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PRÊMIO MARIA MOORS CABOT
Folha de S. Paulo

"Clóvis Rossi recebe prêmio em Nova York", copyright Folha de S. Paulo, 6/10/01

"O atentado terrorista do dia 11 de setembro dominou a noite do 63º Prêmio Maria Moors Cabot. A mais importante distinção dada a um jornalista estrangeiro nos EUA foi entregue anteontem em Nova York a Clóvis Rossi, repórter, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha.

Além dele, receberam o prêmio Mónica González, escritora e jornalista baseada em Santiago (Chile); Jorge Ramos, âncora da Univision Network, cadeia de emissoras de língua espanhola nos EUA; e Sebastian Rotella, então chefe do escritório da América do Sul e atual correspondente em Paris do ‘Los Angeles Times’.

Criado em 1938 e entregue pela primeira vez no ano seguinte por Godfrey Lowell Cabot, como homenagem a sua mulher, o prêmio é administrado pela faculdade de jornalismo da Universidade Columbia, a mesma do Pulitzer. Cada um dos quatro jornalistas recebeu uma medalha e US$ 5.000.

‘Sabemos que os Estados Unidos e a América Latina têm capítulos dolorosos em sua história em comum’, disse o presidente da universidade, George Rupp, que entregou os prêmios. ‘Ainda assim, aqui estamos, comendo juntos e celebrando esses jornalistas’, afirmou.

‘Ano após ano, escutamos aqui relatos de violência e injustiça. Nunca ouvimos desses profissionais, porém, pedido de vingança ou sugestão de que pessoas inocentes devessem pagar por seu sofrimento’, disse, referindo-se ao ataque terrorista. George Rupp fica à frente da universidade até julho de 2002. Presidiu a entidade por nove anos e foi um dos responsáveis pela retomada de prestígio da instituição.

Rossi começou seu discurso lamentando os acontecimentos do dia 11 e disse que a reação dos EUA deve levar em conta os princípios democráticos ‘que fizeram do país a potência que é hoje’.

‘Um herói da Independência brasileira foi encontrado com uma cópia da Constituição americana no bolso quando foi preso’, disse, lembrando de Tiradentes. ‘Esperamos que os EUA se prendam àqueles princípios.’

Paulistano, pai de três filhos, Rossi, 58, trabalha na Folha desde 1980 e assina uma coluna na página A2 do jornal desde 1987. Além de reportagens para diversas seções, já realizou coberturas em Chile, Argentina, Portugal, Espanha, Cuba e Uruguai, entre outros países. Começou no jornalismo em 1963, no extinto ‘Correio da Manhã’. Trabalhou em ‘O Estado de S.Paulo’ e ‘Jornal do Brasil’ e na revista ‘IstoÉ’. É autor de cinco livros, entre eles ‘Enviado Especial - 25 Anos ao Redor do Mundo’."

 

O SOBREVIVENTE
Lúcia Valentim Rodrigues

"‘O Sobrevivente’ cria TV sem lei", copyright Folha de S. Paulo, 6/10/01

"Um grupo de competidores é sorteado pela TV. Os escolhidos participam de um ‘game show’ no estilo de ‘No Limite’ ou ‘Survivor’. Em ‘O Sobrevivente’, a ‘tarefa’ a cumprir é matar os outros concorrentes.

Com estilo de videoclipe, o filme é do diretor e roteirista americano Daniel Minahan, com última sessão hoje no Festival do Rio BR.

Os participantes são um aposentado, uma jovem estudante, um artista pessimista, uma enfermeira temente a Deus, um desempregado e a vencedora dos episódios anteriores, uma grávida de oito meses. Quem irá sobreviver?

Leia a entrevista do diretor, por telefone, de sua casa nos EUA.

Folha - O sr. acha que o seu filme pode chegar a se tornar realidade?

Daniel Minahan - Não, fiz uma sátira à televisão. Acredito que não chegaremos a aprovar uma lei que permita matar pessoas só por puro entretenimento.

Folha - Seu filme é uma crítica específica aos ‘reality shows’?

Minahan - Quis fazer uma paródia da programação atual na TV em geral, que só expõe a violência de um jeito cru. Mas o tom foi propositalmente exagerado.

Folha - Acha que o filme tem a ver com a mentalidade de guerra reinante nos EUA após os atentados?

Minahan - Finalizei o filme no ano passado. Mas, após os ataques do dia 11 de setembro, tudo ganhou uma nova dimensão. Fiz o longa para que se refletisse sobre a violência. Veio a calhar.

Folha - A vida da personagem principal (Dawn Lagarto), que está grávida, é como uma novela de TV.

Minahan - Criei personagens que tivessem conflito como numa história de tablóide. Tentei colocar neles o máximo de problemas possível para cair no exagero com humor. Quis fazer um filme no estilo de Pedro Almodóvar.

Folha - O sr. pretende fazer uma sequência?

Minahan - Sinto que já disse o suficiente. No fundo, o filme é contra a violência. Acho que seria apelativo fazer uma continuação.

Folha - O que achou do filme participar do Festival do Rio BR?

Minahan - Achei fascinante, porque passei seis meses da minha vida no Rio. Fiquei fascinado com a cultura local. Meu avô veio de navio de Portugal para a América e passou pelo Brasil antes de ir morar em Nova York. Por isso tenho apego às coisas brasileiras.

O SOBREVIVENTE - Series 7: The Contenders. Direção: Daniel Minahan. EUA, 2001. Com: Brooke Smith, Glenn Fitzgerald. Quando: hoje, às 14h30 e às 19h30, no Espaço Unibanco, no Rio."


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