17/06/2003 6/19

Envie para um amigo  Procure no arquivo

JORNALISMO INVESTIGATIVO
José Paulo Lanyi

"‘Jornalismo investigativo virou moda’", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 12/6/03

"A frase do título é de um jornalista que conhece bem os dois segmentos: o investigativo e a moda. Nos últimos 20 anos, ele trabalhou em silêncio. ‘Sou no jornalismo o que o Lombardi é para o Sílvio Santos’. Uma linha dita independente, sem vínculo empregatício. Há um mês, lançou um site, UH! Comunicação Ilimitada, que promete ao menos uma reportagem exclusiva por semana. Coisa quente, ‘bombástica ou interessante, a verdade, o outro lado da notícia’.

A reportagem de estréia da seção ‘e-xclusiva’ revelou falcatruas do mundo do esporte. ‘Nem toda lágrima de esportista é verdadeira diante de uma vitória e da bandeira do Brasil. Muitos choram lágrimas de jacaré e por trás estão envolvidos em operações de lavagem de dinheiro’. O artigo mostra um esquema como esse, inventado por um banco e por um advogado tributarista americanos para beneficiar, entre outros, o piloto Bruno Junqueira.

Ucho Haddad publicou, ainda, documentos que comprovam a ligação dos procuradores de Ronaldinho, Alexandre Martins e Reinaldo Pitta, com os fiscais do Rio de Janeiro envolvidos na operação de remessa de US$ 34 milhões para a Suíça. Claro, também dedicou suas linhas ao Eurico Miranda, dirigente do Vasco da Gama.

O jornalista abandonou, por fim, o mutismo: conversou sobre tudo isso com Wanderley Nogueira, ao vivo, na Rádio Jovem Pan, em São Paulo. A entrevista a esta coluna é, portanto, a segunda em 20 anos de trabalho investigativo.

1975. Haddad começou no jornalismo em São Paulo, aos 17, na extinta Editora Vechi. Era fotógrafo. ‘A fotografia me deu uma visão mais ampla da vida e do cotidiano. Consegui transferir a imagem para o papel’. A Vechi publicava títulos como Figurino Moderno, Figurino Noivas, Casa e Decoração e fotonovelas. Haddad largou a imagem e passou a escrever. Em 77, produziu para editoras menores. Dois anos depois, trabalharia para a Editora Abril, no Departamento de Anúncios para Terceiros. Escrevia e fotografava para todos as áreas da editora. Foi redator free-lancer. ‘Nunca gostei de ter vínculo para ter que me obrigar a determinadas situações’.

Pediu ajuda a Maria da Penha Bueno de Moraes, diretora de Cláudia e Cláudia Moda, revistas para as quais Haddad escrevia - além do tablóide Noticiário da Moda. Explicou-lhe que gostaria de ter uma atividade profissional ‘mais intensa’. Maria da Penha sugeriu-lhe que fosse correspondente da editora em Milão. Haddad foi para a Itália em 1981. Antes, na Abril, conheceu Tim Lopes, que lhe disse: ‘Olha, garoto, você tem muito jeito para investigar’. A frase ficou na cabeça. ‘Ele era uma pessoa muito sensível, de conseguir perceber detalhes em algumas situações que às vezes as pessoas nem se davam conta de que eventualmente estivesse acontecendo alguma coisa’.

Já em Milão, foi ao teatro fazer uma reportagem com Baden Powel, que conhecera no Rio de Janeiro. Haddad estava tentado a investigar um determinado assunto e, inseguro, ainda com um ‘restinho de fascínio pelo glamur do mundo da moda’, contou a Powel, no camarim, o que lhe havia dito Tim Lopes. ‘Se o seu coração sente isso, vai em frente’, disse-lhe o músico.

Ucho Haddad, então, desligou-se da Abril. Colaborou com informações para o Corriere della Sera e para uma pequena agência de notícias de Milão, Sandro Dirella. Investigou o envolvimento do Vaticano com a máfia turca e com a Loja Maçônica P2. Para sobreviver, continuou a fazer trabalhos para publicações de diversos países, como a revista francesa de moda Depeche Mode.

Num desses trabalhos, para um jornal suíço, pegou um trem em Nice, na França, e, na volta para Milão, desceu na estação seguinte à de Mônaco. Pegou um táxi e instantes depois, na frente dele, um carro caiu no despenhadeiro. ‘Naquele momento morria Grace Kelly, na minha frente. Eu não sabia se eu ajudava, se fotografava, se escrevia. Tirei umas fotos que vendi para a agência [Sandro Dirella] e para um intermediário da cidade que acabou comprando uma quantidade grande de material, imagino que deva ter sido alguma coisa em termos de serviço secreto, foi uma operação cheia de segredos, que me deixou um pouco assustado, eu tinha 24 anos, assusta muito. Mas foi interessante de qualquer forma. Comecei a dar importância a tomar decisões sem ficar pensando’.

Em outra ocasião, fora de trem para Florença. No retorno para Milão, apesar da pressa de voltar para casa, venceu, enfim, os segundos de dúvida e desceu na estação de Bolonha - ‘um dos melhores lugares do mundo para se comer’. Ao chegar à porta da estação para pegar um táxi, o trem de que acabara de sair explodiu dentro do túnel. ‘Foi um ataque das Brigadas Vermelhas, uma coisa horrível’. A partir dali reforçou a importância de seguir os seus impulsos, ‘embora quebrasse a cara, às vezes’.

Trabalhou em vários países. Voltou, enfim, de Fort Lauderdale (Flórida, EUA) para o Brasil, em dezembro de 2000. Decidiu ficar. ‘Porque encontrei um país muito diferente daquilo que eu tinha deixado e a anos-luz de distância daquilo que eu sonhei’. Passou a fazer ‘jornalismo por e-mail’, na coluna ‘Se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!’. Ele explica: ‘É a cara do Brasil, tanta palhaçada e loucura. Traduz a realidade do País’. Cita, orgulhoso, o reconhecimento ‘virtual’ de leitores como Eliakim Araújo e Affonso Romano de Sant’Anna. A coluna, diária, está na edição 427. Bateu forte nos dois governos anteriores, resultado de uma investigação contumaz da era FHC. ‘Você vê que é muito diferente daquilo que se proclama num palanque eleitoral, aquela coisa toda, aquelas pessoas absolutamente impolutas. Sempre tem uma mágica no meio do caminho. E é uma coisa que eu combato’.

‘Disque-denúncia’

Haddad diz que foi o primeiro a publicar os documentos sobre uma empresa suspeita de José Carlos Martinez no exterior (Martinez, deputado federal, presidente do PTB, era o coordenador da campanha do Ciro Gomes à presidência); ainda: toda a documentação da tortuosa história da bispa Sônia Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo. ‘Em seguida, a Época me ligou, perguntou se queria conversar a respeito’ (Haddad diz que não repassou os documentos para a revista); escreveu sobre o suposto vínculo de Luis Favre, marido da prefeita Marta Suplicy, com a chamada máfia do ônibus. ‘Fui o primeiro a publicar, com o depoimento do [empresário] Gelson Camargo em mãos, todo documentado. Eu não acuso, eu mostro o que está acontecendo. O julgamento é do leitor’.

Fez alguns trabalhos para o rádio, foi o primeiro jornalista a noticiar a morte de Mário Covas, pela Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, e pela Rádio Liberal, de Belém do Pará.

Relutou em montar o site. ‘O e-mail tem uma força brutal’. Mas foi convencido por um amigo. UH!, coordenado pela jornalista Flávia Camargo, publica a coluna, resenhas, opiniões e a seção ‘e-xclusiva’ (a partir de 30/07, só para assinantes, por R$ 72 anuais). ‘Quatro pastéis por mês, mas com muito mais recheio’. O assinante receberá um cartão digital de acesso. O método elimina a necessidade de senha e de login.

Ucho Haddad se diz preocupado com o rumo do jornalismo investigativo. ‘Tenho o Tim Lopes como referência porque ele produzia um trabalho para mostrar à sociedade e usar aquilo em defesa de um povo oprimido. Mas muitos fazem jornalismo investigativo na expectativa do escândalo, de atender a determinados interesses, usar como ferramenta de pressão, se promover, estar na mídia’. O jornalista lamenta o modismo, afirmações como ‘deve ser interessante, engraçado, emocionante’, e lembra os mais jovens de que esse trabalho ‘é uma bandeira que se empunha para enfrentar um pelotão na contramão’.

Haddad dá um exemplo: ‘Brinco com as pessoas: meus telefones se tornaram mais eficientes do que o disque-denúncia do governo Geraldo Alckmin, porque o que me liga de gente é uma coisa bárbara. Jornalismo investigativo não deve buscar fama, massagem do ego não pode ser o objetivo principal, mas sim buscar a verdade, a defesa do povo e do País’. E salienta: ‘O meu maior sonho é que o jornalismo volte a ser o guardião do povo brasileiro, e que deixe essa aura de ser o quarto poder’.

Ele diz que tem muitos documentos protegidos, guardados em alguns bancos. Um dos assuntos: ‘Se existem pessoas que sabem sobre dossiê Cayman muito bem, posso lhe dizer com toda certeza que sou uma delas’.

Nesta sexta-feira (13/06), Link SP entrevista o jornalista sobre a cobertura brasileira desse episódio."

 

GAFES DA MÍDIA
Eduardo Ribeiro

"Nossos pequenos pecados", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 11/6/03

"Graças aos pequenos pecados da imprensa, Maurício Menezes, brilhante colega que atua há anos na Rádio Globo do Rio de Janeiro, virou também humorista e criou um show (imperdível) no qual narra, de forma hilariante, alguns dos fatos mais engraçados surgidos de erros de colegas, no exercício profissional. São dezenas de casos, um mais engraçado do que o outro, que acabaram entrando para o anedotário do jornalismo, embora nem sempre os protagonistas achem a menor graça nisso. Mas, no caso do Maurício, como ele não perdoa sequer a si (quem ainda não conhece peça para ele contar o caso do Padre Adinoel), a narrativa vira uma grande brincadeira sem o sentido da ofensa. Um dos casos que ele conta é o do locutor de uma rádio de uma pequena cidade que noticiou a morte de um cidadão, convidando, em seguida, para o enterro que seria às 14 horas. Ao olhar no relógio e ver que já eram 14 horas e 15 minutos, ele não teve dúvidas e emendou: mas quem correr ainda pega o finalzinho...

Teve também um caso clássico de um colega da Rádio Bandeirantes, que, com base em informações repassadas pela Rádio Escuta, deu em primeira mão a morte do Papa (acho que era ainda o João XXIII). Mas o danado do Papa não tinha morrido e a informação (imagine, dada por uma das rádios de maior audiência do País) já estava se alastrando por todos os lados, até que chegou o desmentido. Contrariado com a barriga e com a obrigação de reparar o erro no ar, e ao vivo, o locutor acabou tascando: ‘caros ouvintes, divulgamos minutos atrás a notícia de que o Papa faleceu. Gostaríamos de informar que infelizmente o Papa não morreu...’

Este Jornalistas&Cia mesmo, na sua versão impressa, já cometeu algumas gafes que também entraram para o anedotário da profissão. Vendo-as, tempos depois, são muito engraçadas, embora algumas tenham se dado em situações de infortúnios.

Foi o caso, por exemplo, do dia em que anunciamos a morte de Fernando Coelho, acreditando tratar-se do colega baiano, que foi por muitos anos da Globo e que andava atuando em tevês legislativas e projetos de sua própria lavra. Em verdade faleceu efetivamente um Fernando Coelho, jornalista como o outro, e por essas confusões (de homônimos da vida) o telefone que tínhamos como se fosse do Fernando da Globo na verdade era do outro Fernando - o do Fernando que efetivamente havia falecido. Depois de checar que o colega havia falecido mesmo, a partir de uma informação recebida de meu sócio, Paulo Vieira Lima, de apurar as causas da morte e de constatar tratar-se do Fernando Coelho jornalista, tivemos dificuldades em avançar nos detalhes, pois estavam todos, na casa do falecido, atarantados com o traslado do corpo, com os detalhes do sepultamento, cuidados com a viúva e essas coisas super desagradáveis. De qualquer modo, para efeitos de divulgação, as informações básicas estavam cruzadas e batiam. Seria a nossa principal manchete da semana. E foi

No dia seguinte, ao chegar ainda sonado da jornada da noite anterior, vários telefonemas na redação me deram a indicação de que alguma coisa tinha saído errado. Colegas da Globo me ligaram, primeiro com a suspeita e depois com a certeza do erro. Não era mesmo o Fernando Coelho da Globo, mas sim um colega que militou muito mais na área de assessoria de imprensa, trabalhando vários anos com o ex-ministro Murilo Macedo. Uma desgraça! Suspendemos imediatamente o envio para tirar a história a limpo e descobrimos o lamentável erro. O Fernando Coelho, ex-Globo, estava vivinho, cuidando de sua produtora independente e morando na Bahia. Só que ele, naquele dia, não estava em casa e não havia, no horário em que ligamos, ninguém por lá, para os esclarecimentos necessários. Reeditamos o informativo corrigindo a informação, inclusive para quem já havia recebido o boletim. Mas aí o estrago já estava feito: no velório do Fernando que havia realmente morrido chegaram coroas de flores, mensagens de todos os lugares e até equipe a Globo mandou para lá, para cobrir o féretro. Foi um constrangimento geral, pois os familiares não entenderam nada, pois jamais poderiam imaginar que o seu ‘Coelho’ fosse tão famoso assim. Na Redação da Globo, antes de saber do erro, foi uma choradeira geral, pois o Fernando amigo era e é uma figura muito querida de todos. Dina Amêndola, que à época lá trabalhava, ligou para nos passar uma descompostura, falando de nossa irresponsabilidade, dos transtornos que causáramos em todos etc. E olha que ela era é minha amiga, pessoal. Expliquei que cumprimos, dentro dos limites daquelas circunstâncias, os princípios elementares do jornalismo, checando até onde foi possível a informação. Mas nem isso a acalmou, pois foi uma das que mais se abalaram com a notícia, e responsável pelo envio da equipe ao velório. Só que o repórter, ao chegar e ver o corpo constatou tratar-se de um equívoco. Pior: o Fernando Coelho, da Globo, estava passando uns dias em São Paulo, e ao ver no informativo a notícia de sua morte vários colegas ligaram para sua casa logo cedo, assustando, com a notícia, sua família, que o esperava de volta exatamente naquele dia, em vôo pela manhã. O que quer dizer que sequer eles poderiam tirar a história a limpo. Foram momentos de muita angústia para todos, inclusive para nós. Mas desfeito o equívoco, foi hilariante.

Num encontro posterior com colegas da emissora, aí já como parte do anedotário, um deles não perdoou e falou: ‘Eduardo, com aquela nota você matou dois coelhos com uma só cajadada...’.

Antes disso, uma outra história também deu motivo para boas risadas. J&Cia não existia, mas eu tinha uma coluna (que ainda existe) no jornal do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Unidade), chamada Moagem, também sobre o vaivém do mercado. Foi lá pelos idos de 1994. Vi uma nota na Folha de S.Paulo de que a Ana Cecília Americano estava lançando um livro de poesias, naquela semana. Fiquei indignado por ver tal notícia na Folha, pois Ana Cecília era minha colega de diretoria do Sindicato, e achei uma desfeita ela não ter me comunicado nada. Pior ainda foi ser furado no meu próprio quintal. Zangado, decidi dar a nota, bem curtinha, sem ouvi-la, pois desse modo estaria passando a ela o recado de que vi, li e não gostei, mas ainda assim estava registrando o fato.

Dias depois que saiu o jornal, Ana me procurou dizendo ter recebido dezenas de telegramas, vários mimos, flores, telefonemas e o escambau, feliz da vida com a repercussão da nota e do jornal. ‘No entanto - me disse ela - há um pequeno pormenor: aquela Ana Cecília não sou eu e sim uma homônima, que não é minha parente e que sequer conheço. E tem outra, os livros que ela escreve são muito água com açúcar e nada tem a ver comigo’. Claro que tive de corrigir o ‘furo’ na edição seguinte e ficar atento daí para a frente. Deu-se, aliás, o contrário, depois disso. A própria Ana me ligou algumas vezes pedindo para que eu esclarecesse em determinados episódios a situação. Inclusive mais recentemente quando a escritora Ana Cecília Americano morreu e, com notas nos jornais, a família da Ana Cecília jornalista começou a receber telefonemas e telegramas de condolências.

Dia desses, o mesmo aconteceu com o colega Heródoto Barbeiro, na CBN, traído por uma dessas confusões de nomes: interessado em repercutir o caso das fraudes jornalísticas no The New York Times com o Professor Carlos Alberto Di Franco (colunista do jornal O Estado de S.Paulo e especialista em ética), acabou entrevistando ao vivo o quase homônimo Carlos Roberto Franco, repórter da editoria de Economia do mesmo Estadão. A confusão foi feita pela telefonista do jornal, que, achando tratar-se do repórter (e não do colunista), não só passou a pessoa errada, como ainda pediu para a produção da CBN corrigir o nome. E aí não teve jeito, Heródoto entrevistou Franco como se Di Franco fora, e Franco, achando que tinha sido escolhido por alguma de suas matérias para falar do assunto, deu entrevista como Franco sem saber que (naquele momento) Di Franco era. Ele bem que estranhou Heródoto lhe chamar de professor por três vezes, mas foi só na última que a ficha começou a cair. E teve certeza do engano, quando chegou ao jornal e outros colegas que ouviram a entrevista o alertaram, rindo tanto pelo engano, quanto por Franco ter se saído tão bem nas respostas. E foi mesmo tão bem, que a entrevista foi reprisada a tarde, com o nome corrigido. Sim, porque de manhã ele deu entrevista como se Di Franco fora, mas foi apresentado como Carlos Roberto Franco, seu nome verdadeiro. À tarde, o produtor vendo o erro, mandou brasa: o apresentou efetivamente como o Professor Carlos Alberto Di Franco. Até o professor entrou depois na dança e ligou, parabenizando o xará e quase homônimo, dizendo-se honrado por ter sido tão bem representado...

O mais engraçado foi que ambos falaram por vários minutos sobre questões éticas, fraudes na imprensa, imprecisões etc. Claro, se o ouvinte soubesse disso tudo não ia entender absolutamente nada...

No último domingo, a escorregada veio do Valor Econômico. De plantão, o encarregado de baixar as páginas finalizou uma matéria sobre transação internacional envolvendo a Bloomberg e a People Soft, elaborada com base em informações de agências e do Financial Times. A matéria teve a colaboração de Thaís Fuoco, mas, traído pela memória, o produtor trocou as bolas e pôs Thais Costa. Erro que passaria tranquilamente despercebido, não fosse Thaís Costa repórter exatamente da concorrente Gazeta Mercantil, que recebeu, na segunda-feira, vários telefonemas de colegas perguntando se ela havia efetivamente trocado de emprego.

Encerro contando um clássico da revisão, que custou o emprego ao colega que trabalhava no jornal O Estado de S. Paulo: ao revisar um anúncio fúnebre, ele deixou passar: É com prazer (sic) que anunciamos a morte do senhor... Não precisa nem ser muito esperto para ver a confusão que isso deu lá para as bandas do Estadão. O pesar que virou prazer no anúncio trouxe muitos outros pesares, sobretudo para o coitado do revisor que, trabalhando em dois ou três empregos, deu a famosa cochiladinha no momento em que não podia dar.

Coisas da vida e do jornalismo. Afinal, só erra quem faz."

 

JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

"Romário, maldito nome", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 13/6/03

"Em meados dos anos oitenta, quando o Vasco da Gama apresentou ao mundo seu mais novo craque, um vizinho nosso registrou o filho com o nome de Romário. Eu, já veterano e com mais décadas de arquibancada, alertei: ‘Rapaz, não faz isso, amanhã o sacana vai jogar no Flamengo...’. Pois Romário não só andou pelo Flamengo como também pelo Fluminense. Agora, de volta às Laranjeiras, faz profissão de fé tricolor e ainda diz que a torcida do Vasco é formada por cretinos. Alguns vascaínos são mesmo burríssimos e a Diretoria do clube não fica atrás, porque, enquanto o craque debocha da gente, o clube mantém fora dos gramados a camisa 11, em homenagem ao traidor. Só mesmo um clube de português para cair nessa besteira, né não?

Revivi esse episódio, o qual, reconheço, estaria mais apropriado à coluna do Marcelo Russio, por causa desta notinha de Ricardo Boechat no Jornal do Brasil: ‘Por falar na ala radical do PT, um irmão do deputado Lindberg Farias, Carlos Frederico, está prestes a ser indicado juiz eleitoral na Paraíba’. Janistraquis leu e comentou, divertido: ‘Veja só, considerado... se o irmão do Lindberg se chama Carlos Frederico, talvez seja porque o pai queria homenagear Carlos Marx e Frederico Engels, como fez o velho Maurício com o filho, Carlos Frederico Werneck de Lacerda. Eu disse ‘talvez’ pelo seguinte: e se o Carlos Frederico do paraibano é, na verdade, uma louvação ao antigo governador do ex-Estado da Guanabara? Chato, hein? Dar o nome de um líder conservador ao filho que, quando cresceu, enfiou-se na subversão’.

E meu secretário recordou alguns desses nomes que as pessoas são obrigadas a carregar pela vida afora, porque os pais torciam por outro time quando o filho nasceu. Como o escritor mineiro Benito M. Barreto, que repudiou o M de Mussolini; e o jornalista esportivo do Rio de Janeiro, H. Teixeira Heizer, que convive com o peso de se chamar Hitler. Fiquei, então, a pensar: quem disse que esse paraibano que pretende ser juiz eleitoral é comunista como Lindberg? Vai ver ele adora a homenagem a Lacerda, para desespero do irmão...

******

Escândalo de araque

Roldão Simas Filho, que faz marcação cerrada ao Correio Braziliense, deparou com esta alarmante manchete em nobilíssima página daquele varonil matutino: Fraude nos cofres do Exército. O Diretor de nossa sucursal escreveu ao Diretor de Redação: ‘A manchete da página leva o leitor a imaginar um grande rombo nas verbas verde-oliva. Trata-se de UM caso - ainda em julgamento - do recebimento indevido da ‘polpuda’ quantia de R$ 19.700,00, dinheiro que mal dá para comprar um carro dito popular. É para se estranhar o destaque dado à notícia’. Janistraquis concorda, Roldão; parece que o jornal adora fabricar um escândalo!!!!!!!!!!!!!!

******

Politicamente correto

A foto na coluna de Ancelmo Gois em O Globo mostrava um carrinho com a seguinte legenda: Leve sua família para passear na Linha Vermelha. Ao lado, o textinho politicamente correto:

‘Veja este anúncio que estará em jornais e revistas no fim de semana. Feito pela 100% Propaganda para a Blindados Truffi Rio, a peça acelera fundo na reta do oportunismo e derrapa na curva do gosto duvidoso’. Só para contrariar, Janistraquis gostou do anúncio, não viu nenhuma acelerada na ‘reta do oportunismo’ nem derrapagem na ‘curva do gosto duvidoso’. E desabafou: ‘Considerado, se há um reparo a fazer na peça da 100% Propaganda é o carrinho da foto; afinal, para se passear na Linha Vermelha não basta blindar um automóvel; é necessário ir trepado num tanque de guerra e disposto a metralhar quem aparecer por perto’. Só não acho que se deva metralhar quem se aproximar do tanque; basta responder ao fogo da bandidagem.

******

Perseguição implacável

Logo abaixo do titulinho João Dória é novo patrono do turismo de SP, o excelente e, este sim, indispensável Meio & Mensagem, escreveu, à guisa de chamada de capa: ‘Executivo já foi ex-secretário de Turismo da cidade de São Paulo e ex-Presidente da Embratur’. Janistraquis, que conhece e gosta do rapaz, lamentou: ‘Considerado, pode acreditar que o João é um dos sujeitos mais perseguidos deste país; agora, nem é mais ex-Secretário de Turismo nem ex-Presidente da Embratur!’. É verdade; o João não merece isso.

******

Hararão de aprender!

O considerado leitor Henrique Diniz escreveu à coluna:

‘Há dois domingos, a Universidade Estácio de Sá, onde foi baleada uma estudante de Enfermagem, publicou em O Globo anúncio de meia página, sob o título Consternação!. No meio do texto, a seguinte pérola: ‘Os culpados - seja quem for - serão punidos’. O negrito estava no texto. Depois, os caras reclamam do governo por fazer jogo duro na hora de permitir a abertura de novos ‘centros universitários’. É mesmo, Henrique; cada novo ‘centro universitário’ acaba por gerar mais uma facurdade.

******

Vestindo o bichão...

Em texto bem engatado debaixo do título Motéis são obrigados a fornecer preservativos de graça, o IG noticiou este belo exemplo de ação parlamentar:

‘Rio - A Câmara Municipal aprovou o projeto de lei de autoria do vereador Alexandre Cerruti (PFL), obrigando os motéis, hotéis e drives-in localizados no município a distribuir, gratuitamente, preservativos aos seus freqüentadores. Segundo o parlamentar, o objetivo é tentar evitar o aparecimento de novas ocorrências de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)’.

Meu secretário, que depois do aparecimento do Viagra voltou a freqüentar motéis, hotéis e drives-in, fez apenas uma observação à Lei Cerruti: ‘Considerado, falta saber como é que o vereador vai obrigar o usuário a vestir a camisinha, porque uma coisa é certa - nem se lhe baixar o espírito do The Flash Sua Excelência conseguirá cumprir tão ingente missão. E nem estou contando com o formidável time dos ejaculadores precoces!’.

******

Nota dez

O melhor texto das colunas da semana é da lavra do politicamente incorreto Diogo Mainardi, nas páginas da Indispensável:

‘Atletas de Cristo. Eu torço contra. Deveria ser proibido comemorar um gol mostrando camisetas com mensagens evangélicas. Os alemães concordam comigo e não permitem o proselitismo religioso nos campos de futebol. Quem desobedece é punido. Uma camiseta com um simples ‘Deus é fiel’, ou ‘Jesus vive e me ama’, ou ‘100% Jesus’, rende uma suspensão equivalente à de uma cotovelada no septo nasal do adversário. O atacante brasileiro Cacau, do time do Nuremberg, burlou as regras do campeonato alemão inscrevendo em sua camiseta um alusivo ‘J...’. É o mesmo estratagema adotado por fabricantes de cigarros para anunciar em corridas de Fórmula 1. Cacau equiparou Deus a um maço de Marlboro. Passei a torcer contra ele. Para minha felicidade, seu time acaba de ser rebaixado para a segunda divisão.’

******

Errei, sim!

‘GRACILIANO DE ASSIS - Do Erramos no Vestibular, da Folha de S. Paulo: Na edição da Fovest 89 de ontem, à pág. C-7, a Folha errou ao atribuir a autoria do livro São Bernardo a Machado de Assis. Na verdade, a obra foi escrita por Graciliano Ramos, autor também de Memórias do Cárcere’. (janeiro de 1989)"

Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe