ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 508 - 21/10/2008
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DRAMA DE SANTO ANDRÉ
Em vez de notícia, novela barata

Por Ligia Martins de Almeida em 21/10/2008

Cada vez que a televisão faz uma grande cobertura de tragédia (como a queda do avião da TAM em Congonhas, a morte da menina Isabella e agora o seqüestro de Santo André), a imagem da imprensa fica um pouco mais prejudicada. Confunde-se reality show ou novela barata com cobertura jornalística. E os espectadores, indignados como vários leitores do OI em seus comentários, culpam a imprensa.

Está na hora de jornalistas conscientes – aqueles que aprenderam que uma reportagem tem que ser bem apurada e que é preciso informar, mas respeitando as pessoas – tomarem uma posição contra isso que hoje chamam de "cobertura". Sensacionalismo é uma coisa; jornalismo é outra. E o que algumas emissoras fizeram semana passada foi puro sensacionalismo. A impressão que passou é que as emissoras, sem nada melhor para oferecer aos espectadores, torciam para que o cativeiro da estudante continuasse para sempre. Ganhavam as TVs, sem coisa melhor para oferecer, ganhavam os anunciantes, que tinham seu produto valorizado num programa de grande audiência, e ganhou o rapaz, que virou celebridade de uma hora para outra.

A moça baleada, a amiga que voltou para o cativeiro e as famílias atingidas não pareciam ter a menor importância. Terminado o confronto entre policiais na frente do Palácio do Morumbi, o seqüestro de Santo André era o programa mais barato e fácil de produzir que as emissoras poderiam oferecer ao público.

Soluções dos "especialistas"

É preciso lembrar que existe grande diferença entre notícia e novela de televisão. E o que se viu, na cobertura televisiva do fato, foi um reality show ao vivo, engordando a audiência das emissoras que usavam seu tempo para focalizar a janela do apartamento onde se desenrolava o drama. Pior do que isso era acompanhar a tentativa dos apresentadores de encher o tempo dos programas com comentários pra lá de vazios, sem contar as perguntas a especialistas sobre o que aconteceria com o rapaz ao final do seqüestro.

"De onde estou, o que se vê é uma grande correria", dizia a repórter do SBT A imagem que a emissora transmitia era igual à de todos as outras tardes: carros de polícia parados, policiais reunidos e a janela com a luz acesa.

Mas o pior mesmo talvez seja acompanhar a reação das pessoas. Na sala de um consultório, com a TV ligada, na hora em que os envolvidos no drama saíram do prédio, um casal correu para perto do aparelho e obrigou a filha, de quatro anos, a fazer silêncio. Era como final de novela. Eles não queriam perder nada da cena.

O público acompanhou o seqüestro desde segunda-feira (13/10); cada pessoa criou suas teorias e encontrou suas próprias soluções para a situação: mandar remédio para dormir, cortar a luz, não enviar alimentos. Enfim: das mil soluções sugeridas pelos "especialistas" entrevistados pela TV, cada espectador escolheu a sua. Mas todos concordavam numa coisa: um certo jornalismo que ali se viu praticado não podia ter dado tanto destaque ao rapaz, logo transformado em personagem principal da tragédia.

Apenas tragédias pessoais

Hoje os espectadores não se contentam mais em buscar informações na imprensa: como acompanham as tragédias ao vivo (vide a Guerra do Golfo e o ataque às torres gêmeas de Nova York), acostumaram-se a interpretar os fatos a partir das imagens que a TV fornece e, infelizmente, dos comentários feitos pelos apresentadores. Acostumaram-se ademais aos âncoras que chegam a ficar horas no ar, preenchendo o tempo com entrevistas e comentários nem sempre bem fundamentados. O resultado é que o jornalismo hoje ganhou um novo sentido para o público. O que antes era investigação, interpretação e preocupação em ser fiel à verdade, passou a ser tido como um show.

Nesse jornalismo do espetáculo, de um lado, temos as emissoras, que fazem qualquer coisa para garantir o ibope, e do outro personagens transformadas em celebridades. O rapaz de Santo André, que começou querendo resolver um problema emocional, talvez não contasse com a notoriedade imediata. Ficou famoso, virou centro de atenções e se descontrolou ainda mais. O resultado foi uma vida perdida e outra destruída.

Mas isso não tem a menor importância para as emissoras de TV: os personagens dessa tragédia, como tantos outros, só interessam por alguns dias. Rapidamente a história fica velha, não dá mais tanto ibope, e o que sobra são apenas seres humanos vivendo suas tragédias pessoais. Não servem mais para esquentar a fraca programação diária, sobretudo a diurna, da TV aberta. Notícia de verdade – sobre o estado das pessoas envolvidas com o drama, a forma como Lindemberg Fernandes Alves conseguiu suas armas, os pais dos jovens, a condição de suas famílias, a situação dos moradores da periferia de Santo André – só aparecerá (e também por pouco tempo) na imprensa escrita.

Comentários (27)
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Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 28/10/2008 às 08:47:44
Excelente artigo. Você me fez lembrar as palavras do José Arbex. Segundo ele o “...fim da fronteira entre informação e entretenimento obrigou o telejornalismo a se adaptar ao ritmo das mensagens publicitárias: ninguém que tenha acabado de passar pelo impacto visual proporcionado pelas mensagens da Coca-Cola ou Marlboro suportaria uma seqüência longa (mais do que trinta segundos) ou densa sobre algum evento. As notícias são apresentadas por belas mulheres, ou por ‘ancoras’ que funcionam como show-mim, não tendo importância o fato de eles saberem ou não de que trata a notícia lida no teleprompter.” O problema do shownarlismo televisivo é que para as vítimas da cobertura (telespectadores incluídos), a realidade nunca é só uma ficção.
Willian  Araujo dos Santos , São Paulo-SP - Estudante
Enviado em 23/10/2008 às 15:02:25
A mídia,além de tornar uma celebridade o tal sequestrador,passou durante todo o tempo a imagem de que ele era um santo,um inocente que havia perdido a razão,mas que logo redobraria sua consciência.Não querendo ser tachado de maldoso,mas a sobrevivente Nayara vai se tornar por algum tempo a princesinha da mídia.infelizmente é bem provável que em breve as redes de TV briguem entre si por uma "entrevista bombástica e reveladora,SUPER EXCLUSIVA".Não faltou "especialistas" em táticas policiais após a tragédia,ora,assim até eu posso um também,falar depois do ocorrido é fácil,por que não apareceram antes?E eu digo que esse caso pode virar culpa da polícia,ela que sairá de vilã e o marginal será esquecido.Não sei se alguém já teve o mesmo pensamento;sempre que ocorre casos parecidos,o país é tomado por uma comoção sem igual e que nos faz pensar que somos uma nação de cidadãos educados,que se preocupam com o próximo.A verdade é que o povo brasileiro de bonzinho não tem nada,somos aproveitadores,principalmente da desgraça alheia.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 23/10/2008 às 14:58:37
Conclamo aos "comentaristas" deste Observatório da Imprensa a não votarem na "Urna do OI" desta semana a qual trata do assunto abordado neste artigo. Boicote a essa "Urna do Observatório da Imprensa"!. Não ao espichamento da novela. Ou do folhetim!.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 23/10/2008 às 14:51:54
Que história é essa a qual todos queremos "aparecer" na mídia?. E quando não havia mídia?. Também não havia crime?. Também não havia tragédia?. Agora a culpa é da vítima?. A culpa é do criminoso?. Já li que a culpa é da Xuxa!. A culpa é do leitor ou do ouvinte ou do telespectador?. Ora, a mídia só deu destaque a esse caso por causa da facilidade em cobri-lo (sem grandes custos financeiros). As tragédias cotidianas e diuturnas não cessam nem no Brasil nem no mundo. Há até opinistas "consagrados, rarará", em espaço "nobre, rarará de novo" opinando sobre o caso. Não queremos aquele tal 1/4 de hora de fama prognosticado pelo escritor brasileiro Lima Barreto. Não vi, não ouvi e não li. Não li nem sequer este artigo. Aliás, só haverá fama se a mídia assim quiser. A mídia fama e desfama quando quiser. Agora só falta censurar o cidadão. "Você comenta no Observatório da Imprensa, portanto, você também é culpado!". Se fosse preciso pagar para transmitir esse espetáculo, o "cliente" da mídia não teria tido a mercadoria. Ou a espetacular "notícia". Sim, a mídia midiatiza. Mas, não precisa exagerar, né!.
Celso Pereira Neris Jr , Catanduva-SP - Estudante de Economia
Enviado em 23/10/2008 às 14:30:43
Talvez seja a hora de alguma emissora, principalmente as "líderes" passarem o sensacional filme "Boa noite e boa sorte". A despeito do contexto histórico, a discussão feita no final é pertinente quando questiona a validade dos programas exibidos pela tv estadunidense. A "mídia brasileira" precisa de seriedade. Stuart Mill falava sobre a liberdade de opinião e sobre a opinião da maioria posta pela elite, é o que vemos hoje. A liberdade tem tomado um viés negativo, há excesso de liberdade. Parece que pela pesquisa de campo feita anteriormente com os reality shows se empregou um padrão que culminou no caso Eloá. Que nada mais foi que um reality show no sentido exato da palavra. Não adianta culparmos a sociedade nesse momento, a tomada de consciência deve ser dada pelos formadores de opiniões que estão na mídia. E, não só tomada de consciência, mas também responsabilidade. http://vidareinventada.blogspot.com
Carlos Penteado , São Paulo-SP - Quimico
Enviado em 23/10/2008 às 14:15:10
A pergunta que não quer calar, quem pode colocar uma ordem de dignidade nesses abusos causados pela imprensa, e faze-la promover os bons costumes de uma sociedade....
Erick  Amirat , Salto-SP - Jornalista
Enviado em 23/10/2008 às 12:40:44
Uma das coisas que mais me indignou neste caso, que como o autor bem disse, parecia uma novela, foi ver na última terça-feira, que todas as capas dos principais jornais de SP traziam a foto da jovem Eloá, morta por Lindemberg, dentro do caixão. Isso me mostrou que a imprensa sensacionalista está muito próxima de nós e que fugir dela também está cada vez mais difícil. Isso seria culpa dos jornalistas? Diria que em parte. O que os motiva a colocar a foto de um cadaver na capa do jornal em grande parte seja da vontade da população em ver fotos deste tipo. O mesmo povo que foi ao velório com o celular na mão e que passando em frente ao caixão não hesitava em tirar uma foto, conforme visto em link ao vivo do Jornal do SBT na segunda a noite. A imprensa capricha em seu show de sensacionalismo. Mas se faz isso é porque dá audiência. E se dá audiência é porque o povo gosta. Então eu questiono: de quem é a culpa disso?
Andrea Barbosa , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 23/10/2008 às 11:38:47
O quarto poder ás vezes ultrapassa o coerente Com o caso de Santo André durante a semana passada, percebemos como a mídia atrapalha o trabalho da polícia em certos momentos e como o caso poderia ter desdobramentos diferentes, se não sofresse a influência exacerbada desse quarto poder. Em todo momento as câmeras davam a Lindemberg a visão dos movimentos da polícia em relação ao caso. Jamais um policial poderia fazer prontidão na janela, sem que a Globo, Record, Rede TV! e Bandeirantes transmitissem ao vivo o que acontecera. O jornalista Datena estava certo ao criticar a também jornalista Sonia Abraão, por falar ao vivo com o seqüestrador. As perguntas nas entrevistas feitas à Lindemberg poderiam alterar o comportamento dele de uma maneira perigosa e inconseqüente. Cabe ao jornalismo rever seus conceitos de até que ponto vale um furo ou uma exclusiva de reportagem. Nossa profissão visa melhorar a vida das pessoas e não colocá-las em risco.
RAPHAEL CARVALHO , RECIFE-PE - PETROLEIRO
Enviado em 23/10/2008 às 11:35:11
Pena de morte.
Ricardo Pardini , São P-SP - Gráfico
Enviado em 23/10/2008 às 11:34:08
Marco Antônio Leite, matérias que versem sobre a mídia e o governador não existem, ou são censuradas. Essa blindagem que apóia um projeto político P$DB/DEM tem muita força em SP. Os cadáveres estão querendo voltar à vida.
Paulo Roberto Saggiorato , Descalvado-SP - professor
Enviado em 23/10/2008 às 11:10:23
Em tempo: só está faltando o famoso "0800" para o telespectador decidir qual será o final da tragédia e ainda concorrer a prêmios
Paulo Roberto Saggiorato , Descalvado-SP - professor
Enviado em 23/10/2008 às 11:07:37
A cada tragédia é sempre a mesma coisa. O "ibope" fala mais alto nas redes de TV. Os absurdos cometidos por alguns órgãos de imprensa e seus "âncoras" extrapolam as raias da preocupação para com o ser humano, até mesmo para com os telespectadores. E por conta deste "ibope" as TVs não se dão conta de como ficam ridículas as correções disfarçadas que precisam fazer de informações passadas de forma equivocada. Uma pena! Até quando?
justo justus , São Paulo-SP - analista de sistemas
Enviado em 23/10/2008 às 10:02:53
Concordo plenamente com o artigo. Mas gostaria de acrescentar um pouco mais, em relação ao desfecho desta tragédia. As responsabilidades: Estou bastante indignado com a atitude da PM, que de forma corporativa tenta encobrir o óbvio. NÃO HOUVE tiro algum minutos antes da invasão. Até ai, tudo bem, penso. Assumam suas responsabilidades. Mas não. Querem perpetuar uma mentira deslavada. Porquê? Porque os grandes jornais protegem claramente o governo do Estado de São Paulo, José Serra, que obviamente não aparelhou, nem deu condições técnicas para um policia eficiente. E não sabemos, assim como diz este artigo, até que ponto houve interferências politicas no caso. Mas uma coisa é certa: É vergonhoso ver o comandante da PM, que no dia anterior, achava a Nayara (15 anos?) capaz de negociar com o seqüestrador e hoje acha que é totalmente desorientada porque contradiz a PM quanto a ter havido ou não um tiro minutos antes da patetada da invasão. E se notarem bem, os jornais , quase todos, dão esta noticia como de menos importância, quase escondida. Midia venal e policia, juntas, desde que o PCC comanda SP.. Vergonhoso.... verdadeiramente vergonhoso e criminoso. Parabéns pelo artigo.
Daniela Pereira , Salvador-BA - Esudante de jornalismo
Enviado em 23/10/2008 às 09:22:34
concordo plenamente. è uma pena que o jornalismo trate a notícia dessa forma e o pior é que as pessoas gestam disso. Sou estudante de Jornalismo e cada dia que passa fico mais decepcionada com nossa qualidade e responsabilidade social.
Isolda  Herculano , Maceió-AL - Jornalista
Enviado em 22/10/2008 às 20:00:55
A mídia mais uma vez entrou em cena com o intuito de novelizar, criar drama em cima de uma situação já, forçosamente, dramática. E talvez isso não traga incômodo aos expectadores, porque o brasileiro é muito apegado ao formato das telenovelas: mocinhos, bandidos, uma história de amor impossível, enfim. Mas todas as novelas acabam um dia e a vida, que não garante as regalias da ficção, nem sempre ruma para o final feliz. www.malajornalistica.blogger.com.br
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 22/10/2008 às 19:56:29
Correção: é proprietário dessa empresa. Rogo, não censure esse desabafo.
Francisco Estorani , Niterói-RJ - professor
Enviado em 22/10/2008 às 18:26:09
Ligia, pior ainda: trata-se de uma novela barata e na qual só interessam, para os telespectadores, as sensações que provoca. Com efeito, o que importa é sentir algo diferente do gosto diário de arroz com feijão. E é terrível e assustador pensar que tal necessidade está acima de qualquer tipo de compaixão e indulgência. Acho muito bom isso de, em seu texto, você conclamar os judiciosos jornalistas, que trabalham com retidão, para colocarem um ponto final nessa benevolência dedica a lixos tais qual o jornalismo no programa do Gugu. Este, infelizmente, é um dos tantos. Deus nos proteja.
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 22/10/2008 às 17:29:01
E a novela continua. Continua na "Urna do Observatório da Imprensa". Após a novela, a eleição na URNA DO OI!. Só a novela é muito pouco. É necessário a votação. A eleição na "urna do Observatório da Imprensa. Da imprensa, hein!. Agora temos o Observatório da Novela. Inclusive com urna!.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 22/10/2008 às 16:35:04
Este site é cabo eleitoral dos políticos do PSDB, pois não vejo uma critica ao des-governo do Serra, ou então ele proprietário dessa empresa. Rodo, não censure esse desabafo?
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 22/10/2008 às 16:01:33
Ser mais ou menos homem não justifica matar alguém que não queira sua amizade ou seu "AMOR". Senhores, "AMOR" é abstrato, se alguém puder mensure a quantidade de "AMOR" que uma pessoa acredita ter com relação a sua parceira. No namoro, noivado ou casamento o que impera é o respeito mutuo, bem como aceitar as diferenças entre filosofia de vida, gostar mais do azul em detrimento do vermelho. Senhores sou casado a trinta e três anos, nesse período o casal procurou preservar as diferenças, pois sou ÍMPIO, minha esposa Católica, ela gosta de um gênero de música e, eu de outro, ela gosta de clube de futebol e eu de outro entre outras diferenças. Porém nada disso tem abalado nosso relacionamento de um casal "normal". O marginal além de ter falta de cultura, educação, acreditava que a jovem fosse de sua propriedade particular. Em função disso, assassinou a mulher que falava que tanto "AMAVA". Ele demonstrou ter índole de bandido e mau feitor da pior espécie, se é que tem marginal de especie melhor?
Valmont Santos , Salvador-BA - Funcionário Público
Enviado em 22/10/2008 às 14:32:43
O que mais nos espanta é a falta de respeito pela vida. Depois desse show nefasto, após a morte da garota, mostraram uma figura humana desenhada com os órgãos em destaque, semelhante àquela figura bovina que vemos em açougues, referindo-se ao ato de doação da forma mais grotesca que algum idiota poderia fazer! Isto é o cúmulo da falta de respeito pelo ser humano! Ainda ignorando a ética, rastrearam o destino dos órgãos e identificaram os receptores, desrespeitando o princípio do anonimato que deve ser observado em tais casos. Lembro ainda a corriqueira conduta irresponsável de alguns "repórteres" que tem ocasionado muitas mortes: a exposição de testemunhas, exibindo não apenas a imagem mas também nome e endereço dessas pessoas que terminam sofrendo perseguição dos criminosos. Tal crime deveria ser duramente punido por lei. Até quando veremos essas coisas acontecerem impunemente?
luiz reis , vitoria-ES - bancario
Enviado em 22/10/2008 às 14:29:46
Perfeito, sem considerações adicionais. Só fica a pergunta: O que fazer? Quem controla? Controle é igual a Censura? Porque não uma ANIMP - Agência Nacional de Imprensa como ANATEL, ANP, etc... Não vejo outra saída, ou então uma TV pública de qualidade e não apenas para fazer propaganda do governo. Precisamos achar uma solução, estamos sendo deformados pela mídia e poucos estão percebendo isso.
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 22/10/2008 às 13:58:48
Mas Marco Antonio, as pessoas pagam para aparecer na telinha. O brasileiro é exibicionista.
Laelson Nunes da Silva , Campo Grande-MS - Administrador
Enviado em 22/10/2008 às 13:32:55
Estes casos precisam ser noticiados sim, mas apenas como notas curtas. Observe que este tipo de tragédia (infelizmente) faz parte do cotidiano, só interessa aos diretamente envolvidos, familiares, vizinhos e autoridades, assim sendo, para o resto da humanidade apenas uma nota, ou até um detalhamento na mídia escrita seria suficiente para nos inteirar dos fatos. Como no caso da menina Nardoni, o bombardeio incessante de todas as emissoras, repetindo todos os detalhes vezes e vezes, me levaram a assistir enlatados americanos, para poder ver alguma coisa diferente. Eu não suporto mais este tipo de cobertura. Não me dou mais ao trabalho de assistir, cansei.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 22/10/2008 às 12:20:47
A imprensa fatura muito dinheiro com a desgraça alheia. Sugiro que na medida em que a imprensa faça uma cobertura novelesca, seria obrigada a pagar direito de imagem. A informação deve ser somente do fato, sem que as emissoras fiquem horas e horas martelando o assunto do momento. Sem essa exploração de exclusividade, esse fato acaba gerando conflito de interesses para saber quem tem mais acesso ao evento funesto.
Leo Gomez , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 21/10/2008 às 11:55:32
A cada dia, dá mais vergonha de ser jornalista. Sobretudo porque, para a maioria, somos todos iguais. http://indiegesto.zip.net/
Melchíades A. Prado , BH-MG -
Enviado em 21/10/2008 às 11:16:52
Parabens Lígia. Você também disse exatamente o que aconteceu, acontece e acontecerá novamente. É o recorrente direiro de informação que estes urubus se utilizam para fugir das responsabilidades, da ética, da educação, do respeito e piedade pelo próximo. Cadê o seu Alberto Dines?
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