ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 600 - 27/7/2010
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JORNALISMO AMBIENTAL
Falta diálogo com a sociedade

Por Washington Araújo em 27/7/2010

Em junho de 1992, o Brasil sediou a Cúpula da Terra, o mais importante evento promovido pelas Nações Unidas para tratar do meio ambiente no planeta. Durante quase um mês, centenas de organismos não-governamentais foram ao Rio de Janeiro e nos dias mesmo da Cúpula tivemos cerca de 180 chefes de Estado presentes.

O Aterro do Flamengo celebrou a força do movimento ecológico. Ainda não se falava do superaquecimento com o fervor com que hoje se fala; buraco na camada de ozônio aterrorizava mais pelo desconhecimento que por suas consequências práticas; derretimento das calotas polares era tema restrito aos círculos de cientistas. Enfim, éramos muito mais idealistas e muito menos práticos. E não existia ainda de maneira consolidada o jornalismo ambiental. Quem cobria catástrofes naturais, cobria meio ambiente; quem cobria a cena internacional, cobria a ação.

O jornalismo ambiental – mesmo que ainda, a meu ver, incipiente no Brasil – precisa mudar por várias razões. Em primeiro lugar, não se pode praticar o jornalismo ambiental sem compromisso, apostando numa pretensa neutralidade, objetividade etc. Em segundo lugar, o jornalismo ambiental não se pode focar apenas no aspecto técnico porque o importante, se quisermos efetivamente trabalhar para a solução dos problemas, é perceber as conexões entre o meio ambiente, a economia, a cultura, a política, a saúde e a sociedade.

Esta perspectiva fragmentada, que vem a reboque da cobertura de grandes catástrofes, não contribui para fortalecer o jornalismo ambiental, apenas o coloca na agenda, sem se comprometer com um debate sério, abrangente, como deve ser. Finalmente, o jornalismo ambiental deve atentar para os grandes interesses que rondam essa área e ter em mente que existe na prática a chamada praga do marketing verde.

Criar dificuldades para vender facilidades

É comum que jornalistas que "cobrem o meio ambiente" criem um linguajar todo próprio, falem com naturalidade sobre temas como efeito-estufa, vazamento de petróleo no golfo do México e as consequências do desmatamento desenfreado no Brasil, em particular, na região amazônica. Também são dados a repercutir previsões catastróficas sobre o futuro da humanidade, citando para tanto cientistas há muito assessorando entidades ambientalistas.

Parece-me estratégia equivocada. Não é através do medo que as pessoas passarão a se interessar pela preservação do meio ambiente. Tampouco é razoável ficar difundindo novas datas para o colapso total do planeta. Tal ação jornalística produz exatamente o efeito contrário: retirar a necessária credibilidade do assunto, quando não o empurra para aqueles temas fantasiosos que terminam virando roteiro de ficção científica tipo B, bem ao gosto dos estúdios cinematográficos de Hollywood.

Foi ao término da Segunda Guerra Mundial que ganhou relevância o jornalismo ambiental. Sessenta anos depois, a verdade é que ainda engatinhamos no assunto e seus temas estão invariavelmente atrelados ao catastrofismo. Pouco espaço é concedido à importância de levar à vitrine midiática experiências bem sucedidas no campo da educação ambiental. E não falta assunto sobre meio ambiente; o que falta mesmo é apetite para o cardápio.

Há muito que organismos não-governamentais, como o Greenpeace, embarcaram na onda da espetacularização, onde quanto mais vistosa for a cena, quanto mais inusitado for o roteiro a ser veiculados em filmetes mundo afora, usando-se principalmente o suporte da internet, mais se tem a sensação de missão cumprida. É assim com o trabalho das ONGs contra o massacre de baleias e é assim também sua ação contra a proliferação de tecnologia nuclear. O mesmo diapasão é usado para promover a preservação de espécies em extinção.

Quando teremos um jornalismo ambiental que dialogue com a sociedade, de igual para igual? Quando ouviremos um jornalista declaradamente ambientalista discorrendo sobre o assunto sem aquele jeito presunçoso de quem é o dono absoluto da verdade?

Há que se baixar a bola dos que se sentem investidos da missão de salvar o planeta e levantar a bola dos que sabem que, mesmo sendo a Terra nada mais um pálido ponto azul no universo, ainda assim é o melhor e o mais belo planeta que conhecemos e que nos acolhe uma e mil vezes, a cada momento, a cada instante. O que precisa ser levado à extinção é a arrogância dos que criam dificuldades para vender facilidades logo em seguida.

Será que fui claro?

Comentários (29)
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Emerson Mathias , Sao Paulo-SP - economista
Enviado em 2/8/2010 às 09:47:17
Alexandre Aguiar, entendo a tua posicao - de indignacao - como individuo, mas nao como algo que possa ser generalizado e extensivel a todos. Trata-se de uma leitura da realidade que apenas destroi, rotulando a todos e colocando uma via unica de salvacao para o planeta. Como ja comentei aqui, em outras epocas da humanidade ja existiram discursos semelhantes e sempre apontaram na mesma direcao, o apocalipse, que teimou em nao vir, mas que ajudou a pavimentar o caminho politico de grupos extremistas e religiosos fanaticos. No seculo XX houve uma aposta de que as ciencias fariam a mediacao politica impossivel nos seculos anteriores, mas a julgar pelo radicalismo do discurso cientifico do seculo XXI, ainda teremos que esperar por um grupo de pessoas na sociedade que tenha a capacidade de aliar boas razoes ao bom senso no sentido de convencer a maioria das pessoas acerca do que eh preciso fazer nos proximos anos. O radicalismo do discurso ambientalista eh religioso, prega uma religiao de culto a "mae natureza" e ignora em varios aspectos os direitos humanos que varias geracoes batalharam seculos para conquistar. Nada tao facil, nada tao rapido. Os ambientalistas precisam se colocar na politica como mais um grupo a reinvindicar direitos e propor deveres, sem privilegios ou um suposto discurso hegemonico acima dos demais. Voces que precisam entrar na fila e pagar a senha nas eleicoes.
Adriana Teixeira Simoni , Mogi Mirim-SP - Estudante
Enviado em 1/8/2010 às 13:24:56
Eu não sou jornalista mas me atrevo a escrever artigos (http://drikafarah.blogspot.com) para conscientizar ao menos as pessoas que lêem um dos jornais de Mogi Mirim ao qual os envio. São artigos com assuntos da atualidade com vocabulário fácil para que as pessoas entendem e possam perceber que realmente o planeta clama por atenção e que ela pode sim ajudar com atitudes simples no seu dia a dia. Tento fazê-la perceber que criando esse habito de preservar com pequenas ações ,estará colaborando ao final com um planeta. É necessário repetir a todo instante que todos temos responsabilidade com o lixo que produzimos diariamente , que as industrias são também responsãveis pelos residuos produzidos desde a fabricação até depois do uso se ainda sobrar resíduos, e isso é básico, o ambiente se deixa tirar, porém ninguém repõe muito pelo contrário devolve algo que ele por si só não pode absolver. Esse é o verdadeiro desastre! Marcelo Gleiser foi perfeito quando escreveu : "".....somos especiais por sermos raros, por estarmos vivos e termos consciência disso. A comunhão que precisamos estabelecer não é com o cosmo : é com o nosso planeta e, por isso, muita mais imediata e urgente.O crescimento desenfreado da população mundial e das suas necessidades está causando a rápida devastação da vida e dos recursos naturais da terra."" E é isso.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 1/8/2010 às 10:27:17
Emerson, como disse, lá na nossa juventude nos chamavam de maconheiros e desocupados. Hoje, aos 49 anos, chamam de fascistas. Nesse caminho já houve mais adjetivos. Portanto, fique na fila, pegue a senha e aguarde a sua vez. Não queira vir agora sentar na janelinha. Agora, sou obrigado a te dar os parabéns. Esse adjetivo de "neo-pentecostalista" é novo. Ao menos a sua faculdade não deve ter sido em vão, já consegue criar novos termos. Nessas andanças, a gente percebe que há 3 tipos de anti-ambientalistas: o BURRO, aquele que vive com seus Tico e Tecos em conflito, lê muito sobre o tema, mas não consegue absorver nada; o EMPRESÁRIO, que não poderia diminuir a sua sanha devastadora, por conflito de interesses; e o TEIMOSO (vou usar um termo menos chulo), que sabe como fazer, tem plena consciência de seu comportamento agressivo, já leu e está a ouvir o que se fez e como ele poderá conduzir o processo, mas não faz, não toma iniciativa, e desanca a tudo e a todos para dar satisfação ao seu ego preguiçoso. Por isso que não há muito o que fazer, pois já estão perdidos. Aliás, nós não pregamos o Armagedon. Não precisa! Estes 3 tipos aí já estão colaborando eficazmente para que isso ocorra. Não é por falta de convicção, dona Cristiana e seo Diego, é constatação. Há certas horas que não se perde mais tempo, quando as pessoas não querem. A gente só leva pela mão as crianças e idosos.
DIEGO MASCARENHAS , Brasilia-DF - jornalista
Enviado em 31/7/2010 às 21:56:52
Continuo achando que ao menos um dos leitores nao entendeu o artigo, como sempre, lúcido e oportunissimo. Cristiana, vc tem razão, tem pessoas que tem a convicção ambientalista de gelatina - nunca está firme, nem sólida, dependendo sempre de um "explicador" de última hora. A arrogancia serve tanto para ambientalistas que se comprazem em tocar o terror quanto a desastres climáticos quanto aqueles que são ignorantes ou neófitos em temas que transcendem o livro caixa, pagamentos, recebimentos etc etc Prezado Washington Araujo lhe faço este apelo: continue nos provocando a pensar qual o papel da imprensa sobre temas que realmente são por demais urgentes e vitais e, caso alguém queira, continue pisando na bola pois s lo teremos a lucrar com pisadas de bola dessa monta rsrsrsrs
Henrique de Souza Dantas , Rio de Janeiro-RJ - Comerciante
Enviado em 31/7/2010 às 17:24:26
A vida é assim mesmo Cristiana. Sempre leio os seus comentários e jamis imaginaria que seria esta a sua posição. Embora eu discorde do que você disse, jamais tentaria tirar seu direito. Continua achando que o Mestre pisou na bola.
Emerson Mathias , Sao Paulo-SP - economista
Enviado em 31/7/2010 às 15:45:16
A "mae natureza" como vingadora dos males da humanidade é uma das coisas mais fascistas que já se fez em termos de discurso. Se no seculo XX havia o temor do "grande pai" que tudo vigia num estado totalitario, temos no seculo XXI a versão matriarcal da mesma opressão social, que justificaria a miseria extrema, as desigualdades sociais, a atitude egoista dos darwinistas sociais que rotulam todos em certas classes: os "eco-conscientes" contra o resto. Absurdo! Tem que haver uma denuncia desse discurso neo-pentecostal, que usa a mãe natureza como a ultima voz do armageddon. Somam-se os apocalipticos e os cientistas numa combinação explosiva e pouco esclarecedora da opiniao publica. Alias, o noticiario jornalistico sensacionalista faz todos os dias uma atualizacao do final dos tempos com alertas de tsunamis, furacões e enchentes. Tudo muito rapido e pouco refletido. Falta maturidade para entender que existem mais variaveis nessa equação e que os cientistas mais sérios estão cedendo espaço para os oportunistas que no meio acadêmico querem seus 15 minutos de fama sob os holofotes da TV ou ainda com algum novo roteiro para Hollywood. Os cientistas estão se tornando o que foi o clero da Igreja Catolica na Idade Media, um bando de obscurantistas que mistificam sua sabedoria com crendices sem fundamento. E querem que todos rezem a sua versão da Biblia.Eis a nova religiao que nos ensinam!
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 31/7/2010 às 14:13:01
Eu acho curiosas as propostas do "vamos, vamos que dá". "pô, vamos discutir, o cara que não discuti é fascista". Ou, mais hilário, "ninguém deve fugir da luta". hehe. Isso me comove. De tanto dar risadas. Os alertas aos problemas ambientais, durante muito tempo, foram creditados a maconehiros ou desocupados. As pessoas olhavam de esguelha para quem dizia que o modelo de crescimento adotado pela civilização ocidental chegaria um limite. O Clube de Roma, lá na década de 1970, quando todo mundo era perdulário ao extremo, já alertava para isso. Pode-se até ignorar tudo. O sujeito pode caminhar pelas ruas e dar de ombros para toda a celeuma do aquecimento global, por exemplo. Mas quando ele te alcança, isso vem numa velocidade assombrosa. Os estúpidos nem percebem, mas dias frios mais frios que o normal, ou quentes mais quentes que o costumeiro, ventos arrasadores, chuvas diluvianas e amplitudes térmicas despropositais são o primeiro sinal. Mas é um sinalzinho tosco, pequeno. O petróleo está acabando e o Ártico aquecendo numa proporção avassaladora. Mas é apenas uma dica, um alertazinho bobo. Que ninguém se preocupe. Vai ficar bem pior. As madames e os mauricinhos ficarão sem as suas baladas toscas, desfilando em carrões vomitadores de fumaça, mas isso será algo bem pequeno. O pior ainda não veio, podem ficar tranquilos. Há muito ainda o que gastar, para ficar bem pior.
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 31/7/2010 às 05:24:06
Pô Henrique, vc não deveria desqualificar o texto por conta do meu comentário. Quem comentou fui eu e eu sou avessa a verdismos, fazer o quê? A maioria dos comentários aqui, está muito equilibrada pq vc vai dar importância, exatamente, ao que é contra? Não faz sentido.O que o texto sugere é uma melhor abordagem das questões ambientais, isso é ruim para os ambientalistas? A menos que exista alguma razão para o jornalismo ambiental ser non sense, eu não entendi nada. Além disso, não se joga no lixo uma convicção pq não se ter maioria, ou melhor, unãnimidade. Eu vi, além do seu,mas um comentário nesse sentido. Algo do tipo, larguei prá lá ( não vou saber quem foi ). Ora, uma convicção que pode ser deixada de lado tão facilmente, não é exatamente, uma convicção. Política é luta, é debate, contradidório.
Emerson Mathias , Sao Paulo-SP - economista
Enviado em 30/7/2010 às 16:37:21
Alguns comentarios "eco-cinicos" aqui postados beiram o facismo. Eis um dos problemas mais serios nessa discussao, pois os argumentos do tipo "tudo ou nada" sao na verdade chantagens contra uma suposta civilizacao pervertida e destruidora do meio-ambiente. Falta de maturidade para se levar a discussao mais adiante. Se um pais com severas restricoes de espaco e recursos naturais como o Japao consegue encaminhar solucoes ambientais que permitem a convivencia de grandes contingentes humanos e a manutencao do meio ambiente em condicoes minimas de sustentabilidade, por aqui no Brasil nao avancamos nisso? O fato eh que somos politicamente omissos para questoes como: meio ambiente, desigualdades sociais, crimes contra direitos humanos, violencia contra as mulheres, em suma, o basico para se considerar uma nacao civilizada. Somos um pais de capitalismo tardio, que importou valores e instituicoes mas ainda nao consolidou na sociedade esses mesmos valores. Ficamos na superficialidade do marketing, do discurso politicamente correto, da indignacao de ocasiao para depois voltarmos para a confortavel sala de estar e assistir tudo pela TV. Abandonamos o espaco publico, carecemos de cidadania e nossas atitudes cotidianas refletem isso. Nossos filhos e netos precisam ser alertados: seus pais e avos falharam e foram omissos. Ja seria um primeiro grande passo!
Marcelo Ramos , Brasilia-DF - Publicitário
Enviado em 30/7/2010 às 13:58:11
Prezado prof. Washington, no geral concordo com as críticas de seu artigo, mas não creio que aqueles se "sentem investidos da missão de salvar o planeta" devam baixar a bola. A lógica da espetacularização não é a melhor mas infelizmente é a que chama a atenção. A mídia, de fato, não ajuda a esclarecer, apenas cria ou a sensação de que é profecia de Nostradamus ou a sensação de estupefação. Por isso, se chama mídia sensacionalista. O cerne da discussão, infelizmente, ainda está restrita a técnicos e cientistas. Sobre medidas para refrear desmatamente, tem-se apenas que cumprir a lei, não é necessário leis novas. Os conceitos de ecologia eram esoterismo 20 anos atrás. Hoje, estão relativamente popularizados mas militantes ambientalistas são chamados de eco-chatos. A cabeça do homem e da mídia tem que mudar. Não é fácil mas é simples.
Henrique de Souza Dantas , Rio de Janeiro-RJ - Comerciante
Enviado em 30/7/2010 às 12:25:59
Caro Fábio talvez eu tenha sido um pouco duro no conceito, mas o que me chocou foram os conceitos apresentados pelo articulista para fazer a crítica. Os comentários do Alexandre Carlos Aguiar ilustram positivamente o meu pensamento e o comentário da Cristiana Castro negativamente e foi baseado neste comentario que eu considei o texto como uma aberração. Quando eu dei os parabéns ao Alexandre foi por ele ter feito uma crítica eduacada e inteligente. Minha crítica ao texto continua, vou apenas retirar a aberração.
Diego Mascarenhas , Brasilia-DF - jornalista
Enviado em 30/7/2010 às 12:12:09
Tenho visto poucos escritos críticos sobre o que chamam de jornalismo ambiental. Tem muita ignorância sobre a cobertura, os interesses financeiros envolvidos et cetera. Tem um comentarista na rádio CBN que é o fim da picada, sempre com frases feitas, professoral, petulante e o Heródoto Barbeiro vive levantando a bola pro sujeito deitar medo disso e daquilo. Uma lástima nosso jornalismo ambiental e a culpa é dos coleguinhas mesmo. O assunto deveria ser mais destacado. E tem os cínicos de sempre querendo que o mundo se exploda, mas isso já são outros quinhentinhos.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 30/7/2010 às 10:22:25
A mídia sabe muito bem onde pisa, seja falando de economia, horóscopo ou meio ambiente. Este mês, saiu um estudo brasileiro-americano dando conta que uma tempestade derrubou 500 MILHÕES de árvores na Amazônia. Teve destaque em quase todo tipo de veículo. Foi destacado que esse valor corresponde a três anos de desmatamento da Amazônia legal. As entrelinhas são claras - pra quê preservar, se a própria natureza destrói muito mais que o homem? Essa vontade que nós temos em nossos genes de ver tudo transformado em cinzas e terra nua deve ter uma explicação; acho que Deus cansou de novo de brincar de casinha e resolveu destruir tudo pela sexta vez. Só que em vez de usar nuvem de gás interplanetária ou cometas cadentes, resolveu criar um vírus planetário, e deu-lhe o nome de homem. Está funcionando às mil maravilhas.
Fábio Bittencourt , Brasília-DF - Engenheiro
Enviado em 30/7/2010 às 09:07:56
Prezado Henrique Dantas, Você poderia explicar qual é a aberração do artigo?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 29/7/2010 às 22:12:48
Tenha certeza, Henrique, mas certeza absoluta, que isso em nada me envaidece. Pelo contrário, sinto um pesar danado ter que chegar a esse ponto, exatamente por conhecer como funciona a coisa. Mas a mesquinharia e a insanidade venceram. Então, que se lixem. É pra destruir? Sintam-se à vontade. Quer saber onde está o problema? Siga o dinheiro. Por exemplo, a grande mídia não tem interesse em informar, como pretende, ingenuamente, o articulista dessa página, como funciona a coisa. A pauta não é direcionada para o bem comum, para os esclarecimentos, mas para apenas vender nas bancas algum jornal. Denunciar massacres ambientais, mas não apontar os verdadeiros culpados é o mote principal. "Fala que houve, mas não diz quem é, hein!."Conheço as figuras, um a um. Já dei de dedo em dois ou três. A coisa é muito simples e não tem nada de extraordinário, como menciona o economista aí. É apenas uma questão de bom senso e iniciativa. Vontade! Não tem que se especializar muito, não. Mas, o humano não quer, não se importa com o semelhante. Joga lixo pela janela, descarrega nos esgotos a sua podridão, infesta o ar com suas fumaças fétidas. E depois ainda culpa os governos pela inércia. Não na minha frente. Na minha cara ninguém diz estas bobagens.
Henrique de Souza Dantas , Rio de Janeiro-RJ - Comerciante
Enviado em 29/7/2010 às 14:00:40
Alexandre, meus parabéns. Concordo em genero, número e grau com você.
Henriquede Souza Dantas , Rio de Janeiro-RJ - Comerciante
Enviado em 29/7/2010 às 10:55:36

Puxa Dom Diego, perdeu a compostura? Quer dizer que se eu fosse apenas um comerciante estaria impedido de postar aqui no OI? Você fala bobagens e vem me atacar. Deixe de ser um menino mimado e procure ser alguém na vida.

Nota do OI: Esta discussão não tem mais nada a ver com mídia. Encerra-se aqui.

DIEGO MASCARENHAS , Brasilia-DF - jornalista
Enviado em 29/7/2010 às 09:32:36
Prof Doutor Henrique Dantas, o senhor como su[prasumo de titulos academicos deve ter sido muito bem sucedidovendendo secos & molhados. Acho que seu caso deve ter sido queda na primeira infância, aproveite e faça mais tres cursos superiores semi presenciais porque esses aa distancia estao lhe fazdendo mal. Aproveite e veja se estou na esquina. Seus ultimos posts sao a propria aberracao em estado bruto.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 29/7/2010 às 08:37:46
Houve um tempo em que me propunha a condição de ambientalista. Por conhecimento, pela formação, por compreender como se dão os processos e, também, por uma preocupação de cidadão. Não conseguia me ver ajudando a depredar e transferir a podridão aos filhos, netos e os que viessem. Fiz gestão ambiental, projetos de sustentabilidade, relatórios de impacto, enfim, me tornei um militante na área, por acreditar que se poderia reverter, ou, ao menos, minimizar os danos. Era, então, dotado da tal postura de eco-chato. Todavia, justamente por ter contato com discursos infames como os que estão aqui nos comentários, mudei de lado. Virei um eco-cínico. Tô nem aí. Se a espécie humana é estúpida a esse ponto, de achar que a natureza está à sua disposição, dane-se. Explorem, mesmo. Arrasem tudo. Queimem, poluam, aterrem, assoreiem tudo. Matem, extinguam, massacrem, façam bom proveito com os recursos não renováveis. Satisfaçam sua tara destruidora. A natureza, seguindo os protocolos ecológicos, sempre dá um jeito. Quem sabe ela dê um jeito de vez em nossa espécie. Para o bem do planeta.
Henrique de Souza Dantas , Rio de Janeiro-RJ - Comerciante
Enviado em 28/7/2010 às 22:19:11
Caro Diego, você deve ser militante petista, pois está me patrulhando.Volto a afirmar que o texto é uma aberração. Leia você o texto, pois acredito que você nem leu, e se não é puxa-saco vai entender que é apenas uma mensagem política do "Grande mestre petista". Prefiro os eco-chatos do que a omissão. Eles ao menos fazem alguma coisa. Só uma coisinha, sou comerciante por opçao. Tenho dois cursos superiores e pós graduação. Já você não sei se terá futuro na vida como jornalista, acho que não.
wilson silva , são vicente-SP - aposentado
Enviado em 28/7/2010 às 22:10:10
Me facina a piracema de doutos "ambientalistas profissionais" alieniginas, tipo Sting, Bové, J.Cameron todos dando pitaco na escada do avião para nossos tipiniquins apalermados - que fico a imaginar a forma de tratamento destes aventureiros é Bwuana e/ou Saibi ??? Enquanto Cameron vem fazer merchan do filmeco bocó, la no pais do douto Canadá tem um rio com lavagem de minério de cadmio correndo a céu aberto, o Bové não sabe mas na França tem uma das maiores concentrações de Usina Nuclear, e nós somos os depredadores, o Japão trucida baleias pelos sete mares e leva fama de eco isso eco aquilo.Me poupe!!!!
DIEGO MASCARENHAS , BSB-DF - jornalista
Enviado em 28/7/2010 às 19:04:29
O Sr. Henrique Dantas parece meio nervosinho, só pq não entendeu o artigo desanda a mostrar destempero virtual acusando quem entendeu como puxa-saco. Lamentável que espécimes do comerciante em pauta pululem em tantos foruns de discussões. Recomendo que releia o texto 15 vezes e então estará minimamente apto a emitir algum juízo valorativo, i.e, caso os tenha. A questão do aterro merece ser noticia e não é devido ao pedantismo de nossos ecojornalistas com seu tom professoral de quem está prestes a receber algum Nobel...
Emerson Mathias , Sao Paulo-SP - economista
Enviado em 28/7/2010 às 17:56:44
Nada tao rapido, nem tao facil. O tema eh complexo e requer conhecimentos em diversas areas do conhecimento. A ignorancia dos jornalistas reflete a dos leitores, considerando-se apenas um publico de pessoas com ensino superior. Fazer um discurso demagogico nao vai funcionar sem que antes seja feito um trabalho de base em varios segmentos da sociedade (escolas, poder publico, faculdades, empresas de midia, agencias de propaganda) acerca das politicas ambientais. "Abrir a discussao" so vai a ajudar na criacao de mais dogmas, preconcietos e falsas solucoes. Sem coordenacao dos esforcos, "discutir livremente" nao vai levar a lugar algum. Por que nao se verifica o que ja foi feito em paises que tratam seriamente o tema, como o Japao e a Comunidade Europeia? Ja seria uma enorme contribuicao para pautarmos isso localmente. O fiasco em Copenhaguen mostra como eh facil se perder no meio de foruns e discussoes sem base tecnica. Possuimos um corpo de tecnicos que possa nos ajudar nisso? Creio que nao. Ficamos no marketing ambiental e no populismo ambientalista, ambos pouco eficientes para se encontrar caminhos para solucoes permanentes. Facil remediar, dificil erradicar os problemas. Exemplo: lixoes em aterros sanitarios. Todos conhecem o problema, quem pauta isso hoje? Na midia, ninguem. O tema nao faz parte dos interesses de quem paga para veicular seu marketing social.
Henrique de Souza Dantas , Rio de Janeiro-RJ - Comerciante
Enviado em 28/7/2010 às 17:22:36
Não sei onde o articulista quis chegar, mas os comentaristas que apoiaram esta aberração só podem estar querendo puxar o saco do mestre.
Diego Mascarenhas , Brasilia-DF - jornalista
Enviado em 28/7/2010 às 15:18:04
Não sei se é porque já trabalhamos juntos um dia mas o fato é que acho bem claras suas colocações: tem muito pedantismo na cobertura do meio ambiente e não vejo fragmanetação e sim arrogancia ao cubo de certos ambientalistas, em geral autores de best-sellers à moda do Globo Repórter, da CBN e da Época. Parabéns.,
Robson Fernando , Recife-PE - Estudante
Enviado em 28/7/2010 às 12:10:33
Obrigado, Washington, por esse artigo que estava fazendo falta no jornalismo brasileiro - e, por que não, mundial. De fato a mídia ainda faz uma cobertura muito fraca do meio ambiente, carente de transversalidade e interdisciplinaridade. Um exemplo de como a mídia é fraca no que tange a conscientizar foi a cobertura desprezível (quase uma FALTA de cobertura) do progresso legislativo da maior destruição de mangue da história brasileira - nos arredores do Porto de Suape -, requisitada pelo próprio governo estadual (PE) em nome do desenvolvimentismo sujo e irresponsável. Não houve qualquer vontade da mídia (exceto a Globo Nordeste, que publicou bem tardiamente uma reportagem sobre a ameaça ambiental desse ecocídio, num programa ambientalista) em promover o debate sobre como aliar desenvolvimento industrial e econômico com sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Um jornalão pernambucano, pelo contrário, em reportagem provavelmente comprada, ainda fez o desfavor de piorar a situação fazendo apologia descarada à destruição. Por último, sim, você foi muito claro em sua mensagem. Ela precisa repercutir em todas as redações de jornalões, jornalinhos e portais online. Abs
Marcio Araujo de Almeida Braga , Florianópolis-SP - Instrutor
Enviado em 28/7/2010 às 10:42:37
Pra mim foi muito claro, e também muito pertinente. É muita arrogância querer "salvar" o planeta. O planeta não vai morrer, nossa sociedade perdulária é que vai morrer. Além do que jornalista nuca teve status de cientista, por isso não pode posar como alguem que conhece toda a natureza e tem a receita pra tudo. Zemario, o autor falou em "fragmentação" pra indicar a necessidade do jornalista ambiental perceber as diversas conexões que o tema ambiente tem com as outras instâncias da vida humana. Ele não falou em fragmentar essa vertente jornalística, nem em desconstrui-las. Cristina, você não tem filhos nem sobrinhos? Ou você odeia todas as pessoas sem distinção, e deseja vê-las viverem um futuro de desastres ambientais crescentes e carência generalizada de comida?
Zemário Santos , Ibaiti-PR - Jornalista
Enviado em 27/7/2010 às 23:00:32
Pô, Washington! Aprecio teu jeito ousado e inteligente de escrever... Mas, querer fragmentar, fragilizar e desconstruir uma vertente jornalística que apenas engatinha em nosso País (mas que tem o mérito do idealismo pela conscientização, porque preservar não sabemos mesmo), aí já é demais! Não, não foi claro! Sente-se aqui, isso sim, uma pitada de ironia contudente, mas que não se justifica. Qual é o alvo da flechada?
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 27/7/2010 às 15:14:06
Para mim, claríssimo. Por conta disso tudo aí é que não tenho o menos saco para verdismo atrasado e ambinetalistas histéricos. Na nossa vez de crescer aparece esse papo de ecologia. Quem quer floresta, que plante. Por mim, já disse mil vezes,concreta a p.... toda, faz um estacionamento gigante e acaba com o salseiro. O povo da cidade gosta muito de conforto e de um sítio para passar fim de semana. Defendem uma política de conforto para mim e matagal sem luz, gás, escolas, hospitais, etc...para os povos que vivem nas regiões sagradas para eles. Ou aparecem com uma proposta decente ou fiquem lá nas ONGs debatendo. Além disso,ONG estrangeira que só tem agenda no Brasil nãopode nem existir, que dirá ser ouvida. Quero ver ONG brasileira dando pitaco lá fora. Derruba tudo,e ainda deixa um laguinho com uns patinhos para dar satisfação aos verdes.Palhaçada. Brasileiro quer morar nas cidades e fazer do resto do país( onde eles não tem que viver ), num grande Jardim Botânico.
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