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FUTURO DOS JORNAIS
Elder Ogliari
"Jornais terão mais reflexão, diz Ruy Mesquita Filho a estudantes", copyright O Estado de S. Paulo, 9/10/03
"Os jornais vão se tornar mais reflexivos e regionalizados para atender públicos que desejam informação mais aprofundada que as oferecidas pelas mídias surgidas nos últimos anos, como a internet. A avaliação foi feita ontem pelo jornalista Ruy Mesquita Filho, em palestra na Faculdade dos Meios de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
Diante de um público interessado em saber o futuro dos meios de comunicação, da reportagem e perspectivas profissionais para estudantes, o jornalista disse que a democratização da informação já chegou, desde que investimentos em veículos como TV a cabo e internet se tornaram viáveis a qualquer empreendedor. Mas como o mercado publicitário não comporta tantas opções, haverá uma depuração, previu.
Outro participante, o jornalista Fernando Portela disse que a profissão pode ser vista como uma missão, ainda que hoje grandes reportagens sejam mais objeto de livros que de publicações diárias. Mas não faltam temas. ‘O Brasil está mergulhado em grandes assuntos, como corrupção e negociatas.’
Após o debate, intermediado pelo historiador José Alfredo Vidigal Fontes, Ruy Mesquita Filho autografou exemplares de A Guerra, obra que reúne a cobertura da 1.ª Guerra Mundial feita por Júlio Mesquita entre 1914 e 1918. Portella autografou exemplares de seus livros Guerra de Guerrilhas no Brasil: A Saga do Araguaia e Allegro."
CAPES / PORTAL PERIÓDICOS
David Moisés
"Capes desmente fechamento do Portal Periódicos", copyright O Estado de S. Paulo, 10/10/03
"A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão que regula os programas de pós-graduação, tenta renegociar contratos com pelo menos sete grandes editoras que divulgam estudos científicos e acadêmicos no seu Portal Periódicos (www.periodicos.capes.gov.br).
O portal é fonte importante de consulta para pesquisadores brasileiros, mas custa US$ 18,7 milhões por ano e a remuneração das editoras aumenta a cada universidade que se cadastra como usuária, segundo o presidente da Capes, o sociólogo Marcel Bursztyn. ‘É o único serviço do gênero que conheço com custo crescente à medida que aumenta a base de usuários’, critica Bursztyn, que assumiu o cargo em agosto. Ele afirma que vem procurando negociar com as editoras um contrato mais favorável e observa que, ‘por uma coincidência muito grande’, começaram a circular mensagens na internet ‘alertando’ sobre um suposto plano da Capes de ‘fechar o portal’.
Segundo ele, porém, não se cogitou fechá-lo, ‘porque tem enorme importância para o progresso do País’. Neste ano, o portal já registrou mais de 7 milhões de consultas.
A Capes mantém contrato com 14 editoras desde novembro de 2000, quando lançou o portal. Elas representam 1.700 editoras científicas do mundo todo e disponibilizam seus textos completos no portal. Sete grandes editoras, porém, concentram a maior parte do material, entre elas a holandesa Elsevier, cuja remuneração passa de US$ 9,5 milhões anuais. Os contratos foram firmados na gestão anterior."
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Capes e a utilidade de um portal - Christiane de Assis Pacheco
MÍDIA EXTERIOR
Cidade Biz
"Brasília ganha sindicato de empresas de mídia exterior", copyright Cidade Biz (www.cidadebiz.com.br), 9/10/03
"As empresas de mídia exterior de Brasília criaram um sindicato para regulamentar o setor e criar alternativas que permitam às companhias continuar a gerar empregos e tributos sem prejuízo da paisagem urbanística da cidade.
O Sepex/DF (Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior do Distrito Federal) teve início em maio, com a inscrição de 25 das 43 empresas de Brasília, sob o comando do publicitário Raimundo Liberato. A expectativa é que, já no ano que vem, todas as empresas estejam sindicalizadas, passando depois a integrar a federação da categoria, que está sendo criada em São Paulo.
A idéia é criar uma estrutura representativa da categoria de mídia exterior para que o setor tenha voz ativa e seja ouvido pelos governos municipais, estaduais e pelo governo federal.
O setor de mídia exterior gera hoje 498 empregos diretos, 207 terceirizados e 2.679 indiretos em Brasília, num total de 3.384 empregos. As empresas da área arrecadam anualmente R$ 2,6 milhões de impostos, mais R$ 2,5 milhões de taxas para o GDF e R$ 1.7 milhão de tarifa de energia elétrica. O que representa um total de R$ 6,9 milhões ao ano em arrecadações para o governo local.
No Brasil, existem 15 sindicatos de mídia exterior. Cinco deles - São Paulo, Bahia, Pernambuco, Paraná e Goiás - já fazem parte da federação. Segundo Liberato, até o final de outubro, Brasília também fará parte da federação. ‘Estamos esperando a liberação da carta sindical que vai representar esse nascimento oficial’, afirmou."
JORNALISMO & PROPAGANDA
Carlos Chaparro
"Dúvida perigosa: notícia ou anúncio?", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 9/10/03
"O XIS DA QUESTÃO - Jornalismo não é melhor nem pior que publicidade. São apenas linguagens diferentes, para interações sociais organizadas por expectativas diferentes. Mas, embora convivendo em espaços comuns, publicidade e jornalismo não devem se misturar. Quando uma linguagem começa a lamber a outra e a ser lambida, ambas se tornam enganadoras e constroem a burla. É o que penso.
1. Truque visual
Comecemos pelo fato. Na manhã de 6 de outubro, ao folhear os jornais do dia, fui sacudido pelo impacto visual da página 6 da Folha de S. Paulo. Havia ali um enigma, que os criadores da peça nos propunham, para decifrar: anúncio ou jornalismo?
A página continha as duas substâncias, mas de tal modo imbricadas que se diluíam numa só unidade visual. Havia um claro e intencional ‘diálogo’ gráfico-artístico entre o que, na decifração do enigma, depois se percebia ser a parte publicitária (anúncio do Banco Itaú) e a parte jornalística (duas reportagens sobre os descaminhos da reforma tributária, em Brasília). A mensagem publicitária contornava a página, emoldurando as duas reportagens com uma galeria de 24 fotografias de rostos jovens, bonitos, felizes. Visualmente, ao primeiro olhar, para as sensações motivadoras, tudo parecia fazer parte de um só conteúdo. Tratava-se de uma sedutora colagem, da qual as reportagens faziam parte. (o mesmo anúncio, obra da DPZ, foi publicado no mesmo dia em mais três grandes jornais: O Globo, O Estado de S. Paulo e O Dia).
Jornalismo ou anúncio?
À primeira impressão, jornalismo. A exuberância das fotografias ‘escondia’ as marcas discretas da mensagem publicitária. Nem os impulsos criados pela captação visual conduziam aos pequenos textos inseridos entre as fotos. Na descoberta desses textos, aí, sim, eles funcionavam como uma espécie de ‘pista disfarçada’, conduzindo as buscas visuais do leitor ao apelo incitativo colocado no pé da página: ‘Seja cliente Itaú’. A essa altura da interlocução, a informação jornalística já se tornara componente secundário.
De volta à questão central, pergunta-se: qual a natureza do conteúdo, visualmente tão homogêneo, oferecido naquela página A5 da Folha de S. Paulo - Jornalismo? Publicidade? Ou algum gênero discursivo novo resultante da fusão entre as duas linguagens?
2. Relações tensas
Desde as origens, o jornalismo e a publicidade vivem entre conflitos e acordos. No caso do Brasil, pelo que se pode deduzir por casos recortáveis de práticas antigas, a discussão simplesmente não existia, porque a convivência era de promiscuidade reciprocamente procurada e acolhida.
As revistas O Cruzeiro e Manchete, por exemplo, são ícones de um tempo de ‘jornalismo de penas compradas’: circulavam recheadas de reportagens pagas, sem qualquer aviso identificador de publicidade, quase sempre na exaltação de virtudes e feitos de governos (federal, estaduais e municipais).
O leitor comum nem imaginava que estava sendo enganado. E quem conhecia a tramóia não se escandalizava, tão comuns eram tais práticas.
Depois, com o passar do tempo e a ampliação das exigências de comportamentos éticos na comunicação social, as fronteiras e os pressupostos críticos tornaram-se mais rigorosos. Até pelo Código do Consumidor se exige que as mensagens publicitárias sejam claramente identificadas e identificáveis como tal.
Mas as relações entre publicidade e jornalismo são naturalmente tensas. Um dos pontos de tensão resulta do poder de pressão sobre o jornalismo que os grandes anunciantes detêm. Sendo eles também agentes produtores competentes de conteúdos de interesse jornalístico, freqüentemente cobram benefícios no noticiário. Ou usam a força de barganha garantida pela sua condição de anunciantes para tentar evitar a divulgação de conteúdos que lhes possam afetar a imagem pública ou a venda de produtos. Conheço a história de um desses anunciantes poderosos, que suspendeu por dois anos a programação de anúncios em uma das principais revistas do país, por não ter conseguido derrubar uma reportagem considerada ‘inconveniente’.
Claro que também existia, e certamente ainda existe, a chantagem no sentido inverso: ‘se não me dás o anúncio, não de dou a notícia’ - táticas em que o velho Chateaubriand reinou, fez escola e sucessores.
A verdade, porém, é que tais comportamentos, antigamente considerados coisa comum, hoje são vistos e ajuizados como desvios morais condenáveis.
3. Relações tensas
A arte publicitária, entretanto, inventa formas criativas, novas, de se relacionar estética e manhosamente com o jornalismo. Ainda recentemente, para assinalar o seu 50º aniversário, a Petrobrás ‘empacotou’ as primeiras páginas de alguns dos grandes jornais diários, revestindo-as com o caderno de quatro páginas do seu anúncio. A grana alta levou, por exemplo, a Folha de S. Paulo a concordar com a ocultação do seu logotipo. Será que um jornal como a Folha, com a importância e a respeitabilidade que a si própria se atribui, tem o direito de fazer isso com os seus assinantes e leitores?
Outro caso recente de ‘contaminação publicitária’ deu-se com a Veja, que usou o cadastro de assinantes para lhes enviar separadamente, de forma personalizada, um folder publicitário. Não será isso um abuso de confiança e uma agressão ao contrato?
4. Fusão perigosa
Eis aí um assunto que convém discutir, tanto na esfera acadêmica quanto na profissional. Como contribuição, deixo aqui dois pontos de vista:
1) O jornalismo não é melhor nem pior do que a publicidade. A discussão não deve ser colocada, portanto, na perspectiva moralista, como se o jornalismo fosse o bem, recheado de virtudes e virtuosos, e a publicidade fosse o mal, por onde circulam o pecado e os pecadores. Ou vice-versa.
2) Jornalismo e publicidade são apenas linguagens diferentes, para interações sociais organizadas por expectativas e interesses igualmente diferentes. Convivem, complementam-se, mas não devem se misturar, sob risco de perderem eficácia social. Deviam ser como o azeite e a água, que convivem e jamais se misturam. Quando publicidade e jornalismo se imbricam, ambas as linguagens se tornam enganadoras. Constroem a burla.
Nota de Rodapé
*Contundência em fala mansa - Mulher notável, essa senhora paquistanesa, Asma Jahangir, que a ONU nos enviou como relatora especial para casos de Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias. Na visita ao Brasil, e no desempenho de sua missão, a senhora Jahangir foi ao ‘X’ de questões relacionadas com a violência nas prisões, o crime organizado dentro do organismo policial, ‘a surdez e a morosidade da Justiça’, a corrupção e o arbítrio policial. Escandalizou-se de modo especial com o que viu na Febem, em São Paulo. Sempre acompanhada por jornalistas, pôde e soube, nos momentos certos, ampliar o alcance do que tinha a dizer. E disse, sempre em fala mansa, de requintada precisão, marcando a sua passagem pelo Brasil com a contundência das avaliações e emoções reveladas."
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