincadeira ouvir pregação a respeito. Qto à blogueira - mal acompanhada com uns jornalistas brasileiros que no blog aparecem como "amigos da liberdade", sendo exatamente o posto - é muito habilidosa em não adiantar informações e explorar o lado sentimental da coisa. Habilidade, certo. Li que o Zapata nem preso político era, era preso comum. Falta a nossa imprensa mostrar o que, em Cuba, são dissidentes ou descontentes e o que são "vividores", cuja profissão é viver disso: aparecer como dissidentes...remunerados por... O angu tem mais caroço do que mostra Yoani. E a balela sobre liberdade que ouvimos sempre de quem se dedica justamente a impedí-la é revoltante! Qto às fantasias sobre indicadores sociais de Batista, voltemos a falar seriamente. Se a ONU não consegue prestar para outra coisa, pra atestar indicador socia, presta.
Eduardo  Alex , Vila Velha-ES - Servidor Público
Enviado em 27/2/2010 às 20:45:37
Somente escravos da ideologia são incapazes de perceber o horror que é Cuba. Significou alguma coisa apenas no momento em que a revolução foi feita. Depois, descambou para o mais puro e abjeto símbolo de autoritarismo comum a todas as tiranias.
Antônio Luiz Calmon Teixeira Filho , Salvador-BA - Advogado
Enviado em 27/2/2010 às 18:28:25
Texto obrigatório para todos os que insistem em defender os sanguinários homicidas Irmãos Castro. A ditadura cubana é perversa e os tão falados “avanços” na área de saúde e educação só continuam a enganar os incautos. Cuba, na época de Fulgêncio Batista, a despeito de toda a corrupção, tinha índices gerais melhores que os de hoje (e de há muito – desde a chegada dos tiranos Castro ao poder). Quanto ao embargo americano ser a raiz de todos os males, é não querer enxergar que o assassino homicida Fidel Castro é o único responsável pela miséria de Cuba. E falar em Guatánamo, é não perceber que os verdadeiros prisioneiros são o povo cubano.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 27/2/2010 às 16:29:25
E abaixo o "carismático" companheiro carnífice e carrasco e caudilho e covarde e "comandante" cubano!. De Cuba!. De Cuba castrista-comunista-carnificista!.
Camilo Monteiro , BH-MG - prof
Enviado em 27/2/2010 às 15:42:54
Liberdade de expressão e de ter opinião política diversa é isso aí! Essa é a ilha das mil maravilhas.
Sandra C M P Pazzini , Santo André-SP - estudante
Enviado em 27/2/2010 às 15:25:41
Comovente. Jornalismo literário puro.
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