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TRIP E MACONHA
Roberta Salomone

"A 'trip' da maconha", copyright no. (www.no.com.br), 31/10/01

"Bandeira de estudantes e alternativos, a discussão sobre a descriminação da maconha está ganhando cada vez mais espaço na sociedade. A edição mais recente da ‘Trip’ traz um caderno especial de 16 páginas sobre a erva, que inclui uma carteirinha com instruções para o leitor que for pego em flagrante pela polícia. Para reforçar ainda a posição da revista, depoimentos de gente como o presidente Fernando Henrique e o cantor Caetano Veloso. Há três anos, a ‘Trip’ – que tem tiragem mensal de 70 mil exemplares – resolveu entrar na luta contra o cigarro. Parou de publicar anúncios, deixou de fazer a cobertura de eventos patrocinados pela indústria tabagista e criou a coluna Newscotina. Daí em diante, passou a ser solicitada pelo Ministério da Saúde para orientar na campanha contra o tabaco e – coincidência ou não – a lei que restringe a publicidade do cigarro foi sancionada em dezembro.

‘As pessoas são vítimas da ignorância e de uma lei defeituosa e nunca sabem como agir na hora H. Não sabem se o policial pode ou não pode enfiar a mão na bolsa e se pode mandar tirar a roupa, por exemplo’, diz o editor Paulo Lima, 39 anos, em entrevista ao no.. Elaborada com a ajuda do Departamento de Investigação de Narcóticos (Denarc) e aprovada pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Vinício Petrelluzzi, a carteirinha ensina as diferenças básicas entre usuário e traficante e que plantar maconha em casa é a maior roubada.

O suplemento, que tem um contundente texto do publicitário Ricardo Guimarães e a transcrição de um debate com a secretária antidrogas do Rio de Janeiro Mina Seinfield, o ex-capitão da PM Rodrigo Pimentel, uma juíza e uma psiquiatra, traz ainda uma carta direcionada ao senador Ricardo Santos, o relator do projeto de lei que sugere mudanças na legislação sobre drogas. Com texto pronto e despesas postais pagas pela revista, o leitor só precisa escrever o nome, identidade e assinar. ‘É preciso deixar bem claro que a nossa campanha não é pela descriminação da maconha e sim pelo acesso a educação e fim da hipocrisia’, afirma Paulo, sócio-fundador da Editora Trip, que só no ano passado faturou R$ 10 milhões. Apesar do empenho em prol da causa, ele jura não ser usuário da erva. ‘Sou um cara totalmente ligado a esporte e acho que através dele posso conseguir atingir níveis de elevação espiritual maiores e sem nenhum prejuízo ao meu organismo’, garante.

Como surgiu a idéia de fazer um caderno especial sobre maconha?

Paulo Lima A ‘Trip’ sempre procurou não ser apenas mais um observadora passiva do mundo. No jornalismo, já tem muita gente que faz isso e essa não é, definitivamente, a nossa função. Apesar de algumas pessoas não acharem, a ‘Trip’ é uma revista política. Teoricamente voltada para jovens, exerce esse papel quando coloca um negro pobre na capa, quando entrevista o Marcinho VP, sobe o morro para falar com surfistas da Rocinha ou chama um cara de 73 anos (o arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha) para fazer o projeto gráfico. Por causa disso tudo que a gente resolveu fazer esse especial e, bem antes disso (dezembro de 1998), um caderno contra a propaganda de cigarro.

Mas a revista já tinha publicado vários anúncios de cigarro antes.

P. L. Sim, mas em 1997 a gente já começava a se sentir incomodado com o assunto, principalmente quando era convidado para cobrir eventos e fazer viagens patrocinados por cigarro. Éramos usados para convencer as pessoas de que o cigarro combinava com aventura, saúde, sucesso e sensualidade. Foi aí que resolvemos contratar um historiador para pesquisar sobre o assunto. Ele trabalhou durante três meses e levantou um dossiê com documentos internos das companhias que revelavam técnicas para fidelizar consumidoras grávidas e a manipulação do índice de substâncias tóxicas para criar dependência química. Mas é claro que quando resolvemos parar de anunciar cigarros na revista, sabíamos que corríamos um risco grande. Estávamos indo contra empresas poderosas e grandes agências de propaganda nas quais temos que trabalhar. Depois disso, começou a cobrança dos próprios leitores sobre a nossa posição frente ao uso da maconha. Há quatro meses a gente começou a levantar informações sobre o assunto.

O que vocês descobriram de mais importante nessa pesquisa?

P. L. Descobrimos que o que é vendido como maconha hoje é muito diferente do que a natureza produz. A erva é manipulada em laboratório. Com o teor de THC muito alto, ela acaba gerando uma dependência química sim, ao contrário do que muita gente pensa. Por isso, é preciso deixar bem claro que a nossa campanha não é pela descriminação da maconha e sim pelo acesso a educação e fim da hipocrisia.

Fazer um caderno como esse reflete que já há uma aceitação maior da sociedade em relação a maconha?

P. L. Eu não sei é exatamente de aceitação a maconha. Acho que hoje temos uma liberdade democrática maior do que tínhamos antes. E, no momento que a primeira-dama vai a um programa de televisão e diz que é a favor da descriminação da maconha, isso só pode simbolizar um sentimento coletivo que alguma coisa está errada aí.

Que dimensões políticas e sociais você acha que essa iniciativa pode resultar?

P. L. O nosso único objetivo é fazer as pessoas pensarem e refletirem sobre as coisas que, cada vez mais, elas estão deixando de lado. Não temos pretensão de liderar um movimento, não. Queremos usar a revista como um espaço para debates ainda polêmicos como a maconha. Esse é o nosso instrumento e, com ele, queremos jogar luz nos assuntos e problemas que todo o mundo continua fingindo que não existem.

Essa é uma postura de todos os funcionários da revista?

P L Não e nem eu quero que seja. Essa é uma postura da maioria das pessoas que fazem a linha editorial da revista. Quando a gente resolveu tomar aquela decisão contra o cigarro, havia pessoas que não concordavam totalmente com a idéia. Mas, tudo bem. Eu não quero ter uma empresa em que todas as pessoas pensam igual. A ‘Trip’ preza, gosta e vive da diversidade. No caso da maconha, acho que a maioria dos funcionários concorda com a postura da revista, mas eu também não fui perguntar para o motoqueiro o que eles acha do assunto. Independente disso, não quero, de jeito nenhum, que essa seja uma bandeira da revista.

Você não se preocupa com a possibilidade de que a revista seja acusada de apologia ao uso de maconha?

P. L. Seria uma ignorância se alguém fizesse isso. No momento em que reunimos num mesmo debate uma juíza de direito, um ex-capitão da PM, a secretária antidrogas do Rio e uma psiquiatra, que autoridade pode questionar esse trabalho? Além disso, está tudo muito bem embasado.

Como surgiu a idéia da carteirinha?

P. L. As pessoas são vítimas da ignorância e de uma lei defeituosa e nunca sabem como agir na hora H. Não sabem se o policial pode ou não pode enfiar a mão na bolsa e se pode mandar tirar a roupa, por exemplo. A nossa idéia foi esclarecer isso. Fomos falar com autoridades no assunto e o Petrelluzzi (Marco Vinício Petrelluzzi, secretário de Segurança Pública de São Paulo), apoiou tudo e nos autorizou até a usar o nome dele na carteirinha. Eu achei essa idéia o máximo.

Você acha que ela pode, na prática, funcionar de verdade?

P. L. Acho que sim. Essa carteirinha pode, desde lembrar a lei, até ajudar numa situação extrema, como de abuso da autoridade. Afinal, num país que você pode ser vítima de abuso a qualquer momento, essa pode ser uma forma de garantia. E o logotipo do Denarc está estampado ali pra dar credibilidade.

E como tem sido a reação dos leitores até agora?

P. L. Já recebemos muitos e-mails e cartas. Teve um cara que escreveu dizendo que tinha dado a revista para o filho porque nunca tinha visto nada tão sensato e esclarecedor.

Por que vocês resolveram receber e pagar as despesas postais da carta que será enviada ao senador Ricardo Santos?

P. L. Para facilitar a vida de quem não pode pagar ou não tem tempo de ir ao correio. Além disso, o Senado não tem caixa postal e por isso, não é possível enviar uma carta de porte pago como esta.

Qual é a sua posição pessoal sobre o uso de maconha?

P. L. Eu não recomendo. Não acho que seja uma coisa tão importante para se fazer. Existem muitas outras, mais interessantes e saudáveis, como viajar e ter um trabalho dá prazer. Mas acho um absurdo pegar um cara de 15 anos que está fumando e experimentando uma sensação nova e jogar na Febem.

Você fuma maconha?

P. L. Não sou hipócrita. Eu já experimentei, mas não fumo mais. Hoje, não sinto necessidade desse instrumento para ser melhor ou mais feliz. Sou um cara totalmente ligado a esporte e acho que através dele posso conseguir atingir níveis de elevação espiritual maiores e sem nenhum prejuízo ao meu organismo. Mas não acho que a maconha seja a encarnação do diabo como muita gente acha. Na ‘Trip’, é claro que existem pessoas que fumam maconha. Mas não quer dizer que só porque fizemos esse caderno que elas vão agora fumar na redação. Não mesmo."

 

RECORD & UNIVERSAL
Daniel Castro

"Record dos EUA corta programas da Universal", copyright Folha de S. Paulo, 1/11/01

"O canal internacional da TV Record entrou no ar ontem nos Estados Unidos sem os programas da Igreja Universal do Reino de Deus, exibidos no Brasil entre 1h e 7h30. Nos EUA, o canal está sendo veiculado por operadoras de TV paga via satélite.

A estratégia da Record é se apresentar como uma emissora independente da igreja Universal perante os brasileiros que moram nos EUA, público-alvo do canal. Além disso, a Universal, que é dona da emissora, paga pelos horários que ocupa no Brasil.

Nos EUA, a Record está sendo apresentada como uma emissora de jornalismo e de programas de variedades. Os telejornais vão ao ar simultaneamente no Brasil e nos EUA, onde depois são reprisados. Os programas de auditório são exibidos com defasagem, para adequação ao fuso horário.

A Record investiu US$ 3 milhões no projeto de canal internacional (já veiculado na África, em Angola e Moçambique). Nos EUA, quer pegar carona no canal da Globo, que já tem cerca de 20 mil assinantes. O canal da Record será oferecido por US$ 14,99. O da Globo custa US$ 19,99. Quem assinar os dois pagará US$ 29,99.

O canal da Record será distribuído nos EUA pela Dish Network, empresa da EchoStar, que comprou a DirecTV. Se a operação for aprovada pelo governo americano, a EchoStar passará a deter 90% do mercado de TV paga via satélite nos EUA.(...)"

 

Keila Jimenez

"Record quer reduzir pirataria", copyright O Estado de S. Paulo, 1/11/01

"Levar a sua programação para os Estados Unidos pode significar para a Record o fim de um problema: o comércio de fitas piratas de suas atrações no exterior.

A emissora, em parceira com a empresa de DTH (distribuição de televisão via satélite) Dish Network, está lançando esta semana o canal Record Internacional. Ele terá 70% da programação da rede à disposição em todo EUA e Canadá. Entre as atrações que a Record Internacional trasmitirá estão os programas É Show, de Adriane Galisteu, e O Programa Raul Gil, campeões de fitas pirateadas entre brasileiros nos Estados Unidos.

‘Há um verdadeiro mercado dessas fitas , principalmente em Miami’, explica o vice-presidente da emissora, Roberto Franco. ‘As do programa Raul Gil são as que fazem mais sucesso, pois o programa mostra artistas brasileiros. As fitas podem ser compradas por US$ 3 cada.’

Franco diz que as atrações de Galisteu e Bóris Casoy estão entre os programas prediletos da Record no exterior. Segundo ele, os comentários do jornalista são respeitados até pelo público americano. ‘Adriane é conhecida e o Bóris é tido como referência entre os investidores de olho no Brasil’.

‘Nossa intenção é levar alguns de nossos artistas para comandar eventos na Record Internacional, como uma forma de estreitar os laços com o público de lá. A primeira a ir é a Adriane, ainda esta semana’, continua. ‘Já pensamos em produzir, mais adiante, atrações especialmente para a Record Internacional.’"

 

FATURAMENTO EM BAIXA
Jornal do Brasil

"Mercado em crise", copyright Jornal do Brasil, 1/11/01

"A crise argentina, a alta do dólar, os ataques terroristas aos Estados Unidos, a invasão do Afeganistão por tropas aliadas. Não foram poucos os motivos que, este ano, fizeram - e continuam fazendo - com que a economia brasileira enfrente oscilações de arrepiar. A crise, naturalmente, chegou à televisão. Em junho do ano passado, o mercado publicitário despejou nos cofres de todas as emissoras da TV aberta a bolada de R$ 447 milhões. No mesmo mês, este ano, a quantia baixou para R$ 422 milhões, o que significa uma redução de 5,6% no volume de dinheiro circulando - e a coisa tende a piorar quando forem contabilizados os estragos da era Bin Laden.

A gravidade desse quadro está obrigando a Rede Globo a diminuir seu poder de fogo. Um exemplo dos novos tempos: a agressiva política de contratação de novas atrações para o elenco da emissora intimidou-se. ‘Não estamos atrás de tanta gente atualmente’, diz um graduado diretor da emissora. Economizar está na ordem do dia por lá - e os ajustes vêm sendo feitos desde o meio do ano. Segundo comenta-se nos corredores da Globo, os cortes encomendados pela direção da emissora precisam chegar a 15% até o final de dezembro.

Economia - A determinação vale para todos os setores. Um capítulo de novela que, no início de 2001, custava R$ 120 mil para ser produzido, agora não pode passar de R$ 100 mil. Cenários e figurinos das novas produções terão que ser viabilizados de forma mais econômica. As viagens internacionais - nas quais todas os gastos são feitos em dólar - também estão minguando. A equipe de O clone, por exemplo, não pôde ficar no Marrocos o tanto que gostaria para registrar as cenas das semanas iniciais da novela. A equipe da minissérie O quinto dos infernos, sobre a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, atualmente em fase de produção, teve vetada uma ida a Portugal - agora, as locações inicialmente previstas para lá serão substituídas por outras no Rio e em Ouro Preto. Mesmo com tudo isso, a direção da emissora ressalta que não descuidará da qualidade de seus produtos e nem apresentará reprises que não estavam programadas."


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