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MEMÓRIA / JAIR BORIN
Plínio de Arruda Sampaio
"Jair Borin", copyright Correio da Cidadania, 1/05/03
"Cumpro um dever bastante ingrato: informar aos leitores do Correio da Cidadania o falecimento do jornalista Jair Borin, ocorrido na semana passada em São Paulo.
Tenho uma dívida de gratidão para com o Jair. Quando resolvi criar o Correio da Cidadania, procurei ouvir vários companheiros a respeito da idéia. De modo geral, as respostas foram todas negativas: ‘Não vai dar certo’; ‘Custa uma fortuna’; ‘Onde você vai arrumar dinheiro para isso?’. E assim por diante.
Com o Jair foi diferente. Enquanto me dava uma carona até minha casa, coloquei-o a par do projeto. Reagiu entusiasmadamente e foi mais longe: ofereceu-se para ser o Jornalista-Responsável da futura publicação. A partir daí, trabalhamos a idéia em parceria com o Ari Normanha e o Luiz Antonio Magalhães. Hoje, o Correio aí está, na sua 343ª edição, sem uma falha sequer. São 343 semanas em que o empenho para criar uma publicação de análise política independente se mostrou mais forte que as dificuldades desse tipo de empreendimento.
Durante todo esse tempo, tive o orgulho de ostentar o nome Jair na cabeça da coluna do Expediente, dando credibilidade à nova publicação no meio jornalístico, pelo elevado conceito que ele desfrutava entre os seus colegas em todo o país.
Além de Jornalista-Responsável, o Jair exercia a função de consultor deontológico do Correio. Toda e qualquer dúvida acerca do problema ético de publicar ou não alguma informação ia parar, invariavelmente, em sua mesa na ECA. Apesar dos inúmeros afazeres de líder classista e de professor universitário, jamais ele se negou a nos prestar essa colaboração, com a segurança de quem dominava integralmente todos os aspectos do seu ofício.
A par dessas virtudes, o Jair nos deixa a lembrança da sua figura lhana, tranqüila, amável, humilde. Os jovens que se iniciavam no Correio sentiam-se seguros em sua companhia.
Jair tinha história política. Combatente que foi durante os anos de chumbo da ditadura, não desmentiu jamais esse começo glorioso. Foi, até o fim, um defensor da reforma agrária, um lutador pelo ensino universitário público, um construtor do Brasil.
Todos aqui na redação do Correio pranteamos sua perda."
JB & O DIA, SEPARADOS
Ivson Alves
"Sabem nada!", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 4/05/03
"O ridículo naufrágio do Consórcio de Mídia Independente (CMI), que unia O Dia e Jornal do Brasil, lançado com pompa, circunstância e uísque pelas canelas há três meses numa festa no Méli-Mélo, é mais uma prova de que os empresários de comunicação no Brasil não têm a menor idéia de como tocar seus negócios. Um fracasso a mais a juntar-se a outras histórias de erros de avaliação e estratégia que levaram as empresas de mídia do Brasil à petição de miséria que se encontram hoje.
O CMI, na verdade, nunca foi muito bem explicado. Há muito tempo (coisa de quatro anos) JB e O Dia fazem uma parceria, repartindo custos de gráfica, distribuição e até administração. Ou seja, já dividiam - e diz Fernando Portella, condestável de Ary de Carvalho, dono d’O Dia, vão continuar dividindo - a saída de grana, mas não sua entrada. O CMI, pelo que foi anunciado, seria uma operação neste sentido, de administrar e repartir a entrada de dinheiro. Este tipo de operação já é coisa arriscada quando unem empresários mais conservadores, imagina quando se trata de Nelson Tanure e Ary de Carvalho, homens conhecidos por se arriscarem além do razoável a fim de obterem lucros rápidos e saírem de fracassos deixando para trás um rastro de confusões.
O consórcio parecia partir da idéia de que poderia repetir a dupla Globo-Extra, que utiliza a complementaridade de públicos para obter um grande volume de anúncios (usando para isso, diz-se, uma agressiva política de descontos). Só esta idéia mostra como são míopes as pessoas que montaram a idéia do CMI. A dupla de jornais imperiais foi mais fruto do aproveitamento de uma janela do mercado - o surto de criação de jornais populares causado pelos dois, três anos, de sucesso do Real e também por uma bobagem de Ary que explico mais abaixo - e se baseou fundamentalmente numa estrutura eficiente que já estava montada. Não se precisou compatibilizar práticas gerenciais, dividir custos ou apresentar nada ou ninguém ao mercado, pois tudo já existia antes de o Extra começar a circular. Mesmo a estrutura jurídica para a exploração da mão de obra dos jornalistas - a Agência Globo - já tinha existência (bem) anterior à criação do jornal popular carioca do Império.
Além disso tudo, há uma incompatibilidade básica entre O Dia e o JB causada por uma das maluquices anteriores de Ary de Carvalho. Quem acompanha a imprensa do Rio certamente se lembra da idéia, surgida na Rua do Riachuelo lá por 97, de fazer d’O Dia o jornal concorrente direto do Globo. O objetivo era exatamente deslocar o JB, já avaliado como inviável naquela época, e ficar com seu lugar na mente daqueles que não esquecem os serviços prestados à ditadura militar pelas empresas imperiais.
Essa idéia vem de uma obsessão de Ary de ser respeitado como um empresário influente em nível de Brasil, não apenas de Rio. Essa obsessão foi estimulada por uma pessoa que foi guindada à direção da redação para ‘qualificar’ o jornal a fim de que ele pudesse, sem perder o segmento popular no qual reinava absoluto, atingir expressivas fatias da chamada classe B, mais apetitosa em termos de influência e como alvo de anúncios.
Ora, quem viu ‘Kagemusha’, de Akira Kurosawa, terá uma boa idéia do que ocorreu. Como jovem e impetuoso senhor feudal do filme, O Dia desceu a montanha onde era imbatível para combater na planície e foi pego entre dois fogos, ambos vindos do império: de um lado, o Globo; de outro o recém-fundado Extra, que, pela retaguarda, tomou boa parte do público que era do Dia, sem que esse mais que arranhasse a liderança do Globo nas classes de consumo mais altas.
Assim, o que sobrou foi um O Dia melhor como jornal, mas muito mais frágil como empresa, pois sempre foi um veículo que se baseou quase exclusivamente na venda em banca, lugar onde agora enfrentava a duríssima concorrência do Extra, dono daquelas vantagens que citei lá em cima por ter sido criado praticamente de uma costela d’O Globo. Do lado do JB, este movimento todo não mudou muito as coisas: fraco estava, fraco continuou. Piorou depois, é verdade, mas aí por besteiras próprias mesmo.
E foi isso que se tentou juntar ao se formar o tal CMI: duas empresas frágeis no mercado, com estruturas internas incompatíveis, dirigidas por dois empresários que mais parecem jogadores de roleta. Não havia muita chance de dar certo, correto?
Bem, e agora? Agora, as duas empresas voltam ao seu calvário de sempre, embora um pouco mais desmoralizadas. A situação me parece pior para o JB, porque Nelson Tanure parecia apostar no improvável sucesso do CMI para tentar sair do cerco de um jornal que sofre uma sangria que o deixa anêmico a cada dia. Já O Dia vai continuar sua batalha contra o Extra, tentando sobreviver como pode. No camarote, o império, olhando como se não fosse com ele. E, talvez não seja mesmo. Nada animador para o nosso mercadinho, não é?
Boa idéia - A frila da Casa Cláudia Luciana Benatti, de São Paulo, teve uma grande idéia (e que, até onde sei, nunca foi posta em prática por aqui): criou um blog no qual acompanha o que acontece diariamente na montagem da Casa Cor na Paulicéia. Taí uma boa ferramenta para os veículos e para as assessorias em eventos do tipo, que tenham montagem demorada ou que demandem grande tempo de preparação (tipo mostras, festas promocionais, festivais, etc...). O blog da Casa Cor é http://casaclaudia.abril.com.br/livre/blog."
VEJA
Débora Pinho
"Veja está desobrigada de publicar petição de 33 páginas", copyright Consultor Jurídico, 5/05/03
"A revista Veja está desobrigada de publicar uma petição de 33 páginas e retirar da Internet a notícia sob o título Procurador de encrencas -- referente ao subprocurador federal da República, Ronaldo Bomfim Santos. A decisão é do ministro da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, Sálvio de Figueiredo Teixeira. Ainda cabe recurso.
Na reportagem, a revista afirma: O procurador Bomfim tem um talento raro para se meter em confusão. Em sua ficha funcional constam histórias de agressão, assédio sexual, homicídio culposo e negligência. O subprocurador alegou que se sentiu ofendido e quer receber mais de R$ 1 milhão por danos morais. Esse pedido ainda não foi analisado pela Justiça.
Santos requereu antecipação parcial de tutela para que a revista fosse obrigada a publicar a petição com o mesmo destaque da reportagem. Também pediu a retirada da notícia da Internet. Os pedidos foram negados na primeira instância.
O subprocurador, então, recorreu ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. O relator do caso, Valter Ferreira Xavier Filho, em decisão monocrática, determinou a publicação da petição, sob pena de multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento. Também mandou a revista retirar a reportagem da Internet. Caso contrário, a multa diária seria de R$ 10 mil.
A Editora Abril foi representada pelas advogadas Maria Fernanda Vaiano e Vera Lígia Teixeita Leitão, do escritório Lourival, J. Santos Advogados. As advogadas entraram, simultaneamente, com um mandado de segurança no TJ do Distrito Federal e Territórios e com uma medida cautelar no STJ.
Elas alegaram que a decisão monocrática feriu o direito ao devido processo legal e a liberdade de imprensa. Os argumentos foram acatados tanto pelo TJ do Distrito Federal quanto pelo STJ."
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