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ABRIL EM CRISE
Adriana Del Ré

"Abril encerra operações de sua gravadora", copyright O Estado de S. Paulo, 6/02/03

"A Abril, um dos maiores grupos de comunicação do País, encerrou ontem as operações da gravadora da empresa, a Abril Music, culpando a pirataria e a competitividade de multinacionais no mercado da indústria fonográfica. A empresa, criada em 1998, tinha no catálogo mais de 300 títulos nacionais e internacionais.

Segundo Patrícia Albuquerque, assessora de imprensa de Rita Lee e Supla, artistas contratados pela gravadora, nada oficial tinha sido passado para ambos até a noite de ontem. Apesar disso, ela admitiu existirem rumores sobre o fim da empresa. A gravadora mantinha nomes de peso da MPB, como Gal Costa, que recentemente lançara seu primeiro CD pelo selo, e Marina Lima, que em dezembro havia fechado contrato para gravar o CD Acústico MTV, com previsão de lançamento para abril.

Em nota, a Abril informa que ‘o catálogo e os contratos da gravadora serão vendidos ao mercado. O selo continua sendo propriedade do Grupo Abril e poderá ser usado futuramente’. Representantes da Abril não falaram sobre o número de funcionários atingidos com o fim da Abril Music e se há negociações com outras gravadoras para repasse do catálogo.

‘Em quatro anos de operação, a Abril Music conseguiu bons resultados e vitórias importantes. Esse mercado, entretanto, é dominado pelas multinacionais e extremamente competitivo e, para complicar a situação, a pirataria na indústria fonográfica já ultrapassa 50%’, disse o vice-presidente e superintendente da unidade de Negócios Jovem, Giancarlo Civita."

 

JT DEMITE
Comunique-se

"Nove demitidos no Jornal da Tarde", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 7/02/03

"O Jornal da Tarde demitiu nesta sexta-feira (07/02) nove profissionais, cinco da editoria Geral, dois da Variedades e dois da Arte.

Da Editoria Geral, saíram Regina Ricca, sub-editora e os repórteres Armando Serra Negra, Murilo Montiani, Kety Shapazian e Leonardo Fhurmann.

Geraldo Galvão Ferraz, que era redator, e Agnes Augusto, subeditora do Caderno de TV, foram os demitidos da Editoria Variedades.

Da Editoria de Artes, saíram o ilustrador Roberto Negreiros e o arte-finalista Paulo Sérgio.

Segundo informações da redação as demissões são resultado de uma reestruturação na equipe."

 

GOVERNO LULA & MÍDIA
Maristela Mafei

"A comunicação do setor privado no governo Lula", copyright Folha de S. Paulo, 10/02/03

"O brasil começa a assistir a uma completa mudança no modo como a sociedade civil organizada se comunica com os governos e mantém, por intermédio de seus representantes, canais de interlocução com integrantes dos poderes públicos para encaminhar seus pleitos.

Ainda não se sabe como esse relacionamento será estabelecido com o novo governo, mas há claros indícios de que a imprensa, notadamente o noticiário de economia e negócios, será fortalecida e ganhará novo status.

A cultura política estabelecida até a posse do governo Lula estava alicerçada em círculo limitado de interlocutores, a maior parte baseada em contatos e influências pessoais. Esse leque está sendo ampliado consideravelmente agora, principalmente diante do fato de que, seja por letargia, por falta de articulação ou porque quer realmente ouvir a contribuição de todos os setores da sociedade civil, o governo do PT tende a maturar mais os processos de consulta antes que a decisão seja tomada.

Os dirigentes do PT são ávidos devoradores de jornais e revistas. É conhecido que o novo presidente lê no mínimo quatro jornais por dia. E mais: em algumas ocasiões, tem o hábito de recortar reportagens e encaminhá-las para interlocutores, com comentários anexados.

Antes na oposição, os integrantes do PT liam majoritariamente os cadernos de política; agora, na condição de gestores, acrescentem-se a esse esforço o noticiário de economia, negócios, informática e recursos humanos.

Na outra ponta, enquanto refazem suas articulações e procuram novos caminhos na área de comunicação institucional, os agentes produtivos procuram modos de aumentar sua visibilidade em temas de interesse público, relativos aos seus segmentos, por meio da mídia. É um modo legítimo e rápido de se fazer notar e obter da sociedade o reconhecimento pelo seu trabalho.

Notam-se, ainda que timidamente, esforços de grandes corporações do setor industrial em aumentar investimentos em projetos de responsabilidade social, ambiente e marketing institucional. O setor financeiro volta-se para planos de apoio e incentivo ao microcrédito e para outros produtos que reforçam os indícios de que os bancos são, ou deveriam ser, os grandes alicerces do desenvolvimento econômico sustentado.

Perceber o que acontece no mercado neste momento é de importância vital para o reposicionamento do trabalho das agências de relações públicas, assessorias de imprensa e publicidade. Notadamente, essas últimas têm, agora, mais uma ferramenta para enfrentar a crise que persegue o setor há mais de um ano. O momento é propício para novos produtos na área de comunicação. Entender o que o mercado precisa neste novo momento e sair à frente é uma atitude ousada, que implica assumir riscos, como está subentendido em qualquer atividade empresarial. E essa atitude pode levar seus protagonistas a serem reconhecidos pela inovação e pela profissionalização cada vez mais acentuada do mercado.

A comunicação institucional será fortalecida com a maior relevância da imprensa e irá abrir espaço para encaminhar, no Brasil, a oficialização do que se chama nos EUA de ‘lobbying act’, um instrumento de relações públicas que dá suporte às organizações para que participem do debate público em todos os assuntos que lhes dizem respeito.

O lobby ético é aquele que deverá colocar à disposição dos clientes o que podemos chamar, no Brasil, de ‘inteligência da informação’. Trata-se da coleta e análise da informação pontual e direcionada, toda ela pincelada de informações públicas, destinadas a contribuir para que as organizações aproveitem as oportunidades de se posicionar aberta e publicamente. O monitoramento de veículos de imprensa, do ‘Diário Oficial’, do Senado, da Câmara, das agendas dos ministros, projetos em andamento, reuniões e tudo o mais que diga respeito a determinado assunto será de fundamental importância para que as empresas possam ter a oportunidade de se posicionar, de serem ouvidas e de mostrar para a sociedade suas ações e contribuições.

A expertise e a logística das grandes agências de publicidade e das empresas de comunicação empresarial irão contribuir ainda mais para que os canais de comunicação com a imprensa sejam democraticamente utilizados, constituindo-se em mais um instrumento para que o Brasil tenha uma gestão transparente e participativa.

Maristela Mafei, 43, é sócia-diretora do grupo Máquina, agência de relações públicas que engloba as empresas Máquina da Notícia e MQ Institucional, especializadas em comunicação da iniciativa privada."

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