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PESQUISA
Folha de S. Paulo
"Folha é o jornal de maior prestígio", copyright Folha de S. Paulo, 30/10/01
"A Folha é o jornal de maior prestígio no país, segundo pesquisa finalizada em setembro pela consultoria Jaime Troiano, empresa especializada na análise de marcas desde 93. O jornal também foi eleito o de maior credibilidade e melhor conteúdo editorial. No trabalho, foram ouvidas 5.000 pessoas, entre anunciantes, publicitários e fornecedores.
Em segundo lugar ficou o ‘O Estado de S.Paulo’, e, em terceiro, a ‘Gazeta Mercantil’.
‘A maior surpresa foi a virada da Folha’, disse ontem Ricardo Klein, gerente de projetos da empresa Jaime Troiano.
Segundo o IPM (Índice de Prestígio da Marca), calculado pela consultoria, a Folha alcançou 64 pontos neste ano -e 57 em 2000. O grupo ultrapassou o ‘Estado’, que acumulou 60 pontos em 2001. Em 2000 a publicação somou 59 pontos e tinha a liderança.
No levantamento, intitulado ‘Os veículos mais admirados: o prestígio das marcas’, são selecionados 20 jornais e 30 revistas de acordo com a tiragem consolidada no IVC (Instituto Verificador de Circulação).
Como a pesquisa é feita
O Índice de Prestígio da Marca é calculado de uma forma simples. A consultoria verifica, num questionário enviado aos entrevistados, com que frequência alguns atributos são associados ao veículo de comunicação.
A consultoria multiplica esse número pelo peso que o atributo tem na pesquisa. O resultado dessa conta é dividido pelo total de entrevistados. Aí verifica-se o número de pontos de cada jornal. A fórmula foi a mesma usada na primeira pesquisa, em 2000.
Além do prestígio, outras variáveis foram analisadas. No quesito credibilidade, a Folha teve a aprovação de 66% dos entrevistados; o ‘Estado’, 58%, e a ‘GM’, 49%. Quem votou pode escolher três diferentes características para cada veículo e, portanto, a soma das porcentagens das respostas resulta em mais do que 100%.
Também foi analisado o conteúdo editorial dos jornais. A Folha se destacou em primeiro lugar. Segundo a pesquisa, 64% acreditam que, sob esse aspecto, o jornal é o melhor veículo do país. E 51% acham que o ‘Estado’ possui o melhor conteúdo editorial."
O Estado de S. Paulo
"Leitores votam e decidem nome de caderno do 'Estado'", copyright O Estado de S. Paulo, 31/10/01
"Os leitores do Estado têm até o domingo para escolher o nome dos Cadernos SeuBairro. A partir da próxima semana, as quatro regiões da cidade receberão o suplemento no mesmo dia, sexta-feira, já com a opção vencedora. ‘Queremos que o leitor participe dessa nova fase. Trata-se de uma tendência mundial de grandes jornais valorizarem produtos regionais’, explicou o gerente de Novos Produtos e Projetos do Grupo Estado, Flávio Sylos.
Para votar, o leitor pode acessar o site www.estadao.com.br ou ligar para o telefone 0800-112025. São três opções: Estadão; manutenção do nome atual, SeuBairro, ou Suplemento. Em todos os casos, vêm também as regiões: Norte, Sul, Leste e Oeste. Até ontem, cerca de mil pessoas já tinham participado da enquete. Para não influenciar a votação, o resultado será divulgado no fim da pesquisa.
De acordo com o gerente, os cadernos terão como prioridade as seções de serviços e roteiros de compras e lazer. Com a proximidade do Natal, os leitores terão à disposição boas dicas de presentes e de diversão para as férias das crianças. ‘O próprio mercado anunciante colabora com isso’, disse Sylos. ‘Para quem nunca imaginou anunciar no Estadão, o produto regional é uma opção em conta, que atinge seu público-alvo.’"
Renata Saraiva
"Em pauta, suplementos literários e revistas", copyright Valor, 31/10/01"
"‘Revistas em Revista - Imprensa e Práticas Culturais em Tempos de República, São Paulo (1890-1922)’, De Ana Luiza Martins. Edusp/Imprensa Oficial, 576 págs., R$ 50. Lançamento no dia 21.
‘O Livro no Jornal - Os Suplementos Literários dos Jornais Franceses e Brasileiros nos Anos 90’, De Isabel Travancas. Ateliê Editorial, 162 págs., R$ 20.
A produção jornalística brasileira feita fora do pragmatismo dos noticiários diários poderá ser mais bem entendida a partir de dois livros recém-editados. ‘Revistas em Revista’, da historiadora Ana Luiza Martins, que será lançado no mês que vem, analisa cerca de 200 títulos de revistas produzidas em São Paulo entre 1890 e 1922, período do auge da agricultura cafeeira em solo paulista e da chamada belle époque paulistana.
Já ‘O Livro no Jornal’, lançado na semana passada pela carioca Isabel Travancas, se atém a quatro suplementos literários dos anos 90, dois brasileiros (‘Mais!’, da ‘Folha de S. Paulo’, ‘Idéias’, do ‘Jornal do Brasil’) e dois franceses (‘Le Monde des Livres’, do ‘Le Monde’ e ‘Les Livres’, do ‘Libération’), estabelecendo semelhanças e diferenças entre o jornalismo literário dos dois países. Os dois livros são resultado das teses de doutorado de suas autoras.
Está certo que os periódicos analisados têm naturezas diferentes e há um hiato de tempo entre as publicações de ‘Revistas em Revista’ e os suplementos de ‘O Livro no Jornal’. Mas o fato de as duas publicações chegarem ao mercado ao mesmo tempo dá mostras de que há muito material para produzir uma história do periodismo brasileiro.
Exemplo maior disso está no livro de Ana Luiza Martins. A pesquisadora mostra, em um livro muitíssimo bem ilustrado, a diversidade das revistas surgidas em São Paulo logo após a Proclamação da República. Revistas femininas, de esportes, agrícolas, científicas, farmacêuticas, literárias e de assuntos de interesse geral contribuíram para a propulsão de um imenso parque gráfico (até hoje o maior do Brasil), que fez com que essas publicações entrassem na lógica do jornalismo como sinônimo de negócios.
‘Se compararmos com os países americanos de colonização espanhola, a imprensa chegou tardiamente ao Brasil (somente em 1808, com a vinda da família real), mas isso ocorreu em um período de grandes transformações, o que a beneficiou’, narra Ana Luiza. Num momento em que o país corria em busca da modernidade, os títulos paulistanos pretendiam criar um público leitor (isso foi aliado a uma política de incentivo das escolas de primeiras letras) e atender a um mercado consumidor que crescia no Estado.
Assim, alguns segmentos eram privilegiados, como as revistas agrícolas, as femininas (as mais requisitadas e lucrativas) e as esportivas, surgidas com a chegada de ingleses, que trouxeram para o Brasil esportes como o futebol e o tênis. ‘As revistas também eram um espaço em que escritores podiam mostrar suas obras, uma vez que ainda não havia editoras de livros (a primeira foi criada por Monteiro Lobato após comprar a 'Revista Nacional')’ , explica a autora.
Surpreendente é o fato de a escritora Júlia Lopes de Almeida, por exemplo, ter despontado graças aos contos que publicava em ‘Chácaras e Quintais’. ‘A presença de literatura em uma revivista agrícola era uma via da mão dupla’, comenta. ‘Ao mesmo tempo que a autora divulgava sua obra, ela ajudava a publicação a ser conhecida por um público mais amplo’, diz Ana Luiza. Outros escritores famosos, como Lima Barreto, no Rio de Janeiro, e Mario de Andrade, em São Paulo, criavam as próprias revistas.
A ausência de obras literárias completas em periódicos atuais é um dos fatos analisados por Isabel Travancas em ‘O Livro no Jornal’. A pesquisadora se surpreendeu com a semelhança entre os periódicos literários franceses e brasileiros. ‘Todos eles estão preocupados com a atualidade e com a notícia, dando prioridade aos lançamentos do mercado editorial’, diz ela. ‘Eles também trabalham com a noção de defesa do livro, como se esse fosse um objeto 'sagrado’, diz ela. Para a pesquisadora, esse é um dos motivos pelos quais os suplementos literários ainda sobrevivam, apesar de não ter sucesso comercial.
A França e o Brasil têm histórias bastante diferentes no que diz respeito a um público leitor. Enquanto esse existiu na França desde o século XVIII, com o surgimento do romance, no Brasil ele só veio a existir no século XX. Mas as relações entre os dois países no campo da imprensa são maiores do que as semelhanças entre os suplementos literários de alguns de seus maiores jornais.
‘Várias revistas brasileiras do início do século foram impressas na França’, diz Ana Luiza. Isso sem falar naquelas que eram escritas em francês ou eram bilíngües. ‘Toda a vida da belle époque paulistana se mirava em Paris’, diz a historiadora. Enquanto seu livro dá subsídios históricos para compreender o periodismo nacional, a obra de Isabel ajuda a entender o papel que os livros têm nos jornais."
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