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VENEZUELA
Folha de S.Paulo
"Jornais venezuelanos dão pouco destaque à negociação", Folha de S.Paulo, 17/1/03
"Os principais jornais venezuelanos, que apóiam a oposição, destacaram ontem em suas capas a formação do Grupo de Amigos da Venezuela, no Equador, no dia anterior, mas não dedicaram suas manchetes principais ao tema.
No jornal ‘El Nacional’, a notícia recebeu um pequeno espaço na capa, com o título ‘Criado em Quito Grupo de Amigos da Venezuela’. Sua manchete principal foi ‘Incertezas sobre o referendo radicalizará protestos de rua’, em referência à possível decisão da Justiça sobre a ilegalidade do referendo sobre o mandato do presidente Hugo Chávez, pedido pela oposição.
O diário ‘El Universal’ também publicou somente uma pequena chamada em sua capa, com o título ‘Grupo de Amigos nasce em Quito’. A manchete foi dedicada aos problemas financeiros de municípios provocados pelo atraso no repasse de verbas pelo governo federal: ‘Prefeituras se declaram em emergência’.
Dos principais jornais de Caracas, o único a destacar a formação do Grupo de Amigos da Venezuela com maior ênfase e a tecer comentários sobre o assunto foi o ‘Tal Cual’, que costuma publicar textos editorializados. ‘A rapidez com a qual tomou forma a iniciativa dá uma noção da gravitação que está tendo a crise de nosso país em todo o continente e, inclusive, mais além, como na Europa’, diz o texto do jornal publicado em sua capa.
‘Se queremos um grupo capaz de atuar com força, dificilmente poderia haver um melhor que este. O fato de formarem parte dele EUA, Brasil e México, os três maiores e mais importantes países do continente, é um luxo. A objeção ao Brasil, a segunda potência americana e cuja Chancelaria é de uma seriedade e suficiência que ninguém discute, tem tão pouco sustento como uma que tivesse sido feita aos EUA, a partir também de preconceitos ideológicos’, afirma
Outros jornais menores, como o ‘El Mundo’, simplesmente ignoraram o assunto em suas capas."
O Estado de S.Paulo
"Governo Chávez intervém em fábricas e processa TVs", copyright Estado de S.Paulo, 18/1/03
"Soldados da Guarda Nacional da Venezuela entraram ontem em instalações da maior engarrafadora de bebidas do país, a Panamco - que engarrafa a Coca-Cola -, e da maior cervejaria venezuelana, a Polar, onde confiscaram mercadorias sob a alegação de que estavam sendo estocadas para agravar o desabastecimento causado pela greve geral iniciada há 48 dias.
Paralelamente, o governo abriu um processo administrativo contra duas TVs, a Globovisión e a Radio Caracas Televisión, acusadas de manipulação de informações. O vice-presidente José Vicente Rangel descartou a possibilidade de que os processos levem ao fechamento das emissoras, dizendo que a lei só prevê multas. Denunciando o aumento da tensão no país, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, César Gaviria, suspendeu até segunda-feira a mesa de diálogo entre governo e oposição.
Munidos de fuzis, submetralhadoras e escopetas, os soldados da Guarda Nacional entraram de manhã na engarrafadora Panamco em Valencia (150 quilômetros a oeste de Caracas), capital do Estado industrial de Carabobo, depois de dispersar, com gás lacrimogêneo, manifestantes que tentavam bloquear sua passagem. ‘Isto vai para fora, para o povo’, disse o líder do destacamento, general Luis Felipe Acosta Carlés, aliado próximo do presidente Hugo Chávez, referindo-se às caixas de Coca-Cola e outras bebidas. ‘Estou cumprindo ordens do cidadão presidente.’
O destacamento de Acosta entrou, horas depois, numa fábrica de cerveja da Polar, a maior empresa particular do país, para uma ‘inspeção’, desalojando violentamente os gerentes que estavam no local. Segundo informações da France Presse, Acosta, chefe da Guarda Nacional em Carabobo, voltou a dar seu ‘grito de guerra’, um arroto, quando levantou uma garrafa de cerveja sem álcool e disse à imprensa: ‘Este é um produto de primeira necessidade para as crianças, e eles o têm aqui estocado. Isso é um delito.’
A Câmara Venezuelano-Americana de Comércio e Indústria (Venacham), assim como líderes da oposição, qualificaram as ações militares de ilegais. A Venacham assinalou ainda que a Panamco já informara ao governo que ‘só conservava nos depósitos produtos que não pudera distribuir por problemas de transporte’.
Em seu discurso anual ante a Assembléia Nacional, ontem, no qual anunciou sua repentina viagem a Brasília, Chávez já anunciara estar preparando ‘procedimentos administrativos’ contra as duas TVs, acusando-as de terem ‘intenções golpistas’. Sem citar nomes, Chávez disse que uma das TVs transmitiu um texto de ‘propaganda subliminar’ em meio a um filme dirigido a crianças e jovens, incitando a população ‘à violência e à morte’. ‘Na câmera lenta, a verdade aparece’, disse. ‘A esta altura, não tenho dúvida de que devemos estar preparados para outra batalha, a batalha na mídia.’ Chávez reiterou que ‘não cederá nem um palmo’ ante as pressões da oposição. (Reuters, AFP, AP e Ansa)"
Folha de S.Paulo
"Jornais venezuelanos dão pouco destaque à negociação", copyright Folha de S.Paulo, 17/1/03
"Os principais jornais venezuelanos, que apóiam a oposição, destacaram ontem em suas capas a formação do Grupo de Amigos da Venezuela, no Equador, no dia anterior, mas não dedicaram suas manchetes principais ao tema.
No jornal ‘El Nacional’, a notícia recebeu um pequeno espaço na capa, com o título ‘Criado em Quito Grupo de Amigos da Venezuela’. Sua manchete principal foi ‘Incertezas sobre o referendo radicalizará protestos de rua’, em referência à possível decisão da Justiça sobre a ilegalidade do referendo sobre o mandato do presidente Hugo Chávez, pedido pela oposição.
O diário ‘El Universal’ também publicou somente uma pequena chamada em sua capa, com o título ‘Grupo de Amigos nasce em Quito’. A manchete foi dedicada aos problemas financeiros de municípios provocados pelo atraso no repasse de verbas pelo governo federal: ‘Prefeituras se declaram em emergência’.
Dos principais jornais de Caracas, o único a destacar a formação do Grupo de Amigos da Venezuela com maior ênfase e a tecer comentários sobre o assunto foi o ‘Tal Cual’, que costuma publicar textos editorializados. ‘A rapidez com a qual tomou forma a iniciativa dá uma noção da gravitação que está tendo a crise de nosso país em todo o continente e, inclusive, mais além, como na Europa’, diz o texto do jornal publicado em sua capa.
‘Se queremos um grupo capaz de atuar com força, dificilmente poderia haver um melhor que este. O fato de formarem parte dele EUA, Brasil e México, os três maiores e mais importantes países do continente, é um luxo. A objeção ao Brasil, a segunda potência americana e cuja Chancelaria é de uma seriedade e suficiência que ninguém discute, tem tão pouco sustento como uma que tivesse sido feita aos EUA, a partir também de preconceitos ideológicos’, afirma
Outros jornais menores, como o ‘El Mundo’, simplesmente ignoraram o assunto em suas capas."
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