10/06/2003 13/21

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ARAÚJO NETTO (1929-2003)
O Globo

"Fla Homenageia Rubro-Negro Ilustre", copyright O Globo, 6/06/03

"Na primeira partida da decisão da Copa do Brasil, domingo, o Flamengo vai homenagear um grande rubro-negro. Antes da partida contra o Cruzeiro, no Maracanã, será feito um minuto de silêncio em memória do jornalista Araújo Netto, falecido esta semana em Roma, aos 73 anos.

Sem perder a isenção nas coberturas esportivas, Araújo Netto costumava mostrar sua paixão pelo rubro-negro da Gávea. O amigo e também jornalista Carlos Lemos lembra um episódio, em plena Copa de 70, em que Araújo trocou, momentaneamente, o entusiasmo com a seleção brasileira por um ato espontâneo de amor ao Flamengo:

- A vitória do Brasil sobre a Inglaterra aconteceu num domingo. Como na segunda-feira o ‘Jornal do Brasil’ não circulava, fomos para uma batucada brasileira. No auge da nossa alegria, o Araújo pegou uma bandeira do Flamengo, enfiou num cabo de vassoura e foi sambar.

Ele cobriu nove Copas. A primeira foi em 1950, no Brasil, e a última em 1990, na Itália, onde morava desde 68. Ele foi correspondente do ‘Jornal do Brasil’ e do GLOBO."

***

"Araújo Netto, o gentil jornalista", copyright O Globo, 4/06/03

"O amazonense Francisco Pedro Araújo Netto chegou à Itália no mesmo transatlântico que levava o poeta Vinícius de Moraes. Corria o ano de 1968, época da ditadura, quando palavras e idéias representavam um perigo para o regime. Não era a primeira vez que Araújo Netto pisava na Itália. Em 1963, ele já havia feito a cobertura da morte do Papa João XXIII e a ascensão de Paulo VI. Porém, em 13 de novembro de 1968, ele trazia a mudança de toda a família. Alguns meses depois chegariam a mulher Maria Eunice Gonçalves de Araújo e as filhas Vera, Carmen e Luciana. Mariana, a caçula, já nasceu em solo italiano, em 1974.

Correspondente do GLOBO na Itália desde outubro de 2001, Araújo era um jornalista cuja visão ia além das fronteiras.

- Luis Fernando Veríssimo escreveu que o Brasil tinha quatro embaixadores na Itália: um junto ao Estado italiano, um junto à Santa Sé, um junto à FAO (órgão da ONU) e Araújo Netto - lembrou a filha Luciana, também jornalista.

Pouco tempo depois de chegar ao país, Araújo, então correspondente do ‘Jornal do Brasil’, fez muitos amigos, transformando-se num ponto de referência. Mariana herdou o berço - guardado até hoje - que foi de Silvia Buarque de Holanda, filha de Chico Buarque e Marieta Severo, nascida na Itália.

- Ele chegou à cidade mais ou menos na mesma época que eu e ficamos muito próximos. Ele, eu e Vinícius fomos grandes amigos e companheiros. Guardo uma lembrança muito carinhosa dele e de Maria Eunice - contou Chico ao GLOBO, de Paris.

Outros nomes que marcaram a história do Brasil, como o jogador Garrincha e a cantora Elza Soares, também contaram com o apoio de Araújo na Itália, em 1970.

Nascido em 27 de agosto de 1929, Araújo fez uma longa carreira no Brasil até seguir para Roma. Começou a trabalhar como repórter esportivo nas rádios Tupi e Globo, passou pelos jornais ‘Diário da Noite’ e ‘Tribuna da Imprensa’ e pelas revistas ‘Manchete’, ‘Cruzeiro’ e ‘Senhor’. Em 1959, esteve em Cuba acompanhando a Revolução. Quando começou a trabalhar no GLOBO, sentia-se triste devido a desencantos profissionais passados que, confessou, lhe haviam tirado a crença de que ‘nós, jornalistas, podemos ser bem educados, cordiais e gentis uns com os outros’.

- Era um homem bom, um caráter extraordinário, que tinha a isenção e a frieza que caracteriza os grandes jornalistas - afirmou o também jornalista Carlos Lemos, amigo de 40 anos.

Araújo morreu na madrugada de ontem em sua casa em Roma, aos 73 anos. O jornalista sofrera um derrame em março de 2002, ficando com sérias seqüelas físicas. Ele será sepultado em Roma ao lado de Maria Eunice, que morreu em 2000. Ele deixa quatro netos."

 

Jornal do Brasil

"Morre jornalista aos 73 anos", copyright Jornal do Brasil, 4/06/03

"Um ano e três meses depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral, morreu ontem, em casa da filha Luciana, em Roma, aos 73 anos, o jornalista Francisco Pedro de Araújo Neto.

- Ele sabia manter-se eqüidistante dos fatos, com a necessária isenção e frieza que caracterizam, os grandes jornalistas - disse o também jornalista Carlos Lemos.

Vera, a filha mais velha e que seguiu também a carreira do Araújo Neto, corrige: ''Meu pai foi sempre isento, sim, mas era um apaixonado pelos acontecimentos e por eles deixava-se facilmente envolver''.

Além de trabalhar em jornais, Araújo Neto escreveu, em parceria com Armando Nogueira, Drama e glória dos bicampeões ( 1962) e, com outros profissionais da imprensa, Os idos de março e a queda de abril (1964) e, sozinho, Brasil futebol rei (1966). Apaixonado pelo futebol, e torcedor fiel do Flamengo, cobriu seis Copas do Mundo, desde a de 1962 (Chile) até a de 1990 (Itália). E, no samba, sua escola favorita era a Mangueira.

Era um amazonense, de Manaus, mas, tendo se mudado com 11 anos para o Rio de Janeiro, nunca mais esqueceu a cidade carioca. ''O Rio e Florença (Itália) eram as duas cidades que meu pai mais adorava. Tinha verdadeira paixão por elas '', lembrou ontem a Vera.

Sua carreira como jornalista começou quando tinha 19 anos e aceitou ser repórter da Rádio Tupi para cobrir eventos esportivos. Pouco depois passou para a Rádio Globo, onde continuou no mesmo cargo. Não tardou, começou a escrever no Diário da Noite e dali passou para a Tribuna da Imprensa. Aqui cobriu política e foi editor de Esportes e, sobretudo, colunista implacável quando escrevia contra os cartolas. Foi também redator-chefe da revista Maquis e escreveu nas revistas Mundo ilustrado, O Cruzeiro, Manchete e Senhor. Foi, ainda, secretário de imprensa no governo Jânio Quadros (1961). Com a renúncia de Jânio, voltou para o Jornal do Brasil, onde tinha começado a trabalhar em 1958, para dirigir o Estudo JB.

No início dos anos 60, a condessa Pereira Carneiro indicou o nome de Araújo Neto para correspondente do JB em Portugal. O jornalista gostou da experiência e, duas semanas antes da decretação do AI-5 (dezembro de 1968), seguiu para Roma, na Itália, onde fixou residência definitiva com a família.

Correspondente na capital italiana, Araújo Neto teve ocasião de cobrir, para o JB, a agonia e queda de governantes como Nasser, Tito e Franco, a Revolução dos Cravos, em Portugal (1974) e a Independência de Moçambique e Guiné-Bissau (1975). Entrevistou, no Líbano, o líder palestino Yasser Arafat.

Em Roma, tornou-se também um dos jornalistas que melhor cobriram o Vaticano. Além de ter feito a eleição e coroação do papa João XXIII (1958) para a revista O Cruzeiro, cobriu a morte dos papas Paulo VI e João Paulo I e a eleição de João Paulo I e João Paulo II.

Poucos repórteres do estrangeiro conheciam tão a fundo a máfia e a esquerda italiana. Mas nem tudo foi sucesso na sua carreira. Quando em 1970 chegou a Miami para fazer a cobertura da Copa do México, o governo de Washington prendeu-o, por algumas horas. Nos Estados Unidos era personna non grata nos Estados Unidos sob a alegação de que tinha estado em Cuba, quando cobriu a Revolução Cubana.

Além de especialista em assuntos de política, esportes e Vaticano, entendia de cinema. Cobriu 11 festivais de Veneza. E, como entusiasta das modernas técnicas de comunicação, foi o primeiro jornalista estrangeiro a ter computador na Itália. Em 1958 trocou o JB pelo jornal O Globo.

Era viúvo de Eunice Araújo Neto (morta em 2000) e tinha quatro filhas: Vera e Luciana, jornalistas, Mariana, formada em línguas, e Carmen, a única que vive no Brasil, em Arraial da Ajuda (BA). Tinha também quatro netos."

 

Comunique-se

"Morre o jornalista Araújo Neto", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 4/06/03

"Morreu, aos 73 anos, na madrugada desta terça feira (03/06), em sua casa na Itália, o jornalista amazonense Francisco Pedro Araújo Neto.

Ele sofreu um derrame em março de 2002, ficando com sérias seqüelas físicas. Araújo Neto será sepultado em Roma ao lado de sua esposa Maria Eunice, que morreu em 2000. Ele deixa quatro netos.

Araújo Neto fez uma longa carreira pelo Brasil até seguir para Roma. Começou a trabalhar como repórter esportivo nas rádios Tupi e Globo, passou pelos jornais Diário da Noite e Tribuna da Imprensa e pelas revistas Manchete, Cruzeiro e Senhor. Ele era correspondente do jornal O Globo na Itália, desde outubro de 2001."

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