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BIG BROTHER
Marcelo Marthe
"O grande irmão", copyright Veja, 22/1/03
"O produtor holandês John de Mol, de 47 anos, é o responsável pela maior revolução ocorrida na TV nos últimos anos. Criador do programa Big Brother, sucesso que já foi exibido em mais de vinte países, ele transformou em febre mundial um novo gênero televisivo – o reality show. Nesse rótulo, cabem desde atrações que mostram como interagem pessoas isoladas em um ambiente fechado, caso do Big Brother, até gincanas realizadas em lugares hostis, como No Limite. Filho de um cantor conhecido na Holanda, De Mol começou sua carreira como disc-jóquei de uma rádio pirata e se tornou um dos maiores empresários de comunicação de seu país. Surgida em 1994, sua empresa, a Endemol, criou mais de 300 programas de TV, entre os quais várias produções cujos formatos foram exportados recentemente para o Brasil, como Fama, Acorrentados e Amor a Bordo. Há pouco mais de dois anos, o grupo espanhol Telefónica assumiu o controle da Endemol, num negócio que envolveu 5 bilhões de dólares. Às vésperas da estréia da terceira edição do Big Brother no país, pela Rede Globo, De Mol concedeu esta entrevista a VEJA, por telefone, de seu escritório em Amsterdã. Ele conta como concebeu o programa, rebate as críticas feitas aos reality shows e fala sobre o futuro da televisão.
Veja – Muitos críticos acreditam que os reality shows baixaram ainda mais o nível da TV. O que o senhor pensa a respeito disso?
De Mol – Gosto de comparar o que está ocorrendo na televisão atualmente, na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, com o fenômeno que atingiu a música pop nos anos 60. Naquela época, o surgimento do rock'n'roll agravou a distância que separava os gostos da juventude e dos mais velhos. Creio que hoje estamos vivendo um choque de gerações parecido em relação à TV. Isso explica o estranhamento causado pelos reality shows em certa parcela dos espectadores, e muitas dessas críticas. Seja como for, se existe uma qualidade na televisão, é o fato de ela ser um meio democrático: caso você não goste de um programa, basta mudar de canal.
Veja – Formatos que remontam aos primórdios da televisão, como a telenovela, estariam com os dias contados?
De Mol – De jeito nenhum. Na televisão sempre haverá espaço para o melodrama. Os velhos formatos sobreviverão, mas para isso terão de se reciclar, inclusive bebendo da fonte dos reality shows. Na verdade, os espectadores não querem ver só realidade, tampouco apenas ficção – o ideal é uma combinação desses ingredientes. Essa reciclagem já tem sido feita nos últimos tempos. Um exemplo são os programas de calouros, que eram a coisa mais jurássica em exibição na TV até que surgiram atrações que fundem essa velha fórmula com a novidade dos reality shows – é o caso de programas como Fama e Popstars. Tanto quanto a telenovela ou os calouros, os reality shows são um formato que veio para ficar. Aposto que daqui a quarenta anos eles ainda estarão no ar. Só é preciso ter cuidado para não surrar demais a fórmula. Durante algum tempo, os canais americanos e europeus andaram exibindo reality shows além da conta e a saturação dos espectadores ficou evidente quando os índices de audiência começaram a cair. É que, tão logo uma emissora faz sucesso com um programa do gênero, as outras criam versões quase idênticas, e logo se fica diante da cópia da cópia da cópia.
Veja – Quais são os ingredientes que garantem o sucesso de um novo programa?
De Mol – A Endemol já produziu cerca de 300 programas dos gêneros mais variados, e eu às vezes não consigo entender por que um deles faz sucesso e outro, que parecia ser de maior apelo, não. Televisão é a coisa mais imprevisível do mundo. Isso se complica ainda mais pelo fato de que, neste momento, passamos por um período de muitas mudanças. Com as possibilidades abertas pelas novas tecnologias, a TV deverá viver uma revolução nos próximos anos.
Veja – Como a tecnologia pode mudar tão radicalmente a TV?
De Mol – Um bom exemplo é o próprio Big Brother. Dez anos atrás, seria tecnicamente impensável realizar um programa como esse. Não era possível gravar um grupo de pessoas durante o dia todo, usando quinze câmeras, e depois editar rapidamente o material gravado, para ir ao ar na mesma noite. Da mesma forma, novidades que aparecerão nos próximos anos vão afetar muito a relação do telespectador com a TV. Daqui a dois anos, por exemplo, prevê-se que todo telefone celular trará uma microcâmera acoplada – e isso abrirá muitos horizontes para a TV. Atualmente, estamos trabalhando em novos programas nos quais o espectador participará utilizando esse equipamento.
Veja – Como surgiu a idéia do Big Brother?
De Mol – Para ser honesto, foi por acaso. Há cinco anos, promovemos um encontro de criadores num hotel, para conceber um novo programa para uma emissora holandesa. A reunião foi um fracasso: depois de passarmos o dia todo juntos, não surgiu uma idéia sequer digna de nota. Então, o jeito foi encher a cara num bar. Já tinha tomado uma quantidade razoável de drinques quando alguém na mesa mencionou que havia lido num jornal americano uma notícia sobre um projeto científico chamado Biosfera 2, em que um grupo de pesquisadores se isolara numa estufa por um longo período, como se estivessem em outro planeta, e todo aquele blá-blá-blá. Logo de cara, fiquei muito interessado em saber mais detalhes sobre o Biosfera 2 e o que acontecera na experiência. A idéia básica do Big Brother nasceu aí. Engana-se quem imaginar que o livro 1984, de George Orwell, tenha sido uma influência. Não foi. Na obra de Orwell, é o governo que observa tudo o que as pessoas fazem através de câmeras – ele fala de autoritarismo, e não de voyeurismo, como é o nosso caso. Só peguei o nome Big Brother emprestado porque ele soava melhor do que o título inicial do programa, A Gaiola Dourada.
Veja – O Biosfera 2 falhou em seus objetivos científicos. O que o levou a crer que algo inspirado nele funcionaria na TV?
De Mol – Antes de responder a essa pergunta, gostaria de fazer uma observação: o Biosfera 2 era um projeto sério que acabou se revelando uma piada, enquanto o Big Brother é um programa de entretenimento que acabou se tornando objeto de uma porção de estudos. A vida é curiosa, não? Bem, a meu ver, os fatores que levaram ao fracasso do projeto são exatamente os ingredientes que fazem o sucesso do programa. Mas isso não ocorreu por acaso. Para conceber o Big Brother, entrevistamos várias pessoas que ficaram isoladas no projeto Biosfera 2 e tiramos lições que foram aproveitadas na TV.
Veja – Quais lições?
De Mol – A coisa mais importante que aprendemos é que, quando um grupo permanece isolado por muito tempo, todos os seus membros tendem a seguir um comportamento mais ou menos padronizado. No começo, as pessoas tentam fingir que são mais boazinhas do que realmente são. Depois de duas ou três semanas, essas mesmas pessoas já não estão mais nem aí com as aparências: caem as máscaras, e elas passam a se comportar como na vida real. É o que ocorre nos reality shows. Muita gente me pergunta se as pessoas que participam de um programa como o Big Brother não estariam representando personagens, e já se especulou até mesmo se poderia haver fraudes deliberadas nesse sentido. Eu diria que o formato do programa é à prova de farsas. Naquela situação, pode-se representar um papel por duas semanas, mas não o tempo todo. Depois de acompanhar tantas edições do Big Brother ao redor do planeta, posso dizer que em nenhum lugar há pessoas 100% boas ou 100% más. Todo mundo tem seu lado de crápula, e irá exibi-lo em algum momento.
Veja – A cada nova edição do Big Brother, vemos casais se formarem no ar e participantes fazendo juras de amizade eterna. A convivência num reality show pode gerar sentimentos de amizade e amor autênticos e duradouros, ou será só uma ilusão que acaba com o fim do programa?
De Mol – Não creio que seja só ilusão. Num reality show, as pessoas encontram-se isoladas e sob grande tensão. Essa situação acaba funcionando como um catalisador capaz de acelerar a formação de laços emocionais, tanto positivos quanto negativos, entre os participantes. É perfeitamente possível nascer um caso de amor sincero ao longo de um reality show – ainda que, muitas vezes, os casais dêem a impressão de estar apenas querendo saciar um desejo físico mais imediato.
Veja – Nos Estados Unidos, alguns ex-participantes de reality shows estão processando redes de televisão porque julgam que foram humilhados em cena. Os programas estão indo longe demais?
De Mol – Posso garantir que não há espaço para humilhação ou agressividade nos programas da Endemol. Numa edição do Big Brother em Portugal, um participante partiu para a agressão. Em trinta segundos, o sujeito já havia sido defenestrado. É normal ocorrer pequenas intrigas, discussões e explosões de ansiedade nessas produções, porque as pessoas enfrentam uma situação de isolamento e pressão. Mas não são esses conflitos que dão graça ao programa? É o que o público quer ver. Costumo dizer que o Big Brother é sempre um reflexo de cada país em que está sendo gravado. Se você olhar para os lados, vai perceber que aquelas situações que se vêem mais comumente no programa brasileiro, como os namoros derramados, são coisas típicas de um ambiente social latino.
Veja – Além do óbvio atrativo do prêmio em dinheiro, o que leva as pessoas a se expor num reality show?
De Mol – No mundo inteiro, há um padrão interessante nas respostas dos candidatos que desejam participar de nossos programas. Quando questionados por que eles gostariam de estar no Big Brother, por exemplo, todos vêm com a mesma conversa: é pelo desafio, pelo dinheiro do prêmio ou para se tornar famoso. Mas, se você reparar bem, verá que o que leva as pessoas a participar é a sensação de que a vida delas é muito previsível e monótona. Elas acreditam que estar num reality show é uma chance de quebrar o marasmo.
Veja – Como já foi mencionado, o surgimento dos reality shows provocou uma avalanche de ensaios e trabalhos acadêmicos que teorizam sobre o apelo voyeurístico dessas atrações. O senhor se interessa por esse tipo de discussão?
De Mol – Só na Holanda, intelectuais já produziram mais de dez teses acadêmicas – e olha que apenas sobre o Big Brother. Mas não me interesso por esses estudos, pois não tenho a mínima propensão para a divagação teórica. Deixo essa tarefa para os intelectuais que adoram tecer páginas e páginas sobre os mecanismos psicológicos que levam as pessoas a se comportar desta ou daquela maneira diante da câmera. Como homem de TV, minha meta é simplesmente produzir programas que atraiam o máximo de audiência.
Veja – Como o senhor se transformou num produtor de TV?
De Mol – Minha primeira experiência com comunicação de massa foi como disc-jóquei de uma rádio pirata que mantive em minha adolescência, nos anos 70. Eu transmitia a programação de dentro de um barco ancorado no Mar do Norte. Como eu me divertia fazendo aquilo sozinho, achava que nunca me adaptaria à TV, em que as produções envolvem muita gente e são cheias de complicações técnicas. Tive minha primeira chance com um emprego numa emissora estatal, em que eu era encarregado de editar vídeos de futebol. Mas foi mais tarde, quando atuei na transmissão de um concurso de Miss Holanda, que compreendi o quanto aquele trabalho era empolgante. Nunca mais parei de fazer televisão.
Veja – O senhor aceitaria participar de uma edição do Big Brother?
De Mol – Se eu tivesse tempo para isso, acho que participaria sem constrangimento. Dentre as centenas de programas que minha companhia produz, Big Brother é um daqueles que não me assustam. Trata-se de um teste fantástico para descobrir quem você é e quão forte consegue ser – de verdade, não do jeito que você imagina ser. Adoraria descobrir se eu vim ao mundo para ser líder ou se sou uma pessoa talhada para seguir os outros.
Veja – O senhor imagina como seria seu desempenho?
De Mol – Talvez fosse melhor fazer essa pergunta às pessoas que convivem comigo e que conhecem bem meus defeitos. Basicamente, sou um sujeito recatado. Por outro lado, sofro de impaciência, quero ver os resultados de tudo muito rapidamente. Acho que, se não fosse eliminado logo no começo, ganharia força ao longo do programa, com alguma chance de disputar o prêmio no final.
Veja – O senhor arriscaria prever que tipo de programa sucederá os reality shows no gosto do público?
De Mol – Se eu soubesse, não contaria a você.
Marcelo Migliaccio
"Terceira versão do ‘Big Brother’ começa tão previsível quanto um roteiro de novela, copyright Folha de S.Paulo, 19/1/03
"O ‘reality show’ ‘Big Brother Brasil’, que estreou na última terça, deu ao telespectador a previsível sensação de ‘deja vu’.
Depois das duas primeiras edições do programa, e das três de ‘Casa dos Artistas’ (SBT), os tipos começam a se repetir, as estratégias não apresentam grandes novidades e o esforço da produção para forçar estresse e conflito resvala na falta de imaginação.
Desta vez, a Globo preferiu formar um grupo mais homogêneo. Perfis como os de Moisés Mocotó e Cida, que ficaram deslocados no ‘BBB 2’, foram descartados. Mas os outros estão lá de novo.
Paulo é favorito para uma eliminação rápida. Seu tipo garanhão, que mistura Marco Mastronelli e Ricardo Macchi, não é bem aceito pelo público.
Parece que Samantha e Dílson não terão muita facilidade de se entrosar com os demais. Dhomini, o bonachão goiano, vai buscar repetir o caubói Rodrigo, vencedor da segunda versão.
O DJ Marcelo é o galãzinho; Alan e Juliana, os representantes da sempre limitada cota de negros; Viviane e Joseane têm como principal trunfo suas armas de sedução.
O mergulhador Emilio e o angustiado Massumi, mais naturais, podem criar uma rápida empatia com o telespectador e se tornarem favoritos, assim como a interiorana de Penápolis (SP), Sabrina. A esses pode se juntar Elane, a líder, que conseguiu se manter indefinida nos primeiros programas.
E, por fim, a divorciada Andréa, bem acima da faixa etária dominante, vai enfrentar a barreira da idade na ‘tchurma’. Como se vê, ao contrário do que se pensava, os já repetitivos ‘reality’ não serão uma alternativa à mesmice apelativa da maioria das telenovelas."
Ivan Angelo
A grande mensagem do 'Big Brother': somos todos banais, copyright Jornal da Tarde, 19/1/03
"O primeiro dia de 'Big Brother Brasil 3' começou com a apresentação do local de confinamento. O apresentador dizia que a casa mudou, mostrava para o telespectador que onde havia aquilo agora tem isso. Interessa? Será que o público se lembra de como era a casa? A confiante produção pressupõe que os telespectadores que viram os outros 'BBB' iriam assistir ao terceiro. Será?
A irrelevância é assim tão atraente?
Entram os participantes. A peituda Samantha é a mais over, extrapola, grita como uma tiete do jogador Kaká. Outros que chegam gritam também, embora menos. Esse entusiasmo teatral da entrada tem toda a pinta de recomendação da produção, e cada um faz seu papel com maior ou menor convencimento.
Aí, quem extrapola é o apresentador Pedro Bial, que diz: ‘Vamos dar as boas vindas aos nossos novos heróis.’ Heróis! Repassei a cena tentando perceber na fala de Bial alguma ironia. Inútil. Era a sério. Heróis! Aquele bando irrelevante de caçadores de visibilidade cuja única bravura naquele dia foi disputar quem ficava por mais tempo empoleirado num suposto ninho para ganhar R$ 1 mil por semana - heróis? Logo o Bial, que tem um ótimo programa na Globo News, 'Espaço Aberto', justamente sobre livros e a beleza e precisão das palavras?
Falei de irrelevância. Vejam. Quem comprou o programa na tevê paga e o sintonizou ao longo de duas horas corridas, na quarta-feira, das 10h50 às 12h55, viu estes emocionantes acontecimentos, segundo foi destacado no site www.fuxico.com.br:
10h50 - homens conversam sobre músculos na varanda; 11h - Sabrina, Viviane e Elane sentem falta de pó descolorante; 11h12 - Juliana lava roupa e Sabrina evita o sol; 11h40 - São Jorge (um pássaro) volta ao jardim da casa; 11h45 - alguns participantes brincam de mímica no jardim; 11h55 - miss Brasil imita macaco; 12h11 - o concorrente Dhomini conta que assistia ao seriado da família Osbourne; 12h45 - participantes estão encanados com o uso do banheiro; 12h55 - turma canta pagode.
Atenção: isso foi uma seleção do que aconteceu de mais ‘interessante’ em duas horas. O que se vê à noite na Globo é também uma seleção. Imaginem o resto.
A presença de uma miss Brasil no elenco não dá a ele nenhuma relevância. Ao contrário, expõe apenas o desprestígio do título de miss. As novas gerações talvez não saibam, mas antigamente miss Brasil era uma verdadeira Cinderela.
Ganhava muitos prêmios, reinava o ano inteiro, recebia um bom dinheiro para participar de festas com coroa e faixa de miss nos 12 meses de vigência do título, era o doce de coco da publicidade, sabonetes famosos disputavam-na em seus anúncios, e todas casavam-se com milionários em festas delumbrantes.
Hoje, submetem-se aos xavecos de malhados duros e tatuados em um 'Big Brother' da vida.
Banal é uma palavra-chave para se abordar a série 'Big Brother'. A sua substância é o flagrante da banalidade. É a longa reportagem do banal. A diferença dessa reportagem para o jornalismo é que este se ocupa do relevante, e o 'Big Brother', do irrelevante, do banal. Relata a banalidade minuto a minuto. Transmite sem parar a grande notícia da atualidade: somos todos banais. O telespectador pode contemplar a sua própria banalidade espelhada na banalidade alheia. E pode se consolar: se aquele lá, que está todo dia na tevê falando abobrinha, é banal e medíocre, não faz mal que eu também seja.
Também um elemento do banal em 'Big Brother', que já destaquei em outra oportunidade, é a linguagem. Esse é o único lugar onde se fala na televisão a língua natural do povo, a língua banal. Não o coloquial estudado e procurado das novelas e séries, não a fala-show dos programas de auditório, a fala-intenção dos noticiários, a fala-vendedora da publicidade, a fala-argumento dos entrevistados, a fala-não-fala dos políticos, mas o coloquial ouvido no transporte coletivo, na rua, atrás de uma porta, numa sala de visitas: a fala real das pessoas. Esse som faz a diferença na tevê, atrai. É nessa linguagem, também, que o povo se reconhece.
Quanto aos participantes em si, nada contra. Estão jogando o jogo. Não foram eles que inventaram a visibilidade como valor, a fama como meta. São objetos, não sujeitos. Transformados em espetáculo, só têm a oferecer a própria banalidade e alguma esperteza. Nenhum demonstra um talento particular. Explicitam o desprestígio da cultura no mundo da tevê. Qualquer bobagem serve. De alguma forma, essas atrações articulam-se com pichações, vias elevadas invadindo avenidas, outdoors, radares de trânsito, grades com lanças, blindagem de carros, filas em escolas, paraísos fiscais, vigilantes armados, turismo sexual etc - expressões preocupantes da vida moderna."
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