22/07/2003 9/15

Envie para um amigo  Procure no arquivo

DICIONÁRIO DA TV GLOBO
Esther Hamburger

"Dicionário recupera a história da TV", copyright Folha de S. Paulo, 21/07/03

"Com o lançamento, na próxima quarta-feira em São Paulo, do primeiro volume do ‘Dicionário da TV Globo’, a emissora e a editora Jorge Zahar oferecem uma contribuição decisiva -embora ainda parcial- para a reconstituição da história da TV.

O livro de quase mil páginas, contém mais de 1.500 verbetes e ilustrações dos programas produzidos e exibidos pela TV Globo desde sua inauguração, em 65.

Resultado do projeto Memória das Organizações Globo, o trabalho possui um inegável tom institucional. Basta notar a ausência, por exemplo, de verbetes sobre profissionais de destaque, autores, diretores, atores e produtores, ou pelo menos um índice, que permitisse a localização dos profissionais mencionados.

Mas a edição cuidada traz levantamento exaustivo e criterioso, com datas, horários e dados técnicos parciais das produções classificadas como pertencentes aos gêneros dramaturgia e entretenimento. Um segundo volume, em fase de preparação, enfrentará os jornalísticos e esportivos.

A publicação consolida informações de fontes variadas e especificadas, que incluem documentos internos, imprensa, publicações especializadas e depoimentos de profissionais, constituindo um valioso banco de dados, útil a telespectadores e profissionais.

Fragmentos relevantes da história da teledramaturgia emergem nos verbetes. A ascensão e queda de Glória Magadan, a cubana que inaugurou a produção de novelas na emissora, está documentada. A autora é responsável pelos primeiros sucessos de público no estilo dramalhão, em oposição ao qual surge a ‘fase verdade’, liderada por Daniel Filho, que tem início em 69, com ‘Véu de Noiva’, de Janete Clair.

A originalidade de Chacrinha está resgatada, embora não haja referência, aos motivos -políticos- que levaram à interrupção do contrato da emissora com o apresentador durante dez anos.

Ao se dispor a compartilhar informações sobre uma história que não é propriedade de ninguém, a Rede Globo inicia uma importante ‘abertura’. Cabe sugerir que o primoroso banco de dados seja disponibilizado em versão eletrônica, mais flexível a atualizações, correções e consultas. Vale sugerir também que se acrescentem informações sobre a existência ou não de registro audiovisual dos programas listados.

A promoção do acesso às imagens propriamente ditas complementaria bem o esforço. Diversas minisséries vêm sendo editadas em formato DVD. Trechos de programas estão acessíveis no site da emissora. Falta o grosso da programação. Quem sabe o contato com a ousadia formal e temática, até hoje não superada, de trabalhos como ‘Armação Ilimitada’ incremente a produção contemporânea? Esther Hamburger é antropóloga e professora da ECA-USP"

 

Ulisses Mattos

"A ‘vilã’ faz sua defesa", copyright Jornal do Brasil, 20/07/03

"Na última semana foi lançado nas livrarias o primeiro volume do Dicionário da TV Globo, um calhamaço de 940 páginas com mais de 1.500 verbetes com todos os programas de dramaturgia e entretenimento produzidos pela maior emissora do país. O livro é um deleite para os profissionais da área, e as curiosidades resgatadas nas pesquisas de reportagens e depoimentos dão à publicação o necessário para ser desfrutada também pelo público fã da TV. Mas quem mais se beneficiou com a publicação foi a própria Rede Globo, por mostrar que não é a vilã que tanta gente considera.

Entre os dados trazidos no livro estão informações sobre programas que sofreram censura do governo, como a primeira versão de A grande família, de 1972. Há detalhes curiosos como a proibição na novela O bem amado, de 1973, dos termos ‘coronel’ e ‘capitão’ para designar o prefeito Odorico e Zeca Diabo, respectivamente. Também não falta um relato completo do chamado ‘merchandising social’ feito pelas novelas, com dados como o aumento de doadores de sangue e órgãos estimulado por Laços de família, de 2000. São fatos que fazem um contraponto à imagem da Globo de colaboradora da ditadura e de manipuladora da sociedade.

- Essas questões não foram orientadas, mas surgiram espontaneamente nas pesquisas - explica Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicações - Mas não existe essa imagem na cabeça do público, só nos formadores de opinião e empresas concorrentes.

Mas o crítico de TV Gabriel Prioli, presidente da Associação Brasileira de TVs universitárias (ABTU), reforça que existe sim a tal imagem negativa.

- Essa impressão persiste em largos setores da sociedade, entre críticos da TV, políticos e universidades. A Globo é vista como o grande satã. Mas essa é uma imagem ultrapassada. Não dá para ver a Globo em 2003 com os mesmos olhos de antigamente. Ela tem um papel social importante - raciocina Prioli, que gostou da forma como os dados foram publicados - O dicionário colocou essas informações de maneira objetiva, sem tentar se justificar ou se eximir.

A pesquisadora e crítica de TV Esther Hamburguer também acha que o dicionário traz um equilíbrio para a imagem da Globo.

- As opiniões negativas existem em vários meios, não só no acadêmico. Esse é o lado mais mostrado nos livros, mas a Globo não se reduz a essas críticas. Um registro como esse do dicionário é importante para a história do país - diz.

É apostando nesse interesse geral que a Jorge Zahar Editor está lançando 15 mil exemplares do dicionário.

- A tiragem é o triplo da de outros dicionários que editamos. Certamente haverá interesse dos fãs da TV - diz a diretora da editora, Cristina Zahar.

A expectativa agora é pelo segundo volume, que vai falar do jornalismo da Globo e será lançado no ano que vem. É quando a emissora terá que tratar de problemas como o longo silêncio sobre o movimento Diretas Já e a famigerada edição do debate entre Collor e Lula na disputa pela presidência.

- Temos provas de que falamos do comício de São Paulo pelas diretas e colhemos depoimentos de todos os envolvidos com a edição do debate - conta Erlanger.

- Mas não são só essas questões. Houve também o caso Procunsult e o caso Riocentro - lembra Prioli - Quero crer que vão ser tratados com isenção, mas vamos ter que aguardar."

 

TV RATINHO
Laura Mattos

"Ratinho ensaia parceria com ‘ex-patrão’", copyright Folha de S. Paulo, 20/07/03

"Ratinho não desiste do projeto de se tornar um grande produtor de TV. Nesta se mana, conversou sobre o assunto com José Paulo Vallone. Ele foi diretor de programação da Record quando o apresentador estava na emissora e hoje toca a JPO, produtora independente.

Com o ‘ex-patrão’, Ratinho falou sobre a idéia de um telejornal nos moldes do ‘Globo Rural’. Valone se interessou. Em 2000, o apresentador alugou estúdio para produzir ‘Cantos do Brasil’, com supervisão de Guga de Oliveira (irmão do Boni). Não vingou. Já o plano de investir em cinema foi engavetado. Depois de ouvir conselhos da produtora Paula Lavigne, dizque ‘pensará duas vezes’.

OUTRO CANAL

Carona Simone Abravanel estréia o programete ‘Coisa de Amigo’ hoje na Rede TV!. Diz que o sobrenome famoso é do marido, ‘que veio da mesma região da Europa que Silvio Santos’. Parentesco zero.

Agenda Presidente da TVE Rio, Beth Carmona irá, em agosto, representar o país em dois eventos internacionais sobre TV de qualidade, um na Colômbia e outro no Chile.

Fatura A arma de Faustão hoje será o ex-big brother Jean Massumi. Ele, que ganhou no programa cirurgia para um grave problema nos olhos, volta para mostrar o resultado. Na semana passada, apesar de Antonio Fagundes ter dado vitória à Globo na primeira parte do ‘Domingão’, Fausto perdeu no Ibope quando Gugu explorou o caso Silvio Santos."


Mande-nos seu comentário


Observatório | Índice da edição | Busca
Objetivos | Purposes | Edições anteriores
Modo de Usar | Banca | Jornalistas na Net | Equipe