ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 545 - 9/2/2010
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CASO SARNEY
Folha protege o senador

Por Luciano Martins Costa em 9/7/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI

É manchete da edição de quinta-feira (9/7) do Estado de S.Paulo e reportagem interna na Folha de S.Paulo a mais recente revelação sobre o estilo Sarney de fazer política: a Fundação José Sarney, que ocupa a antiga sede do Convento das Mercês, prédio histórico erguido no século 17 em São Luís, foi beneficiada com verba da Petrobras.

Mas não se limitam ao destaque dado a essa notícia as diferenças no tratamento oferecido pelos dois jornais. A Folha apenas registra que "Fundação Sarney ganha R$ 1,34 mi de estatal". O Estadão vai mais fundo e denuncia: "Fundação Sarney desvia recursos da Petrobras"

Como explicar tamanha diferença na abordagem do mesmo tema e na disposição para investigar os indícios de mais uma fraude na vasta conta de falcatruas atribuídas ao senador José Sarney? O que se esconde por trás da resistência da Folha em manter o escritor José Sarney entre seus colaboradores?

O episódio de quinta-feira, quando a Folha de S.Paulo claramente omite o principal e mais grave aspecto da notícia escandalosa, não deixa dúvida quanto ao propósito do jornal de preservar o presidente do Senado. A outra alternativa, pura incompetência, seria demasiado cruel e injusta com seus editores.

Leitor lubridiado

A reportagem da Folha de S.Paulo se apresenta quase como uma nota oficial da entidade que o Estadão acusa de desvio de recursos. Começa como um press release:

"A Fundação José Sarney em São Luís, que recebeu R$ 1,34 milhão da Petrobras entre o fim de 2005 e setembro passado para preservação do seu acervo, tem como principal atração para o público, em vez de livros e o museu, uma festa julina idealizada pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney".

A manchete do Estadão começa assim:

"A Fundação José Sarney desviou para firmas fantasmas e empresas da família do senador dinheiro da Petrobrás para patrocínio de projeto cultural que nunca saiu do papel."

O leitor da Folha foi claramente ludibriado.

O bom menino das Mercês

A reportagem do Estadão, que ocupa, além da manchete, duas páginas inteiras, revela que a Fundação Sarney foi privilegiada pela Petrobras, furando a fila para receber o patrocínio com incentivo fiscal da Lei Rouanet. O projeto financiado pela empresa previa a digitalização dos documentos do museu, com instalação de computadores para que os visitantes pudessem conhecê-los.

A leitura combinada das reportagens do Estadão e da Folha induz o leitor a suspeitar que alguns desses documentos declarados não existem ou estão em outro lugar que não o museu, como livros raros e uma obra de Maquiavel datada de 1560.

A única referência a Maquiavel, ou aos seus pensamentos, que o Estadão encontrou é o projeto em si, que se resumiu a recolher o dinheiro da Petrobras e o desviar para outros fins. Segundo o jornalão paulista, pelo menos 500 mil reais foram parar em contas abertas em nome de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís – e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Outra parcela foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio que pertencem à família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício.

O Estadão publica fac-símiles de um bilhete do próprio Sarney, pressionando o Ministério da Cultura a liberar a verba, e de recibos suspeitos. O projeto jamais foi realizado.

As revelações do Estado de S. Paulo só podem produzir dois efeitos: ser desmentidas cabalmente ou conduzir a um inquérito e a um processo de cassação. Mas a Folha não viu nada disso e afirma que o dinheiro da Petrobras foi usado para a festa julina organizada por Roseana Sarney.

Os festejos, que começaram na semana passada, são realizados pela Associação dos Amigos do Bom Menino das Mercês e tiveram como abertura uma toada em homenagem a… Roseana Sarney.

Tudo indica que o bom menino das Mercês usa bigode e não é outro senão o presidente do Senado Federal.

Comentários (9)
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Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 10/7/2009 às 19:27:31
O suserano senador José Sarney não é colaborador da tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo, vulgo, ex-Folhão, não!. Mas, já foi!. Agora é a tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo, vulgo, ex-Folhão é quem colabora com o tal suserano senador José Sarney. Essa colaboração é octaviática!. E i-mor-tal!. E vitalícia!. E hereditária!. É uma permuta "recíproca"!. Mas, trata-se de um diversionismo igualmente octaviático (filhático)!. E abaixo a promiscuidade!. Com a palavra o tal conselho de anciãos e de guardiães folhácticos, vulgo, conselho editorial (com minúsculas mesmo, né!). Abaixo o tal suserano José Sarney da tal Folha de Notícias Populares de S. Paulo, vulgo, ex-Folhão!. E que o tal suserano senador José Sarney continue mesmo "pseudopresidindo" o tal Senado Federal e o tal Congresso Nacional!. Pois, se o tal suserano José Sarney insistir em "preservar" a sua biografia será melhor para a biografia daquela "Casa de Leis"!. Se o tal suserano não mais suseranar o Senado Federal ninguém mais exigirá a sua "reformulação"!. Aliás, a sua higienização e, principalmente, a sua descorrupção!. Abertura rápida e imediata do Senado Federal já!. Sem a malandragem da tal "transição sem ruptura"!. Que aliás, é característica sarnática!. O Brasil precisa "desconstruir" o tal suserano José Sarney!. E se assim for "desconstruirá" a política "sarnática"!. Te cuida, Folha octaviática!!.
Zulcy Borges Souza , Teresina-PI - jornalista
Enviado em 9/7/2009 às 21:12:56
Caro Luciano, carregar armas contra a Folha de São Paulo não me parece apropriado no momento, assim como não o foi contra a Veja no episódio já esquecido de Renan Calheiros. Malgré tout a Folha vem se esforçando e Sarney não chega a Pimenta.
Ery Roberto Corrêa , Curitiba-PR - Professor
Enviado em 9/7/2009 às 18:14:21
Amigos, o comportamento da Folha é no mínimo estranho. Eu não tenho a menor dúvida que o Grupo está recebendo dinheiro de Sarney para mantê-lo como colunista do jornal. Quanto a mais este escândalo no Maranhão, sendo bem franco, penso que quem deveria reagir não reage: o povo. E, por uma questão de legitimidade, uma ação popular deveria começar justamente no Maranhão. Uma reação daquele povo, de caráter político, organizada por forças populares do próprio estado, teria a repercussão que toda e qualquer iniciativa das que foram timidamente realizadas em outros estados não teve. O "coronel" tem que ser acuado e se começar pelos próprios conterrâneos eu tenho certeza que o Brasil vai "a reboque". A verdade é uma só: como está não é possível continuar. Causa espécie o comportamento político tanto do PT quanto do presidente Lula ante a clareza da "mão no jarro". É demais!
Rodolfo Ricciulli Leal , Guaratinguetá-SP - advogado
Enviado em 9/7/2009 às 15:41:37
Vários modos de noticiar que prevalecem no Brasil são considerados pelas pessoas em geral como vardadeiros, pelos esclarecidos como falsos e pelos políticos como úteis.
henrique Rodrigues , BH-MG - Professor
Enviado em 9/7/2009 às 14:52:26
A Folha protege hoje. Já o Estadão protegeu por quanto tempo? As falcatruas do Sarney não vêm de agora, mas só neste momento o bravo jornalismo mesquitano resolveu desmascará-lo de cabo a rabo. Outro dia acompanhei o programa da TV, e um jornalista do Estadão defendeu o jornal dizendo que as novidades eram frutos de uma cisão nos bastidores do Senado, que estariam abastecendo os jornais. Ah bom! Antes disso, o Sarney devia ser considerado um santo, portanto, nada de investigação. Não sou leitor da Folha (já fui), mas esse comentário sobre a casa dos Frias está parecendo campanha.
Paulo Henrique Gadelha Corrêa , Belém-PA - Estudante de Jornalismo
Enviado em 9/7/2009 às 14:32:05
É apenas mais um caso trivial em que fica clara a questão da ética jornalística ou a falta dela. O fato do jornal O Estado de S. Paulo ir mais além às críticas feitas ao presidente do senado federal, José Sarney, não significa que esse diário esteja acima do bem e do mal. Ele apenas tá seguindo o que lhe é conveniente. E o fato do jornal Folha de São Paulo ser mais "brando " nas críticas, não significa que o mesmo seja ruim. Na verdade, ambos simplesmente estão atendendo aos seus interesses, que perpassam por suas linhas editorias, aliança com anunciantes, desisnterresse de tornar notório algo que de fato seja relevante para a amioria da população etc. A imprensa, infelizmente, virou esse balcão de negócios. A grande sacada dessa história é podermos perceber como dos veículos que tratam do mesmo assunto, os abordarem de forma diferente.
Roberto  Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 9/7/2009 às 10:43:42
Enquanto isso, o MinC paga R$ 2500,00 (dois mil e quinhentos reais) de salário a seus funcionários com doutorado... Numa reunião sobre plano de cargos um acessor do Mininstério do Planejamento perguntou se realmente o IPHAN precisava de funcionários com doutorado... Um arqueólogo, afinal, só cava a terra.
dante caleffi , rio de janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 9/7/2009 às 10:19:15
Constatação que chega com alguns meses ,mais precisamente anos de atraso. Os leitores ,estão sendo ludibriados cotidianamente,não só pela Folha de SP,mas também, pelo Estadão, O GLobo e VEJA. Sobre tudo o que se refira ao governo Lula.Sarney, é apenas um mote. Como tantos produzidos e buscados pela mídia ,ou PIG, se assim lhe quiser chamar. Que não leva em conta o grau de improbidade dos membros do congresso, sejam eles quais forem.O objetivo ,é conhecido e percebido pelos medianamente lúcidos: "delenda Lula !". Observe como recrudesceu agressividade, depois de terem a verba de publicidade da Presidência da República,redistribuida entre mais de novecentos veículos,tirando a exclusividade do sudeste. A ponto de adotarem como medida extrema e suicida, o boicote ao presidente da republica.
Lenin Araujo , Guaraci-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 9/7/2009 às 09:56:28
... bigodes e um indefectível jaquetão.
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