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FOLHA DE S. PAULO
Painel do Leitor - FSP

"Comunicação digital", copyright Folha de S. Paulo, 30/11/01

"'Muito bom para as empresas, para a Anatel e para a Folha o caderno Comunicação Digital. Mas e para o leitor? O que esse caderno trouxe de informação, e não de propaganda? Alguém lembrou que o leitor da Folha não é o 'mercado'? Disseram que o poder aquisitivo do brasileiro impede a maior disseminação do serviço telefônico. Alguém se lembrou de investigar se os custos são condizentes com a realidade do país? E por que o nosso serviço de telefonia ainda cobra assinatura e não somente os serviços efetivamente prestados? Ninguém lembrou que os 'procons' vivem atulhados, ainda hoje, de queixas relativas a essas mesmas empresas de telefonia que prometem maravilhas? Ou isso não é de interesse jornalístico, pois, se, como se afirmou na página 4, o setor de telefonia residencial não é de interesse das empresas, então também não é de interesse jornalístico? A expansão da rede de telefonia foi feita com qualidade? Por que até hoje há pontos 'cegos', ou melhor, 'surdos-mudos' na telefonia móvel dentro da cidade de São Paulo? Isso é aceitável ainda hoje? O papel da Folha é informar ou alardear promessas vagas?' Marcel Ribeiro da Silva (São Paulo, SP)"

NATURE & SCIENCE
FSP

"'Nature' e 'Science' criam portal de informação científica para o 3º Mundo", copyright Folha de S. Paulo, 30/11/01

"Será anunciado em Londres na segunda-feira o lançamento do portal SciDevNet (www.scidev.net), patrocinado por duas das mais influentes publicações científicas do mundo, a 'Nature' (Reino Unido) e a 'Science' (EUA), em parceria com a Academia de Ciências do Terceiro Mundo. Seu objetivo é difundir informações e debates sobre ciência que sejam úteis no desenvolvimento de países periféricos, onde a difusão de trabalhos científicos é precária.

A 'Nature' e a 'Science', porém, só darão acesso gratuito por esse site a um 'número limitado' de artigos, a cada semana. O texto completo das revistas e dos materiais que publicam on-line continuará dependendo de assinaturas pagas.

Além dos artigos, o portal oferece vários recursos para pesquisadores, professores, jornalistas e integrantes de governos de países em desenvolvimento. Por exemplo, dossiês sobre mudança climática, propriedade intelectual, ética em pesquisa e divulgação científica.

O projeto SciDevNet recebeu doações de US$ 2 milhões. Segundo disse à Folha o diretor do portal, David Dickson, é o bastante para 2,5 anos de atividade, com uma equipe de seis pessoas. Os fundos vieram de agências de desenvolvimento do Reino Unido, da Suécia e do Canadá.

Para Dickson, o site será importante 'tanto para encurtar a 'barreira de conhecimento' entre Norte e Sul quanto para disseminar uma consciência científica no tecido cultural de sociedades em desenvolvimento'.

Revistas científicas como 'Nature' e 'Science' estão sofrendo pressão da própria comunidade científica, e não só de países pobres, para liberar o acesso a seu conteúdo pela internet. Com a recusa das editoras de pôr trabalhos à disposição na PLoS, sigla em inglês de Biblioteca Pública de Ciência (www.publiclibraryofscience.org), alguns cientistas chegaram a propor em setembro um boicote a essas revistas, informou a revista de divulgação britânica 'New Scientist'.

Segundo Michael Eisen, um biólogo da Universidade da Califórnia que ajudou a organizar a PLoS, as diferentes bases de dados das editoras dificultam as pesquisas bibliográficas."

QUE HISTÓRIA É ESTA?
Lilian Fernandes

"Notícias que são ofuscadas pelo brilho das manchetes", copyright O Globo, 30/11/01

"No dia em que a nave 'Apolo 11' iniciou sua viagem à Lua, 16 de julho de 1969, nascia oficialmente no Brasil o belisquete, ritmo que misturava samba e iê-iê-iê. É claro que ninguém deu a menor bola para a invenção de Clóvis Bornay. A 'injustiça' será corrigida em 'Que história é essa', série de quatro especiais apresentados por Regina Casé que o canal Futura exibirá semanalmente a partir de terça-feira, às 21h30m. Os programas de meia hora esmiúçam notícias pequenas, publicadas nos jornais no mesmo dia em que grandes acontecimentos foram manchete, e revelam seus desdobramentos.

- A série mostra que a idéia da efemeridade do jornal não procede. Ele pode ser uma fonte histórica importante - observa Estevão Ciavatta, que é marido de Regina, dirigiu o programa e foi o autor da idéia original, ao lado do roteirista João Carrascosa. - O mesmo acontece com os arquivos particulares. Embora pareçam interessar só aos donos, eles falam muito sobre uma época.

Do divórcio à ocupaçãodo Jardim América

Os outros jornais explorados foram os que traziam como manchetes o último jogo do Brasil na Copa de 58 (tema do primeiro programa), a aprovação do divórcio (24/06/77) e a votação que decidiria se haveria eleições diretas (25/04/84) - infelizmente, como se sabe, ainda não seria daquela vez. A Biblioteca Nacional, no Centro do Rio, serviu de locação-base ao programa, e seu acervo foi precioso para a equipe.

No episódio de estréia, Regina chega à biblioteca e começa a folhear jornais antigos. À medida que ela vai lendo as notícias, entram depoimentos de testemunhas ou protagonistas dos fatos narrados. A cada edição, quatro histórias são contadas. Regina aparece em sua melhor forma no último bloco, entrevistando as pessoas ou visitando os lugares citados.

- Para falar do belisquete, entrevistei o Clóvis Bornay, que mostrou como era a dança - conta Regina. - Em muitos casos, um pequeno fato leva a acontecimentos maiores: a partir da notícia de que o governo chinês havia presenteado o Brasil com um quadro, falamos da imigração chinesa. Descobrimos um documento de 1816 em que os primeiros imigrantes pediam um tradutor e fizemos uma reportagem no Saara, onde muitos chineses estão estabelecidos.

A série, que pode virar programa em 2002, mostra outras histórias interessantes. A partir de um anúncio publicado nos classificados, fala-se, por exemplo, da ocupação do Jardim América, no subúrbio do Rio. Esta foi uma das pesquisas mais difíceis de realizar: a equipe tinha que encontrar alguém que tivesse comprado um terreno no bairro depois de ler o tal anúncio. Mas encontrou."

ERÓTICA
JB

"Sexo variado na MTV", copyright Jornal do Brasil, 1/12/01

"O Erótica acabou, mas a vontade da MTV de conversar com os jovens sobre sexo, não. Ao confirmar o cancelamento do programa em que Tathiana Mancini e Jairo Bouer esclareciam dúvidas dos espectadores, o diretor de programação Zico Goes diz que há planos para gravar ainda este ano o piloto da atração que o substituirá na grade. 'É o fim daquele formato. Já deu o que tinha que dar', afirma Zico Goes, sem informar se Tathiana e Bouer estarão na nova empreitada. 'O Erótica foi pioneiro. Aí, todo mundo copiou... A MTV não quer ficar fazendo o que os outros canais fazem', diz o diretor. Até março de 2002, quando a nova produção deve estrear, serão exibidas reprises do Erótica. Nesse período, Tathiana passa a ser, nas palavras de Goes, 'uma VJ normal'. Bouer vai gravar vinhetas com dicas sobre saúde.

Goes adianta que o novo programa, além de mais interativo, falará de outros assuntos, além de sexo, e dispensará convidados. Será exibido mais tarde do que o Erótica, que ia ao ar às 22h, e será mais longo, com mais de uma hora de duração. Único remanescente da equipe que concebeu o programa (inspirado no Love line da MTV americana), Bouer lamenta que depois de 150 transmissões a aventura tenha chegado ao fim. 'O jovem gosta de novidade. Mas os tempos mudaram e algumas questões também', aponta. Tathiana concorda: 'Erótica ficou defasado em algumas coisas. Há quatro anos falando de ejaculação precoce... De repente, dá para falar do universo sexual dos animais. Sem deixar de prestar serviço.'"


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