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DIÁRIO DE S. PAULO
Eduardo Ribeiro
"Moreira Leite chega ao Diário de S.Paulo", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 10/7/03
"Conforme este mesmo Comunique-se noticiou, Paulo Moreira Leite desistiu de sua transferência para Nova York, onde exerceria o cobiçado cargo de correspondente do jornal O Globo, para permanecer no Brasil, de um lado pressionado pela própria família e, de outro, pelo desafiador convite de dirigir o Diário de S.Paulo (ex-Diário Popular), jornal comprado pelas Organizações Globo junto a Orestes Quércia, pouco mais de dois anos atrás, com o principal objetivo de entrar no mercado paulista de jornais, sonho antigo da família Marinho.
Paulo tem quase toda a sua trajetória profissional vinculada ao mundo das revistas, particularmente Veja, onde ficou quase duas décadas, chegando a ocupar o terceiro posto na hierarquia da publicação (redator-chefe), e Época, que comandou por um ano e meio. Em jornal, atuou por cerca de um ano como correspondente da Gazeta Mercantil em Washington e talvez uma ou outra passagem no início de carreira. Faltava-lhe efetivamente um cargo de destaque num jornal diário, para completar a rica experiência de mídia impressa que tem no currículo.
Pois a chance agora chegou e o desafio não é pequeno. Terá de administrar uma equipe enxuta e recursos modestos e nesse cenário brigar para atingir metas mais ambiciosas e elevar o tom da briga com a concorrência.
Paulo nunca escondeu de ninguém que gosta do furo, de boas e bem elaboradas reportagens, de matérias investigativas e também do chamado hardnews. Essas são algumas das qualidades que certamente pesaram na hora de convidá-lo para o cargo, gesto feito pelo diretor geral do jornal, Ricardo Gandour. Sucederá a Orivaldo Perin, que, em agosto, depois de um período de férias, integra-se novamente à equipe de O Globo, no Rio de Janeiro, como editor-executivo, responsável pela abertura do jornal, no período da manhã.
Goste-se ou não do novo diretor de Redação do Diário de S.Paulo, ele tem a seu favor uma história de sucesso no jornalismo. Em Época, por exemplo, fez mudanças corajosas e estratégicas e obteve resultados palpáveis, sobretudo em relação a circulação e repercussão da revista junto aos formadores de opinião. Teve de capitular em pelo menos uma ocasião, num corte de pessoal exigido pela direção da empresa, mas abriu mão do cargo quando veio nova exigência nesta direção e também a notícia de que Merval Pereira (responsável por sua contratação) estava deixando o comando da Mira (Mídia Imprensa e Rádio, das Organizações Globo). Foi aplaudido na despedida, cena rara e inusitada nesse nosso tão competitivo e irreverente mercado.
No zum zum zum do mercado, alguns colegas apostam em grandes mexidas na equipe (fosse para deixar tudo como está não iam mudar o comando do jornal, argumentam). Faz sentido.
Outros lembram que ele não é de trabalhar com patota e que dará oportunidades a todos, trocando, a partir de determinado momento, algumas peças que não se enquadrem no perfil desejado. Também faz sentido.
Mesmo sem ter conversado diretamente com ele (pediu um prazo para se ambientar e conhecer melhor a empresa, o projeto, as pessoas), arrisco o palpite de que ele ficará no meio termo. Mexerá em algumas peças sim, levando com ele alguns (poucos) nomes de confiança, em áreas estratégicas do jornal, mas vai procurar conhecer bem a equipe antes de tomar decisões de mudanças e demissões. Aliás, como faz, por exemplo, qualquer técnico de futebol quando assume um time.
Há, além disso, outra forte razão para uma certa moderação nesse campo: o jornal não está nadando em dinheiro e o borderô com o qual vai trabalhar não lhe permitirá grandes vôos. E se demitir vai ter de arcar, além disso, com os altos custos das dispensas (e não há dinheiro para isso).
No fundo (a opinião é minha) o melhor caminho será inspirar-se no técnico Émerson Leão, que, ao chegar ao Santos, sem dinheiro e sem estrelas, tratou de aproveitar, ao máximo, as pratas da casa. Deu certo. No caso do Diário a equipe também é boa e poderá render muito mais se for estimulada e treinada. Claro que para um salto mais ambicioso, em termos de qualidade, será fundamental investir também em melhores salários e em contratações. Mas aí, ao menos no curto prazo, é querer demais.
Ainda é cedo para falar e fazer prognósticos, mas certamente quem gosta de um bom jornalismo torce para que o Diário cresça e incomode. Sempre se tem a ganhar quando a briga é por uma boa causa.
Está claro que o Diário continuará apostando e dirigindo seu foco para as classes B e C, mas isso em nada impede a aposta no furo e nas boas reportagens.
Os leitores, penhorados, agradecem."
ISTOÉ ABSOLVIDA
Comunique-se
"IstoÉ Gente não precisa indenizar Glória Perez", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 9/7/03
A Justiça negou pedido de indenização por danos morais em ação movida pela escritora Glória Perez contra a revista IstoÉ Gente. A escritora se sentiu ofendida com a reportagem publicada pela revista sobre o lançamento do livro ‘A Paixão no banco dos réus’, da procuradora Luiza Nagib Eluf. O assassinato de Daniella Perez, filha de Glória, foi um dos casos analisados por Luiza Eluf no livro e abordados na notícia. A escritora disse que a reportagem ofendeu a memória de sua filha por ter afirmado que Daniella foi vítima de crime passional. Ela alega que o assassinato foi cometido ‘por motivo torpe, de modo premeditado’.
Glória argumentou ainda que a revista se aproveitou do sucesso que a novela O Clone, de sua autoria, fazia na época da publicação. A chamada de capa era ‘Os crimes passionais’ e o subtítulo, ‘Um novo livro investiga os 14 crimes passionais mais famosos do Brasil’. IstoÉ Gente, representada pela advogada Claudia Regina Soares dos Santos, alegou que se limitou a reproduzir as idéias de Luiza Eluf. Argumentou também ter publicado a opinião da escritora sobre o crime e o livro e ter dado igual destaque aos assassinatos noticiados.
O juiz da 16ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Paulo Sérgio Prestes dos Santos, acatou os argumentos da revista e condenou a escritora ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios, fixados em 10% do valor dado a causa (R$ 15 mil). Glória Perez pode recorrer da sentença.
Para Prestes, a revista ‘expressou tão-somente’ a opinião de Luiza Eluf sobre os crimes. Segundo ele, ‘foi a autora do livro ‘A paixão no banco dos réus’ quem classificou o homicídio já aludido como crime passional.’ E a revista, como veículo de imprensa, ‘tem o direito de veicular a opinião que lhe pareça de interesse público’, completou.
Prestes entendeu que a capa da revista foi escolhida pelo ‘interesse de divulgar, com exclusividade, de forma antecipada, o livro’. Ele destacou que a revista teve a ‘preocupação de realçar na capa o fato de que havia reação, tanto por parte dos condenados, como dos parentes das vítimas’.
Para o juiz, a revista também mostrou aos leitores ‘o inconformismo da autora [Glória] com a inclusão do assassinato de sua filha no aludido livro entre os crimes passionais’ e sua luta, que culminou com a ‘aprovação de um projeto de lei que incluiu o homicídio qualificado no rol dos crimes hediondos’."
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