21/10/2003 3/22

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GOVERNO MARTA
Julia Duailibi

"Boletim de Marta tenta rebater críticas", copyright Folha de S. Paulo, 21/10/03

"A exemplo do governo federal, a Prefeitura de São Paulo tem um boletim eletrônico para analisar o noticiário e a conjuntura política, além de responder aos ataques de adversários da prefeita Marta Suplicy (PT). O informe da administração é diário e traz também ações e projetos da gestão petista.

‘Além da Notícia’ é uma publicação on-line, elaborada pela Secretaria de Governo da prefeitura, comandada por Rui Falcão, um dos nomes mais fortes da gestão Marta. É enviada para cerca de 3.000 endereços eletrônicos, entre eles os de secretários municipais, de servidores, de parlamentares e de pessoas ligadas ao PT.

A Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República, sob o comando de Luiz Gushiken, também elabora um boletim eletrônico, chamado ‘Em Questão’, que difunde a posição do governo federal sobre temas como a Alca e o combate à corrupção.

Segundo a Secretaria de Governo da prefeitura, recebem a publicação, que não está disponível em página na internet, apenas quem se cadastrar no endereço alemdanoticia@prefeitura.sp.gov.br. Apesar de o boletim ser publicado pela prefeitura, a página oficial do governo não menciona o e-mail nem outra forma de os interessados receberem o informe.

Com cerca de três páginas, o boletim é dividido por blocos de notícias e comentários. Na edição de 2 de outubro, a publicação comenta os ataques à gestão petista feitos pelo tucano Saulo de Castro Abreu Filho, secretário de Segurança Pública do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e um dos cotados para ser adversário de Marta na disputa pela prefeitura no ano que vem. O título do texto: ‘Secretário-candidato investe contra a prefeitura’. Há ainda nota do governo petista, que afirma que o secretário age com ‘destempero’ e que faz ‘diatribes’ contra a gestão municipal.

Elaborado por uma equipe de quatro pessoas, o boletim da semana passada fala sobre a obstrução do PFL e do PSDB, no Senado, ao empréstimo de cerca de R$ 495 milhões do BNDES à prefeitura. Diz a manchete: ‘Senadores do PFL e do PSDB barram financiamento para São Paulo’.

Comentários eleitorais

Boletins do ano passado trazem comentários da prefeita sobre as eleições do ano passado. Cinco dias antes do primeiro turno, em 1º de outubro, Marta assina texto que fala sobre uma ‘alternativa que permita ao Brasil retomar o desenvolvimento econômico em oposição à estagnação que tem causado desemprego e miséria’. Completa: ‘A cidade de São Paulo vem mostrando que é possível um outro modelo de governar’.

Em março deste ano, o vereador tucano Ricardo Montoro entrou com uma representação contra Lino Bochini, responsável pela edição do boletim da secretaria.

Assinantes da publicação eletrônica haviam recebido uma mensagem que perguntava se eles gostariam de obter uma cartilha com publicações sobre realizações do governo petista. Os que disseram ter interesse receberam no meio do material, postado com dinheiro público, uma carta do Diretório Municipal do PT.

‘Envio também um folheto produzido pelo Diretório Municipal do PT que achei que poderia te interessar’, dizia carta assinada pelo responsável pelo boletim."

 

MÍDIA DE PIRES NA MÃO
André Silveira

"Critérios para ajuda financeira a veículos", copyright Revista Meio e Mensagem, 20/10/03

"Em momento de crise na mídia é fundamental analisar como as empresas de comunicação podem ser auxiliadas para não cair no sucateamento. A consideração foi feita pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica (Secom), Luiz Gushiken, na abertura do 9º Seminário de Comunicação do Banco do Brasil, realizado na quarta e quinta-feira, dias 15 e 16, em Brasília. Ele fez o comentário referindo-se à proposta a ser encaminhada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pelas entidades representativas do setor de mídia (Associação Nacional de Jornais - ANJ, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão - Abert, e Associação Nacional dos Editores de Revistas - Aner). As entidades querem que o banco desenvolva uma política de financiamento para as empresas de comunicação que passam por dificuldades financeiras.

‘Hoje, o setor não vive uma crise sistêmica, apesar de a situação indicar que o problema de falta de recursos atinge várias empresas’, diz o ministro, que acredita que um dos grandes motivos dessa crise seja a má gestão. ‘Se não houvesse investimentos malfeitos, as empresas não estariam nessa situação’, ressalta. Gushiken destaca que cada caso deve ser tratado de forma isolada. Ele cita a situação das emissoras de TV. ‘A Globo tem teledramaturgia, que deve ser vista como um produto que não é semelhante àquilo que o SBT exibe. Temos que avaliar a questão. De um lado, há uma empresa que não tem preocupação com a cultura nacional e, de outro, há uma emissora que produz cultura e gera empregos no Brasil’. O ministro também afirmou que o recurso público não está disponível para salvar as empresas, mas pode ampará-las, caso essa seja a última alternativa.

Luiz Gushiken disse também que o governo pretende estimular o investimento publicitário na mídia regional. ‘As emissoras de rádio e os jornais só recebem publicidade local e não nacional. É preciso organizar um sistema que ofereça um grau de confiança ao mercado publicitário para se chegar a um cenário em que essas empresas também recebam aporte publicitário de companhias maiores’, diz. Na avaliação do ministro, o mercado publicitário tem interesse em anunciar nos veículos regionais. No entanto, falta segurança, pois não há controle de distribuição, periodicidade, o que dificulta o mapeamento do público que recebe informações desses veículos.

Regulamentação

A crise na mídia foi abordada pelo diretor da editora Segmento, Roberto Muller, que também participou do seminário do Banco do Brasil. Para ele, o momento é ideal para se promover uma reestruturação no segmento. ‘Acredito que é uma questão nacional e que o Estado deve tratar dessa situação com cuidado.’ Na opinião do diretor, este é o momento para estabelecer regulamentação no setor de mídia. Esse processo de definição de regras, na opinião dele, deverá ser coordenado por um órgão não-governamental. ‘O objetivo é estabelecer critério de ética e combate à concentração. Estamos vivendo uma crise aguda, que resulta na queda de qualidade da produção de mídia.’

O presidente dos veículos Lance, Walter de Mattos Jr., também debateu o tema crise da mídia no seminário. Segundo ele, entre agosto de 2000 e o mesmo mês de 2003 houve uma queda de 32% na circulação dos dez maiores jornais do País. No mesmo período, o executivo afirmou que houve uma redução de 36% da receita proveniente de publicidade. Para o presidente dos veículos Lance, a crise leva a uma reflexão de que só a injeção de recursos não resolve o problema. Para ele, é fundamental que se reveja o sistema, com a criação de conselhos editoriais e o estabelecimento de uma regulamentação, trabalho que seria de responsabilidade de uma organização pública, sem vínculo com o governo.

O presidente da Televisão e Responsabilidade Social (Tver), Laurindo Leal Filho, ressaltou que é importante que o governo elabore o texto da Lei de Comunicação Eletrônica de Massa. ‘Essa regulamentação é fundamental para estabelecer regras atuais, pois o setor de Radiodifusão é regido por um código criado em 1962. Portanto, está muito defasado.’"

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