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CBN DEMITE MARTINS
Comunique-se
"‘A CBN é minha rádio de coração’", copyright Comunique-se, 1/03/02
"Em entrevista pelo telefone, Rui Martins, correspondente internacional e demitido recentemente pela CBN, afirmou: ‘A CBN é minha rádio de coração’. Segundo o jornalista, a direção da emissora alegou ‘corte de custos’, o que não deixa de ser estranho, já que houve contratações há pouco tempo, como é o caso da apresentadora Soninha e Arnaldo Jabor. ‘Meu salário não era tão alto que justifique’, disse.
Mas se depender dos ouvintes, Martins estará de volta em breve. A CBN vem recebendo muitos e-mails desde que o correspondente deixou a emissora. ‘Acho que a rádio é inteligente e não vai querer perder audiência. Se eles não voltarem atrás, aí poderei concluir que o motivo da minha demissão é outro’, afirmou.
O jornalista vinha investigando a existência de contas bancárias de Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo. ‘Demonstrei que não havia dúvidas quanto às contas dele na Suíça, que teriam sido transferidas para as Ilhas Jersey’. Algumas pessoas acreditam que essa seria a verdadeira razão da demissão.
‘Vou dizer a você o que disse para Rui: tivemos que fazer ajustes. Ele foi cortado por causa disso’, afirmou Mariza Tavares, diretora do Jornalismo da CBN desde fevereiro deste ano, a Comunique-se. Quando questionada sobre as novas contratações, ela foi enfática: ‘Uma coisa nada tem a ver com a outra. Não vou ficar aqui perdendo tempo e explicando as mesmas coisas’.
Martins mora fora do Brasil desde 1969, quando foi obrigado a fugir da ditadura militar. Ele viveu em Paris e, atualmente, mora em Genebra, na Suíça. O correspondente criou um boletim informativo enviado por e-mail das muitas de suas matérias feitas para a CBN. ‘Tenho 300 amigos’, disse comovido, referindo-se ao apoio que seus ouvintes têm dado a ele desde que saiu da rádio. O jornalista escreve para o semanário Expresso de Lisboa, é free-lancer das rádios Gaúcha e Nederland, e faz assessoria para a Organização Mundial da Saúde (OMS), durante 15 dias por ano."
COLABORACIONISMO
Ivson Alves
"História real", copyright Comunique-se, 1/03/02
"Muitos dos meus amigos sabem que se arrependimento matasse eu estaria sob sete palmos de terra há tempos. O motivo deste sentimento bolerístico - ‘se eu soubesse ontem o que sei agora...’ - é que, por duas vezes em minha vida, joguei fora a chance de seguir minha verdadeira vocação: trabalhar com História. Cheguei a passar duas vezes para a carreira (PUC-RJ, 1980; UFRJ, 1982) e nas duas vezes fiz besteira optando pelo jornalismo. E foi por isso que quando a moça com cara de paulista, cor de paulista e sotaque de paulista, mas que jurava ter nascido no Rio, chegou no Sindicato há coisa de três anos e meio querendo acesso aos arquivos para embasar sua tese de doutorado em História, fiquei tão entusiasmado e me empenhei para que a diretoria permitisse o acesso (não foi difícil na verdade, pois o pessoal gosta muito de sentir como o sindicato é também historicamente importante).
E sobre o que a era a tese que Beatriz Kushnir, a historiadora paulista-carioca, iria defender no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp? Quando ela me disse, quase babei de inveja: como os jornalistas agiram como censores durante a ditadura. Lindo, não? Você sabe: nós adoramos dizer que, como categoria, carregamos, impávidos, a chama bruxuleante da liberdade durante a noite da ditadura e por isso fomos perseguidos, vilipendiados e até assassinados. Aconteceu muito disso mesmo, mas a Beatriz fez o trabalho que os historiadores têm que fazer: analisar os fatos enquanto tais (nós devíamos fazer algo parecido, mas geralmente esquecemos disso...). O nome da tese também é um primor: ‘Cães de Guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988’.
Beatriz foi ao sindicato por dois motivos: ver se tínhamos endereços e/ou telefones, mesmo antigos, dos jornalistas com cujos nomes topara em sua pesquisa; e saber se esses jornalistas eram filiados a um sindicato de jornalistas mesmo quando exerciam a profissão de censores em jornais. Ela conseguiu alguns nomes, mas como não li a tese (apenas soube que tinha sido aprovada com louvor por um email de uma professora amiga) não sei se a pista a levou realmente a alguma coisa.
Além da idéia em si, o legal desta tese - assim como do livro ‘As manobras da informação: análise da cobertura jornalística da luta armada no Brasil (1965-1979)’, do professor e coleguinha João Batista Abreu - é que ela é sobre História do Jornalismo, uma área quase esquecida do estudo do jornalismo, que, aliás, já não é lá muito pródigo em teoria. Bem que eu gostaria de ver a tese da Beatriz também ser editada e outros trabalhos nesta área aparecerem. Tá certo que tenho um motivo egoísta - poderia unir, pelo menos na leitura, minha vocação real ao meu ganha-pão - mas também acho que seria muito bom para todos nós, profissionais, sabermos as raízes do jornalismo que é feito hoje no Brasil, e isso só as boas pesquisas históricas podem apontar.
Picadinho
Dica - Falando nisso...Sei que você já tem um monte de livros na cabeceira para ler, mas que tal botar mais um (e até fazê-lo furar a fila)? É ‘A Síndrome da Antena Parabólica - Ética no Jornalismo Brasileiro’, de Bernardo Kucinski (Editora Fundação Perseu Abramo, R$ 22,00 na Saraiva).
Bola dividida - O Jornal dos Sports acertou um belo contrato com a Ambev para que esta anuncie o Guaraná Antártica nas páginas do cor-de-rosa até o fim da Copa. Com a grana, o JS pretende mandar sete repórteres de texto (mas não fotojornalistas, pois a idéia é comprar material das agências) para a Ásia. Segundo o pessoal bem-informado nas mumunhas do esporte, o contrato foi fechado muito por causa do empenho de Ricardo Teixeira, presidente da CBF (a Ambev é patrocinadora da Seleção exatamente através do Guaraná), que estaria, assim, dando um estocada no Lance!. É que este faz feroz oposição à administração dele e só deverá mandar dois repórteres de texto e um fotógrafo para o Japão e a Coréia do Sul.
Roubada - Que se prepare a FoxSports, nova dona do canal pago PSN: os contratos dos direitos de transmissão estão atrasados em vários meses.
De fora - Executivos da Brasil Telecom juram que não têm a menor intenção de investir no NO. A confusão, segundo eles, é que Luiz Octávio da Motta Veiga, presidente da BT, é também o representante de Marcos Sá Corrêa e Manoel Francisco Nascimento Brito nas negociações deles com Daniel Dantas no imbróglio em que se transformou a vida no site.
Ah... - Globo.com? Bem, o que você poderia esperar de um portal em que, a cada seis meses, há uma briga de poder?"
CÁTEDRA OCTAVIO FRIAS
FSP
"Fiam inaugura Cátedra Octavio Frias", copyright Folha de S. Paulo, 27/02/02
"A defesa da liberdade de imprensa e a consolidação de um jornal independente e pluralista foram os principais temas da homenagem feita anteontem à noite ao publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, pela Fiam (Faculdades Integradas Alcântara Machado), em São Paulo.
O empresário, que completa em agosto 40 anos à frente da Folha, recebeu o título de professor honoris causa e participou da inauguração da Cátedra de Jornalismo Octavio Frias de Oliveira, que promoverá seminários mensais e eventos ligados a comunicação.
A homenagem integra as comemorações do 30º aniversário da Fiam e reuniu cerca de 400 convidados da instituição, em sua sede, no Jardim Guedala (zona oeste).
No simpósio de anteontem, Carlos Eduardo Lins da Silva, diretor-adjunto de Redação do ‘Valor Econômico’, relatou as inovações feitas por Frias em várias áreas do jornal. Clóvis Rossi, colunista e membro do Conselho Editorial, falou sobre a importância política do Projeto Folha.
Boris Casoy, âncora e diretor do ‘Jornal da Record’, descreveu sua experiência na chefia da Redação da Folha, e o diretor editorial do Grupo Folha, Otavio Frias Filho, comentou aspectos pessoais da personalidade do empresário.
‘Muito a fazer’
O título de professor honoris causa foi entregue pelo presidente da entidade mantenedora da Fiam, Edevaldo Alves da Silva.
Ao recebê-lo, Frias afirmou considerar a homenagem como reconhecimento ao trabalho de um grupo de pessoas que o ajudaram na ‘aventura profissional de fazer da Folha um grande jornal’.
‘Sempre há e haverá muito a fazer. Mas tenho a convicção de que muito já foi feito e estamos no caminho certo.’
O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, 56, que representava o presidente da República, encerrou o evento destacando o fato de a Folha ter sido o primeiro jornal a abrir espaço ao debate democrático, nos anos 70. ‘Isso se deveu à coragem de Frias.’
A pluralidade de opiniões foi ressaltada por empresários e políticos -de várias tendências- presentes ao evento. ‘A imprensa brasileira tem, em relação à liberdade e à democracia, duas épocas: pré-Frias e pós-Frias’, disse o presidente da Federação do Comércio paulista, Abram Szajman, 62.
Para o ex-ministro do Desenvolvimento Alcides Tápias, 59, o jornal é um exemplo de independência em relação ao governo e de sensibilidade para questões sociais. Segundo o publicitário Luiz Sales, 67, ‘Frias construiu um dos maiores patrimônios do Brasil, a Folha, órgão marcado pela independência política e filosófica’.
Roberto Teixeira da Costa, 67, vice-presidente do conselho da Sul América S.A., afirma que ‘qualquer homenagem ao trabalho de Frias é mais que merecida’.
‘Frias transformou a Folha em um instrumento que mudou a face do jornalismo brasileiro’, diz a secretária estadual da Educação de São Paulo, Rose Neubauer, 57.
O senador Romeu Tuma (PFL-SP), 73, destacou a isenção, que ‘fez do jornal um dos mais importantes do país’. O ex-governador Orestes Quércia, 63, presidente do diretório estadual do PMDB, elogiou ‘a experiência e a sensibilidade empresarial de Frias’.
Para o secretário municipal das Finanças de São Paulo, João Sayad, 56, a Folha se destacou por publicar sempre várias interpretações de um mesmo fato. ‘Inovou em muitas áreas’, declarou o ex-ministro da Saúde José Serra, 59. Na opinião de Paulo Maluf, 70, presidente nacional do PPB, ‘Frias marcou história na história do jornalismo’."
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