escarafunchou, à exaustão,
com pesquisas realizadas principalmente na Inglaterra, a descendência
deixada naquele país pelo grande jornalista até a década
de 1950.
Mas foi bom o excesso de zelo. No processo de trasladação
dos despojos de Hipólito, da Inglaterra para o Brasil, tornou-se
necessária a aquiescência de descendentes ingleses,
e, sem aquelas zelosas pesquisas, teria sido difícil encontrá-los.
Com relação às origens familiares, Mecenas
ocupa-se delas às páginas 15 e seguintes de seu livro
Hipólito da Costa e o Correio Brasiliense, no qual
transcreve, em apêndice, dois importantes documentos: o assento
de batismo de Hipólito e o testamento de seu pai, Félix
da Costa Furtado de Mendonça. Neste assunto, Rizzini limita-se
ao já citado trabalho de Rheingantz e outras informações
que vinham sendo repetidas pelos biógrafos anteriores, várias
delas hauridas dos textos do próprio Correio Braziliense.
Manuseando as informações dos dois historiadores
é possível articular o seguinte quadro genealógico
de ascendentes:

Nesse quadro, demos preferência a grafar os patronímicos
tal como estão referidos no testamento de Félix da
Costa Furtado de Mendonça. Afinal, o pai de Hipólito
parece-nos autorizado, melhor do que nós ou qualquer outra
pessoa, a nomear os membros de sua família.
Se utilizarmos, subsidiariamente, as indicações derivadas
do assento de batismo de Hipólito, redigido pelo padre, o
nome de sua mãe passa a ser Anna Josepha Pereyra, sem o nome
Mesquita; e o de sua avó materna vem acrescido de
mais um sobrenome: Magdalena Martins Pinta. Nesse assento,
o próprio nome de Hipσlito
recebe grafia diversa, passa a ser Hypolito Joseph, enquanto sua
mãe é nomeada como Anna Josepha Pereyra.
Descendência inglesa
Quanto à descendência deixada por Hipólito
na Inglaterra, Carlos Rizzini publicou em seu livro Hipólito
da Costa e o Correio Braziliense e, antes dele, em seu artigo
"Fundador da Imprensa Brasileira" (O Cruzeiro,.
29/10/1955), vasto material que nos permite organizar o seguinte
quadro genealógico de descendentes:

Mas Carlos Rizzini dispunha de mais material. Não o tornou
público no livro referido, talvez por lhe parecer desnecessário.
Incluiu-o, parcialmente, em seu artigo de O Cruzeiro, provavelmente
por interesse jornalístico. Pudemos, entretanto, recuperar
esse material excedente por meio de pesquisas feitas na correspondência
entre Carlos Rizzini e Gastão Nothman.
Gastão, o adido da embaixada do Brasil em Londres que auxiliou
Rizzini de modo decisivo nas buscas realizadas na Inglaterra, montou
uma intrincada árvore genealógica, por ele revisada
em 13 de agosto de 1955, na qual, partindo do casamento de Hipólito
em 1817, chegou até a quinta geração do jornalísta,
incluindo mais de cinqüenta descendentes, dentre eles seis
tataranetos, o mais novo dos quais nascido em 1953.
Como Augusta Carolina, que se casou com o primo Adolphus Charles
Troughton, e Augustus Frederick, que morreu solteiro, não
deixaram filhos, toda a descendência inglesa de Hipólito
deriva de Anne Shirley. Desdobrada em dois ramos, um derivado de
Reginald da Costa e outro de Catherine, ambos filhos de Anne Shirley
e netos de Hipólito, a árvore genealógica se
completa da forma abaixo apresentada:

Tanto Carlos Rizzini, quanto Mecenas Dourado, baseados em documentação
existente, referem a existência de um outro filho de Hipólito,
filho natural, nascido antes do seu casamento com Mary Ann, que
teria recebido o nome de José Felix da Costa. No entanto,
não avançaram nada quanto a sua eventual descendência.
Notas
(1) Em sua árvore genealógica, Gastão Nothman
preferiu o nome Anne Mary Troughton. No entanto, a documentação
por ele mesmo levantada sempre a indica como Mary Ann ou, às
vezes, Mary Anne.
(2) Com sua posterior vinda ao Brasil, foi possível constatar
que seu nome completo era: Rosemary Claire Porter.
(*) Lecionou na Universidade de São Paulo, na Faculdade
de Comunicação Cásper Líbero e em outras
instituições de ensino, como a Escola Superior de
Jornalismo, no Porto. Atualmente, dá aulas no curso de jornalismo
da FIAM, em São Paulo. Publicou 26 livros, que se dividem
em a) obras técnicas nas áreas de direito e história
da comunicação e da arte, como O controle
da informação no Brasil (Petrópolis:
Vozes, 1970), Direito da comunicação
(São Paulo: Revista dos Tribunais, 1976), Comunicação
– Do grito ao satélite (4a. ed. Campos do
Jordão: Mantiqueira, 2001) e Legislação
da comunicação social – curso básico (no
prelo).