Mendonça. Os avós maternos,
Vicente Pereira e Magdalena Martins Pinta de Mesquita, nasceram na
freguesia de Alfândega da Fé, arcebispado de Braga, em
Portugal, e vieram para a Colônia do Sacramento no começo
do século XVIII, sendo Ana Josefa Pereira de Mesquita, mãe
de Hipólito, a mais nova de uma série de três
filhos.
Os pais de Hipólito casaram-se em 16 de junho de 1773, na
Colônia do Sacramento, onde residiam. Eram de procedências
diferentes. Félix, o pai, nasceu em 1735, em Nossa Senhora
de Nazaré de Saquarema, Rio de Janeiro, e Ana, a mãe,
na Colônia do Sacramento, em 5 de setembro de 1741, sendo
batizada em 14 do mesmo mês. Tiveram três filhos: Hipólito
José da Costa Pereira, Felício Joaquim da Costa Pereira
e José Saturnino da Costa Pereira.
Félix faleceu aos 84 anos, em 27 de junho de 1819, em Pelotas,
Rio Grande do Sul. A data de falecimento de Ana Josefa é
desconhecida.
Hipólito da Costa nasceu em 25 de março de 1774,
na Colônia do Sacramento, e faleceu em 11 de setembro de 1823,
em Londres, portanto com 49 anos de idade. Hipólito foi batizado
em 2 de abril de 1774, na matriz de Colônia do Sacramento,
pelo vigário João de Almeida Cardoso, sendo testemunhas
o padre Antonio Pereira de Mesquita, seu tio por parte de mãe,
e a senhora Ludovina Joana, esposa do alferes Custódio Francisco
da Costa.
Seu nome foi registrado com diferentes grafias. Na certidão
de batismo, está grafado como Hypolito. O testamento de seu
pai o refere como Hipólito José da Costa Pereira.
Na placa de mármore embutida na parede da igreja onde foi
sepultado na Inglaterra (St. Mary the Virgin, em Hurley-on-Thames,
condado de Berkshire), o nome está gravado como Hippolyto
Joseph da Costa.
O segundo filho de Félix e Ana, e irmão de Hipólito,
foi Felício Joaquim da Costa Pereira, que veio a tornar-se
padre e o primeiro vigário da paróquia de São
Francisco de Paula de Pelotas, Rio Grande do Sul. Nasceu em Buenos
Aires, em 1776, e faleceu em Pelotas a 11 de outubro de 1818, aos
42 anos de idade, cinco anos antes da morte de Hipólito.
(Segundo Rizzini, teria nascido em 1777 e falecido em 1819.) O terceiro
filho chamou-se José Saturnino da Costa Pereira, nascido
em 1778, na freguesia do Rio Grande, e falecido em 9 de setembro
de 1852, no Rio de Janeiro, 29 anos após a morte de Hipólito.
Formado em matemática pela universidade de Coimbra, foi professor,
deputado às Cortes de Lisboa, presidente da província
de Mato Grosso, senador do Império e ministro da Guerra durante
o gabinete de Diogo Antonio Feijó. Morreu em 6 de janeiro
de 1852, mas há divergências quanto a essa data.
Descendência brasileira
José Félix da Costa foi o primeiro filho de Hipólito.
Nasceu de uma união amorosa, tanto quanto se sabe não
oficializada, com uma inglesa cujo nome nem os biógrafos
apontam. Supõem eles que essa "ligação
afetiva longa" tenha sido com a filha de W. Lewis, que imprimia
trabalhos de Hipólito em Londres, a qual pouco tempo depois
faleceu.
Antes do casamento de Hipólito com Mary Ann Troughton, na
Inglaterra, o menino Félix foi encaminhado ao Brasil a fim
de ser criado pelo tio José Saturnino da Costa Pereira. Ele
foi entregue aos cuidados do capitão James Northon, comandante
do navio Mary, que deixou a Inglaterra em 4 de maio e 1817.
Félix estava então com 10 anos de idade.
Entrou para a Marinha Imperial brasileira em 1824, aos 17 anos;
foi promovido a segundo tenente em 31 de dezembro de 1826; e veio
a dar baixa do serviço ativo da Marinha em 29 de outubro
de 1827.
Deixou grande descendência no Brasil. Há registros
nas cidades de Belo Horizonte, Juiz de Fora, Goianá, Rio
Novo, Astolfo Dutra, Pomba, Cataguazes e Além-Paraíba.
É desconhecido o nome da esposa de Félix, que deu
origem à descendência brasileira.
Ainda não foi possível identificar o nome do filho
de Félix e pai de Manoel Hippólyto. Sabe-se que o
sobrenome é Hipólito Simões da Costa, pois
a esposa chamava-se Cândida Ladeira Simões da Costa.
Esta é a segunda geração.
Tornando-se viúva, Cândida voltou a casar, com José
de Matos, de nacionalidade portuguesa. Ela era irmã de Belarmino
Dias Ladeira (casado com Carlota Dias Ladeira), cuja filha Preciliana
casou-se com Manoel Hippólyto Simões da Costa, bisneto
do jornalista Hipólito. Este nível configura a terceira
geração e começa então o registro HIPPÓLYTO
em lugar de HIPÓLITO.
O bisneto Manoel Hippólyto Simões da Costa nasceu
em Astolfo Dutra, Minas Gerais, em data não identificada
e faleceu a 15 de setembro de 1910. Casou-se com Preciliana, que
em solteira chamava-se Preciliana Dias Ladeira, e faleceu em 3 de
junho de 1907. Documentos divergem quanto à grafia de seu
nome: Preciliana Ladeira Hippólyto da Costa ou Preciliana
Ladeira Simões da Costa.
A quarta geração (trinetos de Hipólito) já
é mais numerosa: Aristotelina, casada com Palmério
(sem outras informações); João Hippólyto
Simões da Costa, casado com Maria de Lourdes Castello Branco
da Costa; Aristóteles Hippólyto Simões da Costa,
casado com Eugênia; Sebastião Hippólyto Simões
da Costa, casado com Letícia; Nízia Garoni, casada
com Garoni (sem outras informações); Alcype Hippólyto
Simões da Costa, casada com Alfredo Mattei; Maria Deoti,
casada com José Deoti.
Formando a quinta geração (tetranetos), estão
vivos: Maria Antonieta e Fernando (de João/Maria de Lourdes);
Jorge e Lurdinha (de Aristóteles/Eugênia); Azaury e
Moacyr (de Alcype/Alfredo).
Um quadro geral poderá auxiliar a compreensão da
descendênca brasileira de Hipólito. É o que
oferecemos adiante:

(*) Coronel-aviador, vice-presidente do Instituto Histórico
e Geográfico do Rio Grande do Norte, é tetraneto de
Hipólito da Costa, e autor de Santos Dumont, história
e iconografia (2ª ed., 1999) e Síntese cronológica
da aeronáutica brasileira, 1685-1941 (1º vol., 2000),
entre outros