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GUERRA NA MÍDIA
Folha de S. Paulo
"Memorando faz CNN lembrar os crimes do Taleban", copyright Folha de S. Paulo, 1/11/01
"O presidente da CNN, Walter Isaacson, deu ordens para que a emissora equilibre as imagens de morte de civis no Afeganistão com lembretes de que o Taleban abriga terroristas assassinos, afirmou ontem o jornal ‘The Washington Post’.
Segundo o ‘Post’, Isaacson enviou memorando aos correspondentes da CNN, afirmando que dar muito enfoque às mortes no Afeganistão parece perverso. ‘À medida que obtemos boas reportagens do Afeganistão controlado pelo Taleban, precisamos redobrar nossos esforços para garantir que não fique a impressão de estarmos simplesmente informando a partir da perspectiva ou deles. Precisamos falar de como o Taleban está usando escudos humanos e de como o Taleban tem abrigado os terroristas responsáveis pela morte de cerca de 5.000 pessoas inocentes’, disse o memorando.
Em entrevista ao ‘Post’, o presidente da CNN salientou que seu objetivo é garantir que a emissora não seja usada como plataforma de propaganda dos inimigos dos EUA.
Queremos assegurar que as pessoas entendam que, quando elas vêem o sofrimento de civis lá, isso ocorre no contexto de um ataque terrorista que causou grande sofrimento nos EUA’, disse Isaacson.
Para o analista Tom Rosenstiel, do Projeto para Excelência no Jornalismo, a CNN parece estar mais preocupada com a possibilidade de os americanos ficarem furiosos com a emissora do que em oferecer informações úteis.
Segundo ele, as redes americanas estão enfrentando um verdadeiro dilema. ‘Como divulgar informações que alguns na audiência podem achar favorável ao inimigo? Se as pessoas ficarem tão furiosas a ponto de trocar de canal, você também falhou’, disse Rosenstiel."
O Globo
"Bush enfrenta críticas em casa e no exterior", copyright O Globo, 30/10/01
"Após três semanas de bombardeio, o governo Bush está lutando em múltiplas frentes para repelir uma sensação cada vez maior no país de que está perdendo o controle na guerra contra o terror. As críticas vão da morte de civis afegãos à maneira como a Casa Branca lida com a ameaça de antraz.
Elas começam na própria imprensa americana. A revista ‘Time’ que chegou às bancas falou sobre a má semana do presidente e o ‘Los Angeles Times’ disse que era um fracasso como a questão do antraz estava sendo administrada. Mais de uma fonte citada sugeriu que os carteiros de Washington – dois dos quais morreram – não receberam informações que poderiam ter salvado suas vidas.
– Há uma sensação de que o governo não está no comando – disse Ray Kelly, ex-diretor da Alfândega americana.
Uma pesquisa de opinião da revista ‘Newsweek’, no entanto, mostrou que o índice de aprovação de George W. Bush, que era de 85%, caiu apenas três pontos na semana passada. Mas 43% dos entrevistados acham que ele não tem uma estratégia adequada para lidar com o antraz. Um agente do FBI declarou:
– Precisamos prender alguém logo para baixar o nível de ansiedade.
Ministro britânico diz que TV piora as coisas
Com as críticas crescentes à morte de civis nos ataques ao Afeganistão, a União Européia buscava ontem manter unida a coalizão contra o terrorismo.
– Não há um êxito militar visível e tudo o que vemos na televisão são os resultados dos erros – disse um funcionário.
Mas líderes da coalizão mostraram empenho em seguir adiante. A França e a Alemanha reforçaram o apoio.
– A ação militar é um passo necessário – afirmou o chanceler (chefe de governo) alemão Gerhard Schroeder.
O tom na imprensa européia era diferente: ‘É cada vez maior o alerta de que a guerra pode custar mais vidas inocentes’, disse o jornal alemão ‘Berliner Zeitung’. O tema deverá despertar mais controvérsia em novembro, quando começa o mês sagrado islâmico do Ramadã. Isso deixa os EUA numa posição difícil: interromper os ataques e permitir que o Talibã se reagrupe ou continuar e enfurecer os muçulmanos.
O ministro da Defesa britânico, Geoff Hoon, atribuiu o crescente mal-estar à cobertura da televisão.
– O conflito militar é e será sempre algo confuso. É mais visível agora devido à tecnologia de satélite e à transmissão 24 horas por dia.
O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, responsabilizou a al-Qaeda pelas mortes de civis.
– A responsabilidade por cada uma das vítimas fatais nesta guerra recai sobre o Talibã e a al-Qaeda – disse.
Outra fonte de críticas contra os EUA parte da própria Aliança do Norte. O comandante Alu Zeki considerou os bombardeios insuficientes.
– É certo que provoquem perdas aos talibãs, mas são muito irregulares – disse Zeki.
Houve ainda críticas dos irmãos de Abdul Haq, comandante da Aliança do Norte assassinado pelo Talibã na semana passada. Eles disseram que Haq entrou no Afeganistão acompanhado por um grupo de homens, que incluía três americanos, provavelmente membros da CIA. Eles teriam fugido, deixando Haq para trás.
Perder um aliado importante só trouxe mais dores de cabeça para Bush.
– Isto envia uma terrível mensagem para aqueles que poderiam pensar em juntar-se a nós: de que há um risco potencial e fatal para aqueles que se associarem à América – disse o ex-embaixador americano para a ONU Richard Holbrooke.
Apesar de o Talibã afirmar que alguns americanos foram capturados na operação, Rumsfeld negou ontem."
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