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ECOS DE ROBERTO MARINHO
Luis Erlanger
"Roberto Marinho", in Cartas dos Leitores, copyright Época, 18/08/03
"O bom jornalismo recomenda que se evitem os clichês, mas, diante de erros publicados na edição especial sobre Roberto Marinho, não cabe outra coisa senão reconhecer que Goebbels, infelizmente, tinha razão. Uma mentira repetida mil vezes acaba tomando ares de verdade. E leva a erro inclusive profissionais bem-intencionados, que deveriam, no entanto, conhecer mais a fundo a história dos veículos para os quais trabalham. Na página 22, o redator se pergunta se a Globo seria um instrumento de interesses transnacionais, ‘como a acusavam durante o regime militar’. Sem responder diretamente à pergunta, o redator diz que ‘a Globo era vista como um prolongamento do braço poderoso do grupo Time-Life’, com o qual fora assinado acordo para assistência técnica e transferência de know-how, desfeito alguns anos depois da fundação da TV Globo. E conclui afirmando que a ruptura do acordo ‘não impediu a Globo de se tornar a quarta rede privada do mundo’. Vamos aos fatos: a) a imensa maioria do povo brasileiro jamais acusou a TV Globo de ser um instrumento de interesses transnacionais ou de ser um prolongamento de grupo americano. O redator esqueceu-se de explicar que tais acusações partiram sempre de uma minoria ruidosa, de quem a História se incumbiu de tirar a razão; b) conforme o depoimento de inúmeros profissionais que participaram do nascimento da TV Globo, Roberto Marinho teve de hipotecar todos os seus bens pessoais para que, no início, a TV Globo pudesse se financiar; c) e ela é hoje a quarta rede de televisão do mundo graças ao talento dos profissionais que conseguiu reunir e da qualidade da programação que pôs no ar, priorizando sempre a cultura brasileira e o interesse nacional. E não em decorrência de acordos assinados com grupos estrangeiros. No horário nobre, 98% dos programas são produções brasileiras; d) como bem disseram os filhos do jornalista morto, Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho, a obra de Roberto Marinho, embora tenha partido de um ideal dele, só pôde ser concretizada porque foi uma aliança entre jornalistas, artistas, escritores, profissionais da cultura e o povo brasileiro. Na página 23, o redator diz que a Globo tem uma audiência potencial de 157 milhões de brasileiros, atingindo 98% dos 5.500 municípios. E conclui: ‘Com esse poder, a Globo poderia criar e derrubar presidentes, privilegiar ou ignorar coberturas jornalísticas. Foi justamente contra esse poder que a população saiu às ruas, em 1984, para protestar. ‘O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo’, foi o slogan mais repetido na campanha pelas eleições diretas, que comoveu o país naquele ano, mas não empolgou a rede. A Globo demorou para cobrir os comícios e foi duramente criticada pela omissão’. Vamos aos fatos: a) a audiência potencial da TV Globo é de 159.067.633 brasileiros, atingindo 99,29% dos habitantes, em 5.445 municípios; b) a TV Globo jamais se sentiu com poderes para criar ou derrubar presidentes, tampouco agiu nesse sentido. Para nós, só o povo brasileiro tem esse poder; c) a TV Globo jamais privilegiou ou ignorou coberturas jornalísticas. Durante toda a nossa história, o que o jornalismo da Globo fez foi cobrir os fatos, dando-lhes a sua dimensão real. Nosso jornalismo, há anos, é líder absoluto de audiência e não por outra razão: o povo reconhece qualidade e credibilidade no trabalho que fazemos, qualidade que implica isenção e imparcialidade. É na Globo que a imensa maioria do nosso povo se informa. E, como todos somos absolutamente livres para mudar de canal, a alta audiência de nossos telejornais só pode ser explicada porque o povo reconhece a qualidade que lhe é oferecida; d) o povo não saiu às ruas em 1984 para protestar contra a TV Globo; saiu para exigir eleições livres para a Presidência da República; e) a Globo não demorou um minuto sequer para cobrir a campanha pelas eleições diretas. Já em março de 1983, quando Dante de Oliveira protocolou na Câmara a sua emenda, a Globo pôs no Jornal Nacional uma longa reportagem do então repórter Antônio Brito, com entrevistas com líderes oposicionistas, que se reuniram para traçar a estratégia para aprovação da emenda. Ao longo do ano de 1983, a Globo cobriu, com entrevistas gravadas e ao vivo, os principais passos da tramitação da emenda no Congresso; f) da mesma forma, a Globo cobriu todos os comícios e passeatas a favor das diretas em 1984, todos, inclusive o comício da Sé, no dia 25 de janeiro. Naquele dia, uma longa reportagem do Jornal Nacional, depois de mostrar a multidão, de dizer que ela não arredava pé dali nem com a chuva, depois de mostrar o palanque repleto de políticos e artistas, encerrava-se com trecho do discurso de Franco Montoro. O então governador de São Paulo afirmava que, após conquistar a anistia ampla, geral e irrestrita e o direito de eleger os governadores, os brasileiros precisavam conquistar o direito de votar para presidente. O nosso Centro de Documentação, que guarda todas as reportagens que são levadas ao ar, está à disposição dos profissionais de ÉPOCA para que comprovem o que aqui é dito. Será uma ótima maneira de conhecer a si mesmos e evitar, no futuro, que se repitam inverdades que mancham a própria imagem. Os erros cometidos por ÉPOCA, numa edição especialmente feita para homenagear Roberto Marinho, evidenciam apenas o acerto das Organizações Globo, que, desde 1999, criaram o ‘Projeto Memória’: uma iniciativa que se dedica a reunir documentos históricos e a colher o depoimento de centenas de pessoas que trabalham ou trabalharam no grupo. O objetivo é um só: preservar a história das Organizações Globo, para que ela possa ser contada como de fato se deu. Livre portanto das distorções e das mentiras criadas, ao longo dos anos, por alguns poucos setores da sociedade, minoritários, mas com grande poder de vocalização. De qualquer forma, esteve clara a intenção de ÉPOCA de prestar uma grande homenagem a Roberto Marinho. E a acolhida generosa desta carta é a prova de que, no jornalismo, embora acertar deva ser sempre a meta, quando se erra, admitir os erros e corrigi-los é a única forma de cumprir essa obrigação. (LUIS ERLANGER, Central Globo de Comunicação)"
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"Roberto Marinho", in Cartas, copyright Veja, 20/08/03
"A TV Globo se sente gratificada pela reportagem que VEJA publicou sobre a morte de Roberto Marinho, em que se destaca a importância que ele teve para a cultura brasileira. Foi um trabalho respeitoso, em que a revista mostrou seus pontos de vista, nem sempre coincidentes com os nossos. Mas são necessários esclarecimentos. A reportagem diz: ‘A TV Globo noticiou o comício da Praça da Sé (...) como se fosse parte do aniversário da cidade de São Paulo’. Não é fato. A Globo citou a coincidência com o aniversário da cidade, mas, numa longa reportagem no Jornal Nacional, disse que o comício era para exigir as diretas já, mostrou a multidão que lotava a área, destacou a presença de Ulysses, Tancredo, Lula, Brizola e outros. No fim, um trecho do discurso de Franco Montoro, dizendo que o país já conquistara a anistia, já conquistara as diretas para governadores, mas precisava lutar, ainda, pelas diretas para presidente. Todos os atos pelas diretas foram objeto de reportagens nossas. Na página 83, diz-se: ‘Em 1989, a Globo organizou um debate entre os presidenciáveis Lula e Collor’. A Globo nada organizou; o debate foi uma iniciativa de um pool de quatro emissoras. Temos consciência de que a edição do debate, no Jornal Nacional, deixou em muitos a percepção de que Collor foi beneficiado. Mas a intenção da TV Globo foi apenas mostrar que o ex-presidente se saiu melhor. Os responsáveis pela edição repetem sempre que as razões foram jornalísticas e não houve orientação dos acionistas para que a edição tivesse um ou outro enfoque. Sobre o impeachment de Collor, a reportagem diz que a Globo ‘rendeu-se com atraso ao crescimento da campanha pelo impeachment’. Desde o momento em que as denúncias de Pedro Collor eclodiram em VEJA, a Globo noticiou o episódio com o destaque merecido.
Luis Erlanger, Diretor da Central Globo de Comunicação. Rio de Janeiro, RJ"
Último Segundo
"‘Financial Times’ analisa situação da Globo após a morte de Roberto Marinho", copyright Público (www.ultimosegundo.com.br), 18/08/03
"O jornal britânico ‘Financial Times’ traz em sua edição on-line desta segunda-feira uma análise sobre a situação da Globo após a morte de Roberto Marinho, no dia 6 de agosto.
Segundo o jornal, a morte não poderia ter vindo em pior momento para os negócios da família. A Globopar, a companhia que coordena as operações financeiras das outras companhias do grupo, está inadimplente em suas dívidas desde outubro.
As revistas e jornais da Globo perdem dinheiro. O mercado de publicidade do país - a fonte de lucros do negócio mais rentável do grupo, a TV Globo - está em declínio.
De acordo com um executivo da indústria: ‘A presença de Roberto Marinho não era mais relevante na administração da empresa, mas sua morte foi psicologicamente muito ruim’.
A morte de Roberto Marinho pode provocar um programa de reestruturação que vinha sendo adiado há anos. O jornal cita ainda a influência que a Rede Globo tem sobre a vida brasileira, com a TV Globo tendo o alcance de 99,9% das casas e formando a base da cultura popular nacional.
Após a morte de Roberto Marinho, as propriedades do grupo são agora controladas por seus três filhos. Roberto Irineu Marinho, o mais velho, é presidente do conselho da Globopar e presidente da TV Globo.
Os outros irmãos têm cargos menores, incluindo a supervisão de questões institucionais e o controle de organizações filantrópicas.
Nos últimos anos, Roberto Marinho estava um pouco afastado dos negócios. Em 1998, o grupo foi reorganizado, passando a maior parte das responsabilidades para gerentes contratados.
‘A família estava distante desde então’, diz Luis Erlanger, porta-voz da rede de TV. ‘Tudo foi profissionalizado’.
Para muitos observadores, a solução da Globo seria vender as divisões menos lucrativas e manter o que sabe fazer. Graças a um sistema que recompensa as agências de publicidade pelo volume de negócios que elas atraem, a TV Globo captura 75% dos lucros de publicidade do Brasil com uma audiência de 50%.
Após a morte de seu pai, Roberto Irineu disse: ‘Nosso comprometimento não é apenas para preservar, mas para aumentar seu legado’."
Folha de S. Paulo
"Marco Maciel se candidata à vaga de Marinho", copyright Folha de S. Paulo, 15/08/03
"O senador e ex-vice-presidente da República Marco Maciel (PFL-PE) é o primeiro candidato à vaga do jornalista e empresário Roberto Marinho na ABL (Academia Brasileira de Letras). A Academia informou que uma carta formalizando a candidatura de Maciel foi recebida ontem após a sessão da saudade realizada em homenagem ao empresário, quando sua cadeira, a de número 39, foi declarada vaga. Marinho, que morreu na semana passada no Rio, havia sido eleito em 1993 para a ABL."
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"Fernando Morais se candidata à ABL", copyright Folha de S. Paulo, 19/8/03
"O jornalista Fernando Morais, 57, é um dos cinco escritores que já apresentaram suas candidaturas para a vaga de Roberto Marinho, morto no dia 6, na Academia Brasileira de Letras. A eleição será em 18 de dezembro, às 16h, e as inscrições encerram-se no dia 14 de outubro. Autor de livros como ‘Olga’ e ‘Chatô, o Rei do Brasil’, Morais mandou sua carta com o pedido de inscrição assim que a vaga foi anunciada, na quinta passada. ‘Roberto Marinho se sentia não apenas um notável, mas um jornalista, e, embora não haja a tradição de que o sucessor deva ser da mesma área que o sucedido, acho que ele gostaria que fosse outro jornalista’, disse. Até ontem, Marco Maciel, Laurita Mourão, Gilmar Aparecido Cardoso e Jeff Thomas também estavam inscritos para a vaga da cadeira número 39."
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