ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 580 - 9/3/2010
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LEITURAS DA FOLHA
Repórteres no pelourinho

Por Leandro Fortes em 9/3/2010

Reproduzido do blog do autor, 9/3/2010

A direção da Folha de S.Paulo, simplesmente, autorizou a um elemento estranho à redação (mas não aos diretores), o sociólogo Demétrio Magnoli, a chamar de "delinquentes" dois repórteres do jornal, autores de matéria sobre a singular visão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) da miscigenação racial no Brasil. Vocês, não sei, mas eu nunca vi isso na minha vida, nesses 24 anos de profissão. Nunca. Por tabela, também o colunista Elio Gaspari, que desceu a lenha no malfadado discurso racista de Demóstenes Torres, acabou no balaio da delinquência jornalística montado por Magnoli.

Das duas uma: ou a Folha dá direito de resposta aos repórteres insultados (Laura Capriglione e Lucas Ferraz), como, imagino, deve prever o seu completíssimo Manual de Redação, ou encerra as atividades. Isso porque Magnoli, embora frequente os saraus do Instituto Millenium, não entende absolutamente nada de jornalismo e confundiu reportagem com opinião.

A matéria de Laura e Lucas nada tem de ideológica, nem muito menos é resultado de "jornalismo engajado" (contra o DEM, na Folha??). A impressão que se tem é que houve falha nos filtros internos da Redação e deixaram passar, por descuido ou negligência, uma matéria cujas conseqüências aí estão: o senador Torres, sujeito oculto da farsa do grampo montada em consórcio entre a Veja e o STF, virou, também, o símbolo de um revisionismo histórico grotesco, no qual se estabelece como consensual o estupro de mulheres negras nas senzalas da Colônia e do Império do Brasil.

Rumos finais

A reação interna à repercussão de uma matéria elaborada por dois repórteres da sucursal de Brasília, terceirizada por Demétrio Magnoli, é emblemática (e covarde), mas não diz respeito somente à Folha de S.Paulo. O artigo "Jornalismo delinquente" [ver íntegra abaixo], publicado na edição de terça-feira (9/3), na seção "Tendências/Debates" da pág. 3 do jornal, nada tem a ver com políticas de pluralidade de opiniões, mas com intimidação pura e simples voltada para o enquadramento de repórteres e editores – e não só da Folha – para os tempos de guerra que se aproximam.

A recusa de Aécio Neves em ser vice de José Serra deverá jogar o DEM, outra vez, no vácuo dos tucanos, a reviver a dobradinha iniciada entre Fernando Henrique Cardoso e o PFL, de triste lembrança. O imenso mal estar causado pela fala de Demóstenes Torres na tribuna do Senado Federal, resultado do trabalho rotineiro de dois repórteres, acabou interpretado como inaceitável fogo amigo. Capaz, inclusive, agora, de a dupla de jornalistas correr perigo de empregabilidade, para usar um termo caro à equipe econômica tucana dos tempos de FHC.

Demétrio Magnoli, impunemente, chama a reportagem da Folha de S.Paulo de "panfleto disfarçado de reportagem", afirmação que jamais faria, e muito menos a publicaria, sem autorização da direção do jornal, precedida de uma avaliação editorial e política bastante criteriosa. O fato de se ter permitido a Magnoli, um dos arautos da tese conceitualmente criminosa de que não há racismo no Brasil, insultar dois repórteres e o principal colunista da Folha, em espaço próprio dentro de uma edição do jornal, deixa a todos – jornalistas e leitores – perplexos com os rumos finais da velha mídia e de seu inexorável suicídio editorial em nome de uma vingança ideológica, ora baseada em doutrina, ora em puro estado de ódio racial e de classe.

***

O jornalismo delinquente

Demétrio Magnoli # reproduzido da Folha de S.Paulo, 9/3/2010

As pessoas, inclusive os jornalistas, podem ser contrárias ou favoráveis à introdução de leis raciais no ordenamento constitucional brasileiro. Não é necessário, contudo, falsear deliberadamente a história como faz o panfleto disfarçado de reportagem publicado nesta Folha sob as assinaturas de Laura Capriglione e Lucas Ferraz ("DEM corresponsabiliza negros pela escravidão", Cotidiano, 4/3).

A invectiva dos repórteres engajados contra o pronunciamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na audiência do STF sobre cotas raciais inscreve no título a chave operacional da peça manipuladora.

O senador referiu-se aos reinos africanos, mas os militantes fantasiados de repórteres substituíram "africanos" por "negros", convertendo uma explanação factual sobre história política numa leitura racializada da história.

Não: ninguém disse que a "raça negra" carrega responsabilidades pela escravidão. Mas se entende o impulso que fabrica a mentira: os arautos mais inescrupulosos das políticas de raça atribuem à "raça branca" a responsabilidade pela escravidão.

Num passado recente, ainda se narrava essa história sem embrulhá-la na imaginação racial. Dizia-se o seguinte: o tráfico atlântico articulou os interesses de traficantes europeus e americanos aos dos reinos negreiros africanos. Isso não era segredo ou novidade antes da deflagração do empreendimento de uma revisão racial da história humana com a finalidade bem atual de sustentar leis de divisão das pessoas em grupos raciais oficiais.

Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo.

O jornalismo que abomina os fatos precisa de ajuda. O instituto da escravidão existia na África (como em tantos outros lugares) bem antes do início do tráfico atlântico. Inimigos derrotados, pessoas endividadas e condenados por crimes diversos eram escravizados. A inexistência de um interdito moral à escravidão propiciou a aliança entre reinos africanos e os traficantes que faziam a rota do Atlântico. Os empórios do tráfico, implantados no litoral da África, eram fortalezas de propriedade dos reinos africanos, alugadas aos traficantes.

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, convocado para envernizar a delinquência histórica dos repórteres ("África não organizou tráfico, diz historiador"), conhece a participação logística crucial dos reinos africanos no negócio do tráfico. Mas sofreu de uma forma aguda e providencial de amnésia ideológica ao afirmar, referindo-se ao tráfico, que "toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais".

Os grandes reinos negreiros africanos controlavam redes escravistas extensas, capilarizadas, que se ramificavam para o interior do continente e abrangiam parceiros comerciais estatais e mercadores autônomos. No mais das vezes, a captura e a escravização dos infelizes que passaram pelas fortalezas litorâneas eram realizadas por africanos.

Num livro publicado em Londres, que está entre os documentos essenciais da história do tráfico, o antigo escravo Quobna Cugoano relatou sua experiência na fortaleza de Cape Coast: "Devo admitir que, para a vergonha dos homens de meu próprio país, fui raptado e traído por alguém de minha própria cor". Laura e Lucas, na linha da delinquência, já têm o título para uma nova reportagem: "Negros corresponsabilizam negros pela escravidão".

O tráfico e a escravidão interna articulavam-se estreitamente. No reino do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século 16, o poder do rei e da aristocracia apoiava-se no domínio sobre uma ampla classe de escravos.

No Congo, a população escrava chegou a representar cerca de metade do total. O reino Ashanti, que dominou a Costa do Ouro por três séculos, tinha na exportação de escravos sua maior fonte de renda. Os chefes do Daomé tentaram incorporar seu reino ao império do Brasil para vender escravos sob a proteção de d. Pedro 1º.

Em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que "o tráfico de escravos tem sido a fonte da nossa glória e riqueza".

Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.

O providencial esquecimento de Alencastro é um fenômeno disseminado na África. "Não discutimos a escravidão", afirma Barima Nkye 12, chefe supremo do povoado ganês de Assin Mauso, cuja elite descende da aristocracia escravista ashanti. Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma "amnésia geral sobre a escravidão".

Amnésia lá, falsificação, manipulação e mentira aqui. Sempre em nome de poderosos interesses atuais. [Demétrio Magnoli, sociólogo, é autor de Uma Gota de Sangue – História do Pensamento Racial" (SP, Contexto, 2009)]

Comentários (46)
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angelo azevedo queiroz , brasília-DF - funcionário público
Enviado em 11/3/2010 às 11:59:32
Correção: no ultimo comentário que fiz, onde se lê Cristina, elia-se Cristiana.
Lau Mendes , POA-RS - SST
Enviado em 11/3/2010 às 01:58:28

Alo Sr.Egypto. O assunto pede no mínimo um comentario seu. Na semana passada em artigo do Sr.Dines, por o sr. tomou as dores depois de comentário de um "advogado" que descambava para ... deixa prá lá, mas neste caso de a Folha estar apenas dando voz(e que volume) ao artigo de Magnoli de cunho opinativo e ideológico, dele e não dos jornalistas como acusa, eu e todos que leram o artigo de Leandro Fortes gostariamos de saber qual analise o editor de OI faria do(s)editores da Folha que deixam passar em brancas este apedrejamento de seus jornalistas.

N. do E.: A seção "Tendências/Debates", na qual o artigo foi publicado, é de responsabilidade do editor de Opinião da Folha. A observação de Leandro Fortes sobre o caso não é suficientemente clara e contundente? Reiterar o quê? (Luiz Egypto)

Eduardo  Alex , Vila Velha-ES - Assistente Administrativo
Enviado em 10/3/2010 às 21:53:20
Dado curioso no imbróglio, é certo espanto - se real o falso, não sei - com o estilo de Demétrio, como se contenda entre intelectuais e/ou formadores de opinião tivesse sempre q ser pautada por formalidades extremas. Rudeza em debates de ideias nunca foi algo novo, vide as históricas invectivas de Marx contra Proudhon e entre Bakunin e aquele. Importante, mesmo, é argumento para o debate.
Angelo Azevedo Queiroz , Brasília-DF - Funcionário Público
Enviado em 10/3/2010 às 20:52:39
Ibsen, não penso que haja contradição entre o que afirmei e a sua afirmação de que os negros que vêm se utilizando das cotas não são de classe média. O que você diz é fato, e percebe-se, freqüentando as faculdades, que a maioria dos negros que ali estão é pobre ou de classe média baixa e mora na periferia. No entanto, o que eu afirmei foi que, nos curso de ponta, esse pessoal não chega em massa. Eles ficam nos curso de humanas, lugar dos pobres na universidade. Esse fenômeno existe há um muito tempo, muito antes de essa estória de cotas entrar na moda. E o resultados não apontam para um inserção significativa das pessoas. Veja que a estabilidade econômica e poucos anos de crescimento contínuo fez muito mais pelo aumento da classe média que os milhares de diplomas já expedidos em áreas de conhecimento que, em termos de mobilidade econômica, pouco ou nada oferecem. As cotas não mudam essa realidade.
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 10/3/2010 às 20:35:55
Marcelo Arruda Leme , Nova Odessa-SP – Comerciante – Meu caro, o texto de Leandro Fortes não pretende se contrapor aos argumentos de Magnoli sobre cotas ou questões históricas, seu objetivo primeiro foi denunciar a empreitada da Folha, via Magnoli, no que se refere a flagrante intimidação de jornalistas do próprio jornal.
Angelo Azevedo Queiroz , Brasília-DF - Funcionário Público
Enviado em 10/3/2010 às 20:22:08
Cristina, essa sua afirmação de que os negros são a maioria, não passa de pura manipulação dos dados: De acordo com PNAD 2006 somos, em percentuais, pardos: 42,6, brancos: 49,7%, negros: 6,9, indígenas: 0,3%, amarelos: 0,5%,. A designação “pardos” designa a mestiçagem que, graças Deus, existe no Brasil. Mas desde que o IBGE caiu sob a influência da militância, o termos “pardo”, usado desde 1872 , está sendo ignorado na divulgação para o público. Não haveria problema algum se o Brasil fosse totalmente negro. Só que não é essa a verdade . Porque esconder a mestiçagem sob a designação de negros? Ora , isso só demonstra o quanto as minorias querem impor na marra a sua verdade. Os dados estão aí, sempre discuto com lógica e com argumentos senhor Nasiasene, não com títulos e argumentos de autoridade..
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - advogada
Enviado em 10/3/2010 às 18:48:04
Alberto, essa turma estava acostumada a falar sozinha, de repente, passaram a ser questionados e piraram. Não leve tão a sério pq vc é que vai se estressar. Para eles Lei Maria da Penha não serve para uma mulher que se chame Tereza. O Demétrio Magnoli está irado, sabe-se lá com o quê, fala com tanta raiva que só falta babar. Eles não estão acostumados a ser contrariados. São o suprassumo...
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 10/3/2010 às 18:23:00
Ângelo, você está equivocado, os negros que veem se utilizando das cotas não são de classe média. Moram na periferia e no mais das vezes com sérias dificuldades para manter a situação acessória e complementar que aparece quando se frequenta uma universidade (refeições, livros, condução, roupas etc). Cursar uma Universidade vai não só possibiltar seu ingresso na classe média, mas principalmente contribuir para a construção de um cidadão mais crítico e intelectualmente mais capaz. Melhor que isso, vai fundar uma nova família, ao se casar, partindo de outras bases, o que irá possibilitar um futuro mais promissor para seus filhos. Outro argumento que uma pesquisa na UNB derrubou foi a possibilidade de se rebaixar o nível de excelência das universidades já que os cotistas entram nas universidades com um desempenho subsidiado. A pesquisa concluiu que o desempenho dos cotistas está na média ou é superior ao dos não cotistas. Isso é simples de entender. Esse tipo de oportunidade não nasce no quintal dessas pessoas e quando ela aparece agarram com todas as forças.
Alberto Nasiasene , Jaguariúna-SP - Professor
Enviado em 10/3/2010 às 18:20:43
É um insulto à democracia que um articulista destile seu ódio contra quem demonstra ponto de vista oposto ao dele (se o senhor Magnoli fosse senador, logo iria se complicar com esta postura desrespeitosa e irascível no conselho de ética). Ele acusa os repórteres da Folha, onde ele também escreve, atribuindo a eles serem autores de um "panfleto disfarçado de reportagem" (este mesmo critério pode ser empregado contra o artigo dele, Magnoli). O que pensar de alguém que, escrevendo em um grande jornal usa deste palavreado para atacar jornalistas do próprio jornal em que escreve, "militantes fantasiados de repórteres" (mais uma vez, este critério que ele usa pode ser usado contra ele mesmo)? Quem é que faz jornalismo como "os repórteres a serviço de uma doutrina" como ele acusou? Por acaso ele pensa que o pensamento dele não é uma doutrina? Será que ele é o juiz que decide o que é ciência e o que é doutrina? Ideológico são os outros, não ele (o que é um verdadeiro calcanhar de Aquiles deste senhor arrogante e sedento de poder; porque ele se julga dono do monopólio científico e "isento" em suas considerações tais como "o jornalismo que abomina os fatos precisa de ajuda"). É o caso dele: abomina os fatos e o contraditório e quer nivelar tudo em sua violência verbal e escrita (e isto porque ele se julga isento). Ele é que enverniza o discurso do senador que defende.
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 10/3/2010 às 17:56:15
O percentual de negros nas Universidades, fala por si. O que quer dizer uma Universidade pública, num país de maioria negra, com 2% deles estudando? Mérito de brancos? Onde está o mérito nessa disputa ridícula que só cumpre a função de massagear os egos já inflados da elite? Espero, que o STF, decida pelas cotas e, se mais adiante, entenderem que mais cotas são necessárias para que as desigualdades sejam atenuadas, que venham. O que não pode é ficarmos parados até que a educação básica, apresente alguma melhora. Qdo o acesso a educação de qualidade for amplo, cancela-se as cotas. Até lá, pelas declarações das próprias universidades, os alunos cotistas não estão tendo problemas em acompanhar os cursos. Não vejo nenhuma diferença entre a política de cotas, lei Maria da Penha, ECA, estatuto do Idoso, reserva de vagas para deficientes... Todas são medidas que visam equilibrar as partes em situações injustas. Essa igualdade é constitucional.
Alberto Nasiasene , Jaguariúna-SP - Professor
Enviado em 10/3/2010 às 17:49:29
Fiz meu comentário apoiando o ponto de vista do jornalista Leandro Fortes e reitero meu apoio. Aqui não é o espaço mais adequado para debater com outros. Somo-me ao ponto de vista do historiador, profundo conhecedor da história colonial escravista, atual professor da cadeira de História do Brasil na Sorbonne, Luiz Felipe de Alencastro. Não tenho ilusão de que, pelo argumento, irei mudar o ponto de vista de quem defende o tal senador e o tal sociólogo. É inútil, tão inútil quanto deixar que a sociedade brasileira, espontaneamente, deixe de ser racista e excludente de amplas camadas de descendentes de ex-escravos. Defendo medidas afirmativas sim, mas não as tenho como um fetiche. Pouco importa para mim se as classes dominantes são brancas ou negras, aqui ou lá na África. Não defendo uma sociedade fortemente estratificada, dominada por uma minoria, seja lá branca ou negra. Entretanto, há um fato que sofisma retórico de tribuna ou de coluna em jornal pode anular: não há uma verdadeira democracia racial no Brasil. É só interpretar superficialmente os dados sócio-econômicos do IBGE. Além disso, manifestei-me aqui em defesa do artigo de Leandro Fortes, porque concordo com ele que o artigo do tal geógrafo foi ofensivo e autoritário. Quem é ele para cassar o direito dos jornalistas? O que ele pensa que é? O dono da verdade? Não há monopólio da verdade na ciência, muito menos o dele.
Alberto Nasiasene , Jaguariúna-SP - Professor
Enviado em 10/3/2010 às 17:34:46
Sou professor de história e historiador que vem pesquisando a história da escravidão neste país a trinta anos. Tenho suficiente conhecimento teórico e empírico nesta questão. Este não é o caso em relação ao geógrafo Magnolli. Quem força a história é este senhor e o funcionário público Ângelo Queiroz, que não conhecem a fundo a matéria que pensam conhecer. Não é uma questão de retórica política o fato da exclusão racial brasileira. A questão não é culpa, mas um fato básico: a maioria negra deste país não tem acesso a uma educação de qualidade em universidades públicas, não porque não tenham méritos intelectuais e capacidade de competir, em igual medida, com os filhos da classe média branca. Para que haja equilíbrio na competição, é necessário isonomia na hora da saída. Não se pode ver isto na situação social das amplas camadas negras e isto não é mero acaso histórico não. É o resultado de processos históricos que precisam ser encarados e transformados. Não sou negro, nem tenho uma visão ingênua sobre cotas. Entretanto, não posso ser levado por falsos argumentos como os do senhor senador em questão, muito menos por um geógrafo autoritário desejoso de poder como o senhor Magnoli. A histórica concreta da escravidão neste país é muito mais complexa do que os discursos do senador e do geógrafo, que não tem compromisso com a verdade mas apenas com seus pontos de vistas pessoais.
angelo azevedo queiroz , brasília-DF - funcionário público
Enviado em 10/3/2010 às 16:17:29
“Assim, a grande culpa recai não sobre escravos e escravocratas, mas sobre a má distribuição da renda que é a principal barreira ao acesso às Universidades.” Concordo interai mente com essa conclusão. Ocorre que fazer quotas para a universidade resolve o problema da distribuição de renda? Resolve em parte, e para uma pequena parte, justamente naquela pequena parte que já tem condições de lutar por vagas na medicina , engenharias e demais curso de ponta. Em relação à maioria dos cursos de humanas, lugar dos pobres na universidade, a renda agregada pelo diploma nessas áreas , do ponto de vista meramente econômico ( e estamos falando de renda!), na média, não paga o investimento nem do estudante nem do estado.) Assim, cotas para quê? Para alavancar negros de classe média? É para tão pouco que vamos jogar no lixo o principio republicano e institucionalizar a cor como diferença? Do ponto de vista econômico isso não muda o Brasil. Então a quem interessa? À fundação Ford e aos militantes ideológicos! O Brasil é maior que isso. Fora com eles.
Paulo Pereira , S J C-SP - .
Enviado em 10/3/2010 às 15:53:29
Bela dupla: DEMóstenes e DEMétrio. “Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário José Roberto Arruda. O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas.” Elio Gaspari, em “A TEORIA NEGREIRA DO DEM SAIU DO ARMÁRIO” http://clipping.tse.gov.br/noticias/2010/Mar/7/elio-gaspari1267964181581
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 10/3/2010 às 15:14:33
Pode-se concluir pela veracidade histórica das informações de Demétrio Magnoli, porém isso não resolve os dois principais problemas: O Racismo é uma realidade palpável a quem o sofre e as Universidades brasileiras são brancas. Diante disso algo precisa ser feito. Partidarizar essa discussão é estupidez, na medida em que o racismo não é exclusividade da oposição. Minha postura é desfavorável às cotas como estão colocadas, porém é absolutamente necessário que alguma ação afirmativa seja pensada como forma de estabelecer um equilíbrio de ocupação dessas universidades (para começar) e das posições de cargos de alto nível por brancos, negros, mestiços e índios quando comparada às suas populações. Como há um argumento de que as minorias e os negros têm menos oportunidades conclui-se que sua condição social é inferior. Se isso é uma verdade, não seria mais justo que o requisito para as cotas fosse vinculado à condição social do candidato. Dessa forma não se aprofundaria o racismo existente e se daria chance a quem realmente precisa, isto é, quem não tem condições de custear um banco na universidade. Como, em princípio, os negros estão em desvantagem eles seriam, de qualquer forma, os principais beneficiados. Assim, a grande culpa recai não sobre escravos e escravocratas, mas sobre a má distribuição da renda que é a principal barreira ao acesso às Universidades.
José Alexandre Silva , Ponta Grossa-PR - professor
Enviado em 10/3/2010 às 13:55:32
aproveito pra lembrar ao senhor Max Suel que esta semana tem "Leituras da VEJA" sim.
André Amaral , Vitória-ES - Estudante
Enviado em 10/3/2010 às 13:45:14
Grande Demétrio Magnoli, remou contra a maré da imprensa que distorceu a fala do senador senador Demóstenes Torres. Agora o senhor fala que não tem nada de ideológica? Piada! Se os jornalistas da Folha de SP tivesse escrito um artigo defendendo as cotas, sustentando sua opinião com honestidade, não haveria nenhum problema. Mas na matéria, distorce totalmente o discurso do senador Demóstenes e daqueles que se opõe às cotas raciais. Transforma o debate numa luta do bem contra o mal. Como se alguém fosse capaz de defender que “os escravos foram responsáveis pela escravidão”. É muita má-fé e muita falta de argumento! A noção de “culpa histórica” é a coisa mais estúpida, boçal mesmo, que conheço, eu não tenho culpa de nada e nem quero pagar por algo que não eu não fiz.
Marcelo Arruda Leme , Nova Odessa-SP - Comerciante
Enviado em 10/3/2010 às 13:22:12
Leandro Fortes mostra incapacidade de refutar o Demétrio. Ele não apresenta dados históricos que embasem sua defesa e faz um simples Gratis Negatur em cima de um texto que nada tem de "Gratis Afirmatur" Leandro é vazio; e não reconhece nem que a Folha sempre abriu democrático espaço na famosa pag 3 para todo tipo de opinião, mesmo os contrários aos da direção do jornal.
angelo azevedo queiroz , brasília-DF - funcionário público
Enviado em 10/3/2010 às 12:30:45
Zé da Silva Brasileiro, como o senhor destinou sua pergunta a todos, gostaria de pedir- –lhe alguns esclarecimentos: Quem está atribuindo aos negros toda a culpa pelo triste papel na escravidão?. Quem disse que a culpa foi apenas dos negros? Eu, pessoalmente, e penso que também Demétrio Magnoli e o Senador Demóstenes querem justamente dizer que essa história de culpa não faz sentindo nenhum. A culpa, pelo que sei, é um argumento usado pelos defensores das cotas para justificar o fato de que brasileiros brancos e pardos devem ter seus direitos civis diminuídos para compensar os negros e pagar-lhes uma dívida histórica.
angelo azevedo queiroz , brasília-DF - funcionário público
Enviado em 10/3/2010 às 12:17:51
O comentário do Sr Alberto é um bom exemplo do quanto é preciso forçar a história e os fatos para impor as cotas no Brasil. O argumento da participação dos negros na escravidão não tem nada de sofístico, pois ele não foi usado pelo senador para culpar negros brasileiros pela escravidão de negros brasileiros. Este conclusão foi colocada na boca do senador pelos militantes, para fugir do debate que os incomoda. A afirmativa de que foi a pressão da demanda européia que fez os “coitadinhos” dos donos do poder na África aprisionarem e venderem pessoas é de uma pobreza sem paralelo. O argumento de que abolição não contemplou os ex-escravos com medidas sociais é fato, mas não se aplica, porque, na época, não havia essa preocupação com ninguém, inclusive em relação aos brancos, mestiços e índios. A falta de inclusão social não decorreu de um regime jurídico de discriminação racial voltado para a perseguição de negros, mas de uma atividade econômica atrasada e da prestação ineficiente de serviços públicos, o que, infelizmente, não foi remediado até hoje.e não o será com as cotas.
Zé da Silva Brasileiro , Belo Horizonte-MG - Bancário Aposentado
Enviado em 10/3/2010 às 11:52:23
A existência dos "capitães do mato" negros é uma realidade histórica. A interpretação do seu real papel é que é mais complicada. Existem também relatos numerosos da existência de uma polícia judaica que fazia o serviço sujo para os nazistas. Nós não temos dúvida de condenar os nazistas e entender a polícia judaica como um episódio menor e não determinante, fruto das circunstâncias. Diante disso pergunto sem a intenção de ofender a ninguém. Por que no caso dos negros a situação é diferente? Por que devemos atribuir a eles toda a culpa pelo triste papel desempenhado por alguns de seus irmãos? O Brasil foi um dos últimos países a libertar os seus escravos (35 anos depois da Argentina!). Pergunto ainda: A culpa foi apenas dos negros?
Alberto Nasiasene , Jaguariúna-SP - Nasiasene
Enviado em 10/3/2010 às 11:17:35
Delinquente é este senhor que defende, por ambição de poder, as plataformas políticas mais conservadoras, atropelando o bom senso e a erudição aprofundada de uma pesquisa historiográfica séria (ele é apresentado como "sociólogo", mas, em outras mídias, apresentam-no também como "geógrafo"; seja lá como for, "sociólogo" ou "geógrafo", está claro que ele não é historiador, muito menos um diletante sério no estudo da escravidão brasileira). Um argumento sofístico como o do senador provinciano Demóstenes que "os próprios negros participaram do tráfico" não anula o fato histórico que, no Brasil, os milhões de africanos que foram vendidos como escravos eram as vítimas do tráfico negreiro. Claro que a demanda por escravos, feita pelos negreiros portugueses fazia pressão sobre os reinos africanos que atacavam outras sociedades africanas para conseguir escravizá-las, mas isto se deu na África, não no Brasil. Os negros que chegaram aqui foram vítimas duplamente, dos europeus e africanos, na África e dos brasileiros para os quais foram vendidos. Quando houve a abolição da escravidão no Brasil, ela não contemplou os ex-escravos com medidas sócio-econômicas que pudessem nivelar as desigualdades de condições sócio-econômicas destas amplas camadas exploradas face às camadas brancas. É necessário enfrentar este círculo vicioso sim com políticas afirmativas que corrijam as desvantagens iniciais
angelo azevedo queiroz , brasília-DF - funcionário público
Enviado em 10/3/2010 às 11:07:20
O que mais irrita os defensores das cotas em relação ao discurso do Senador Demóstenes Torres (e por isso eles tentam distorcer o que disse o Senador) é que Demóstenes decidiu contar a história da escravidão e por em relevo um fato que os militantes querem esconder: a escravidão no Brasil foi uma parceria entre os interesses dos reinos europeus e dos reinos africanos. Outra coisa, culpar os brancos e pardos brasileiros pela escravidão, faz tanto sentido como culpar os negros brasileiros pelas atrocidades de seus antepassados que os aprisionaram e venderam, ou seja nenhum.
angelo azevedo queiroz , brasília-DF - funcionário público
Enviado em 10/3/2010 às 10:50:29
O estranho que Fortes critica a Folha por publicar um artigo de opinião que crítica (Fortes chama de insulto) de forma veemente a falte de competência e profissionalismo de jornalistas da Folha, isto é, a falta de competência e profissionalismo da própria Folha, já que os jornalistas estão em serviço. Ora, a Folha devia ser louvada por publicar artigos de opinião que divergem dela e a criticam. Isso é, tolerância com a divergência, amor à liberdade de expressão, ou seja, democracia.
angelo azevedo queiroz , brasília-DF - funcionário público
Enviado em 10/3/2010 às 10:11:29
Os apoiadores das cotas parecem temer o debate e partem para a distorção dos que os seus adversários dizem. As ponderações do Senador foram miseravelmente distorcidas e o artigo de DM diz por quê. Ao invés de contestar Demétrio, Lenadro Fortes o acusa de chamar os reportes de “delinqüentes”. Ocorre que Demétrio fala em “delinqüência histórica”. O adjetivo retira qualquer possibilidade de leitura denotativa do substantivo “delinqüente”, já que, obviamente, o contexto não é o código penal. E Demétrio diz por que motivos entende que a reportagem e a intervenção de Alencastro flertam com a delinqüência histórica. Já fortes diz que a tese de Demetrio é criminosa (sem adjetivos) e não diz por quê. Assim não dá, Leandro não faz análise, apenas entoa hino de torcida organizada.
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 10/3/2010 às 09:25:32
Como sempre, concordo com o sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli, uma voz lúcida neste deserto mental que é o Brasil de hoje, haja vista os comentários que beiram a mendacidade neste espaço. Aproveito para perguntar: nesta semana não houve "Leituras da VEJA" ? Por que será ? será que é por causa da demolidora reportagem sobre o escândalo da cooperativa dos bancários, administrada pelos petistas e pelo tesoureiro da campanha da mini Dilma ? (Max)
José Alexandre  Silva , Ponta Grossa-PR - professor
Enviado em 10/3/2010 às 09:04:28
Históricamente o texto de Magnoli constitui uma narrativa plausível. Os reinos africanos de fato colaboraram com o tráfico ocidental que transformou a escravidão africana num negócio extremamente lucrativo. A colaboração de africanos na indústria do tráfico escravagista cristão de sua própria gente é uma contradição, não existe como negar esse fato que em muitos momentos, sobretudo para militantes de movimentos negros, é conveniente esquecer. Outro detalhe é que na colônia que deu origem a nosso país a relação entre senhor, proprietário de escravos, e mulheres escravizadas, podia ser tanto forçada quanto consensual. Não entro no mérito da discussão de que o artigo de Magnoli seja retaliação ao ataque a Demóstenes Torres, mas concordo que o autor é por demais agressivo. Agora se nosso passado está fornecendo elementos para uma batalha ideológica, os contendores opostos ao discurso deste sociólogo vão ter de fazer o dever de casa.
fernando cabral , barbacena-MG - funcionario público
Enviado em 10/3/2010 às 08:58:20
Só faltou dizer que qualquer semelhança das iniciais dos nomes Demétrio e Demóstenes com um certo Partido é mera coincidencia.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 10/3/2010 às 08:47:53
Bom, essa é a mais conhecida das falácias: minimizar a culpa de alguém, por ter sido auxiliado por outro no cometimento da atrocidade. Esses dias vi um debate sobre cotas na TV (acho que foi na TV Senado ou Câmara, não me lembro). Aí um cidadão da audiência (um geógrafo negro) tomou a palavra e só quando começou seu comentário me dei conta de que na banca não havia um único negro, nem mesmo moreninho prá falar a favor do sistema de cotas. O fato é que, se há debate de alto nível sobre o sistema de cotas ele não frequenta nossa imprensa. O que tem havido é um monólogo demonstrando os problemas do sistema. Enquanto as cotas são criticadas podemos observar com "clareza" nossas universidades. Até a tinta nas paredes é branca para não manchar o ambiente e melhorar a visão dos alunos. Talvez estejam seguindo esse mesmo princípio para definir o equívoco de um sistema de cotas.
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 9/3/2010 às 23:09:08
Mais um belo gol do Leandro Fortes. Coloca o dedo na ferida: a velha e carcomida imprensa brasileira. A que ponto se chegou? A Folha assassinando seus próprios jornalistas por questões político-partidárias. Deprimente. E quem a Folha escala para o serviço sujo? Um pitbull do Millenium. Hoje foi Magnoli, amanhã o Jabor... Falta discernimento a essa gente. A coisa beira a marginalidade. E olha que a campanha nem começou. Espernear debaixo do lençol não basta. A covardia não vai aplacar a irresponsabilidade dessa gente. Valeu Leandro Fortes.
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 9/3/2010 às 22:48:26
Marcelo Silvestre, na verdade, nenhuma diferença. A História, como vc bem lembrou, é escrita e reescrita ( não sei mais como se escreve isso ), de acordo com as necessidades de um momento determinado ou determinante. Aquela velha máxima, da História ser contada pelos vencedores... Vamos supor que o Sr. Demetrio Magnoli, esteja coberto de razão, que no Brasil não há racismo, que os negros, venderam-se a si mesmos e que o branco europeu nada teve a ver com isso , que os estupros eram consensuais e, todas as outras novidades que surgiram depois do advento das cotas; Pergunto, então de onde saiu a teoria que nos enganou, a todos, durante esses anos todos? Quem aqui, com mais de dezoito anos, reconhece essa leitura da escravidão? Os que querem rever a História são os mesmos que a escreveram e, por algum motivo, nunca divulgaram versões que passaram a divulgar, depois do advento das cotas. Partindo dessa falácia, atual ou antiga, é que não podemos nos ater a nada que não venha de nós mesmos, de nossa própria vivência. Ou seja, o conceito de raça, sumiu após o advento das cotas, mas era benvindo até então. Tudo bem. O que temos é que, negros ( raça ) ou "peles preta" ( cor da pele ), no nosso tempo, são, de fato, excluídos. A nova História Magnoliana, só não explica quem enganou a elite branca e sábia, durante décadas com a farsa das raças pré-cotas e pq fez isso.
Marcelo Silvestre , São Paulo-SP - Internauta
Enviado em 9/3/2010 às 21:10:06
Alguém poderia me explicar que diferença faz responsabilizar os negros ou os reinos africanos? Quem governava os reinos africanos não eram negros? No contexto do discurso do senador Demóstenes, ambas as palavras não cumprem o mesmo papel, que é minimizar a culpa dos brancos europeus, nossos antepassados?
edson sanches , são Paulo-SP - téc. adm.
Enviado em 9/3/2010 às 20:36:30
O sr. Demétrio Magnoli representa não só o que é mais atrasado em termo de pensamento (como fracos argumentos), como desqualifica qualquer opinião contrária. No referido texto do dublê de sociólogo mostra mais ainda, despeito, ao referir ao imimente sr. Alencastro, professor de História do Brasil na Sorbonne, que aliás, faz muito bem em não participar de um debate (...) poluído. Assim, por inveja e despeito, logo argumentos já não mais os têm. O pensamento do Sr. Magnoli é o típico pensamento positivista, que visa unicamente representar o status quo, os donos do poder - no caso do Brasil, representado pelo Pig. Intelectual despejado do PT, como muitos outros, abre a fala para destilar seu rancor em palavrólio. Puro recalque! Em relação ao comentário do leitor que justifica em fato histórico, para alegar aos argumentos do sr. Magnoli, comete um erro crasso. Fato histórico não é algo cristalizado, como uma fotografia polaroid, mas construído, por isso histórico e plenamente contestável - quem nos contou o fato histórico? Sou formado em História e o seu erro é comum e remete novamente aos positivistas. Por fim, o pensamento do sr. Magnoli deve ser execrado, pois é violento, desmerecedor, caluniador, repressivo, alías, há bastante tempo colocando como irrelevante na Academia.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 9/3/2010 às 20:15:28
O sr. Magnoli, mesmo tendo razão em diversos pontos, optou por ser grosseiro e dogmático, diminundo bastante o respeito que porventura o leitor poderia ter por suas ideias. Isso é tique e vício registrados dos extremistas brasileiros. Daqui a pouco, a linguagem das sarjetas vai começar a ser usada nesses veículos, mas aí eu já espero não estar comprando nenhum veículo informativo feito de papel.
alfredo sternheim , são paulo-SP - jornalista-cineasta
Enviado em 9/3/2010 às 19:31:58
Esse senhor Demetrio sempre escreveu de modo rude, agressivo. Uma vez lhe escrevi uma carta em termo elegantes discordando de seu artigo no Estado e recebi uma resposta que, entre outras, coisas, me chamava de burro. Moço educado. Não entro no mérito do seu artigo, confuso, mas usar a palavra delinquente foi demais. Delinquente é quem comete delitos, então o jornalismo dos dois jornalistas e/ou da Folha comete delitos. Ele também já ofendeu Lula, acho que estudou jornalismo (estudo?) no Insituto Vital Brasil junto das cobras venenosas. E da chamada escola Butantã, onde despontam aquele Mainardi, Boris Casoy e outros que sempre se apoiam em palavreado ofensivo. O sociologo aponta "verdades históricas". Como dia o personagem cômico interpretado pelo falecido e politizado Francisco Milani: "ele estava lá?" O senador Demostenes ,mesmo tendo dito reinos africanos, aponta para cumplidade dos negros. Essa era a sua intenção: limpar a barra dos senhores feudais e brancos que durante anos foram responsáveis pela comercialização dos escravos. Defender o senador do grampo que diz ter sido consensual o estupro de mulheres negras no Brasil colonial é demais , saindo da cabeça de um sociologo. O espantoso é ver articulistas desse naipe encontrarem espaço na mídia. Vai mal.
Marcelo Silvestre , São Paulo-SP - Internauta
Enviado em 9/3/2010 às 19:23:48
O mais intrigante sobre o artigo de Demétrio Magnoli é que ele baseia toda a sua defesa de Demóstenes Torres na troca de uma palavra do discurso do senador. Com base nisso, ofende os repórteres, acusa-os de mentir, de falsear, de militar, etc. Mas notem que o discurso inteiro do senador foi racista. Sobre a parte do "estupro consensual" reparem que o sociólogo não tece uma palavra. Essa frase beira o "estupra mas não mata" do Maluf ou o "relaxa e goza" da Marta aos consumidores. Mas o sociólogo intencionalmente foca na palavra e esquece do contexto. Tenta defender o indefensável. Contrariando as leis da física, os iguais se atraem.
Marcelo Silvestre , São Paulo-SP - Internauta
Enviado em 9/3/2010 às 19:07:32
Vou tentar ser tão breve quanto o possível: O Brasil deveria seguir o exemplo da Alemanha e da Áustria, onde é crime negar o Holocausto, e tornar crime negar o Racismo. Não devemos permitir que nossos crimes históricos possam ser varridos para baixo do tapete. Ou então veremos a história sendo pouco a pouco reescrita por neo-nazistas travestidos de senadores e sociólogos.
sergio ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 9/3/2010 às 17:53:48
É justo o contrário: fica avisado que na Folha e na grande Imprensa só se publica o que é contra as cotas. Não sei se viram, mas o Globo não se recusou a publicar um anúncio favorável à política de cotas - a saída foi cobrar um preço impraticável até para grandes empresas.
Thomaz  Magalhães , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 9/3/2010 às 15:49:52
O fato é que Demétrio Magnoli pegou a Laura Capriglione e o Lucas Ferraz no pulo, distorcendo a fala do senador Demóstenes Torres.
Leozilio França , Vitória-ES - Advogado
Enviado em 9/3/2010 às 14:44:14
Calma ai. A Folha então só pode publicar aquilo que fale de acordo com o que acham e fazem reportagem (reportagem ridícula) de seus repórteres? E deixa eu ver se eu entendi, ao escolher publicar esta opinião a folha está se enquadrando? Hahahah Legal. E a do papagaio?
orlando nascimento , rio de janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 9/3/2010 às 14:34:23
Vamos ver se entendi Demétrio, o gladiador: o fato de, ao que parece, a engrenagem do comércio de seres humanos africanos ter contado com traficantes daquelas paragens alivia a culpa dos europeus que usaram e abusaram da malfadada mão de obra? A exploração sistemática, os massacres, as torturas e violações a que milhares de pessoas foram submetidas esfumam-se diante da cumplicidade dos perversos nativos? Não creio. Com ou sem ajuda de reis nagôs, mandatários, sobas ou seja lá o que for, a escravatura - negra ou não - foi e continua sendo uma das atividades mais atrozes da propalada civilização ocidental. A escravatura é execrável e indefensável (nem Aristóteles conseguiu faze-lo, embora tenha esboçado uma "teoria da escravatura", em POLÍTICA, 1253b). Em tempo: confundir discussões sobre racismo (que não diz respeito somente aos negros x brancos, lembram?) com o evento histórico da escravatura é burrice.
Miro Junior , Sao Paulo-SP - Analista
Enviado em 9/3/2010 às 14:23:51
Na idade média, quando a igreja percebeu que podeira perder o monopólio da palavra de Deus botou a inquisição na rua à queimar seus opositores. ..... Daqui para frente o Magnoli deve aparecer cada vez mais para julgar, punir e intimidar os partidários da livre iniciativa (no sentido de se ter opinião própria), não é por acaso que boa parte do pessoal que diriige a grande imprensa tem ligações com a Opus Dei e organizações semelhantes.
Eduardo  Alex , Vila Velha-ES - Assistente Administrativo
Enviado em 9/3/2010 às 12:16:09
Vá lá que Magnoli optou por termos pouco elegantes para se referir ao conteúdo da matéria dos jornalistas. Mas daí a dizer que ele nada tem de ideológica, vai um longo caminho. O conteúdo da mesma mostra claramente a posição da autora quanto o tema - a não ser que quem esteja lendo seja um Hommer Simpson...
Antônio Luiz Calmon Teixeira Filho , Salvador-BA - advogado
Enviado em 9/3/2010 às 12:15:37
Para o articulista, a Folha deveria, pura e simplesmente, proibir o artigo de Demétrio Magnoli, cujo livro "Uma Gota de Sangue - História do Pensamento Racial" desmonta com precisão as teses racialistas propagadas pelo país. A reportagem da Folha foi desonesta intelectualmente e o artigo de Demétrio Magnoli expôs a farsa. São FATOS históricos. Demétrio Magnoli não os inventou. Aconteceu daquele jeito. Para o bem e para o mal. Mas os racialistas não aceitam o contraditório e querem impor uma visão distorcida da história. Querem dividir o país. Não conseguirão. Somos um só povo. Recomendo a leitura de, pelo menos, Gilberto Freyre e Joaquim Nabuco (tão em moda hoje). Mas tem que ler realmente e não soltar frases esparsas sem entender o sentido.
sergio ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 9/3/2010 às 12:00:31
O mesmo Magnoli já tinha feito um artigo insultuoso ao PT e ao Presidente da República com relação à última visita à Cuba. Depois da baixaria de César Benjamin, tudo era esperado mesmo. Não demorará também para desenterrarem o grotesco Olavo de Carvalho e suas teorias conspiratórias.
Luís Renato Silva Taveira , Belo Horizonte-MG - Engenheiro Agrônomo
Enviado em 9/3/2010 às 11:07:55
O Sr. Magnoli foi contaminado pelo baixo calão típico dos articulistas da Revista Veja. E o pior é que noutros veículos os textos também descambaram para a baixaria. Não é à toa que há muito tempo não desperdiço mais meu dinheiro com assinaturas da Veja, do Estadão, da Folha, do Globo,...
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