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ARMAZÉM LITERÁRIO
Autores, idéias e tudo o que cabe num livro
UM ANO DEPOIS
Ninguém ousa enfrentar
a facção vencedora
Alberto Dines
Best-seller do fim do ano passado, o livro mais badalado da última década, manancial de debates e polêmicas ao longo de alguns meses – Notícias do Planalto, a obra de Mario Sergio Conti, trouxe o desempenho da mídia ao nível das abobrinhas e das fofocas. Hoje, está praticamente esquecido. Com a decidida ajuda do autor, que não quer mais discuti-lo para aborrecer-se com as seqüelas do seu trabalho.
Apesar das críticas nos meios jornalísticos, este Observatório foi taxativo por ocasião do lançamento: a importância histórica do trabalho será proporcional à sua capacidade de gerar seqüenciamentos e réplicas. Não obstante seus indiscutíveis méritos como livro, as questões centrais da mídia brasileira foram apenas afloradas. O viés patronal (uma das alavancas do seu espetacular sucesso) ficaria até relegado a um segundo plano se as revelações e emoções despertadas pudessem desdobrar-se e encorpar a indispensável controvérsia em torno do nosso jornalismo.
Um ano depois e aparentemente inspiradas no êxito comercial do livro de Conti, as editoras colocaram nas prateleiras e montras oito lançamentos sobre mídia. Exceção é o livro-álbum da Editora Abril – A revista no Brasil –, trabalho institucional para comemorar os 50 anos da empresa que, entre outros méritos, faz um generoso e justo tributo ao seu ex-colaborador Mino Carta [veja nota neste Armazém].
Nenhum dos autores segue alguns dos veios e motes de Notícias do Planalto, exceto Mino Carta (não obstante as inúmeras promessas veiculadas na ocasião a respeito dos trabalhos que estariam sendo elaborados na esteira do best-seller).
Críticas e polêmicas, as obras recém-lançadas tratam de aspectos importantíssimos da nossa mídia – caso de A herança de Sísifo, de Lira Neto [veja remissão]. Mas sob o ponto de vista estatístico, as perigosas relações entre jornalistas e o poder ficaram relegadas ao segundo plano. Quatro dos oito livros novos tratam da TV. Indício (e esperança) de que o barril de pólvora deste final de 2000 pode ser a tônica da safra de 2001.
A rápida evaporação dos principais ingredientes de Notícias do Planalto veio reforçar inesperadamente algumas das críticas formuladas na ocasião. Sobretudo no tocante à motivação e vetor de algumas de suas denúncias – tratava-se de uma vendeta entre grupos de profissionais.
O quase silêncio de agora é altamente comprometedor: ninguém ousa enfrentar a facção que ganhou.
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Não é livro novo, é a segunda edição (lançada no fim de novembro) de Millôr Definitivo – A Bíblia do Caos (LP&M, 524 pgs.). Cinco mil frases selecionadas de textos de Millôr Fernandes produzidos ao longo de 50 anos. Como esta, no verbete Jornalista (pág. 268): Em qualquer roda é fácil reconhecer um jornalista: é o que está falando mal do jornalismo.
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Nesta rubrica, mais informações sobre A Revista no Brasil (Suzana Camargo, coord.), Grandes pecados da imprensa (Sebastião Nery), O mundo, esse lírio (Luiz Garcia), 50 anos de TV no Brasil (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho).
Leia também
Sobre O castelo de âmbar, de Mino Carta
Sobre A herança de Sísifo, de Lira Neto
Sobre a Globo – A deus ferida, vários autores
A armadilha do consenso – entrevista de Eugênio Bucci a Luiz Egypto
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