Correio reeditado
Haroldo Ceravolo Sereza

"‘Correio Braziliense’ original é reeditado", copyright O Estado de S. Paulo, 7/02/01

"A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo anunciou ontem que publicará a coleção completa do jornal Correio Braziliense, de Hipólito José da Costa (1774-1823), o primeiro jornal brasileiro, que circulou de 1808 a 1822 (num total de 175 números).

A coleção terá um total de 31 volumes, sendo 29 de fac-símiles dos jornais, um de índice e um de comentários históricos. Além de fundar o jornalismo brasileiro, o Correio Braziliense, editado por 14 anos no exílio de Hipólito na Inglaterra (e impresso por W. Lewis, Paternoster.Row, em Londres), desafiou a censura régia, chegando a ter sua circulação proibida nos domínios portugueses.

Até recentemente, só havia sido publicada uma coletânea de textos do periódico, numa antologia organizada pelo jornalista Barbosa Lima Sobrinho, em 1977. Tal fato tornava o Correio Braziliense conhecido de fato apenas por aqueles que recorriam aos poucos exemplares restantes das primeiras e únicas edições.

No início do ano passado, a Imprensa Oficial publicou o primeiro volume da coleção, com fac-símiles das edições de junho a dezembro de 1808. Foi uma preparação para o projeto da reedição completa, que tem um custo total estimado em R$ 1,5 milhão (também participam da edição a Uniemp e o jornal de Brasília Correio Braziliense, que buscou no Correio original o seu nome).

‘Todo mundo já ouviu falar em Hipólito José da Costa, mas quase ninguém leu os textos do Correio Braziliense; agora, ele poderá ser também um instrumento de consulta’, afirmou o jornalista Sérgio Kobayashi, diretor-presidente da Imprensa do Estado. A edição da Imprensa Oficial é baseada na coleção completa do jornal do bibliófilo José Mindlin. O processo de transposição não foi simples: isso porque o jornal, no início do século 19, era impresso com uma tinta de origem animal que foi, com o tempo, se apagando.

O primeiro volume, na nova versão (praticamente idêntica à do ano passado), deve ser lançado em março. A partir daí, será lançado um volume por mês.

Ainda não foi definido o preço final de cada livro, mas a Imprensa Oficial espera que ele fique em menos de R$ 20. Cada tiragem terá pelo menos 3,5 mil exemplares - 500 com capa dura e 3 mil com capa mole. O número pode aumentar, pois está previsto também o lançamento de assinaturas do jornal.

O índice dos textos do Correio Braziliense será publicado antes do lançamento de toda a coleção, explica Kobayashi, para ajudar a ampliar o interesse dos volumes a serem lançados. O projeto de reedição é coordenado pelo jornalista Alberto Dines."

 

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