12/08/2003 6/32

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ROBERTO MARINHO (1904-2003)
Chico

"Um certo doutor Roberto", copyright O Globo, 8/08/03

"Você sabe o que é alguém gostar de alguma coisa? Eu gosto é disto aqui’. Olhos brilhando ao folhear o jornal, era assim que Roberto Marinho me recebia vez por outra, quando não concordava ou tinha alguma observação a fazer sobre a charge publicada no GLOBO daquele dia. E logo começava a lembrar histórias, verdadeiras metáforas, sobre a vida e a profissão.

Uma delas: perto da antiga sede do jornal havia um circo, onde Roberto Marinho e seus amigos iam freqüentemente. Imaginem o que Fellini não faria com uma história dessas! O dono era Pascoal Segretto, um tipo popular característico: andava com os bolsos cheios de notas de pequeno valor para, a quem lhe pedisse favores, responder lamuriando: ‘Não tenho dinheiro, veja, só tenho isto aqui, pode levar...’

Muito bem, o domador desse circo começou a fazer muito sucesso, e queria cobrar o proporcional equivalente. Um subteto de judiciário, digamos. Segretto tentou o golpe dos trocados, mas o domador foi irredutível: ou tinha o aumento desejado ou, segunda-feira, iria buscar o leão.

Impasse! Roberto Marinho e seus amigos diziam ao Pascoal: ‘Você vai deixar ele ir embora?’. Segunda-feira, o domador chega com quatro portugueses de camisetas, quatro macistes, e diz ao dono do circo: ‘Vim buscar a jaula com o leão’. Ao que o dono responde: ‘Não, não. A jaula é minha. Se você quiser, pode levar o leão!’.

Essa é uma história. Imaginem quantas ele deixou..."

 

Fábio Altman

"Sr. Globo", copyright IstoÉ Dinheiro, 13/08/03

"O jornalista Roberto Marinho era homem afeito a grandes viradas de vida em idades improváveis. Aos 20 anos assumiu um cargo de chefia do jornal O Globo, apenas vinte dias depois de sua primeira edição, com a morte prematura do pai. Tinha 61 quando a música Moon River pontuou as primeiras imagens do canal 4 do Rio de Janeiro, a TV Globo, às 11 da manhã de 26 de abril de 1965, no precário estúdio da rua Von Martius. Com 87, divorciou-se da segunda mulher para casar com Lily de Carvalho, de 70. O passar dos anos, para ele, era quase uma anedota, na rigidez adquirida pelo boxe na juventude, pelo hipismo e o hábito do mergulho submarino. Cultivava as piadas com gosto. Divertia-se com uma delas em especial: quiseram lhe dar de presente uma tartaruga. Ao receber o bicho, teria acariciado o animal para depois indagar quanto tempo ele poderia viver, em média. À resposta, ‘uns 200 anos, dr. Roberto’, replicara da seguinte maneira: ‘Não quero não, a gente se afeiçoa ao bichinho e é uma tristeza quando ele morre’. Ria muito quando lhe relatavam uma frase atribuída a ele, que de tão repetida virou verdade: ‘Se um dia eu vier a faltar...’

Sabe-se, agora, que esse dia chegou, e à constatação da morte abriu-se um vazio no mundo empresarial brasileiro. Na quinta-feira, 6 de agosto, Roberto Marinho morreu aos 98 anos em conseqüência de um edema pulmonar causado por uma trombose. Ao longo de sete décadas, construiu um império de 100 empresas, 20 mil funcionários e faturamento anual de US$ 5,7 bilhões (leia reportagem à pág. 70). O maior legado, contudo, é difícil de medir em cifras - talvez seja mais adequado aos manuais de história do que aos estudos de economia. Por meio da TV Globo, ele praticamente reinventou o Brasil. Alinhavou o País de norte a sul. Pôs a todos dentro da televisão. Fez da tela um espelho da sociedade. ‘Eu vi um Brasil na tevê’, cantou Chico Buarque na canção ‘Bye Bye Brasil’. Em outros termos: a Globo, instalada em rede nacional em 99% das cidades brasileiras, com 113 emissoras, das quais cinco são próprias e 108 afiliadas, ensinou os brasileiros a consumir, e do consumo construiu-se uma nação, com todas as suas desigualdades. ‘Um de nossos orgulhos é saber que as novelas da Globo são mais consumidas do que os sanduíches do McDonald’s’, costuma dizer Marluce Dias da Silva, superintendente da emissora, mulher destinada a tocar o império de comunicações. ‘Ditamos moda, literalmente, do terno em tons parecidos com o das camisas aos brincos em orelhas masculinas.’ É a democracia eletrônica. Um brasileiro pode não ter o que comer, possivelmente está desempregado - mas 60 milhões de casas estarão ligadas, hoje à noite, na novela das oito ou nas reportagens do Jornal Nacional.

Brasil ao vivo. Não era assim na primeira edição do JN, em 1º. de setembro de 1969, uma segunda-feira, dia em que o general Arthur da Costa e Silva foi afastado do poder por motivos de saúde e uma junta militar assumiu o País. Ao final do noticiário, Cid Moreira cravou: ‘A escalada de notícias levou a vocês, hoje, imagens diretas de Porto Alegre, São Paulo e Curitiba. E tão logo a Embratel inaugure o circuito de Brasília, a capital do País e Belo Horizonte começarão a integrar, ao vivo, este serviço de notícias do primeiro jornal realmente nacional da tevê brasileira. É o Brasil ao vivo na sua casa. Boa noite’. A travessia até esse domínio global, em rede, como não existe em nenhum outro lugar do planeta, nem sempre foi fácil. Houve momentos em que a Globo trafegou na contramão dos anseios da sociedade.

Durante anos, viaturas com o logotipo da emissora não podiam subir os morros do Rio de Janeiro, agredidas por simpatizantes do então governador Leonel Brizola, em eterno confronto com os Marinho. A Globo demorou a noticiar a campanha pelas Diretas Já, em 1985. Em 25 de janeiro daquele ano, o jornal da noite em São Paulo anunciou como um ato em homenagem ao aniversário da cidade um comício de 300 mil pessoas na Praça da Sé em defesa do voto direto. Nos dias seguintes, estudantes da PUC, em vastas passeatas, sentavam-se diante do edifício da emissora, a meio caminho, para entoar um bordão incômodo. ‘O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo.’ Em 1989, houve a polêmica edição do debate entre Fernando Collor e Lula. Mas tudo isso passou e o que persiste, hoje, é a imagem de uma empresa vencedora, inescapável. ‘O Brasil perde uma pessoa que talvez tenha dado uma contribuição inestimável à comunicação brasileira, à cultura brasileira’, disse o presidente Lula, à saída do velório de Roberto Marinho. ‘Acho que a gente não mede as pessoas por divergências políticas, mas pela importância que tiveram naquilo que se propuseram a fazer.’

Casa empenhada.

A obstinação, independentemente das ligações políticas, era a marca de Roberto Marinho. Ao erguer a TV Globo, em 1965, como seus irmãos recusavam-se a aderir à aventura, empenhou a própria casa. No final dos anos 20, cismou em comprar para O Globo uma imensa e ruidosa rotativa. O diretor-financeiro, Herbert Moses, espécie de tutor do novato jornalista, já redator-chefe, disse não. Sairia caro em demasia. Roberto Marinho deu um jeito de comprar a máquina e, ao longo de três anos, a escondeu num galpão próximo à sede do diário, no centro do Rio. ‘Foi como esconder um elefante em casa’, dizia. Para ele, novas tecnologias eram fundamentais para o crescimento da empresa. ‘Um jornal morre dez anos antes’, era uma de suas máximas.

Gostava que o chamassem de jornalista, e não de empresário. Tornou-se lendária sua destreza, em 1930, quando servia no Exército e foi designado a acompanhar o presidente deposto, Washington Luís, a uma cela do Forte de Copacabana. Achara antiético pedir uma entrevista, mas facilitou o trabalho de um fotógrafo que fora barrado por um capitão. À revelia do superior, Roberto Marinho abriu caminho para o homem com a máquina em punho. Foi seu primeiro ‘furo’. ‘Fundamentalmente sou um jornalista’, dizia. ‘O jornalismo é a minha vocação e minha paixão, se tivesse que recomeçar faria tudo de novo, da mesma forma. Sou empresário também, e dentro dessa linha procuro pautar todas as minhas decisões.’

Nunca escondeu sua preferência pelo jornal, mesmo depois do sucesso da tevê. Indagado sobre o papel impresso depois que namorou a eletrônica, tinha uma defesa na ponta da língua. ‘O jornal não deve temer a televisão, que não o substitui. A TV agita os assuntos, causa impacto. O jornal esclarece, orienta, interpreta, forma opinião. Portanto, o caminho a seguir parece-me que deva ser o do permanente aprimoramento do jornal - cada vez mais sério, mais veraz, mais acreditado, mais equilibrado.’

Comunistas.

Como empresário, Roberto Marinho conheceu, e influenciou, todos os presidentes brasileiros desde Getúlio Vargas. Foi amigo do general Médici, nos tempos duros da ditadura, mas também de João Goulart, deposto pelos tanques. Com José Sarney, tinha ligações carnais. Certa vez, o presidente telefonou para ele. ‘Por favor, me ajude a escolher um ministro da Fazenda’, pediu. Dr. Roberto, como o chamavam, sugeriu um nome que agradou a Sarney, mas o presidente insistiu na indicação de Maílson da Nóbrega. Depois de longas conversas, fecharam no nome de Maílson. ‘Agora, por favor, dê a notícia no Jornal Nacional.’ Assim foi feito.

Aos que o acusavam de ter sido conivente com os militares, que o ajudaram na construção da Globo, orgulhava-se das histórias contadas por amigos e funcionários. Acompanhava pessoalmente os jornalistas chamados a depor no DOI-Codi do Rio, no auge dos anos de chumbo. Certa vez, Juracy Magalhães, ministro da Justiça de Castello Branco, lhe perguntou: ‘Dr. Roberto, por que o senhor emprega tantos comunistas na redação?’. A resposta: ‘Porque eles sabem fazer jornal’. Numa outra oportunidade, retrucou aos generais que pediam cabeças em O Globo: ‘Dos meus comunistas, cuido eu’. Era o temperamento construído em quase um século de combate. Nenhum deles tão duro como o que o opôs a Assis Chateaubriand, dos Diários Associados.

Time-Life.

Em meados dos anos 60, Chatô denunciava o acordo da Globo com o grupo americano Time-Life, pelo qual a emissora brasileira receberia US$ 4 milhões e que resultou numa CPI no Congresso (a Globo seria absolvida). Num editorial, sugeriu que Roberto Marinho fosse preso, de cabeça raspada, em Fernando de Noronha. O chamava, de modo racista, de ‘Roberto Africano’, numa tentativa de depreciá-lo por causa da cor morena forte. Anos depois, vitorioso e no posto do mais bem-sucedido empresário brasileiro do século XX, já com o império em mãos e uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, Roberto Marinho desabafaria: ‘Chateaubriand era um aventureiro meio amalucado’. Para o professor Laurindo Leal Filho, especialista em televisão, ‘Marinho era um capitalista nato, já Chateaubriand tratava seus negócios como uma quitanda’. A derrota do figadal inimigo abrira as portas, definitivamente, para que o Brasil se visse na tevê. (Colaboraram: Carlos Sambrana e Christian Carvalho Cruz)"

 

Dárcio Oliveira e Alexandre Teixeira

"Fronteiras da aldeia global", copyright IstoÉ Dinheiro, 13/08/03

"Roberto Marinho criou um código que todos os brasileiros entendem: plim-plim. Ao ouvir este sinal milhões se põem à frente da TV para acompanhar a novela, o jornal, o filme, o jogo, o programa de domingo. É quase um chamado, uma convocação para ver entrar no ar a maior rede de comunicação do Brasil, primeira da América Latina, quinta do mundo. O sinal acende 115 emissoras de norte a sul do País, cinco próprias e 108 afiliadas. Nenhuma outra empresa é tão onipresente quanto a Rede Globo de Televisão. Ela alcança 99,9% do território nacional. No ano passado, de cada 100 televisores ligados no Brasil, 54, em média, sintonizavam a Globo. E embora seja a grande vitrine do grupo, responsável por 70% da receita de R$ 5,7 bilhões, a TV é apenas parte do império construído por Marinho. No total, cerca de 100 empresas estão sob o guarda-chuva das Organizações Globo. A família controla a TV aberta, os jornais e o sistema de rádio. E divide com sócios a holding Globopar, que abriga gravadora, editora, gráfica, empresas de internet, TV paga (cabo e satélite), imóveis e conteúdo televisivo.

O império começou a ser construído em 1911, quando Irineu Marinho, o pai de Roberto, fundou o jornal A Noite. Quinze anos depois, A Noite deu lugar a O Globo, mas Irineu não viveu para ver sua semente germinar. Morreu 21 dias após cortar a fita do vespertino (naquela época O Globo não circulava no período da manhã). Aos 20 anos, Roberto Marinho ainda era muito jovem e inexperiente para assumir o jornal. Preferiu delegar a missão ao redator-chefe. Juntou-se então à equipe de redação para aprender o ofício como um simples repórter. Botou afinco no trabalho. Chegava às 4 da manhã e não saía antes das 7 da noite. Seis anos depois, assumiu definitivamente o jornal.

Primeiro filho: O jornal O Globo, criado por seu pai, foi o ponto de partida do império

Começava uma das mais consistentes trajetórias de crescimento de um grupo nacional. Marinho tinha algo que seus potenciais concorrentes não imaginavam: a capacidade de estar em sintonia com a mídia do momento. Se em 1944 o rádio galvanizava as atenções do mundo por conta da II Guerra Mundial, o empresário estava pronto a colocar no ar a sua emissora - a Rádio Globo do Rio de Janeiro, embrião do Sistema Globo de Rádio. Quando a televisão se tornou a bola da vez, lá estava Marinho de novo. Em 1957, sete anos após a novidade chegar ao Brasil, ele já tinha uma concessão e se articulava para lançar a TV Globo, que entraria no ar em 1965. Aos 60 anos, o empresário fazia a jogada que o levaria à posição de barão das comunicações. Por que ele e não Assis Chateaubriand, da Tupi, ou Paulo Machado de Carvalho, da Record, que saíram na frente mas não foram tão longe? Porque Marinho criou um modelo inovador para o negócio ainda desconhecido. Antes dos demais, vislumbrou uma rede de TV que sustentaria seu crescimento numa estratégia de ‘franquias’. Como queria cobertura total do território nacional, algo financeiramente inviável apenas com emissoras próprias, a saída foi atrair afiliados, que aos poucos foram costurando uma teia sobre o País: a Rede Globo de Televisão. Garantida a capilaridade, faltava uniformizar o sistema. Era a deixa para a estréia do padrão Globo de qualidade, baseado em regras simples, como respeito à programação e aos princípios éticos e estéticos definidos no Rio de Janeiro. O know-how foi obtido graças à associação estratégica com o grupo Time-Life, potência do setor nos EUA. Além de dólares, a parceria, encerrada em 1969, rendeu frutos na organização comercial do empreendimento - uma espécie de McDonald’s das comunicações - e na interpretação dos índices de audiência. O modelo se mantém firme: ainda hoje 96% da rede pertence a grupos afiliados.

Conquistado o Brasil, nos anos 80 a Globo partiu para uma aventura internacional. E conheceu seu primeiro revés. Entre 1985 e 1994, Globo e RAI, a TV estatal italiana, foram sócias na Tele Montecarlo, emissora baseada no principado de Mônaco. ‘A experiência da Tele Montecarlo foi um fracasso’, relata Roberto Irineu, filho de Marinho e atual vice-presidente do grupo, no Projeto Memória, das Organizações Globo. A Globo ainda entrou na sociedade que constituiu a SIC, primeira TV privada de Portugal. O sonho de expansão internacional acabou, porém, por uma admitida mistura de erros administrativos e desconhecimento do jogo político na Europa.

Com o foco novamente voltado para o Brasil, Marinho deu início à terceira fase da expansão das Organizações Globo, marcada por um forte processo de diversificação. ‘O setor de comunicação estava em alta com o crescimento dos negócios envolvendo a internet e as TVs pagas. A família Marinho apostou tudo nisso’, conta o consultor Walter Longo, da empresa Synapsys. Apostar tudo significou, então, reservar R$ 2 bilhões para novos projetos. Nasceu a associação com a News Corporation, de Ruppert Murdoch, em TV por satélite. ‘Quando decidi investir no mercado brasileiro, a parceria com a Globo era uma escolha natural’, disse Murdoch à DINHEIRO. ‘Roberto Marinho era um grande empreendedor’. Veio o pacote de TV a cabo, onde estão as empresas Net. E, por fim, Globosat (conteúdo para TV a cabo) e o portal Globo.com - todos sob controle da nova holding familiar, a Globopar.

Ao mesmo tempo em que abria novos negócios, Roberto Marinho cuidava da sucessão. Deu a cada um dos três filhos poderes de conselheiros em áreas específicas, contratou executivos para tocar o dia-a-dia e se afastou. Roberto Irineu ficou responsável pelas estratégias na divisão de novos negócios. João Roberto assumiu a parte de relações Institucionais e José Roberto, educação e terceiro setor. ‘O grande teste da sucessão vai começar agora’, diz o consultor Renato Bernhoeft. O triunvirato assumiu no final dos anos 90 tendo que contornar alguns problemas. Os setores de TV paga e internet começaram a dar sinais de enfraquecimento. A Globo havia contraído empréstimo em moeda estrangeira para montar a

Globopar e a combinação destes dois fatores resultou num endividamento atual de US$ 1,3 bilhão - grande parte dos débitos ligados à operadora Net Serviços. Diante do quadro, o grupo

deu início a um processo de reestruturação que prevê o alongamento da dívida, redução das taxas de juros e capitalização. Os dois primeiros itens estão sendo negociados com os bancos. A capitalização virá de duas formas: venda de ativos e possível entrada de sócios. Roberto Irineu já declarou que admite vender a Net Serviços se os resultados não melhorarem. Na semana passada, a operadora a cabo registrou o primeiro lucro de sua história, mas as dívidas ainda são grandes. O que anima na Net é seu potencial. Ela tem a maior estrutura de cabo do País. Poderia servir a 6 milhões de assinantes, mas atende apenas 1,5 milhão. Enquanto não equilibra a operadora, a família Marinho procura outros meios de reduzir as dívidas. Uma opção seria a chegada de um sócio estrangeiro. Analistas que acompanham o grupo garantem que as Organizações Globo estão prontas para abrir o capital. (Colaborou Manoel Fernandes)"

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