ARMAZÉM LITERÁRIO

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SEBASTIÃO NERY
Os pecados da imprensa

Luiz Antonio Magalhães

"A história confirma apenas 50% do que a imprensa publica; 50% é fantasia." O duro diagnóstico é do jornalista e escritor Sebastião Nery, que acaba de lançar o livro Grandes pecados da imprensa, em que são analisados erros e equívocos da mídia brasileira em torno de quatro personagens: Ruy Barbosa, Juscelino Kubitschek, Orestes Quércia e Alceni Guerra.

Sebastião Nery conta que realizou uma longa pesquisa para escrever o livro. A idéia inicial era tratar apenas dos "pecados da imprensa" relacionados a Ruy Barbosa e JK, mas o jornalista foi convencido por seu editor a incluir também personagens contemporâneos.

A escolha do ex-governador Orestes Quércia e o do ex-ministro Alceni Guerra não se deu ao acaso. Ambos, explica Nery, foram vítimas de campanhas da mídia porque eram, em momentos distintos, prováveis candidatos a presidente da República. "A Veja, a Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo moveram uma verdadeira cruzada contra Quércia", diz Nery. "A imprensa é poder, faz parte do jogo de poder", afirma.

No caso de Alceni Guerra, ex-ministro da Saúde do governo Collor, Sebastião Nery acredita que a causa dos ataques está no vazamento da informação de que Alceni era o predileto do presidente para a sua sucessão.

Sobre JK, o jornalista também é contundente. A pesquisa revela que grande parte dos ataques da imprensa da época carece de fundamentos. "Diziam que o JK era a sétima fortuna do mundo, um califa das Américas, mas quando ele morreu ficou provado que era mais pobre do que o [ex-governador Carlos] Lacerda", diz o jornalista.

Para comentar os pecados da imprensa sobre Ruy Barbosa, o jornalista não pesquisou apenas nos jornais da época. Logo no primeiro capítulo do livro, Nery conta uma história envolvendo um erro do jornalista Paulo Francis, que um dia acusou o intelectual baiano de "ladrão". Segundo Nery, essa história envolvendo Ruy Barbosa foi uma das grandes motivações que o levaram a escrever o livro.

Grandes pecados da imprensa está dividido em quatro partes – uma para cada personagem –, subdividas em capítulos curtos. A leitura é rápida e agradável, há muitas histórias que garantem uma boa dose de diversão os leitores. Mas o principal objetivo do livro não é divertir. É mostrar aos leitores que os pecados da imprensa, principalmente os grandes, não são fruto de mero desleixo de jornalistas. A tese central do livro é a de que a imprensa faz parte do poder, está inserida dentro do jogo político e só assim pode ser compreendida. É por isto, e não por outras razões, como Sebastião Nery gosta de dizer que a história nunca confirma totalmente o que sai na mídia.



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