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TV DIGITAL
OESP
"O trunfo da TV digital", Editorial, copyright O Estado de S. Paulo, 4/03/02
"Como bons vendedores, norte-americanos e europeus batem à porta do Brasil para, eloqüentes e gentis, oferecer as qualidades e vantagens de seus respectivos sistemas digitais de televisão. Os japoneses, que detêm a terceira opção de tecnologia na área, preferem uma pressão sutil à moda do telemarketing, mas não deixam de fazer sua propaganda. Eles serão capazes de pirotecnias, nos próximos meses, para conquistar um excelente negócio de US$ 100 bilhões em 12 anos no vasto mercado brasileiro, e a Anatel demonstra maturidade para não se deixar encantar diante de belos mostruários de cosméticos.
Consciente do trunfo que o País tem nas mãos neste raro momento, a agência de telecomunicações faz bem em convocar para esta escolha os argumentos e interesses de todos os setores envolvidos na enorme cadeia de produção e negócios a ser mobilizada com a implantação do sistema digital. Faz bem em estabelecer seu próprio timing de decisão, sem açodamento, permitindo que todas as questões técnicas, riscos e oportunidades sejam levantados e analisados com suficiente profundidade. Com profissionalismo e sem o parti pris demonstrado pela Associação das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) - que, por sinal, parece que das grandes redes de televisão representa apenas a Globo - que encomendou estudo, contestado por especialistas da Unicamp, que descarta os sistemas americano e europeu e prefere o padrão japonês.
Trata-se, afinal de um negócio de grandes proporções. Estimativa simplesmente realista indica uma demanda de até 4 milhões de televisores digitais por ano num mercado potencial de 60 milhões de aparelhos. A penetração da TV chega a 94% da população das classes A a D e atinge 55% da classe D. Mais: a escolha do Brasil determinará a escolha da maior parte dos países do Cone Sul, que tenderão a optar pelo mesmo sistema como forma de aproveitar as matrizes industrial e de serviços a serem implantadas aqui. E os vendedores sabem disso.
Também o setor produtivo nacional compreende a magnitude deste momento.
Estão em jogo a perspectiva de exportações volumosas de televisores digitais aos países vizinhos, a instalação de fábricas de componentes no Brasil e a conseqüente exportabilidade destes produtos e serviços - ou, ao contrário, a dependência em relação à matriz e os reflexos negativos sobre a balança comercial -, a possibilidade de carências e descontos no pagamento de royalties ao detentor da patente, o tempo de adaptação das indústrias locais à concorrência com os fabricantes transnacionais, entre outras questões de altíssima relevância, inclusive para as finanças públicas. Embora o comissário de comércio exterior da União Européia, Pascal Lamy, tenha dito em São Paulo, na semana passada, que apenas os aspectos tecnológicos deverão entrar no mérito da escolha a ser feita pelo Brasil, é evidente que, num negócio desse vulto, o País espera obter vantagens políticas e comerciais.
Há também questões que afetam a própria produção de conteúdo. As emissoras terão de se habilitar para a implantação desta nova tecnologia em seus estúdios, seja com a aquisição de equipamentos seja com o treinamento de profissionais, passando pelas reformulações técnicas para um produto final com sensíveis diferenças na sua apresentação. A Anatel prevê um período de transição, com um porcentual crescente de programas gerados com tecnologia digital, inicialmente em canais pagos. Mas a mudança fatalmente afetará emissoras dos mais variados portes.
E há ainda uma questão importantíssima no plano econômico, pouco abordada, mas com implicações em planos estratégicos: a TV digital é, dependendo da tecnologia adotada, uma mídia interativa que pode abrir nichos como a transmissão de dados e informações. Mais do que um televisor com ótima imagem, uma mera evolução da TV analógica, a digital traz a possibilidade de interação com o cidadão em sua casa, permite a interseção de redes TV-Internet e a criação de uma plataforma multimídia doméstica.
Como se vê, prudência, transparência e multiplicidade de pareceres são fundamentais para a escolha. Além, é claro, da maturidade dos negociadores brasileiros, sobretudo num momento em que o Brasil combate barreiras comerciais injustas exatamente com os países de origem dos vendedores da TV digital."
Sérgio Gobetti
"Interesse americano no País é reafirmado", copyright O Estado de S. Paulo, 2/03/02
"O chefe da delegação norte-americana que participou da Reunião Bilateral Brasil-Estados Unidos em Telecomunicações, David Gross, confirmou ontem o interesse já manifestado por indústrias de seu país em instalar fábricas de aparelhos digitais de TV em território brasileiro, caso o País opte pela tecnologia ATSC. Disse ainda que os consumidores norte-americanos poderão adquirir até 255 milhões de novos equipamentos ao longo da transição do sistema analógico para o digital, todos produzidos no exterior.
‘Vemos como uma oportunidade significativa para o Brasil ser o fabricante desses equipamentos e os Estados Unidos, o importador’, afirmou o representante do Departamento de Estado Americano. Mesmo salientando que não fazia parte de uma missão comercial, Gross lembrou que as importações de aparelhos digitais são taxadas com apenas 5% pelo governo americano. ‘Não há indústria para proteger internamente.’
Importância - As sinalizações norte-americanas marcam uma contra-ofensiva na disputa com Europa e Japão pela escolha do padrão de TV digital a ser adotado no Brasil. A princípio, o sistema preferido pela Abert e técnicos envolvidos nos testes era o japonês ISDB-T, que apresenta melhor qualidade de recepção móvel, mas o governo brasileiro quer transformar a decisão em uma oportunidade de negócios que gere emprego e renda para o País.
‘Cada um dos sistemas tem potencialidades e deficiências. Vamos examinar qual deles se enquadra melhor em um modelo de negócios’, afirmou o presidente em exercício da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Antônio Carlos Valente. Para os Estados Unidos, a decisão brasileira é de suma importância, porque deve ser seguida por outros países do continente e garante uma escala ainda necessária à consolidação da tecnologia ATSC no próprio território americano.
Com um mercado mais amplo, os custos marginais de produção de programas e equipamentos podem cair consideravelmente.
O processo de implantação da TV digital iniciou-se nos Estados Unidos em 1999 e só deve ser concluído em 2006."
NO. EM CRISE
O Globo
"Crise deve tirar site NO. do ar até o fim do mês", copyright O Globo, 5/03/02
"A saída de um dos sócios e problemas financeiros podem provocar o encerramento, até o fim deste mês, das atividades do NO., revista da internet especializada em notícias e artigos de opinião. Em reunião realizada ontem na sede da empresa, no Rio, foi comunicada a saída do grupo La Fonte, um dos acionistas do site ao lado do Opportunity e da GP Investimentos.
A La Fonte se comprometeu a pagar os salários atrasados e indenizações trabalhistas aos cerca de 50 funcionários do portal, o que compõe uma dívida que chega a R$ 1 milhão.
- O que há de concreto, até agora, é o acordo firmado pela La Fonte para o pagamento dos atrasados. Essa decisão mantém o site vivo - disse ontem o editor do NO., Marcos Sá Corrêa.
Fontes ligadas ao portal, no entanto, afirmam que todos os sócios saíram do site e que seu conteúdo será atualizado apenas até o próximo dia 31. Depois dessa data, o endereço seria mantido na internet apenas para consultas, sem alterações no conteúdo, à espera de novos investidores.
- A maior parte dos salários está atrasada há um mês. Inclusive de colaboradores - afirmou o editor, ressaltando que ainda não houve demissões, mas que alguns funcionários insatisfeitos já se desligaram do portal.
O NO. iniciou suas operações há dois anos. Em novembro de 2001, após atravessar uma crise que vitimou centenas de empresas de internet em todo o mundo no ano anterior, começou a atrasar salários. Além disso, segundo fontes do mercado, divergências entre os investidores do site acabaram agravando suas dificuldades financeiras."
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