|
CONAR EM AÇÃO
Ronaldo D’Ercole e Erica Ribeiro
"Álcool pode, mas sem apelação", copyright O Globo, 13/09/03
"O consumidor brasileiro pode ir se acostumando: a partir do próximo verão, os anúncios de bebidas alcoólicas devem mudar bastante em relação ao que se tem visto há muitos e muitos anos. O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) aprovou ontem uma ampla revisão das normas éticas que regulam a publicidade de bebidas no país. Pelas novas regras, o órgão recomenda que não se use ‘animais humanizados, bonecos ou animações, que possam despertar a curiosidade ou a atenção de menores’, bem como ‘cenas, fotos, ilustrações e sons que apresentem a ingestão do produto (bebida)’.
Além disso, qualquer pessoa que figure em anúncios do setor deverá ser e parecer maior de 25 anos. Especificamente para as cervejas e o vinho, o novo código recomenda que, em peças publicitárias em TVs abertas ou por assinatura, evite-se a exploração do erotismo.
O Conar criou também uma regulamentação específica para o segmento de bebidas ice , misturas já prontas do tipo coquetel. Estabelece que, sempre que essas bebidas forem apresentadas em peças publicitárias junto com as marcas-mães (do uísque de que são compostas, por exemplo), os anúncios terão de respeitar as normas para a publicidade de bebidas destiladas.
As novas regras começam a vigorar em 90 dias.
- A idéia é que haja uma grande mudança no padrão dos anúncios do setor. A publicidade brasileira, que é das mais criativas do mundo, quer também ser das mais éticas - disse o presidente do Conar, Gilberto Leifert.
Medida pode aliviar rigor da nova lei
As novas regras para a publicidade de bebidas alcoólicas foram aprovadas ontem pelo Conselho Superior do Conar, o órgão máximo da entidade e que reúne 21 profissionais de agências, veículos de comunicação e anunciantes.
- As mudanças são fruto de uma ampla discussão com fabricantes, agências de publicidade e veículos de comunicação, além de consultas a especialistas em saúde pública e a pesquisas sobre o assunto realizadas ao longo dos últimos dois anos - afirmou Leifert.
O presidente da Associação Brasileira de Propaganda (ABP) e membro do Conselho Superior do Conar, Armando Strozemberg, afirmou que as novas medidas são melhores do que correr o risco de sanções previstas em projetos de lei que estão no Senado e na Câmara dos Deputados, em Brasília. Na maioria das vezes, eles sugerem a retirada das propagandas de bebidas dos meios de comunicação, assim como foi feito com a indústria de cigarros.
- Nossa autocrítica e o fato de o próprio mercado regulamentar o trabalho que faz, quando esse trabalho se transforma em instrumento de comunicação de massa, evitam que fiquemos sujeitos a sanções de políticos que não conhecem o mercado. São grupos que diariamente enviam projetos de lei para retirar a propaganda de bebidas do ar, seja por caráter religioso, seja para aparecer mesmo, jogar para a platéia - disse Strozemberg, que também é presidente da agência de publicidade Contemporânea.
Segundo ele, as medidas tomadas ontem pelo Conar foram resultado de pesquisas e queixas recorrentes em relação a normas éticas.
Antônio Fadiga, sócio-diretor do Grupo Total, do qual faz parte a agência Fischer América (que tem entre seus clientes a cervejaria Schincariol), também aplaudiu a decisão do Conar pelos mesmos motivos apresentados por Strozemberg.
- A decisão evita ações exclusivamente de cunho político por parte de quem não vive o mercado publicitário. E não limita o nosso trabalho. As agências terão que usar ainda mais da criatividade e vão conseguir - afirmou.
Entre os publicitários, o consenso é mesmo de que o Conar tenha se antecipado aos poderes Executivo e Legislativo, que vêm discutindo novo tratamento legal para as bebidas alcoólicas. A lei atual deve ser alterada, por tratar de um produto cujo consumo exagerado hoje é visto também como um problema de saúde pública. Segundo o presidente do Conar, dados do Ministério da Saúde dão conta de que 10% dos brasileiros consomem álcool de forma inadequada, colocando em risco a própria saúde e a comunidade em que vivem. O ministro da Saúde, Humberto Costa, coordena um grupo interministerial que discute o consumo de álcool no país.
Na prática, o Conar se alinha a uma tendência que já vem sendo seguida por alguns anunciantes do setor. A Skol, por exemplo, marca que pertence à AmBev, já veicula uma campanha que recomenda aos seus consumidores que, depois de beber, usem um táxi em vez de dirigir. Os fabricantes de bebidas em geral (alcoólicas e não alcoólicas) investiram R$ 373,15 milhões em propaganda em 2002, enquanto todo o setor de publicidade movimentou R$ 13 bilhões. A AmBev, dona das três marcas de cerveja mais consumidas no país, investiu R$ 122,8 milhões em publicidade no ano passado, tornando-se o terceiro maior anunciante do país.
- O que o Conar decide é lei, não se discute. E se o Conar decidiu alterar as regras para a publicidade de bebidas alcoólicas, o mercado deve acatá-las e segui-las imediatamente - disse o presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), Dalton Pastore."
Folha de S. Paulo
"Conar restringe erotismo e jovem em propaganda de cerveja e vinho", copyright Folha de S. Paulo, 13/09/03
"O Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) decidiu ontem criar novas normas éticas sobre a veiculação de anúncios de cervejas e vinhos. O erotismo, o apelo ao consumo e o uso de linguagens do universo infantil passaram a não ser recomendados pela entidade em anúncios veiculados na TV ou nas rádios antes das 21h30, assim como em veículos impressos que não são destinados em sua maioria ao público adulto.
A novas normas do Conar visam evitar que o governo proíba a publicidade de cervejas e vinhos antes das 22h, o que tem sido estudado por um grupo interministerial liderado pelo Ministério da Saúde. ‘O Brasil optou por um sistema de auto-regulamentação publicitária, que tem dado certo. Todas as vezes em que o Estado intervém nessa área ele atinge a liberdade pública e o direito à informação’, afirmou Gilberto Leifert, presidente do Conar.
A legislação atual proíbe anúncios de bebidas etílicas de alta graduação alcoólica antes das 21h. O Conar aconselha a não-veiculação de anúncios dessas bebidas antes das 21h30.
Menor de 25 anos
O Conar representa anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação. Na decisão de ontem, a entidade aconselhou também que os anúncios não usem slogans que estimulem o consumo de vinhos e cervejas, não utilizem pessoas com idade de fato ou aparente menor de 25 anos e não tenham fotos ou desenhos que mostrem a ingestão dos produtos.
O Conar recomendou que os anúncios em bares e restaurantes e a publicidade de produtos do tipo ice (mistura de refrigerantes com bebidas etílicas) sigam as mesmas normas. Para a entidade, a publicidade deve se centrar nas marcas dos produtos e estimular o consumo responsável.
Leifert afirmou que 90% dos consumidores de bebidas alcóolicas utilizam esses produtos de maneira responsável. ‘10% dos consumidores consomem de maneira prejudicial à saúde.’ Segundo ele, o governo deveria cuidar desses 10% e fazer campanhas em escolas a favor de hábitos saudáveis, abordando problemas que o álcool em excesso causa.
Caso um anúncio não respeite as normas do Conar, ele será analisado pela entidade, que pode recomendar a sua não-veiculação. A entidade afirmou que, nos seus 23 anos de existência, todas as suas decisões foram respeitadas pelos seus associados."
Zero Hora
"Publicidade de bebidas vai mudar", copyright Zero Hora, 13/09/03
"A partir do próximo verão, as propagandas de bebidas alcoólicas, especialmente cervejas, devem mudar bastante.
O Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) aprovou ontem uma ampla revisão das normas éticas que regulam a publicidade de bebidas no país. As novas regras proíbem a utilização de ‘animais humanizados, bonecos ou animações, que possam despertar a curiosidade ou a atenção de menores’, ou a utilização de ‘cenas, fotos, ilustrações e sons que apresentem a ingestão do produto (bebida)’. Especificamente para as cerveja e o vinho, o novo código do Conar recomenda que em peças publicitárias em TVs abertas ou por assinaturas seja evitada a exploração do erotismo.
O Conar redigiu também regulamentação específica para o segmento de bebidas ‘ice’. Entre outras coisas, sempre que essas bebidas forem apresentadas em peças publicitárias com as marcas mães - do uísque ou vodka de que são compostas -, os anúncios terão de respeitar as restrições do chamado Anexo A do Conar, que trata das normas éticas para a publicidade de bebidas destiladas.
As novas regras foram aprovadas pelo Conselho Superior do Conar, que reúne 21 profissionais de agências, veículos de comunicação e anunciantes (empresas)."
|