19/08/2003 5/24

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GOVERNO LULA
Silvana Arantes

"Lula refuta aumento de recursos ao MinC", copyright Folha de S. Paulo, 14/08/03

"‘Os recursos do Ministério da Cultura vão continuar sendo aquém do que se necessita, até ocorrer um ajuste da economia brasileira.’ A afirmação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anteontem, em jantar no Palácio da Alvorada, do qual participava o ministro da Cultura, Gilberto Gil.

O orçamento atual do Ministério da Cultura corresponde a 0,2% do total da União. Gil reivindica o aumento do percentual para 1%. ‘Estamos negociando, mas, com essa frase, o presidente sinalizou que ainda não será dessa vez’, disse o secretário-executivo do MinC, Juca Ferreira.

Gil passou o dia de ontem em reuniões para discutir a nova estrutura no Ministério da Cultura (leia texto ao lado) e não comentou a frase do presidente.

Conflito

No jantar, o ministro pediu licença para se retirar da mesa às 23h40, antes que o café fosse servido. ‘Preciso dormir, presidente. Levantei às 6h.’

‘A frase [de Lula sobre o orçamento] reflete uma realidade. Há uma demanda orçamentária, não só nossa, mas de vários ministérios, e o governo está numa luta para reduzir gastos, para gerar superávit e todos esses indicadores macroeconômicos que o país acompanha. É um conflito entre a necessidade de investimento nas políticas públicas, incluindo cultura, e a capacidade do governo de fazê-lo’, disse Ferreira.

Além de Gil, estavam presentes ao jantar no Palácio -realizado após a exibição do filme ‘Amarelo Manga’, do cineasta pernambucano Cláudio Assis- integrantes do elenco do filme (Leona Cavalli, Dira Paes, Chico Diaz, Jonas Bloch) e personalidades políticas, como o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), e o secretário do Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro.

Ao abordar ‘a predominância do cinema americano’ no mercado brasileiro, Lula disse que ‘não só o Brasil precisa vencer algumas barreiras’, mas que ‘é preciso ter um produto brasileiro competitivo, em vez de ficar só xingando [a hegemonia norte-americana no mercado de cinema nacional]’.

O presidente defendeu o crescimento da produção de filmes brasileiros - atualmente o país lança em média 30 títulos/ano-, mas fez outra ponderação: ‘Padecemos de uma coisa mais grave [do que a pequena produção cinematográfica]. Muita gente não vai ao cinema porque é coisa cara’.

O diretor de fotografia Walter Carvalho comparou a realização de ‘Amarelo Manga’ (produzido com orçamento de R$ 450 mil) ao feito de um político realizar sua campanha eleitoral com apenas R$ 15 mil. Olhando na direção do cineasta Cláudio Assis, o presidente comentou: ‘A grande coisa é que você conseguiu fazer com pouco dinheiro, mas com muita determinação, um filme que muita gente tentou e não conseguiu. Nada é impossível se você for perseverante’."

 

***

"Estrutura do ministério sofre reformulação", copyright Folha de S. Paulo, 14/08/03

"A estrutura do Ministério da Cultura foi oficialmente reformulada ontem, com a publicação do decreto 4.805 no ‘Diário Oficial’.

A secretaria executiva foi mantida como ‘órgão de assistência direta e imediata ao ministro. As demais quatro secretarias que compunham a estrutura do MinC (do Livro e Leitura; do Patrimônio, Museu e Artes Plásticas; da Música e Artes Cênicas e do Audiovisual) sofreram reformulações e um acréscimo.

Assim, passam a ser as seguintes: Secretaria de Formulação e Avaliação de Políticas Culturais, Secretaria de Desenvolvimento de Programas e Projetos Culturais, Secretaria de Apoio à Preservação da Identidade Cultural, Secretaria de Articulação Institucional e Difusão Cultural.

De acordo com o ministério, a mudança possui o objetivo de racionalizar ações, que vinham sendo tomadas em duplicidade por departamentos idênticos espalhados em mais de um órgão dentro da estrutura ministerial."

 

Daniel Castro

"Verba do governo federal frustra redes", copyright Folha de S. Paulo, 18/08/03

"O rateio das verbas que o governo federal irá gastar em publicidade até o final deste ano está frustrando as redes de TV. O governo tem oferecido às TVs menos da metade do que elas esperavam.

Record, Band e Rede TV! já tiveram reuniões com técnicos da Secretaria de Comunicação de Governo (Secom), que negocia em bloco, com descontos de até 80% sobre as tabelas, os investimentos publicitários de ministérios e estatais. É a segunda rodada de negociações _a primeira discutiu o rateio de abril a julho. O SBT terá reunião nesta quinta-feira.

Rede TV! e Record saíram insatisfeitas das reuniões. À Record, que esperava receber R$ 18 milhões até dezembro, foram oferecidos R$ 9 milhões. À Rede TV!, que queria R$ 5 milhões, o governo propôs cerca de R$ 2 milhões.

A Folha apurou que a oferta irritou o vice-presidente da Rede TV!, Marcelo de Carvalho, que abandonou a reunião na Secom, em Brasília, porque o governo não estaria cumprindo promessa de distribuir as verbas proporcionalmente à audiência de cada TV. Assim, a Rede TV! teria direito à metade da verba da Record ou quase o mesmo que a Band, à qual o governo propôs R$ 6 milhões.

A Secom afirma que a distribuição segue critérios técnicos. Isso significa que, além da audiência absoluta, são levados em consideração fatores como o público-alvo, a qualificação do telespectador e a cobertura geográfica."

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