01/07/2003 13/20

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INTERNET
Camila Fusco

"Internet brasileira tem números comparáveis à web do primeiro mundo, diz diretora do Ibope", copyright Último Segundo (http://ultimosegundo.ig.com.br), 30/06/03

"Apesar dos altos índices de exclusão digital que atingem grande parte das camadas de baixa renda, o Brasil tem do que se orgulhar no que diz respeito à boa penetração da internet nas camadas A e B da população. Segundo Fábia Juliasz, diretora executiva do Ibope eRatings, cerca de 20 milhões de brasileiros estão conectados à rede e utilizam a web de maneira intensa todos os dias.

‘Durante cerca de 11 horas mensais estes profissionais, estudantes e empreendedores se conectam ao ambiente online para fazer as coisas mais diversas e sofisticadas: buscar informações, consultar suas contas bancárias, entregar seu imposto de renda e baixar músicas. Observamos o mesmo tipo de uso, com tempos semelhantes, em países como EUA e Itália’, destaca Fábia.

A qualidade dos sites brasileiros também tem deixado satisfeito o público exigente usuário da web, já acostumado a conviver com o que há de melhor no mundo virtual. Isso faz com que o Brasil seja o único país além dos Estados Unidos a ter portais locais e não norte-americanos como os líderes de audiência, algo comum nos países da Europa e Ásia. Outra explicação para a predominância dos ‘players’ locais, segundo a diretora do Ibope, pode ser atribuída à valorização dos brasileiros e dos povos latinos em geral de sua cultura local, assim como a fidelização das marcas que consome offline.

A grande diferença em relação aos países mais desenvolvidos fica mesmo por conta da abrangência da web. Segundo a diretora do Ibope a internet brasileira ainda está restrita aos meios de maior renda e é diretamente afetada pelo desempenho da economia e do nível de emprego. ‘Se por um lado estamos falando de um público absolutamente qualificado e sofisticado, por outro ainda temos uma penetração baixa em relação aos países desenvolvidos’, diz.

Fábia prevê que tal quadro poderá ser modificado rapidamente com iniciativas governamentais de inclusão digital e também com a criação de políticas de acesso. Esforços de digitalização da sociedade e de promoção cultural por meios online traria a médio prazo uma popularização benéfica da internet, incentivando até mesmo consumidores de média e baixa renda para o ambiente interativo. ‘Mais importante que isto, no longo prazo, o meio online viabilizará programas educativos que terminarão por contribuir com a formação de uma nova sociedade mais homogênea e competitiva’, assinala.

Para o futuro, a diretora do Ibope também destaca a importância do crescimento da web de alta velocidade. ‘O acesso em banda larga traz uma experiência mais gratificante com o meio já que o internauta é capaz de fazer mais coisas em menos tempo e, ao contrário do que se imagina, acaba permanecendo mais tempo online do que quando tem uma linha discada, dial-up. A internet em banda larga também modificará os formatos de publicidade online aproximando-os ao formato hoje apresentados na TV impulsionando assim, o processo de convergência de mídias, o que terminará por influenciar positivamente o bolo publicitário, principal fonte de receita dos portais brasileiros’, conclui."

 

Maria Brant

"Irã na blogosfera", copyright Folha de S. Paulo, 29/06/03

"‘Os blogs nos abriram uma nova porta para o mundo: podemos não só ver, mas também falar sobre o que acontece -é um mundo no qual temos a liberdade que não temos no mundo real.’

A frase acima, dita por uma estudante de 16 anos de Teerã (http://iraniangirl.blogspot.com), é uma das explicações possíveis para um dos mais comentados fenômenos da internet: a explosão de diários de iranianos.

Os blogs, ou weblogs, são uma espécie de diário na rede. Podem tratar de assuntos pessoais ou ser um ‘índice’ de links e reflexões sobre um determinado assunto.

A popularização de ferramentas gratuitas -que permitem que qualquer um com uma conexão à rede crie páginas pessoais, facilmente atualizáveis- fez com que o número de blogs passasse de centenas para cerca de 2,6 milhões em cerca de três anos, diz o site especializado Blogcount.

Como em todo evento na internet, a presença americana é a mais sentida. Os brasileiros vêm em segundo lugar -em dezembro de 2002, segundo a revista ‘Wired’, havia cerca de 200 mil blogs brasileiros. Mas o fenômeno mais inesperado foi mesmo a proliferação de blogs de jovens habitantes do Irã, que em menos de um ano se multiplicou por mil.

Segundo Hossein Derakhshan (http://hoder.com/weblog), iraniano que vive em Toronto e que possibilitou no ano passado o uso de caracteres em persa em ferramentas de blogs, há cerca de 12 mil blogs iranianos ativos hoje -sendo que 400 mil pessoas têm acesso à internet no país.

Em comparação, um estudo de maio das universidades de Granada e Zaragoza, na Espanha, estima que haja cerca de 2.000 blogs em língua espanhola.

Os estudantes iranianos também voltaram a ocupar o centro das atenções no Irã no início deste mês, quando realizaram protestos na região da Universidade de Teerã que tinham como alvo tanto os clérigos conservadores quanto o presidente moderado do Irã, Mohamad Khatami - eleito em 1997 com a promessa de introduzir reformas democráticas no país, mas, que, desde então, trava uma disputa com os clérigos.

A coincidência dos dois fenômenos - e é preciso lembrar que cerca de 70% da população do Irã (48 milhões de pessoas) têm menos de 30 anos e nasceram sob a República Islâmica, instaurada em 1979 pelo aiatolá Khomeini- chamou a atenção de articulistas europeus e principalmente americanos nos últimos meses .

Pois, para grande parte dos analistas estrangeiros, os protestos, aliados às opiniões críticas ao regime manifestadas em 10 entre 10 blogs iranianos, foram festejados como sinal de que os jovens queriam e instaurar uma democracia ‘American-style’.

Mas não é bem assim: no último dia 15, Derakhshan provocou reações furiosas de americanos ao reagir a uma declaração de George W. Bush em que o presidente dos EUA classificava como ‘positiva’ a onda de protestos, que teria como objetivo ‘um Irã livre’. O iraniano respondeu em seu site: ‘Será que o sr. poderia calar a boca e nos deixar lidar com nossos próprios problemas?’.

Para tentar entender um pouco mais sobre o que acham dos protestos universitários, o que fazem em seu dia-a-dia e o que querem do futuro, a Folha enviou perguntas a 30 autores de blogs iranianos em língua inglesa que figuram em uma lista compilada por Derakhshan. Dezessete responderam, sendo oito jovens iranianos no Irã e nove emigrados recentes a outros países.

A amostra, apesar de pequena, dá uma idéia do quão difícil é classificar as aspirações desses jovens.

Eles querem um regime mais aberto, mas não necessariamente secular. Desejam conhecer o mundo, e alguns até sonham em emigrar para outro país, mas admiram líderes nacionalistas.

Ouvem a mesma música que adolescentes no mundo inteiro, mas, escolados por 24 anos de censura, são extremamente desconfiados de qualquer órgão de mídia, incluindo as TVs por satélite iranianas com sede nos EUA.

Eles desprezam as restrições impostas pelo regime, mas dizem que os mulás devem ser respeitados quanto à sua fé religiosa.

Leia nesta página algumas das respostas enviadas à Folha. (Colaborou Otavio Dias)"

 

Paulo Roberto Pires

"Literatura a jato", copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 26/06/03

"‘Das coisas esquecidas atrás da estante’ (7 Letras) é o segundo livro de Clarah Averbuck em menos de dois anos. O primeiro, ‘Máquina de pinball’ (Conrad), virou peça de teatro e está sendo roteirizado para o cinema. Números, como se sabe, dizem pouco ou quase nada sobre ficção e sua qualidade, mas aqui são eloqüentes e inequívocos de um fenômeno que nada tem a ver com crítica. Eles testemunham a impressionante aceleração com que circula hoje a literatura, saída de um blog - no caso, o Brasileira!Preta - e rapidamente encaminhada para o circuito tradicional do livro. Se restam poucas dúvidas de que a internet tem papel fundamental na nova paisagem , há enormes interrogações sobre o quanto é determinante para jovens autores que se fizeram conhecer justamente através da web.

Nestas horas é bom ouvir os principais interessados. Diz Clara num comentário postado em seu blog, semana passada: ‘Eu simplesmente não agüento mais essa baboseira de blogs. Chega. Blog não passa de um meio de publicação. O autor do blog, dono e soberano do blog, faz o que bem entender com seu blog. Não existe literatura de blog. Não existe escritor de blog. Blogueiro não é escritor. Escritor não é blogueiro. Não existe escritor de blog. Existe blog enquanto meio de publicação para um escritor. Escritor é escritor. Escritor não é blogueiro. Não sei nada sobre o fenômeno blog. Sequer acho que seja um fenômeno. Nunca mais respondo nenhuma pergunta sobre blog. Por favor, não me incomodem com essas coisas.’

Dentre tantas negativas, algumas exageradas, outras certeiras, uma frase chama a atenção: ‘Blog não passa de um meio de publicação’. Ou seja, a página pessoal, facílima de montar e manter, seria nessa lógica pouco mais do que um canal no qual seu proprietário, ‘dono e soberano’, faz o que bem entender. Esta antidefinição demarca bem, ainda, outra posição: escritor não é blogueiro, blogueiro não é escritor - pelo menos teoricamente, um administra o meio, outro produz a mensagem. O único problema é que, pela primeira vez na História, estes papéis não são tão nítidos: em geral, quem escreve publica, muitas vezes imediatamente, queimando assim várias etapas de produção e distribuição de textos. E, ainda, o que muito justamente se dá por rotineiro tem, historicamente, um peso pouco desprezível: trata-se, na prática, da total liberdade de expressão e difusão. Caiu na rede, já é público.

Há quase 70 anos, em 1934, Walter Benjamin preocupava-se com o mesmíssimo tema, obviamente em outros termos. ‘O autor como produtor’ foi o título que deu a uma conferência, hoje em suas obras completas, proferida naquele ano no Instituto para o Estudo do Fascismo, antes portanto de o nazismo o trancafiar num campo de prisioneiros e o empurrar para o suicídio na fronteira da França com a Espanha. Exatamente como nos indagamos hoje sobre a web ou realidade virtual, discutia-se na época as transformações do universo técnico, o cinema impondo a cultua das imagens e, assim, modificando, o alcance e as possibilidades da escrita. Seu ponto de partida, o ‘problema da autonomia do autor: sua liberdade de escrever o que quiser’.

Inspirado no amigo Bertolt Brecht, impregnado por um marxismo pouco ortodoxo, Benjamin dividia o problema entre escritores ‘rotineiros’ e ‘engajados’, os primeiros alimentando irracionalmente imprensa, falatórios de partido ou bibliotecas, os últimos procurando ‘não abastecer o parelho de produção, sem o modificar, na medida do possível’. Antes que se jogue fora os termos, postos em desuso no mundo globalizado, vale a pena prestar atenção no que ele define como escritor engajado: ‘a tendência política, por mais revolucionária que pareça, está condenada a funcionar de modo contra-revolucionário enquanto o escritor permanecer solidário com o proletariado somente ao nível de suas convicções, e não na qualidade de produtor’. Em poucas palavras, morre o esquerdista de carteirinha, previsível como ele só, para dar lugar ao escritor/intelectual/artista que precisa entender as novas exigências de expressão.

O autor que é produtor é o que conhece a técnica e a domina, recusando assim as divisões tradicionais. Ele exemplifica: se o jornalista aprende a fotografar, texto e imagem deixam de ter uma relação de subordinação e criam uma nova forma de expressão. De novo, Benjamin: ‘Somente a superação daquelas esferas compartimentalizadas de competência no processo de produção intelectual, que a concepção burguesa considera fundamentais, transforma essa produção em algo de politicamente válido; além disso, as barreiras de competência entre as duas forças produtivas, - a matéria e a intelectual - , erigidas para separá-las, precisam ser derrubadas conjuntamente.’

Na década de 30, Benjamin via adiante o que chamava de ‘fusão das formas literárias’, mistura de sons, imagens e palavras de onde, segundo ele, poderia surgir algo de novo, singular, em suma, revolucionário. Quanto mais o capitalismo avança e desenvolve industrialmente formas de expressão variadas, vai lançando tudo numa ‘massa líquida incandescente’ de onde podem sair formas eficazes de contestação e transformação. O filósofo não tinha nada de profeta mas com sua acuidade certamente anteviu uma situação em que a saturação de escrita, som e imagens em movimento convergiu para uma ‘massa’ virtual de onde pode sair tudo, da reprodução de valores tradicionais à difusão de novidade, no sentido amplo.

Quando, em pouco cliques e com uma linha telefônica, é possível criar um canal de informações próprio - para divulgar pornografia, diários íntimos, política ou literatura - o autor vai se tornar produtor e verá, mais uma vez, lançado ao dilema de ser ‘rotineiro’ ou ‘engajado’. Se este último não se define mais pela vontade de construir o socialismo, certamente norteia-se pela vontade de divergir, de criar dissonância - afinal ninguém põe no ar um blog para repetir o noticiário em sua forma corrente ou brincar de CNN. E, no caso da tentativa literária, quer difundir, para sabe-se lá quem, sua voz própria, sua irredutível individualidade e originalidade. Daí, talvez, a recusa de filiar-se a um suposto movimento ‘blogueiro’ ou a qualquer tipo de tribo.

O que se tem como concreto disso tudo é a liberdade do autor que domina a produção, do escritor que publica sem editor. Nos anos 70, as tentativas de se tornar autor-produtor vinham carimbadas como marginais - que desafiavam a prensa com o mimeógrafo. Mas isso é assunto para outro dia.

P.S. necessário e FUNDAMENTAL - A gentileza de Roberto Quartin, produtor fundamental para a música brasileira, faz uma correção fundamental à coluna anterior, ‘Shirley Horn essencial’. No texto, reclamei inadvertidamente a ausência do piano de Shirley Horn em seu excelente novo disco. Os motivos de a cantora ser substituída por um pianista, me informa Quartin, são cruéis: ano passado Mrs. Horn teve um pé amputado devido a complicações de diabetes e desde então apresenta-se em cadeira de rodas, ainda que cantando como nunca. E, ainda segundo ele, a tragédia continua por outros meios, pois a Verve não renovou seu contrato. Já que, como dizia Ataulfo Alves, perdão foi feito pra gente pedir, aqui vão as desculpas do colunista."

 

UOL DEFICITÁRIO
Folha de S. Paulo

"UOL registra prejuízo de R$ 52,2 mi", copyright Folha de S. Paulo, 25/06/03

"O provedor de internet UOL (Universo Online), que tem entre seus acionistas o Grupo Folha, registrou um prejuízo de R$ 52,2 milhões no primeiro trimestre de 2003. As perdas no mesmo período de 2002 foram de R$ 69,04 milhões.

A empresa também anunciou o lançamento de três produtos: o Acelerador UOL, que aumenta a velocidade de navegação em banda estreita (linha discada) para 128 kilobits; o AntiSpam UOL, que bloqueia spams (e-mails geralmente de conteúdo comercial); e o AntiPop-up UOL, que impede a abertura de janelas de propaganda em uma página de internet."

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