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ILHA RÁ-TIM-BUM
DC

"TV Cultura mostra as primeiras cenas da série ‘Ilha Rá-Tim-Bum’", copyright Folha de S. Paulo, 24/12/01

"Quem disse que Papai Noel não existe?! Depois de passar mais de cinco anos na gaveta da TV Cultura, enfrentar várias trocas de equipe de produção e falta de verba, a série infantil ‘Ilha Rá-Tim-Bum’ finalmente será apresentada aos telespectadores.

A emissora exibe hoje, às 19h, um especial com o ‘making of’ e algumas cenas do seriado, a primeira grande produção da TV Cultura desde o consagrado ‘Castelo Rá-Tim-Bum’.

‘Ilha’ deve estrear em março com episódios diários, de segunda a sexta, exibidos de manhã e reapresentados pouco depois do meio-dia e no final da tarde.

O autor, Flávio de Souza, terminou de escrever na semana passada o último dos 52 episódios da primeira temporada do seriado, que teve patrocínio de cerca de R$ 4 milhões da Fundação Bradesco.

Com direção de Maísa Zakzuk e Fernando Gomes, ‘Ilha’ é um seriado de aventura, que tem como público-alvo crianças a partir de oito anos, em média.

Três bonecos, Rá, Tim e Bum -que têm as vozes dos cantores Pedro Mariano, Fernanda Takai e Bukassa, respectivamente-, narram a trajetória de um grupo de crianças e adolescentes que se perde em uma ilha encantada.

Cada episódio, de 30 minutos, contará uma história com começo, meio e fim, além de haver uma sequência entre os 52 capítulos.

O ator Ernani Moraes faz o papel dos vilões Nefasto e Arielibã. É veterano em um elenco formado, em sua maioria, por jovens ainda desconhecidos.

Se estourar como o ‘Castelo’, ‘Ilha’ terá novas temporadas e pode virar filme e peça de teatro."


REDE GLOBO
EB

"É por aqui que se vai ali", copyright Folha de S. Paulo, 23/12/01

"Envelhece nas ruas das capitais brasileiras, em outdoors esmaecidos, um slogan ultrapassado: ‘A gente se vê por aqui’. Envelhece enquanto ainda ressoa na memória dos passantes, ainda cacareja nos intervalos comerciais da TV, entre plimplins e musiquinhas estridentes. É o bordão da Rede Globo, o bordão que já era. Sinal de uma certa soberba afetuosa, a frase contém aquela certeza tão certa de si que chega a ser esnobe, displicente, artificialmente desleixada.

‘A gente se vê por aqui’ é mesmo um slogan memorável. Inverte uma frase feita, desestrutura-a com simplicidade e com felicidade e lhe dá um novo significado. A frase feita é aquela, ‘a gente se vê por aí’, já vazia, gasta, sem aura. Troque-se o ‘aí’ pelo ‘aqui’ e tudo muda. Quando alguém saúda o interlocutor com ‘a gente se vê por aqui’, está afirmando que, para onde quer que o sujeito vá, ele estará sempre no mesmo lugar: aqui, aqui nos meus domínios, aqui onde quem manda sou eu, onde eu vejo tudo e revelo tudo. Uma saudação como essa poderia ser pronunciada pelo planeta Terra ao viajante, pelo mar ao navegante, pelo céu ao passarinho. Quem diz ‘a gente se vê por aqui’ é um ser eterno, imutável, ubíquo e, mais ainda, é também a medida do tempo e a medida do espaço. Ou seja, quem diz isso no Brasil só poderia ser mesmo a Rede Globo. Ninguém mais. Isso, porém, até outro dia.

O ano de 2001 vai se acabando e vai acabando com a auto-suficiência da Globo. Conforme noticiou esta Folha na terça-feira, o horário nobre da maior rede brasileira perdeu, na Grande São Paulo, entre janeiro e dezembro, 12% de seus pontos no ibope. No mesmo período, o SBT, movido a novelas mexicanas e ‘Casa dos Artistas’ cresceu 42%. A emissora de Roberto Marinho já não reina como antes nas noites de domingo. A emissora de Silvio Santos implodiu o ‘aqui’ absoluto da Vênus platinada. ‘A gente se vê por aqui’ já não é mais verdade, ou melhor, continua sendo verdade para o planeta Terra, para o mar, para o céu, talvez também para Deus ou para os cemitérios, mas não é mais verdade para a Globo.

O ‘aqui’ está mudando de lugar, pode ser logo ali, logo acolá, quem sabe num auditório do SBT. É para lá que fugiram os telespectadores, como adolescentes que pulam o muro da escola na hora do recreio. Passando por ‘aqui’, eles foram até ali, e logo atrás foram até mesmo os políticos. Já há uma inquieta expectativa do público para ver o ‘Show do Milhão’ programado para ir ao ar no domingo que vem, dia 30, com políticos como Paulo Maluf e Garotinho tentando responder às perguntas opacas e sorridentes de Silvio Santos. Será provavelmente uma ‘Escolinha do Professor Raimundo’ piorada, mas ali estarão os políticos. Note só: eles estarão ‘ali’ e não mais ‘aqui’.

A Vênus platinada poderia refazer o seu bordão. Poderia dizer agora ‘a gente se vê por aqui, pelo amor de Deus’. O mais certo, no entanto, é que vai refazer parte da sua televisão. A Globo não vai acabar, nem perderá tão cedo a liderança, mas atravessa um período de abalos sísmicos bastante vexatórios: uma pedra da muralha despenca no dedão da Xuxa, o pórtico de ouro se verga sobre a tribuna do Faustão. Incrível como perdeu terreno para atrações de péssima qualidade. Programas sensacionalistas baratos, novelas de quinta e agora essa ‘Casa dos Artistas’, engraçadinha mas ordinária, produziram baixas traumáticas na dinastia da velha senhora que se acreditava dona do ‘aqui’ nacional. Mas, atenção, não foi a televisão ruim que bateu a televisão boa. A televisão ruim, apesar de ruim, muito ruim, tentou dialogar com o público e obteve resultados. A televisão boa, de seu lado, encastelada em seus fleumáticos padrões de qualidade, acreditou que reinaria eternamente na base do monólogo e do desprezo a tudo o que lhe fosse exterior. Quase ficou só. Por aí."


TV DIGITAL
Antonio Machado

"Padrão de TV digital ainda está sem sintonia", copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br0, 24/12/01

"Não há, por enquanto, nenhuma alteração no cronograma definido em outubro pela Anatel para o anúncio do padrão de TV digital aberta que o país deverá adotar em substituição às transmissões analógicas. A decisão continua prevista para março, enquanto segue a fase de audiências públicas.

O atraso prejudica os principais fabricantes de televisores, como Philips, Philco, Toshiba e LG, que não podem investir 1 centavo que seja em suas linhas de produção enquanto não houver a definição.

Aliás, para os fabricantes, a esta altura, o melhor mesmo é que o assunto só ressurja no noticiário após a Copa do Mundo, período normalmente favorável para a venda de aparelhos. Que ficarão encalhados se o consumidor descobrir que o ‘novo’ muito cedo ficará obsoleto.

Há três padrões em jogo - o europeu DVB, já adotado por 45 países, o americano ATSC, presente nos EUA, Canadá e México, e o japonês ISDB, preferido pelas redes de TV brasileiras, mas ainda não operacional em lugar nenhum.

Os consórcios que lideram cada um dos sistemas rivais trabalham pesado nos bastidores, e contam com ofertas de linhas de crédito para tentar sensibilizar o governo brasileiro, os fabricantes e as redes de TV."


SÍTIO DO PICAPAU AMARELO
KJ

"Globo prepara ‘Sítio’ para exportação", copyright Folha de S. Paulo, 24/12/01

"O Sítio do Picapau Amarelo pode ir parar nas TVs internacionais. A Globo pensa em comercializar pacotes com episódios do infantil, assim como faz com suas novelas.

A idéia, que está sendo elaborada pela Divisão de Vendas Internacional da emissora, poderá ser colocada em prática já no primeiro semestre de 2002.

As vendas do infantil para o mercado exterior vão demorar um pouco mais, porque a emissora pretende reunir uma ou duas temporadas do Sítio antes de empacotá-lo para exportação.

Sucesso de audiência e crítica no Brasil, o Sítio é considerado pelo canal um produto com forte apelo no mercado exterior. A Globo acredita que o infantil poderá ter o mesmo sucesso internacional da TV Colosso (para exportação foi rebatizada de Hot Dog Channel) e que foi vendida para uma série de países, entre eles, Suiça , Taiwan, Austrália e Israel.

Outro produto que deve entrar na linha vendas da emissora é o Brava Gente. A rede pensa em fazer pacotes com os melhores episódios do programa, para vender em feiras internacionais.

Além de empacotar novos produtos para a exportação, a Globo está preparando seu pacote de novelas que irá para a Natpe, a maior feira internacional de compra e venda de produtos de TV, que acontecerá de 21 a 24 de janeiro, em Las Vegas.

Além dos campeões de vendas Terra Nostra e Uga Uga, a emissora está apostando nas novidades como Presença de Anita e O Clone, novela que já foi pré-vendida para muitos países.

Corre nos bastidores que os problemas com audiência deixarão A Padroeira e As Filhas da Mãe de fora da Natpe."


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