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ELEIÇÕES 2002
Arnaldo Bloch
"Jorge Maluco insinua que Elias é Benedita", copyright O Globo, 22/09/02
"Ontem, o candidato Jorge Roberto Silveira perpetrou na TV um ato que, findo o período eleitoral, talvez seja eleito o maior absurdo da campanha de 2002. Sem indício concreto, pôs em dúvida a lisura da prisão de Elias Maluco, insinuando ter-se tratado de uma armação eleitoral visando a levar Benedita ao segundo turno. Não chegou a dizer que Elias Maluco é eleitor de Benedita desde criancinha. Mas só faltou isso.
De acordo com Jorge Maluco - desculpe, Jorge Roberto - ‘isso sempre acontece na proximidade de eleições’. Não é verdade. Bandidos são presos (ou escapam) em qualquer época. Mas Jorge foi mais longe. Ele julga muito estranho o fato de Elias ter-se rendido pacificamente e de estar desarmado.
Quer dizer, na sua ótica, a única maneira legítima de prender um marginal é com tiro à queima-roupa. Ora, quem entende do assunto sabe que é comum bandido cercado desarmar-se na iminência da prisão, por questão de sobrevivência. E que em casos de queima de arquivo, policiais corruptos chegam a ‘plantar’ armas para forjar reação e justificar o ato. Mas não é só isso. Com seu raciocínio, Jorge Roberto conseguiu conciliar rendição com reação. Ou é uma coisa, ou é outra, Jorge!
No mais, mesmo que tivesse sido negociada, a rendição não perderia o seu valor, nem estaria automaticamente atrelada a um ânimo eleitoreiro. O que não significa que Benedita não vá usar a prisão em proveito próprio (já está usando). O que é bastante diferente.
Jorge Roberto tem razão ao dizer que a prisão de Elias Maluco
não é a salvação, e que prendê-lo
era uma obrigação. Mas transforma-se em Jorge Maluco
quando faz publicamente uma acusação desta gravidade,
no momento delicado pelo qual passa o Rio. A reação
de Benedita ainda é uma incógnita, mas, desde já,
conclama-se Jorge a render-se. Ou a provar o que diz."
Marcelo Coelho
"La vie en rose", copyright Folha de S. Paulo, 21/09/02
"Não espanta que os anúncios em torno da ‘farmácia do povo’, veiculados no programa eleitoral de Lula, sejam similares aos de alguma campanha anterior de Paulo Maluf.
Duda Mendonça pode ser um gênio, mas sua criatividade não é infinita. Sabe-se que, na Argentina, o slogan ‘Menem lo hizo’ já repetia o famoso ‘Foi Maluf que fez’, e que a própria história das farmácias vinha de uma campanha, ao que parece, de Miguel Arraes em Pernambuco. É a maquiagem da maquiagem.
Todas essas campanhas parecem dizer, afinal, uma única coisa: ‘Foi Duda quem fez’. A vaidade autoral talvez leve qualquer marqueteiro, ao contrário de muitos políticos, a deixar as impressões digitais bem perceptíveis sobre aquilo que toca.
Não me lembro em que campanha de Maluf, ou se em todas, o símbolo era um coração de plástico vermelho, que pulsava de amor por São Paulo. Tinha algo de bóia de salvação, de caixa de bombons e de boneca inflável, a que se agarravam as esperanças, a gula e a ternura malufistas.
Agora, é uma estrela vermelha o que funciona como objeto de carinho na propaganda mendoncista. Outdoors mostram uma criança agarrada à estrela, como se fosse um urso ou um travesseirinho. Lula está de fato mais fofo.
Se o repertório de Duda Mendonça é limitado, deve-se observar entretanto que não haveria nenhuma razão para vôos criativos mais audazes quando se trata, afinal, do mesmo objetivo: adocicar, com apelos emocionais infantilóides, a imagem de um candidato contra o qual pesavam sérias restrições.
Maluf não deixou de ser Maluf, mas a iniciativa de marketing fez com que todos o considerassem menos arrogante. Também é verdade que Lula ‘mudou’, pois a aposta num discurso moderado e em alianças para lá de moderadas significa de fato uma mudança para o PT.
Dizem que a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude. Aqui talvez fosse o caso de dizer que se trata do figurino inverso, e que o pragmatismo é uma homenagem que a virtude resolve prestar ao vício.
O engraçado é que a magia de Duda Mendonça parece espalhar-se pelos simpatizantes do PT, que não sei se não começam a encarar com otimismo excessivo o mundo, a vida, a política, o amor, o mercado de capitais, os militares brasileiros, a oligarquia do Piauí, e tudo mais.
A convicção de que banqueiros, empresários, investidores estrangeiros, todos agora passaram a aceitar o Lula tem algo, a meu ver, de novela das 7; o otimismo enjoativo, a narrativa pungente, o happy end, o clima de ‘la vie en rose’ não tem correspondência com o mundo real, e sim com o mundo publicitário.
Enquanto isso, o marketing de Serra vai ao ataque, de forma pesada e infeliz. Citou José Dirceu e sua frase sobre apanhar ‘na urna e nas ruas’.
Curioso que, quando pretenda ‘bater’ no adversário, a propaganda de
Serra mostre o adversário batendo em Covas, seu correligionário.
Há uma ambigüidade involuntária nisso. Primeiro,
porque tudo parece ilustrar a própria situação
de Serra, em crônico conflito com outras lideranças
tucanas e com o governo de que fez parte. Em segundo lugar, porque
não sei (com os atuais números das pesquisas) se é
boa idéia mostrar, no próprio horário eleitoral,
alguém dizendo que os tucanos vão perder. Vai ver
que até os serristas foram hipnotizados por Duda Mendonça."
Daniel Castro
"TV paga dispara no Ibope no horário eleitoral", copyright Folha de S. Paulo, 20/09/02
"A audiência da TV paga cresceu 152,5% no mês de agosto durante o horário eleitoral noturno, entre 20h30 e 21h20. Segundo dados do Ibope, o público do conjunto dos canais pagos aumentou de 214,46 mil na semana de 5 a 11 de agosto, quando não havia propaganda eleitoral, para 541,59 mil no período de 26 de agosto a 1º de setembro. Os canais pagos não transmitem a propaganda política, que começou em 20 de agosto.
Os dados se referem a São Paulo e Rio de Janeiro, onde, segundo o Ibope, há 3,7 milhões de telespectadores em 1,1 milhão de domicílios com TV por assinatura.
Os dados são extremamente expressivos. Os 541,59 mil telespectadores paulistanos e cariocas da última semana de agosto ficam próximos da média nacional projetada pela Globosat (programadora de canais pagos da Globo), por volta de 700 mil por mês entre 19h e 1h. A medição do Ibope só é feita em São Paulo e no Rio. No país, há cerca de 3,6 milhões de domicílios com TV paga.
No horário eleitoral das 13h às 13h50, a TV paga registrou aumento de 127,8% de audiência. Saltou de 120,52 mil telespectadores no início de agosto para 274,51 mil no final do mês.
A TV paga, obviamente, tirou audiência da TV aberta. Em 19 de agosto, 72% dos televisores da Grande São Paulo estavam sintonizados em emissoras abertas entre 20h30 e 21h30. No final de agosto, esse índice era de 47%."
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"1,2 mi foge do horário eleitoral para TV paga", copyright Folha de S. Paulo, 24/09/02
"Uma multidão de 1,747 milhão de telespectadores que assinam TV paga deixou de assistir ao horário eleitoral gratuito noturno (20h30/21h20) entre 20 de agosto e 7 de setembro. Antes da propaganda política, 2,891 milhões de pessoas que têm TV paga assistiam a canais abertos nesse horário. Depois, essa média caiu para 1,144 milhão. A queda foi de 60%. Entre as pessoas que não têm TV paga, a queda de audiência do horário eleitoral foi de cerca de 20%.
Os dados são de projeção nacional (onde há estimados 12,4 milhões de telespectadores com TV paga) a partir da medição de audiência de TV por assinatura feita pelo Ibope em São Paulo e Rio.
Pela primeira vez, a audiência dos canais pagos foi maior do que a dos canais abertos no universo dos assinantes de TV paga.
A audiência dos canais pagos saltou de 698,4 mil telespectadores para 1,860 milhão, um aumento de 169%. A audiência dos canais pagos vem crescendo a cada semana. Até a última semana de agosto, o crescimento era de 152,5%. Houve uma migração da TV aberta para a paga de 1,2 milhão de telespectadores _585 mil optaram por outra alternativa.
O canais GNT e o esportivo SporTV (que às quartas exibe jogos ao vivo a partir das 20h30) foram os mais beneficiados. O GNT cresceu 450% e o SporTV, 430%, seguido por Globo News, 358%, e Discovery, 305%. O ESPN Brasil, também esportivo, subiu 229%."
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