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"Para Nassif, a saída é buscar conhecimento", copyright Comunique-se <www.comunique-se.com.br>, 15/1/2003
"‘O novo jornalista será um fornecedor de informações, sem emprego fixo’. É assim que o jornalista Luís Nassif, diretor da agência Dinheiro Vivo e colunista da Folha de S.Paulo, vê o profissional diante do mercado depois da decisão da juíza Carla Rister. Nassif, que acredita que o diploma é desnecessário, considera as faculdades de jornalismo, em geral, muito fracas. ‘O melhor caminho para o jornalista melhorar o salário é tratar, por conta própria, de buscar novas formas de conhecimento, além da técnica jornalística’, sugere.
Nassif abordou vários assuntos na edição desta semana do ‘Papo na Redação’, que vão desde governo Lula até finais de semana com música. Ele aponta que o plano de economia de Serra era o melhor da candidatura à Presidência e confessa que a música é o que mantém a sua sanidade. Sobre o’Papo na Redação’, ele diz ser uma experiência muito interessante. ‘Os colegas só nos conhecem através do que escrevemos, com o chat a gente passa a se conhecer melhor’. Ainda assim, Nassif achou que as perguntas foram muito leves. ‘Pensei que iriam pegar mais pesado comigo’, disse o jornalista.
Leia a transcrição do ‘Papo na Redação’ com Luís Nassif:
[15:12:18] - Marcelo Franzese (Freelancer- Freelancers) pergunta: Boa tarde Nassif. O mundo hoje se diz globalizado. Até que ponto o Brasil participa dessa globalização, haja vista o pouco hábito do brasileiro (cidadão comum) em investir na bolsa de valores, pois os americanos, por exemplo, tem altos índices de investimento?
Luís Nassif responde: A globalização se refere mais ao livre fluxo de capitais financeiros e de mercadorias, Marcelo, e menos na decisão do cidadão comum em aplicar nas bolsas de valores.
[15:13:42] - Fabio Elizeu (Profissional Contratado) pergunta: Caro Nassif, você acha possível o atual governo fazer a reforma da previdência, sendo que o anterior não conseguiu em 8 anos?
Luís Nassif responde: Acho muito difícil. Em geral, as pessoas chegam analisando apenas aspectos financeiros da reforma. Mas existem implicações constitucionais e políticas. Hoje, no Estadão, o presidente do STF fala claramente que a reforma proposta fere direitos adquiridos. Vai ser necessária muita força política de Lula. Agora, se tiver que conseguir, será agora. Se esperar um ano, acaba o cacife político e não se consegue mais nada.
[15:14:53] - Eduardo Entini (Freelancer- Freelancer) pergunta: Caro Luís Nassif, a questão do diploma voltou à tona. Em vários artigos noto a presença do argumento da grande conspiração dos patrões, que maldosos querem arrochar ainda mais os salários e ‘desarticular’ a categoria. É por aí?
Luís Nassif responde: Acho que o diploma é desnecessário, Eduardo, e a luta contra ele não está ligada à questão dos salários, mas do conhecimento. As faculdades de jornalismo, em geral, são muito fracas e dão formação sofrível. O melhor caminho para o jornalista melhorar o salário é tratar, por conta própria, de buscar novas formas de conhecimento, além da técnica jornalística.
[15:15:43] - Rogério Godinho (Repórter- B2B Magazine - SP) pergunta: Acredita que a eliminação da obrigatoriedade do diploma terá impacto no mercado?
Luís Nassif responde: Acredito que não. O mercado está morto, de qualquer modo. O que acho é que a figura do jornalista assalriado vai reduzir drasticamente, independentemente do diploma. O novo jornalista será um fornecedor de informações, sem emprego fixo.
[15:16:59] - Paulo Roberto Silva (Estudante- ECA-USP) pergunta: Nassif, vc é um dos críticos de mídia que questionam o chamado ‘jornalismo de dossiês’, onde o repórter apenas reproduzi informações de relatórios como os do ministério público sem apurar as informações. Como nós podemos fazer um jornalísmo crítico com informações secretas de governos sem cair no ‘jornalismo de dossiês’?
Luís Nassif responde: Tendo critério e aprendendo de fato a ouvir o ‘outro lado’. Hoje esse exercício de ouvir o outro lado é meramente retórico. Mais que isso, é importante acreditar no bom senso e na própria intuição. Muitas vezes o jornalista entra em um desses episódios de unanimidade simplesmente porque outros entraram antes. Ele até pode perceber que a informação é furada, mas acaba não tendo confiança em si próprio, e julga que podem existir informações adicionais que ele não percebeu.
[15:18:46] - Marcos Linhares (Correspondente- Globosat - Sportv) pergunta: Nassif, como você analisa a condução de casos como o flutuacao cambial, que envolveram os bancos Marka e FonteCidam. Por que a midia preferiu silenciar, se, de acordo com Mercadante, na época (ele insiste na tese ate hoje junto ao Ministerio Publico, sem contudo ser levado a sério), muitos outros bancos faturaram tufos e nada se fala ou é feito a respeito. Voce tambem silenciou?
Luís Nassif responde: Marcos, na minha opinião houve um erro generalizado da mídia em achar que o Marka e o Fonte Cindam se beneficiaram de informações privilegiadas. Eles foram os únicos que quebraram, como pode ter sido isso? O problema dos grandes ganhos dos especuladores foi da política cambial em si, adotada de maneira suicidade pelo primeiro governo FHC. Mais cedo ou mais tarde o câmbio iria explodir. O pobre Chico Lopes deu azar de pegar a bomba de dinamite no momento da explosão.
[15:19:50] - Anna Catharina Siqueira ( Diretor- Comunique-se ) pergunta: Olá Nassif, como você avalia a indústria das indenizações, da qual você foi vítima recentemente?
Luís Nassif responde: É um dos grandes problemas do país hoje em dia, Anna. Esse pessoal se especializou em montar processos sem pé nem cabeça, teses esdrúxulas mas que acabam tendo alguma forma de acolhida nos tribunais. Depois, mesmo sem ter a sentença final, negociam os direitos a essas indenizações, passando o mico para frente.
[15:20:27] - Marcelo Franzese (Freelancer- Freelancers) pergunta: A guerra contra o Iraque é iminente. Em tempos de guerra, sabemos que as restrições são inevitáveis. O Brasil como boa colônia provavelmente entre nesse barco já furado. Pergunto: em ano de discussão da ALCA haverá uma guerra, o Brasil está pronto para negociar isso? Como você acredita que o governo Lula agirá diante desse acontecimento?
Luís Nassif responde: Acho que a guerra contra o Iraque será localizada. POderá ter efeitos sobre o preço do petróleo, mas não sobre as negociações diplomáticas globais, apesar do evidente abuso de poder de Bush.
[15:21:29] - Rogério Godinho ( Repórter- B2B Magazine - SP ) pergunta: As últimas notícias sobre a polêmica da previdência centraram na questão nos direitos adquiridos, com o projeto sendo barrado no Supremo se houver eliminação dos mesmos. É viável uma reforma que venha a valer ‘daqui para a frente’ ou isso não salva o sistema da insolvência?
Luís Nassif responde: Dificilmente salvará o sistema. O meio termo, de reconhecer os direitos até o momento de entrada em vigor da nova lei, poderia resolver. Mas o direito adquirido existe e não pode ser ignorado, só em casos de calamidade.
[15:22:19] - Daniela Zanetti* (Diretor- Cartaz Agência de Comunicação) pergunta: Nassif, o que nós profissionais temos que fazer para nos adaptarmos a essa nova realidade do mercado do jornalismo, além, claro, de investir em conhecimento?
Luís Nassif responde: Estudar, estudar, estudar, aprender a utilizar as modernas ferramentas de análise (planilha, Internet, bancos de dados disponíveis). E começar a se preparar para se juntar com outros colegas e montar sua empresa para fornecimento de conteúdo aos grandes jornais, assim que esse mercado se abrir.
[15:23:17] - Eli Ramos (repórter freelancer- Boqueirão News) pergunta: Boa tarde sr Luis Nassif. É fato que o dólar está baixando a cada dia e, com isso a nossa economia volta a esquentar. Gostaria de saber do sr. se acredita que com isso os preços irão baixar, as bolsas nacionais se valorizarão cada vez mais e se assim o mercado de trabalho absorverá melhor seus candidatos, sobretudo os jornalistas. Gostaria de uma breve análise sobre essa problemática.
Luís Nassif responde: Ainda é cedo para avaliar o futuro da economia, Eli. O país ainda tem uma dívida externa considerável, não pode crescer muito, se não reduz o superávit comercial. Creio que só lá para meados do ano se terá um quadro mais claro sobre a consolidação da economia brasileira.
[15:23:50] - Ramon Gusmão (Estudante) pergunta: Nassif, o que está achando do posicionamento da mídia brasileira, em geral, no que se refere aos primeiros dias do governo Lula?
Luís Nassif responde: Acho que é de apoio moderado. Lula está na fase de carência, que todo governo deve ter. As críticas têm sido contra comportamentos pontuais de um ou outro ministro.
[15:25:09] - Renato Campos (estagiário- Pescaria Editora) pergunta: Se o sr. acha que o diploma em comunicação é desnecessário, há algum outro curso que prepare melhor quem queira seguir a carreira de jornalista?
Luís Nassif responde: Para o jornalismo econômico, por exemplo, é mais adequado um curso de economia. Acho defesados e inadequados os currículos das faculdades. Defendo que o jornalismo deva ser um curso de extensão técnica. As faculdaes dizem que lá se aprendem conceitos éticos e humanísticos. Não vejo assim. De maneira quase generalizada as faculdades passam aos alunos um pensamento maniqueísta dos piores.
[15:26:38] - Paulo Roberto Silva (Estudante- ECA-USP) pergunta: Este caso do jornalista seguir a informação furada dada por outro, foi o caso do dissiê Cayman?
Luís Nassif responde: Na primeira semana do Dossiê Cayman fiz uma coluna considerando o dossiê ‘ridículo’. Eu tinha apenas as informações divulgadas pela mídia. Quem apostou que era possível a quatro políticos, dos mais inteligentes do país, e com incompatibilidades entre alguns deles, abrir uma conta conjunta secreta com as iniciais de cada um, ou era despreparado ou mal intencionado.
[15:27:07] - Márcio Kroehn (Estudante- CardNews Magazine) pergunta: Nassif, você já leu o livro ‘Elementos de Jornalismo Econômico’, do Sidinei Basile? O que achou?
Luís Nassif responde: Folheei,. COnsiderei didático, e feito por um jornalista sério.
[15:27:50] - José Bernardo Brandão (Assessor de Imprensa- Profissionais do Texto-DF) pergunta: A que se deve a disparada do dólar que está acontecendo hoje? O Sr. acredita que seja apenas pelas declarações do Ministro Marco Auréilo?
Luís Nassif responde: Claro. Quando o dólar começou a despencar, com a história da reforma da previdência, declarei no meu programa na TV Cultura que era questão de dias para cair a ficha do mercado de que a reforma seria quase impossível.
[15:28:30] - Eduardo Entini ( Freelancer- Freelancer ) pergunta: Nassif, na época das eleições a questão do ‘mercado’ foi tratada pela imprensa de forma exagerada? Hoje, parece que ele dorme um sono tranqüilo...
Luís Nassif responde: É que a situação estava complicada mesmo, com os bancos cortando até as linhas de crédito comercial do país. A situação ficou por um fio, e se equilibrou graças ao bom senso demonstrado pelo PT no segundo turno.
[15:29:40] - Eli Ramos (repórter freelancer- Boqueirão News) pergunta: Certo. Tendo a consolidação da economia, no meio do ano, o sr. acredita que o mercado em comunicação melhorará? Sobretudo para freelancers, recém-formados sem experiência, e jornalistas há muito afastados?
Luís Nassif responde: Acho que levará algum tempo ainda. É preciso considerar que, independentemente da crise dos dois últimos anos, acabaram os tempos das super-redações. Os jornais e revistas terão que rever seu seu modo de trabalho, reduzindo a verticalização atual.
[15:30:19] - Fabio Elizeu (Profissional Contratado) pergunta: Caso nao se consiga fazer a reforma da previdencia, o que pode ser feito para reduzir o rombo causado pela autal estrutura previdenciária.
Luís Nassif responde: Se o Congresso aprovar uma emenda constitucional, poderá cobrar dos inativos ou mudar o conceito de direito adquirido. MAs é muito difícil.
[15:31:28] - Paulo Roberto Silva (Estudante- ECA-USP) pergunta: Falando da subido do dólar hoje. Além da declaração do presidente do STF, o vencimento de parte da dívida hoje não influencia no câmbio?
Luís Nassif responde: A dívida já havia sido rolada nos últimos dias e há muito dólar entrando. O que o mercado fez foi supervalorizar a boa situação da economia. Aí o dolar cai e começa o movimento de pessimismo. O dólar volta, e recomeça o movimento de otimismo. Como se diz no mercado, um país não é bom ou ruim, é tudo uma questão de preço. Assim, o dólar subiu porque tinha caído muito.
[15:32:03] - Thais Valadares (Assessora de Comunicação- Bolt Brasil) pergunta: Olá Nassif, o que você achou das retaliações do PT à Senadora Heloísa Helena na época da sabatina de Henrique Meirelles?
Luís Nassif responde: Achei corretas. Se um partido não tiver o mínimo de ação uniforme, deixa de ser partido.
[15:32:34] - Eduardo Entini (Freelancer- Freelancers) pergunta: Nassif, tenho profunda curiosidade pelo ‘tal do mercado’. Gostaria de conhecê-lo pessoalmente! Segundo vc, ele é neurótico ou esquizofrênico?
Luís Nassif responde: Esquizofrênico. Aliás, não existe O mercado. Existe um conjunto de pessoas que se movem, em geral, de maneira irracional, seguindo o efeito manada.
[15:34:16] - Anna Catharina Siqueira (Diretor- Comunique-se) pergunta: Nassif: para um colunista, mudança de governo significa também mudança de fontes, certo? Até que ponto fica mais difícil trabalhar num momento como esse?
Luís Nassif responde: É o tempo de uma visita a Brasília para conhecer as novas fontes. Mas, em geral, os especialistas não são muito variados. Quase todos provem dos mesmos centros de pensamento.
[15:36:17] - Ramon Gusmão (Estudante) pergunta: Nassif, você acha que a mídia brasileira é parcial, condescendente com a visão das agências ne notícias internacionais, em relação aos atuais conflitos na Venezuela e no Oriente Médio?
Luís Nassif responde: Respondendo ao William, ainda.... Falta apurar a ação articulada entre governo e setor privado, visando a divulgação do produto brasileiro, a oferta de financiamentos às exportações etc........ Quanto ao Ramon, acho que a mídia tem sido razoavelmente isenta em relação aos dois temas, apresentando a visão crítica em relação ao Bush, sem poupar Sadam.
[15:36:46] - William Pereira Bezerra (Redator- Jornalistas Estudantes - SP) pergunta: Ps. Desculpe alguns erros na hora de digitar... Qual curso de especialização na área econômica você recomenda?
Luís Nassif responde: Curso de matematica financeira, curso de extensão em economia em alguma faculdade de bom nível.
[15:37:40] - William Pereira Bezerra (Redator- Jornalistas Estudantes - SP) pergunta: Por que o Brasil não muda definitivamente a política externa e investe mais em exportação? Para vc o que faz nos impede de exportarmos mais e gerarmos mais empregos? Abraços William -OBS.: Parabéns pelo excellente trabalho na área econômica.
Luís Nassif responde: Obrigado, William. Andei apertando teclas erradas. Agora que o Brasil tem câmbio falta aprimorar a ação de coordenação de todos os elementos ligados à exportação, como promoção comercial, financiamento, estímulo à busa de novos mercaos etx
[15:37:49] - Miriam Abreu (Repórter- Comunique-se) pergunta: Oi, Nassif. De todos os candidatos à Presidência da República, qual deles tinha o melhor plano para a economia brasileira?
Luís Nassif responde: José Serra, de longe.
[15:38:21] - Paulo Roberto Silva (Estudante- ECA-USP) pergunta: Na sua visão, por que o jornalismo econômico não adota uma linguagem mais didática, voltada ao leitor comum, ao invés de usar um economês compreendido apenas por 5% dos leitores dos grandes jornais? (este dado é das editorias de economia)
Luís Nassif responde: Porque para adotar uma linuagem didática, o jornalista precisa entender o conceito que ele está expressando. Quando não entende, limita-se a reproduzir o linguajar da fonte.
[15:39:04] - Thais Valadares (Assessora de Comunicação- Bolt Brasil) pergunta: Pensando nesta linha, então não temos um governo do PT.... Nem de esquerda.... Você entende que pode dar certo um projeto de longa data igual ao do Lula ser efetivado junto à pessoas do PSDB, quem o próprio Lula criticou?
Luís Nassif responde: Acho que o PT está buscando ocupar um lugar na centro-esquerda que era do PSDB e FHC deixou escapar pelas mãos. Ele está procurando atrair simpatizantes do PSDB.
[15:39:53] - Paulo Roberto Silva (Estudante- ECA-USP) pergunta: Por que José Serra, e por que de longe?
Luís Nassif responde: Porque era o candidato que tinha propostas concretas para a saúde, para a economia, para a área externa, para política industrial, para a questão fiscal, para o federalismo brasileiro. De longe ele era não apenas o candidato, mas o brasileiro mais bem preparado sobre os diversos temas de governo.
[15:40:38] - Eduardo Entini (Freelancer- Freelancer) pergunta: Nassif, sei do seu interesse por música e cultura popular, portanto vai lá: Gilberto Gil no Ministério da Cultura vai dar samba na avenida ou letra do Carlinhos Brown?
Luís Nassif responde: Acho uma sacanagem do Gil para com o compositor Gilberto Gil, ter aceitado esse cargo.
[15:41:11] - William Pereira Bezerra (Redator- Jornalistas Estudantes - SP) pergunta: Não teríamos que fazer a reforma tributária para diminuir a incidência de impostos sobre os produtos brasileiros no mercado externo? Ou isso pode ser feito após estas medidas de parcerias entre iniciativa privada e Governo?
Luís Nassif responde: A desoneração das exportações já está quase resolvida. O problema maior nosso é a excessiva carga tributária. Nenhuma reforma vai dar certo se não contemplar limites para os gatos do Estado.
[15:41:53] - Thais Valadares (Assessora de Comunicação- Bolt Brasil) pergunta: fazer um curso de economia facilitaria muito a minha vida de jornalista?
Luís Nassif responde: No meu caso, o que ajudou foi um curso de matemática financeira e cursos de extensão sobre temas específicos, como mercados, economia, administração. Em geral, cursos de pouca duração porque nós, jornalistas, só aprendemos em cima de temas de utilização imediata.
[15:42:54] - Thais Valadares (Assessora de Comunicação- Bolt Brasil) pergunta: Onde você critica as prpostas do PT?
Luís Nassif responde: O PT ainda é um partido cujas propostas estão em elaboração. Pelo que ouvi até agora dos Ministros, a proposta para Ciencias e Tecnologia é anacrônica. Não está claro como vai atuar o MEC nem o BNDES. As proposta de campanha são bem diferentes das de governo.
[15:43:47] - Renato Campos (estagiário- Pescaria Editora) pergunta: Em época de eleições, o sr. teria defendido as propostas de José Serra da mesma maneira que agora?
Luís Nassif responde: Ué, defendi. Escrevi várias vezes que o considerava o mais preparado. Agora, ele derrotado, fora do governo e da vida pública, continua dizendo que era o mais bem preparado.
[15:46:03] - Anna Catharina Siqueira (Diretor- Comunique-se) pergunta: Nassif: Recentemente, Ivson Alves, colunista do Comunique-se, escreveu um artigo dizendo que os analistas consultados em várias matérias de economia de um mesmo jornal são sempre os mesmos, seja para falar de combate à fome, tendência da inflação, reestruturação do setor energético etc. Por que isso acontece? Confiança em algumas poucas fontes? Ou, na pressa, vai a fonte de sempre?
Luís Nassif responde: São as fontes em permanente disponibilidade, os palpiteiros que você encontra a qualquer momento do dia. O jornalista burocrático, que quer cumprir apenas a pauta, sai atrás deles, cumpre a pauta e não agrega nenhuma informação relevante ao seu leitor.
[15:46:44] - Paulo Castelobranco (Cronista- Brasilia em Dia) pergunta: Nassif. Na resposta ao Fábio Eliseu você afirmou que no final de um ano o Lula perderá o cacife político. Você acha, realmente que o Lula, com toda a vitória que teve só tem cacife para governar um ano?
Luís Nassif responde: No caso, cacife político para uma reforma da envergadura da reforma da previdência.
[15:47:15] - Thais Valadares (Assessora de Comunicação- Bolt Brasil) pergunta: O Programa Fome Zero tem como ser efetivado ou vc acha que vai virar um bolsa-escola da vida?
Luís Nassif responde: O Graziano teve um ano e meio para pensar o programa. Até agora fez uma mixórdia, colocando pontos impossíveis de controlar, como exigência de nota fiscal.
[15:47:41] - Thais Valadares (Assessora de Comunicação- Bolt Brasil) pergunta: No caso do desvio de 33 mi de dólares no Rio de janeiro: Vc acha que o governo anterior tinha como ter conhecimento disso?
Luís Nassif responde: Nâo necessariamente. Mas pelo que vejo nos jornais, o suspeito era homem de confiança da governadora Rosinha.
[15:48:20] - Eli Ramos (repórter freelancer- Boqueirão News) pergunta: Nassif: você acredita que a contratação do Gil foi apenas fachada?
Luís Nassif responde: Apenas fachada. A pior coisa do mundo é colocar artista para administrar artistas. Gil é um zen, um gênio da música, mas um completo neófito em termos de políticas públicas.
[15:48:46] - Paulo Roberto Silva (Estudante- ECA-USP) pergunta: Então vc acredita que seja possível encontrar fontes novas na área de economia? Nas universidades, institutos, bancos, etc.?
Luís Nassif responde: Acho que é obrigação nossa estar sempre identificando pessoas que pensem de maneira diferente e consistente.
[15:49:30] - Ramon Gusmão (Estudante) pergunta: Nassif, se o governo Lula não obtiver sucessos na aprovação das reformas, nem na implantação dos programas sociais, determinados setores da mídia mais conservadora, como as Organizações Globo, podem exercer um pressão insuportável, como aconteceu com Getúlio?
Luís Nassif responde: Acho que não dependerá das reformas. ´Politicamente, o Lula está se conduzindo otimamente bem até agora, tentando ampliar bases de apoio, não fazendo terra arrasada sobre o espólio de FHC.
[15:50:15] - Ivanna Fabiani (Freelancer- freelancer) pergunta: Complementando a pergunta da Thais? E o Programa Habitar Brasil? União 40% e BID 60%? Sendo que ainda tem milhoes na licitaçao e milhoes em projetos de analise?
Luís Nassif responde: Sabe que um dos grandes problemas brasileiros é a incompetência para montarmos projetos que nos habilitem a recursos das instituições multilaterais. Tem muito dinheiro para programas sociais no mundo. O que falta é capacidade de montar projetos e de prestar contas de maneira transparente.
[15:52:08] - Ivanna Fabiani (Freelancer- freelancer) pergunta: Nassif, falando em fontes...voce confia nos bancos de dados numa totalidade, ou voce usa seu proprio banco de dados?
Luís Nassif responde: Hoje em dia tem muito banco de dados de boa procedência. O próprio BC tem planilhas excelentes que podem ser facilmente montadas. Memso assim, temos um amplo banco de dados aqui na Dinheiro Vivo.
[15:52:52] - William Pereira Bezerra (Redator- Jornalistas Estudantes - SP) pergunta: e você continua se dedicando a música em paralelo... procura relaxar da vida estressante do jornalismo?
Luís Nassif responde: Fim de semana é para a música. Em fevereiro farei uma temporada no Brahma, às quintas feiras, com a minha banda. Este ano relanço um CD de choros de 1995 e lanço um com composições próprias. É o que garante a minha sanidade.
[15:53:49] - Paulo Roberto Silva (Estudante- ECA-USP) pergunta: Se os programas sociais do PT tiverem sucesso (apesar de vc ter dito que Graziano até agora só fez mixórdia), vc acredita que isso possa ter impacto positivo na economia?
Luís Nassif responde: É muito importante que dêem certo. A inclusão social é uma questão nacional das mais relevantes. Além disso, há uma boa base plantada pela dona Ruth. Acho que vai dar certo, sim. É que o o Graziano ainda estava fora do governo e precisava de um choque de realidade. Mas ele aprende rápido.
[15:55:05] - Eli Ramos (repórter freelancer- Boqueirão News) pergunta: Se é assim, qual a credibilidade do governo em contratar um artista sem traquejo político para administrar uma pasta tão importante quanto a da Cultura? O que ganha (ou perde) o governo com esse erro?
Luís Nassif responde: Se colocar debaixo do Gil bons administradores, pode ganhar. Gil ajudaria a dar visibilidade às ações; Se deixar por conta de Gil definir as políticas, acho que não sairá nada.
[15:55:44] - Thais Valadares (Assessora de Comunicação- Bolt Brasil) pergunta: Afinal de contas..... Foi o Garotinho quem desequilibrou as contas do Rio ou a responsabilidade disto é da Benedita?
Luís Nassif responde: Garotinho. Escrevi sobre isso quando ele saiu do governo, sugerindo até mudanças na Lei da Responsabilidade Fiscal, para que se considerasse como último dia de mandato aquele que o governador cumpriu, e não 31 de dezembro de 2002.
[15:56:52] - Renato Campos (estagiário- Pescaria Editora) pergunta: O que o sr. indicaria de leitura para estudantes que se interessam por jornalismo econômico?
Luís Nassif responde: Os livros clássicos sobre o Brasil: América Latina, Males de Origem, de Manoel Bonfim; Gilberto Freyre, Sérgio Buarque e Caio Prado. Acho que a visão histyórica e sociólogica é fundamental, para o jornalista não cair de cabeça na ideologia vazia dos tais mercados.
[15:57:04] - Anna Catharina Siqueira (Diretor- Comunique-se) pergunta: Nassif, quais as suas perspectivas para o mercado editorial em 2003?
Luís Nassif responde: Acho que um pouco melhores que 2002, mas não muito.
[15:57:51] - Paulo Castelobranco (Cronista- Brasilia em Dia) pergunta: Qual a sua opinião sobre a aposentadoria e o empréstimo sem juros do Presidente do Banco ‘de Boston’. E sobre as renúncias a mandatos ainda nem assumidos?
Luís Nassif responde: A aposentadoria e o empréstimo eram direitos dele, na condiução de ex-funcionário do FleetBoston. Não vejo nada de aético nisso.
[15:58:13] - William Pereira Bezerra (Redator- Jornalistas Estudantes - SP) pergunta: Em São Paulo você fará esta temporada? Tenho muita vontade de ver você tocando, principalmente chorinhos. Fugimos do jornalismo totalmente nesta conversa não é mesmo? É porque adoro música tbm.
Luís Nassif responde: Vou tocar bandolim, sim.
[15:58:33] - Carolina Ribeiro (Estudante- Camara Municipal de Niteroi) pergunta: Quanto tempo voce conclui que a economia brasileira, neste novo governo, precisa dar resultados aos empresarios antes que haja uma crise neste setor?
Luís Nassif responde: Acho que a recuperação da economia será gradativa, e o governo Lula e os empresários têm consciência disso.
[15:58:51] - Thais Valadares (Assessora de Comunicação- Bolt Brasil) pergunta: Há como atenuar os efeitos deste nosso capitalismo selvagem? Como, por exemplo?
Luís Nassif responde: Ampliando as políticas sociais em parceria com as ONGs e as empresas socialmente responsáveis.
[15:59:24] - José Paulo Lanyi (Colunista / Comentarista / Crítico- Comunique-se) pergunta: Caro Nassif: Por que muitos jornalistas aceitam tão passivamente as ‘previsões’ dos economistas? Mesmo que muitas delas não devamos levar a sério?
Luís Nassif responde: Nâo consigo entender. O Maílson erro praticamente todas as previsões relevantes que fez nos últimos dez anos e continua ouvido. Se você entender, me escreva explicando.
[15:59:50] - Carlos Montenegro (Subeditor- O DIA Online) pergunta: Apesar do último problema ocorrido com a venda dos papéis do Banco do Brasil nas aplicações do FGTS na Bolsa, você recomenda esta aplicação em 2003?
Luís Nassif responde: A dúvida é sobre se o PT manteria a profissionalização do BB. Aparentemente vai manter. Pode ser uma boa opção.
[16:02:53] - Renato Campos (estagiário- Pescaria Editora) pergunta: E livros clássicos de economia como ‘A Riqueza das Nações’ e ‘O Capital’, o sr. acha essencial ou são ultrapassados?
Luís Nassif responde: O Capital acho um pouco ultrapassado. A Riqueza das Nações é interessante, assim como os livros de Galbraith. Agora mesmo saiu um livro muito interessante do... do..... deu branco, aquele economista belga-americano que morou no Rio e morreu recentemente.
O programa ‘Papo na Redação’ é realizado através da ferramenta Eventos Online, um produto da Comunique-se S/A que está disponível para contratação."
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