ALMANAQUE HIPOLITO

HIPÓLITO, A PESSOA
Notas genealógicas – o ramo inglês

Antonio F. Costella(*)

Os pormenores da vida familiar de Hipólito José da Costa assumiram, para seus dois principais biógrafos, uma importância maior do que a usual em pesquisas do gênero. Mecenas Dourado, baseado parcialmente em trabalho de Carlos G. Rheingantz ("Os últimos povoadores da Colônia do Sacramento", Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1951), entrou fundo nas origens brasileiras. De
sua parte, a dupla Carlos Rizzini–Gastão Nothman
escarafunchou, à exaustão, com pesquisas realizadas principalmente na Inglaterra, a descendência deixada naquele país pelo grande jornalista até a década de 1950.

Mas foi bom o excesso de zelo. No processo de trasladação dos despojos de Hipólito, da Inglaterra para o Brasil, tornou-se necessária a aquiescência de descendentes ingleses, e, sem aquelas zelosas pesquisas, teria sido difícil encontrá-los.

Com relação às origens familiares, Mecenas ocupa-se delas às páginas 15 e seguintes de seu livro Hipólito da Costa e o Correio Brasiliense, no qual transcreve, em apêndice, dois importantes documentos: o assento de batismo de Hipólito e o testamento de seu pai, Félix da Costa Furtado de Mendonça. Neste assunto, Rizzini limita-se ao já citado trabalho de Rheingantz e outras informações que vinham sendo repetidas pelos biógrafos anteriores, várias delas hauridas dos textos do próprio Correio Braziliense.

Manuseando as informações dos dois historiadores é possível articular o seguinte quadro genealógico de ascendentes:

 

Nesse quadro, demos preferência a grafar os patronímicos tal como estão referidos no testamento de Félix da Costa Furtado de Mendonça. Afinal, o pai de Hipólito parece-nos autorizado, melhor do que nós ou qualquer outra pessoa, a nomear os membros de sua família.

Se utilizarmos, subsidiariamente, as indicações derivadas do assento de batismo de Hipólito, redigido pelo padre, o nome de sua mãe passa a ser Anna Josepha Pereyra, sem o nome Mesquita; e o de sua avó materna vem acrescido de mais um sobrenome: Magdalena Martins Pinta. Nesse assento, o próprio nome de Hipσlito recebe grafia diversa, passa a ser Hypolito Joseph, enquanto sua mãe é nomeada como Anna Josepha Pereyra.

Descendência inglesa

Quanto à descendência deixada por Hipólito na Inglaterra, Carlos Rizzini publicou em seu livro Hipólito da Costa e o Correio Braziliense e, antes dele, em seu artigo "Fundador da Imprensa Brasileira" (O Cruzeiro,. 29/10/1955), vasto material que nos permite organizar o seguinte quadro genealógico de descendentes:

 

Mas Carlos Rizzini dispunha de mais material. Não o tornou público no livro referido, talvez por lhe parecer desnecessário. Incluiu-o, parcialmente, em seu artigo de O Cruzeiro, provavelmente por interesse jornalístico. Pudemos, entretanto, recuperar esse material excedente por meio de pesquisas feitas na correspondência entre Carlos Rizzini e Gastão Nothman.

Gastão, o adido da embaixada do Brasil em Londres que auxiliou Rizzini de modo decisivo nas buscas realizadas na Inglaterra, montou uma intrincada árvore genealógica, por ele revisada em 13 de agosto de 1955, na qual, partindo do casamento de Hipólito em 1817, chegou até a quinta geração do jornalísta, incluindo mais de cinqüenta descendentes, dentre eles seis tataranetos, o mais novo dos quais nascido em 1953.

Como Augusta Carolina, que se casou com o primo Adolphus Charles Troughton, e Augustus Frederick, que morreu solteiro, não deixaram filhos, toda a descendência inglesa de Hipólito deriva de Anne Shirley. Desdobrada em dois ramos, um derivado de Reginald da Costa e outro de Catherine, ambos filhos de Anne Shirley e netos de Hipólito, a árvore genealógica se completa da forma abaixo apresentada:

Tanto Carlos Rizzini, quanto Mecenas Dourado, baseados em documentação existente, referem a existência de um outro filho de Hipólito, filho natural, nascido antes do seu casamento com Mary Ann, que teria recebido o nome de José Felix da Costa. No entanto, não avançaram nada quanto a sua eventual descendência.

Notas

(1) Em sua árvore genealógica, Gastão Nothman preferiu o nome Anne Mary Troughton. No entanto, a documentação por ele mesmo levantada sempre a indica como Mary Ann ou, às vezes, Mary Anne.

(2) Com sua posterior vinda ao Brasil, foi possível constatar que seu nome completo era: Rosemary Claire Porter.

(*) Lecionou na Universidade de São Paulo, na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero e em outras instituições de ensino, como a Escola Superior de Jornalismo, no Porto. Atualmente, dá aulas no curso de jornalismo da FIAM, em São Paulo. Publicou 26 livros, que se dividem em a) obras técnicas nas áreas de direito e história da comunicação e da arte, como O controle da informação no Brasil (Petrópolis: Vozes, 1970), Direito da comunicação (São Paulo: Revista dos Tribunais, 1976), Comunicação – Do grito ao satélite (4a. ed. Campos do Jordão: Mantiqueira, 2001) e Legislação da comunicação social – curso básico (no prelo).