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TV RESISTÊNCIA
O Estado de S.Paulo
"Governo de Bagdá expulsa equipe da CNN", copyright O Estado de S.Paulo, 22/3/03
"A equipe da rede de TV a cabo americana CNN foi expulsa ontem de Bagdá, de onde transmitia imagens ao vivo desde o início da intervenção militar dos EUA, informou a emissora. A equipe de quatro pessoas que trabalha para a rede de televisão na capital iraquiana recebeu ordem para abandonar o país e partiria por estrada para a Jordânia, informou a cadeia em sua sede central, em Atlanta (EUA).
O Ministério da Informação iraquiano declarou que a CNN foi expulsa ‘porque se converteu em um instrumento de propaganda para difundir mentiras e rumores’. Um porta-voz da emissora em Atlanta, na Geórgia, recusou-se a revelar os motivos da expulsão. Na quinta-feira, depois dos primeiros bombardeios contra a capital iraquiana, a TV pôs em dúvida que fosse realmente Saddam Hussein quem apareceu na TV do Iraque, numa gravação transmitida para provar que ele havia sobrevivido. A emissora comparou as imagens com outras anteriores do presidente e sugeriu que a pessoa que aparecia no vídeo poderia ser um sósia.
As outras cadeias de TV americanas já não têm equipes em Bagdá, mas utilizam jornalistas free lance. É o caso, entre outros, de Peter Arnett, o ex-correspondente da CNN em Bagdá na 1.ª Guerra do Golfo (1991), que trabalha agora para a NBC e a sua rede de informações MSNBC.
Os meios de comunicação de todo o mundo dedicaram ao começo da nova guerra no Iraque um espaço comparável ao dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA e à Guerra do Golfo. Nos EUA, as primeiras pesquisas de audiência indicaram que a TV a cabo Fox saiu na frente, com 5,8 milhões de telespectadores entre 21h30 da quarta-feira e 3 da madrugada de quinta-feira. A CNN foi vista por 5 milhões e a MSNBC, com 2,3 milhões.
Mas, num sinal de que, em alguns lugares dos EUA, outros programas de TV atraem mais a atenção do que a realidade, levantamentos preliminares do instituto Nielsen Media Research revelam que na área de Los Angeles a cobertura da guerra ficou em terceiro lugar na preferência dos telespectadores. Não houve indicação de quais foram os programas mais vistos.
Apesar de sua ferrenha competição pela audiência, as principais redes americanas estenderam até a noite de ontem um acordo para partilhar suas imagens de Bagdá. A CNN, após a expulsão de sua equipe, utilizou imagens da TV de Abu Dhabi.
Logo que a guerra começou, as TVs admitiram o que já se suspeitava: que seus jornalistas que acompanham as forças americanas não estão completamente livres para dizer o que gostariam. ‘Nossos repórteres não dizem no ar coisas que eles não tenham checado antes com os comandantes (militares) locais’, afirmou o âncora da ABC, Peter Jennings, ao comentar a atuação dos que estão dentro de unidades militares (como porta-aviões) ou vinculados a algumas delas em terra.
Outro âncora, Dan Rather, da CBS, criticou os que dizem que as TVs não deveriam dar notícias como a de que o Iraque solicitou auxílio do Conselho de Segurança da ONU depois de deslanchado o ataque, que não foi aprovado pela entidade. ‘A essência de um país livre e democrático é que os cidadãos têm o direito à informação, mesmo a informação que possa irritá-los’, reagiu Rather.
As redes em geral estão dando destaque às transmissões ao vivo do Oriente Médio, a reportagens exclusivas, comparações com a Guerra do Golfo e análises de especialistas. Pouco espaço está sendo destinado a manifestações de protesto contra a guerra. ‘Uma das coisas que o governo está tentando sugerir... e com sucesso considerável, podemos dizer, é que tudo segue seu ritmo normal’, disse Aaron Brown, da CNN. (Reuters, AP, AFP, Lusa e Ansa)"
O Globo
"Equipe da CNN é expulsa pelo governo iraquiano", copyright O Globo, 22/3/03
"De nada adiantou o esforço da rede de TV americana CNN para cobrir a guerra no Iraque. Sua equipe recebeu ordens das autoridades iraquianas para deixar o país, informou o correspondente da TV, Nic Robertson, na sexta-feira. Ele e Rym Brahimi substituíram a correspondente Jane Araf, banida em 2002. Na notificação, o ministro da Informação do Iraque justificou a expulsão dizendo que a CNN tem espalhado boatos e dado falsas impressões sobre o país e a guerra.
Robertson e sua equipe planejam deixar Bagdá hoje. Mas eles não sabem se os intensos bombardeios da noite de sexta-feira podem afetar seus planos. As forças aliadas estão no sul do Iraque, onde os americanos controlam pelo menos um aeroporto, e uma tentativa de cruzar a área seria perigosa.
A CNN ganhou projeção com a cobertura da Guerra do Golfo, em 1991. Entre seus telespectadores neste novo conflito estão os oficiais iraquianos que examinaram a cobertura da emissora e determinaram que o Ministério da Informação monitorasse cada movimento dos jornalistas.
Há três dias, a equipe da CNN havia sido obrigada a se mudar de um escritório vizinho ao prédio do Ministério da Informação para um hotel. A emissora vinha tendo problemas com o governo iraquiano, que freqüentemente a acusava de ser preconceituosa. Uma fonte do governo disse que a emissora espalhava boatos que assustavam outros jornalistas.
A relação já tensa com o governo iraquiano chegou ao clímax na última quinta-feira, quando autoridades locais ordenaram que a equipe de jornalistas parasse de transmitir o iminente ataque americano, confiscando suas fitas. A CNN é a segunda emissora americana a ser expulsa do Iraque. A Fox News foi intimada a deixar o país no mês passado."
Sérgio Dávila
"Iraque expulsa jornalistas da CNN", copyright Folha de S.Paulo, 22/3/03
"A equipe da CNN em Bagdá foi expulsa ontem pelas autoridades do Iraque. Os quatro jornalistas devem deixar o país hoje de manhã pela fronteira com a Jordânia. Os oficiais do Ministério da Informação, que deram a ordem, não explicaram sua decisão, mas sabe-se que a emissora de notícias norte-americana vinha em rota de atrito com o governo iraquiano já havia algum tempo.
Reunida no abrigo antiaéreo do Hotel Palestine para uma reunião de emergência antes dos ataques de ontem à noite, a equipe também não se manifestou. No começo do ano, sua concorrente direta, a Fox News, também havia sido expulsa do Iraque.
A gota d’água, segundo apurou a Folha, teria sido a insistência com que a CNN ia ao topo do prédio do hotel, onde está baseada a maioria da imprensa estrangeira, para fazer transmissões ao vivo, que são proibidas fora do ministério. Muitos jornalistas quebram a regra, mas nenhum é tão visado e tem equipe tão grande quanto a da emissora de Atlanta.
O problema, dizem jornalistas que não se identificam por motivos óbvios, é que o Ministério da Informação vem utilizando a imprensa estrangeira como escudo humano involuntário. Além do controle, esse seria o principal motivo para a obrigação que os jornalistas têm de só fazer transmissões ao vivo ou utilizar o telefone por satélite dentro da sede do órgão, que pode ser um dos prováveis alvos da guerra.
Por sua força, a CNN vinha liderando a ‘revolta silenciosa’ que se instalou entre os repórteres baseados em Bagdá. Foi iniciativa da emissora mudar-se do Hotel Al Rasheed, até a véspera da guerra a sede principal dos jornalistas, para o Palestine.
O motivo é uma declaração do general Tommy Franks, de que desta vez os EUA poderiam não poupar o impressionante prédio, pois em 1991 o governo iraquiano teria usado a presença da imprensa no local para esconder a salvo membros do círculo de Saddam.
Depois de muita insistência e ameaça de quase todos os jornalistas de deixarem a cidade, o ministério acabou liberando a mudança de hotel. Até agora, o Al Rasheed não foi atingido, mas vive às moscas.
Além disso, muitos se fiam na linha quase direta que a equipe daqui manteria com o Pentágono para seguir os passos da emissora e reforçar sua segurança pessoal.
‘Contamos todos com as asas protetoras da CNN’, disse um repórter de TV europeu.
Assim, um episódio quase cômico, mas ilustrativo, aconteceu na madrugada de quinta, o que também pode ter ajudado na expulsão. O ministério pôs à disposição dos jornalistas um ônibus que os levaria a visitar feridos civis. Todos entraram e aguardavam a partida, inclusive o cinegrafista da CNN. De repente, seu celular toca. Ele ouve atento, desliga, levanta-se e deixa o ônibus.
Em segundos, temerosos pela suposta informação privilegiada, um a um os outros jornalistas passam a fazer o mesmo. Em cinco minutos, o ônibus está quase vazio. O ministério foi obrigado a cancelar a visita e transferi-la para a manhã de ontem.
A equipe da CNN, da qual faz parte Nic Robertson (que cobriu a guerra no Afeganistão), não faria nenhuma transmissão no percurso até a Jordânia. A TV não quis dizer se essa foi uma exigência iraquiana ou medida de segurança.
Sem repórteres em Bagdá, a rede transmitiu ontem imagens de outras emissoras parceiras, como a inglesa ITN. A CNN também usou algumas câmeras fixas instaladas em prédios da cidade.
Agora, há apenas um correspondente de TV dos EUA em Bagdá: Peter Arnett, da NBC, famoso como enviado da CNN na Guerra do Golfo. (Colaborou Laura Mattos, da Reportagem Local)"
O Estado de S.Paulo
"Rádio e TV iraquianas mantêm programação, desafiando o ataque", copyright O Estado de S.Paulo, 22/3/03
"Há duas noites, os habitantes de Bagdá se trancam em casa durante os bombardeios americanos contra sua cidade grudados na rádio ou na TV iraquiana, enquanto tentam tranqüilizar seus filhos.
As contínuas transmissões das rádio e TV iraquianas refletem o desafio do governo de Saddam Hussein e tentam levantar o moral da população. O distrito onde ficam o Ministério da Informação e a TV iraquiana estão entre os locais bombardeados, mas a televisão estatal permaneceu no ar.
Após a primeira onda de ataques, a TV divulgou fotos de Saddam com seu filho Qusay, que é responsável pela defesa da capital e a base de poder em Tikrit.
A rádio iraquiana tocou hinos paatrióticos louvando Saddam. Os anunciantes exortam os iraquianos a lutar. A TV também mostrou uma entrevista do ministro da Defesa, Sultan Hashem Ahmad, negando as informações de que os Estados Unidos esivessem conquistando o sul do país.
O ministro da Informação, Mohammed Sa’eed al-Sahhaf, em outra entrevista coletiva, também desmentiu o avanço das tropas americanas no Iraque e assegurou que as imagens de TV de iraquianos se rendendo eram fabricadas.
Pouco antes, a TV iraquiana havia divulgado um novo discurso de Saddam Hussein assegurando que Deus estava apoiando os iraquianos.
Muitos moradores de Bagdá – cientes da manipulação das informações pelo governo do Iraque – em vez de acompanhar o noticiário por meio da TV ou da rádio iraquiana, preferiram sintonizar a rádio BBC em inglês, como Samir Mehdi, de 38 anos, professor de inglês na Universidade de Bagdá. ‘Londres lança ataque contra nós, mas sua rádio é a que escutamos, até mesmo enquanto nos bombardeia’, disse, com certa dose de humor.
Em seu editorial, o jornal Al-Iraq criticou Bush, alegando que ‘a estupidez, a insanidade ou mesmo satã estavam levando o líder americano a lançar essa pecaminosa agressão contra o nobre povo do Iraque’. (France Presse e Reuters)"
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