23/12/2003 6/29

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CASO GLOBOPAR
Fernando Soares Rodrigues

"Globo desmente entraves na negociação de dívida", copyright Estado de Minas / Correio Braziliense, 18/12/03

"A Globo Comunicações e Participações S.A. (Globopar), a empresa holding ou ‘mãe’ das Organizações Globo, desmentiu ontem que estariam ocorrendo entraves na renegociação de sua dívida de US$ 1,9 bilhão - R$ 5,5 bilhões. A assessoria da Globopar informou que a diretoria da empresa da família Marinho realizou na última terça-feira mais uma rodada de renegociação de seus débitos com os credores. A maior parte dessa dívida - US$ 1,16 bilhão (R$ 3,398 bilhões )- é garantida pela TV Globo. A Globopar adotou essa providência logo que a ação preferencial (PN) da NET, uma de suas empresas controladas, chegou a cair 4% na tarde dessa quarta-feira, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Ao final do dia, NET PN acompanhou a reação do índice Bovespa e terminou com alta de 1,96% e cotada a R$ 1,04 por unidade.

A especulação com esse papel ocorreu em função do pedido de reestruturação judicial da dívida da Globopar formulado nos Estados Unidos no último fim de semana. Com a iniciativa, o fundo de investimentos norte-americano W.R. Huff, que detém títulos correspondentes a 5% do total da dívida da empresa, agravou a situação da Globopar no mercado financeiro. O pedido de reestruturação judicial da dívida aproxima-se da falência nos EUA.

Jurisdição

A sorte da empresa da família Marinho, segundo Eduardo Grebler, sócio de um escritório de advocacia empresarial, é que a Justiça norte-americana não deve acatar o pedido sob alegação de que não tem jurisdição para julgar o ‘calote’ dado em território norte-americano por empresa estrangeira. A Globopar deixou de pagar o valor das debêntures vencidas e nem propôs a sua renegociação.

A Globopar procurou acalmar o mercado acionário diretamente de São Paulo. A assessoria da empresa voltou a destacar que Ronnie Vaz Moreira, presidente da Globopar, espera concluir no próximo ano a etapa inicial do processo de renegociação da dívida.

Ao declarar-se em default no ano passado, ou em estado de insolvência solicitado pela própria empresa, a Globopar estaria comprometendo a imagem do governo brasileiro e de outras empresas que realizam emissões vultosas nos EUA. Por isso, segundo fontes do mercado, a medida judicial do fundo norte-americano poderia ser utilizada pela Globopar para pressionar o governo a aumentar a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na NET ou a conceder-lhe um megafinanciamento."

 

Gilberto Menezes Côrtes

"Globopar negocia acordo sobre dívida", copyright Jornal do Brasil, 19/12/03

"Na segunda reunião em uma semana com os bancos credores, o presidente da Globo Comunicações e Participações S A (Globopar), Ronnie Vaz Moreira, costurou ontem no Rio um acordo para que todos permaneçam juntos no processo de renegociação da dívida da empresa, que deixou de ser paga em 28 de outubro de 2002. No último dia 11, o fundo de investimento americano RH Wuff apresentou, em Nova York, pedido de reestruturação judicial da dívida da holding da família Marinho.

Na terça-feira, Moreira já tinha promovido reunião semelhante com credores em São Paulo. A Globopar tem dívidas superiores a US$ 1,3 bilhão no exterior e deve ainda uma quantia expressiva em reais. A maior parte tem garantia da TV Globo Ltda. Tanto a TV Globo quanto a Globopar, que controla a Editora Globo, a Net, a Gravadora Som Livre, e a gráfica Globo Cochrane, são controladas pela família Marinho, dona dos jornais O Globo e Extra e do Sistema Globo de Rádio.

O presidente da Globopar viaja este fim de semana para os Estados Unidos, onde pretende encontrar, na próxima semana, uma solução judicial que evite que o pedido de reestruturação judicial da dívida comprometa o processo de renegociação. A Globopar precisa resolver a questão até 31 de dezembro e os feriados podem prejudicar os entendimentos.

Dois comitês concentram as negociações. Os credores de dívidas bancárias apóiam a renegociação, mas o grande risco, segundo uma fonte próxima às discussões, são os bond holders, dezenas de detentores de bônus da empresa emitidos em dólar e euros. Com garantia do faturamento da TV Globo, a Globopar emitiu bônus que vencem até dezembro de 2008. Essa dívida atualmente da ordem de US$ 1 bilhão, está sendo negociada no mercado com deságio de 60%.

O fundo RH Wuff, que adquiriu cerca de 2% da dívida da Globopar, segue os passos da família Dart, que, embora dona de menos de 5% da dívida externa brasileira, causou problemas na renegociação entre governo e credores em 1992.

Graças à recuperação do real diante do dólar, que reduziu os custos financeiros em R$ 823,8 milhões (mais de metade dos gastos com jornalismo e operações em 2002, ano da Copa do Mundo), a Globopar fechou o primeiro semestre deste ano com lucro de R$ 545,28 milhões, primeiro resultado positivo em dois anos.

No Brasil, a TV Globo Ltda também recorreu à Justiça, na semana passada, para tentar renegociar o pagamento dos direitos das Copas do Mundo de 2002 e 2006 com o grupo alemão InFront, sucessor da falida KirchMedia. A emissora acertou, em 1998, antes da desvalorização do real, pagar US$ 240 milhões à suíça ISL pela exclusividade de transmissão no país. A ISL quebrou, assim como sua sucessora, a Kirch."

 

UOL News

"Credores pedem falência da Globo na Justiça dos EUA", copyright UOL News (http://noticias.uol.com.br/uolnews), 16/12/03

"Um grupo de três credores entrou com um pedido de falência involuntária da Globopar (Globo Comunicações e Participações) na Corte de Falências dos Estados Unidos, Distrito Sul de Nova York, informa o serviço de notícias ‘Teletime’ (publicação especializada em informações do setor telecomunicações). Os três credores entraram com a petição de falência involuntária reclamando da Globo por uma dívida de um total de US$ 94,3 milhões.

Esses fundos são o GMAM Investment Funds Trust I (que se diz credor de US$ 30,5 milhões da Globo), o Foundations For Research (US$ 175 mil) e o WRH Global Securities Pooled Trust (US$ 63,6 milhões).

A Globo tem um prazo de 20 dias para se defender na Justiça de Nova York depois de receber a notificação que foi enviada na segunda-feira pelo correio. Depois disso, o juiz do caso deverá marcar uma audiência.

Se acatar o pedido dos credores, o juiz pode tomar uma de duas opções: ou ele inclui a Globo no chamado Chapter 11, que corresponde à concordata na legislação brasileira, ou ele realiza a liquidação da empresa.

Em setembro, os credores internacionais mandaram uma contraproposta de renegociação para a Globo. Até hoje, a Globo não havia se pronunciado sobre a contraproposta. Diante disso, esses três grupos de credores entraram com essa petição de falência involuntária.

A Globo deve um total de US$ 1,9 bilhão. Ela deve a bancos, a fundos e a fundos que detêm títulos como esses que entraram com o pedido de falência. Esses três fundos têm garantia da Rede Globo de Televisão, que é, do grupo, a empresa que ganha dinheiro suficiente para renegociar o total da dívida.

Ao mesmo tempo, a Globo tomou a iniciativa e liderou um grupo de empresas de comunicação que fez ao BNDES um pedido para criar um ‘Proer da mídia’. O jornalista Paulo Henrique Amorim, âncora do UOL News, enviou ao presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Carlos Lessa, a seguinte pergunta: ‘O BNDES vai botar dinheiro do povo brasileiro numa empresa cuja falência é pedida numa Corte de Falências em Nova York?’ Lessa não respondeu a pergunta."

Leia a seguir o comunicado que a Globopar divulgou na última sexta-feira, sobre a ação do grupo WRH.

"COMUNICADO

12 de dezembro de 2003 - A Globo Comunicações e Participações S.A. (‘Globopar’), comunica que em 11 de dezembro último, o Grupo de Investimento W. R. Huff entrou com pedido, nos Estados Unidos, de reestruturação judicial da dívida da Globopar. Esta ação é desprovida de fundamento legal e não afeta de forma alguma as empresas Globo. Todas estão gerando os resultados planejados e continuarão atuando sem qualquer impacto em seu desempenho ou gestão.

A Globopar vem mantendo, durante os últimos meses, construtivo processo de renegociação da dívida, organizado através de dois comitês de credores. A empresa já realizou diversos encontros com tais comitês e já tem próximas reuniões agendadas.

Ronnie Vaz Moreira, Presidente da Globopar, declarou que ‘a companhia vem se empenhando para alcançar uma solução consensual com seus credores e continuará a realizar as negociações e reuniões planejadas. Não acreditamos que ações como esta adotada ontem possam trazer qualquer benefício, quer para a empresa, quer para os seus credores.’

Por esta razão, a Globopar não aceitará que um credor, isoladamente, prejudique este processo de negociação, nem que este ou qualquer outro credor, utilize-se de expedientes desta natureza para tentar valorizar sua posição às custas dos demais.

A Globopar continuará negociando o pagamento da dívida, seguindo o processo em andamento, no melhor interesse de todos os envolvidos."

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