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SONY TV
Bia Abramo
"‘Dawson’s Creek’ prega o conformismo pop", copyright Folha de S. Paulo, 29/06/03
"Amanhã o canal de TV paga Sony exibe o último capítulo da sexta e derradeira temporada de ‘Dawson’s Creek’. Dawson, o jovem aspirante a cineasta, sua amicíssima e quase namorada Joey e seus outros amiguinhos de Capeside devem passar para a história da cultura pop como os adolescentes mais chatos jamais criados para qualquer tipo de ficção.
Curioso: a mesma indústria do entretenimento que moldou a idéia da juventude como o território da rebeldia via música e cinema nos anos 50, está se encarregando de sepultá-la. Nos seriados dramáticos norte-americanos da virada dos anos 90 que contemplam a juventude, o tom é de um conservadorismo de arrepiar.
À primeira vista, todos os temas que compõem o repertório básico das histórias de jovens tal como foi estabelecido por Hollywood -as descobertas da identidade e da sexualidade, os dilemas morais da entrada no mundo adulto, a educação sentimental- estão lá, mas qualquer idéia de confronto com as instituições foi eliminada. Há, por vezes, fricção, arrufos, aborrecimentos, que em geral são causados por adulto incompetente -um pai ausente, uma mãe perturbada mentalmente, um professor mau-caráter. Mas, basicamente, cabe aos adolescentes e jovens se adaptar e se conformar com o mundo tal como ele se apresenta.
‘Dawson’s Creek’ talvez seja o produto mais bem acabado de uma lista que ainda conta com o extinto ‘Felicity’, e os mais recentes ‘Gilmore Girls’ e ‘Everwood’. Criada por Kevin Williamson, roteirista de ‘Pânico’, ‘Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado’, o seriado é uma lição de como fazer histórias e personagens moralistas soarem bacanas. Claro, esta sempre foi uma especialidade da indústria do entretenimento norte-americana, mas a indústria vem sendo cada vez mais eficiente em maximizar a carga de proselitismo conservador, ao mesmo tempo em que sofistica sua maquiagem ‘cool’.
Em outras palavras, quanto mais próximo das referências da cultura jovem/pop, maior a eficácia das inúmeras lições de moral que vêm junto. Em ‘Dawson’s Creek’, até mesmo o fato de um dos personagens do núcleo principal ser gay entra nesse rolo compressor do conformismo. A cultura norte-americana é tão poderosa no sentido de amansar comportamentos transgressores que o seriado oferecia em Jack um modelo perfeito para ensinar os jovens gays a conciliar homossexualidade com conformidade.
Diante de um mundo codificado, ao qual não há alternativa de nenhuma espécie, só restava aos lindos, bem vestidos e aborrecidos adolescentes de Capeside falar pelos cotovelos, escarafunchando suas vidas com a mesma energia neurótica que os personagens de Woody Allen -só que sem a menor sombra de humor."
REDE TV!
Laura Mattos
"Rede TV! engata ‘namoro’ com grupo Cisneros", copyright Folha de S. Paulo, 29/06/03
"A Rede TV! ‘engatou um namoro’ com o grupo venezuelano Cisneros, um dos mais poderosos da América Latina. A emissora brasileira assinou, na semana passada, um acordo com a Venevisión International, braço de distribuição audiovisual da companhia.
Pelo contrato, o canal tem direito de exibir duas novelas da empresa e, em troca, dará o mesmo valor que as duas novelas custariam em espaço publicitário para empresas das quais o grupo é acionista, como América Online e DirecTV.
As novelas serão escolhidas nesta semana e exibidas ao longo do próximo ano. O acordo, segundo Marcelo de Carvalho, sócio e vice-presidente da Rede TV!, ‘marca o início de uma relação que deve ser longa’.
De olho na mídia brasileira, o empresário Gustavo Cisneros, proprietário do conglomerado venezuelano, chegou a cogitar a possibilidade de ter um canal de música na TV aberta brasileira. Também ensaiou convênio com o SBT, forte parceiro da rede mexicana Televisa.
Cisneros foi um dos nomes mais citados pelo mercado quando a legislação brasileira passou a permitir a entrada de capital estrangeiro na mídia, no final do ano passado. À época, no entanto, as intenções foram adiadas, já que o Brasil passava por eleições e o grupo enfrentava a grave crise política da Venezuela (Gustavo Cisneros é um dos principais opositores do presidente Hugo Chávez).
Agora, o entusiasmo com a TV brasileira parece reaceso. ‘Nós da Venevisión International nos sentimos entusiasmados pois esse acordo permite exibir nossa programação num mercado caracterizado por altos níveis de produção e competitividade’, disse Luis Villanueva, presidente da Venevisión, em comunicado enviado à Folha pela Rede TV!.
Ibope
Novelas latino-americanas têm rendido à emissora bons resultados de audiência.
A colombiana ‘Betty, a Feia’, segundo a assessoria da Rede TV!, mantém o terceiro lugar no Ibope desde a estréia, com média entre sete e oito pontos. Eventualmente chega à segunda posição, só atrás da Globo.
No ar há duas semanas, ‘Pedro, o Escamoso’, outra colombiana, também consegue boa pontuação. Estreou com cinco de média e garante o terceiro lugar à Rede TV!. O canal não tem planos de produzir novelas e deve investir apenas em séries, com custo menor."
TV / MEMÓRIA
Laura Mattos
"Aberto para reformas", copyright Folha de S. Paulo, 29/06/03
"Depois de mais de um ano e meio fechado para reformas, o Museu da Imagem e do Som abrirá novamente ao público em agosto. Além das mudanças físicas, a nova direção planeja uma ‘reforma conceitual’ do MIS, que deverá, entre outras novidades, dar mais importância à televisão.
‘É inacreditável o MIS nunca ter trabalhado de modo regular com TV, a mídia mais poderosa e esteticamente mais rica do Brasil nos últimos 20 anos’, diz Amir Labaki, que ocupa a direção do MIS desde maio deste ano e já esteve no cargo entre 1993 e 1995.
‘Em minha gestão anterior, tinha começado um projeto para trabalhar com acervo e programação na área de TV. Agora, retomo a idéia com uma nova agressividade’, diz Labaki, que também é crítico de cinema, articulista da Folha e diretor do festival de documentários É Tudo Verdade.
Segundo ele, especialistas farão um projeto sobre o tema. ‘Será um dos vetores de atuação do novo MIS. Ficaremos atentos à questão do audiovisual de forma mais ampla.’ O diretor afirma que a intenção não é criar um museu sobre o meio. ‘Mas um acervo importante de televisão deve fazer parte do MIS, que surgiu nos anos 70, quando a TV estava virando um veículo hegemônico.’
Hoje o arquivo tem algumas raridades da história da televisão. ‘Mas é muito aleatório. Há, por exemplo, uma entrevista legal com o Chacrinha, feita no início dos anos 70, e alguns programas que foram exibidos em festivais.’
Uma idéia para ampliar o acervo é pedir que as TVs colaborem com doações de seus arquivos. Além da coleção, Labaki pretende transformar o museu em um pólo de debates sobre o veículo.
Plano diretor
O foco em TV é um dos pontos a serem abordados num documento que irá definir a ‘identidade’ do museu. ‘É o primeiro plano diretor da história do MIS, algo que todo museu sério no mundo tem, que diz qual é a sua vocação.’
Labaki afirma que a coleção ‘foi recolhida de maneira muito voluntarista’. ‘O acervo tem de ter um recorte bem definido. Precisamos saber o que ter de fotografia, artes gráficas, cinema, vídeo, TV, música. E temos de ter coragem para dizer: ‘Isso não deveria estar no MIS, está mais adequado ao perfil do Centro Cultural SP, Arquivo do Estado, Cinemateca’.’
Essa reflexão, diz o diretor, deve valer também no sentido oposto: ‘É possível que haja acervos que deveriam ser do MIS e atualmente estão em outros locais’.
Labaki também pretende investir em web arte. ‘O MIS não tem tradição em novas mídias, trabalhar com instalação, com arte na internet. E tem obrigação de estar aberto à demanda da produção contemporânea’, diz o diretor, que programa também a inauguração de um site institucional.
Outra intenção é valorizar a realização de eventos, principalmente aqueles que possam realimentar o acervo. A programação do próximo semestre não está completamente fechada, mas é certo que haverá o Festival Internacional de Curtas-Metragens.
Parceria
A reforma, que esteve parada por falta de recursos, segundo Labaki, foi retomada há cerca de um mês. ‘Havia problemas de cupim, e a parte elétrica era muito precária. Quando assumi, o térreo estava sem iluminação. Parte do primeiro andar, sem assoalho’, diz.
O museu pertence ao Estado de SP e é ligado à Secretaria da Cultura. ‘A segurança que me foi dada pela Cláudia [Costin, secretária da Cultura] é que não faltarão recursos para tocar suas atividades. Mas precisaremos de parcerias. Com a história e a marca forte que tem, o MIS é um excelente partido para iniciativa privada, não é?’"
TELENOVELAS
Daniel Castro
"Governo veta novela das oito antes das 21h", copyright Folha de S. Paulo, 27/06/03
"Pressionado por telespectadores, o Ministério da Justiça passou a monitorar ‘Mulheres Apaixonadas’ e, em despacho publicado anteontem no ‘Diário Oficial da União’, reclassificou a novela das oito da Globo de livre para imprópria para menores de 14 anos, inadequada para antes das 21h.
A medida, a rigor, não causa estragos na grade de programação da Globo e só sacrifica a novela nas noites de quarta, por causa do futebol às 21h40. Mas causou apreensão na cúpula da rede. Diretores estão preocupados com as cenas de violência, que podem forçar reclassificação para as 22h.
No despacho, o Ministério da Justiça não alega o motivo violência. Diz que as impropriedades da novela são apenas ‘desvirtuamento de valores éticos, conflitos psicológicos e insinuações de sexo’. Pelos critérios do ministério, programas com violência podem ser classificados desde impróprios para menores de 12 anos (20h) até 18 anos (23h), de acordo com o grau de violência.
No capítulo de terça, a Globo exibiu antes das 21h imagens em que o personagem de Dan Stulbach (Marcos) levou um golpe de estilete em uma mão. Ontem, Raquel (Helena Ranaldi) iria disparar dois tiros contra o ‘espancador de mulheres’ Marcos.
A Globo afirma que irá cumprir a determinação, mas o capítulo de anteontem teve início às 20h53. Oficialmente, a emissora não considera a novela violenta."
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