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ARTES PLÁSTICAS
Maria Hirszman

"Os 50 anos da Bienal: uma análise crítica e incômoda", copyright O Estado de S. Paulo, 14/04/02

"A Revista da USP acaba de publicar um número especial dedicado à Bienal de São Paulo, que reúne textos imperdíveis para quem quer conhecer um pouco mais sobre essa cinqüentenária instituição. Todos os aspectos relativos à mostra, iniciada em 1951 sob os auspícios modernizantes de Ciccillo Matarazzo, são discutidos na publicação, em artigos assinados por especialistas que conhecem a fundo a história recente da arte brasileira.

O professor de estética da Faculdade de Filosofia da USP e representante do conselho editorial da revista, Victor Knoll, inicia a publicação contextualizando a importância da Bienal para a formação do público e da produção artística nacional. Essa pequena introdução abre espaço para que Décio Pignatari, Luiz Marques, Stella Teixeira de Barros, Teixeira Coelho, Maria Bonomi, Ana Luisa Escorel, Evelyn Ioschpe - estas duas tratando especificamente de questões relativas ao campo do design e da arte-educação, entre outros, analisem o complexo fenômeno Bienal, orgulho dos brasileiros (principalmente dos paulistas), que espelha de maneira paradigmática a imaturidade e as fragilidades da arte contemporânea brasileira.

Não falta também na Revista o depoimento daqueles que conheceram a Bienal por dentro. Pelos menos três colaboradores tiveram experiência à frente da curadoria da Bienal: Sheila Leirner, Paulo Herkenhoff e Ivo Mesquita. Este último não chegou a concluir seu projeto de exposição por causa de uma série de divergências com a direção do evento.

Das informações históricas, que permitem às novas gerações saberem melhor o que ocorreu ao longo dos últimos 50 anos neste que é considerado o mais importante evento das artes plásticas na América Latina, às análises mais esmiuçadas acerca das contradições de um evento desta dimensão (como as pressões antagônicas por um maior afluxo de público, e pela conseqüente espetacularização da mostra, e pela preservação do evento como um local de experimentação de novas linguagens), a publicação tenta manter-se distante dos fatos conjunturais e propor uma reflexão mais vasta sobre o tema. Tanto que vários desses ensaios foram escritos há um ou dois anos. Males de Nascença, de Stella Teixeira de Barros, escrito em novembro de 2001, talvez seja um dos textos mais relacionados com acontecimentos recentes, como as recentes crises da Bienal e o crescente enfoque mercadológico e globalizante adotado por instituições culturais no País.

Questões similares são tratadas por Marques, que chega a afirmar que desde o final da década de 60 a Bienal só faz declinar. E diagnostica: ‘Como as demais Bienais e congêneres, a de São Paulo formulou-se paulatinamente como uma contradição nos termos: ser a instituição dedicada a referendar e a atribuir o selo de ‘bom para comércio’ aos objetos (ou ‘trabalhos’) selecionados exatamente por terem sido julgados marginais à instituição ou (ainda) não sufragados por ela.’

Mas essa espécie de homenagem crítica à Bienal - que inclui até mesmo uma parceria com o arquivo da instituição, representado pelo texto e uma série de documentos organizados para a Revista por seu atual coordenador, Dalton Sala - parece não ter agradado à direção da 25.ª Bienal.

Se dizendo incomodada com o tom crítico dos textos - como convém a uma coletiva de ensaios que pretendem ajudar a compreender um fenômeno cultural complexo como este -, a Bienal teria desistido de realizar em suas instalações o lançamento oficial da Revista (na prática, a publicação já está à venda, por R$ 16, em algumas livrarias e bancas de revista). Pior.

Segundo o editor da Revista, Francisco Costa, um representante da direção da Bienal chegou a informá-lo que eles devolveriam os cem exemplares enviados para serem vendidos na livraria do evento.

Posteriormente, a instituição voltou atrás e manifestou seu desejo de continuar divulgando a obra da Livraria da Bienal, apesar de ‘lamentar a não participação da Bienal como instituição (...) que envolve diretamente todo o universo da produção de arte contemporânea’. Essa carta explicativa, endereçada ao professor Victor Knoll depois que a reportagem contatou a Bienal para ouvir sua versão sobre o tema, não menciona a questão do lançamento. A direção da Bienal também negou que tenha agido autoritariamente e tomado qualquer atitude contra a publicação."

 

CÁTEDRA OCTAVIO FRIAS
FSP

"Participação da Folha na abertura é debatida", copyright Folha de S. Paulo, 10/04/02

"A participação da Folha no processo de abertura política durante o regime militar e a atuação do jornal na campanha das Diretas-Já foram discutidas ontem em seminário realizado pela cátedra Octavio Frias de Oliveira da faculdade de jornalismo da Fiam (Faculdades Integradas Alcântara Machado).

O seminário ‘Projeto Folha, Abertura Política e Diretas-Já’ contou com a participação do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, do professor da ECA-USP Ciro Marcondes Filho e do professor de ciência política da USP e repórter especial da Folha André Singer. O mediador foi Milton Belintani, professor da Fiam.

André Singer fez um retrospecto da atuação do jornal desde 1974, ano em que, segundo ele, começou a abertura política do regime militar (1964-1985), até a campanha das Diretas-Já, iniciada em 1983/1984.

Para Singer, tanto em relação à abertura quanto à campanha que mobilizou a sociedade brasileira por eleições diretas para presidente da República, o jornal se antecipou aos concorrentes. ‘A Folha teve uma percepção antecipada, em relação aos demais órgãos da imprensa, de que o movimento pelas Diretas-Já iria se transformar num movimento de massa’, afirmou.

O advogado e ex-ministro José Carlos Dias destacou a truculência do regime militar -’houve muita tortura e muita morte’- e afirmou que, no caso das Diretas-Já, ‘o crescimento da Folha acompanhou o crescimento dos movimentos da sociedade civil. A campanha das Diretas-Já foi uma das coisas mais emocionantes que o povo brasileiro já viveu e o grande momento da Folha.’

Para Ciro Marcondes Filho, foram veículos da ‘imprensa conservadora, como o ‘Jornal da Tarde’ e ‘O Estado de S. Paulo’, que estimularam o movimento pelas Diretas-Já’.

Segundo disse, a Folha ‘teve um papel ambíguo e só apoiou o movimento quando ele estava no ápice’, naquilo que ele classificou como uma atitude ‘oportunista’."


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